segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Vice City - Parte 14


Tommy assumiu o controle da mansão de Ricardo Díaz e de todo seu império criminoso, que ia desde acordos de drogas a jogos ilegais e extorsão de comércios, mas ainda tinha que legitimá-lo. Alguns dias de paz chegaram a Vice City, mas não duraram muito. Pensando em realmente tomar conta da cidade, ele chama até a mansão, que não teve nenhum cômodo modificado, para uma reunião seus principais parceiros no novo Império Vercetti: Lance Vance, Avery Carrington e Ken Rosenberg. Os três chegam à mansão às três da tarde de uma sexta-feira e vão ao escritório de Tommy. Ele os recebe e os leva para conhecer o novo imóvel. Andando pelos corredores, os quatros sócios conversam.

 Temos que redecorar esse lugar! Temos que fazer com que pareça mais antigo! – Ken diz, sempre agitado, observando as paredes – Não aguento essa decoração! Tommy, o que você acha? Que tal colocarmos um bar na...

 Você é meu advogado, Rosenberg. Não meu decorador de interiores, entendeu? – Tommy corta e fala com todos – Me escutem, a hora de tomar essa cidade é agora! Está tudo lá esperando por nós!

 Nós precisamos começar a conquistar território... – Lance diz – Deixar Vice City saber que nós somos os novos donos da cidade, tá ligado?

 O que você precisa é de um legítimo cartão de visitas, Tommy, mostrar quem é que manda. Dar a essa cidade o que ela nunca viu... – Avery sugere.

 Temos que começar a usar a força ou já podemos dar um beijo de despedida em todo esse trabalho duro... – Lance completa – Os comerciantes locais sabem que Díaz está morto, e já estão se recusando a pagar por proteção.

 Ah, a gente poderia tentar suborná-los! – Ken diz.

 Suborná-los!? Foda-se suborno! Vou mostrar pra você como deixar eles assustados! – Tommy se irrita – Eu volto em cinco minutos...

Tommy não esperava receber aquela notícia de que os comerciantes estavam fazendo jogo duro para pagar pela proteção – sempre forçada – de qualquer gangue que domina uma cidade. Com Díaz morto, seria óbvio que alguém tomaria o seu lugar e o dinheiro deveria continuar a ser pago ao novo chefe. Se eles estivessem pensando que Vice City seria uma cidade sem dono, estariam muito enganados, era o que pensava Tommy enquanto andava em direção ao seu carro. O melhor lugar para encontrar comerciantes era o shopping, então ele vai até o North Point Mall, em Vice Point, para fazer uma visita surpresa aos comerciantes “abusados”. Naquela tarde, todas as lojas estavam abertas e o movimento do shopping não era muito grande. Tommy leva sua metralhadora em seu carro. Ele entra no shopping. Todas as lojas ali pagavam a Díaz para funcionar, e Tommy sabia disso. Ele simplesmente saca sua metralhadora e atira em todas as vitrines que vê pela frente perto de uma das entradas, desde vitrines de lojas de roupa a cafeterias. Algumas pessoas são baleadas com os tiros.

 Vercetti! Lembrem desse nome! – Tommy grita com toda a força para que todos ouvissem.

Quando os guardas do shopping se aproximam do tiroteio, já não havia mais ninguém atirando. Tommy já estava em seu carro voltando para sua mansão. O recado havia sido passado, os comerciantes com certeza entenderiam. Se continuassem não pagando proteção, suas lojas seriam destruídas e clientes seriam mortos. Ninguém gostaria de entrar em uma loja correndo o risco de ser atingido por um tiro na cabeça. A proteção deveria ser paga. Tommy logo mandaria alguns cubanos que contrataria para trabalhar para ele até as lojas para recolherem o pagamento, sendo a responsabilidade sobre a proteção totalmente de Lance. Com a notícia do ataque ao shopping, toda a cidade entraria nos eixos e saberia de seu novo dono.

Ao voltar para sua mansão, Tommy comunica a seus sócios que o problema já havia sido resolvido e os dispensa por aquele dia. Antes de ir embora, Avery tem uma conversa com Tommy.

 Filho, acho que eu tenho que te dar alguns conselhos... – Avery diz.

 Sim, Avery, o que está te preocupando? – Tommy pergunta.

 Há muitas oportunidades nessa cidade se você realmente domina um bom território, tá me entendendo? – Avery pergunta.

 Acho que sim... – Tommy responde.

 Só queria te dizer para ficar de olhos abertos, aí talvez você encontre a oportunidade perfeita para fazer negócios. Te encontro depois! – Avery se despede.

 Até mais, Avery... – Tommy volta para seu escritório.

O que Avery claramente quis dizer era para Tommy investir em sua construtora através de seus negócios sujos de compra de terrenos. Com o apoio de Tommy Vercetti, sua empresa, a Avery Construction, atingiria patamares inimagináveis de lucros. Tommy entendeu que teria que lidar com esse tipo de pedidos a todo momento, mas Avery era um bom sujeito, não haveria motivos para não ajudá-lo.

Ao contrário de Díaz, Tommy acordava cedo para resolver o que precisava ser resolvido, assim como foi disciplinado em seus quinze anos na cadeia. Então no dia seguinte, às oito da manhã, ele já estava de pé em sua mansão. Para sua surpresa, Lance também já estava lá, no bar, tomando um drinque com dois soldados: Juan, um dos cubanos recrutados dos Cabrones, e Mike, ex-soldado de Díaz que se juntou a Tommy depois de seu chefe morrer.  Todos estavam cabisbaixos.

 Qual é o problema? – Tommy se aproxima.

 Um bar está se recusando a pagar. Estão reclamando que já são protegidos por uma gangue local. Mas não se preocupe, Tommy, eu posso resolver isso... – Lance explica.

 VOCÊ CHAMA ISSO DE RESOLVER!? – Tommy se irrita e grita, assustando a todos, e aponta para os dois soldados – Vocês dois, levantem a bunda daí! Vamos!


Tommy não acordava cedo para ver seu encarregado das extorsões dizer que estava resolvendo problemas ficando bêbado às oito da manhã de um sábado. Ele entra em seu carro com seus soldados os chamando de inúteis, realmente estava bem nervoso. Mike diz que o bar que causava problemas era o Front Page Café, um bar que ficava na Ocean Drive, ao lado do hotel que Tommy morava antes de assumir a mansão, o Ocean View Hotel. Em alguns minutos, Tommy chega ao bar, que tinha alguns clientes tomando café da manhã na área aberta que ficava em frente. Lá estavam dois seguranças da DBP Security. Tommy entendeu. Provavelmente alguns trabalhadores da empresa deveriam estar fazendo um serviço extra de extorsão, como era muito comum, ainda mais na maior empresa do ramo do país. Tommy, Mike e Juan rendem os seguranças e pegam suas armas. Juan os mantém sob a mira de uma pistola enquanto Tommy e Mike querem falar com o gerente. Logo um senhor de meia idade e terno e gravata se apresenta como dono.

 Sua proteção precisa de um pouco mais de proteção... – Tommy diz.

 Ah, que merda, de novo, não! Eu não preciso dessas merdas! – o homem reclama – Esses idiotas são da DBP Security ali da rua de trás. Vocês que resolvam com eles!

 Vou te ver de novo logo... – Tommy ameaça.

 Tá, tá, tanto faz... – o homem desdenha.

Tommy já tinha estado na DBP antes, quando matou Dick Tanner a mando do russo que pedia favores a Leo Teal. Os seguranças do bar são levados até a frente da empresa para servirem como moeda de troca com os envolvidos no esquema. Tommy estaciona o carro em frente ao portão e chama os envolvidos com o Front Page Café. Três homens armados aparecem. Juan fica atrás dos seguranças apontado a pistola para a cabeça deles. Tommy sugere o fim do esquema no bar em troca da vida dos empregados. Porém os homens da DBP provavelmente não davam a mínima para os seguranças pegos, deveriam ser peças menores do esquema. Eles abrem fogo contra Juan e os próprios colegas, matando os três. Tommy e Mike imediatamente atiram de volta, também matando os três. Juan é colocado dentro do carro baleado na cabeça e é levado ao hospital a toda velocidade por Tommy, mas morre antes de chegar. Restou levá-lo de volta à mansão e preparar um velório digno de um dos Cabrones. Pelo menos ele havia morrido por uma causa: o dono do Front Page Café ligou para soldados de Tommy e avisou que a proteção era deles.

Quase tudo deu errado naquele fim de semana. Tommy sentiu como seria sua nova vida, uma vida de muito poder. E também muitos problemas. Perdas como aquela seriam frequentes. Várias gangues da cidade tomaram coragem com a morte de Díaz e começaram a fazer trabalhos por aí. Talvez fosse hora de deixar os serviços de proteção com alguém com maior responsabilidade do que Lance para que o novo momento de Tommy fosse mais tranquilo. Mike era o melhor homem para o trabalho. Ele tinha a experiência de ter sido um braço direito de Díaz e com certeza faria um bom trabalho. No velório de Juan, Tommy comunica a Mike e Lance sobre a troca de comando. O motivo seria não ter esse tipo de problema e estresses para o chefe do cartel, no caso, Tommy, que usaria seu tempo para investir em outras áreas rentáveis. Mike ficou feliz com o reconhecimento e agradeceu beijando a mão de seu novo patrão. Lance abaixou a cabeça e se afastou sem dizer nenhuma palavra.

Na noite de domingo, Lance ligou para Tommy.

 Tommy, nós precisamos conversar sobre umas coisas... – Lance diz, meio irritado.

 Qual é o problema, Lance? – Tommy pergunta.

 É você, meu amigo, estou sentindo que você não está me dando uma fatia justa. E mais que isso, você está me envergonhando na frente dos caras. Não aceito isso! – Lance diz.

 Lance, não é assim. Você anda cometendo erros... – Tommy tenta contornar a situação.

 Tommy, eu não sou seu mensageiro, nem seu soldado! – Lance fica nervoso.

 Lance, não fala merda! Nós não temos nenhum problema! Se eu fizer merda, você pode reclamar comigo a hora que quiser também! – Tommy também se irrita.

 Tommy, eu fiz tudo por você e você me trata como um imbecil. Não faça isso! – Lance continua.

 Lance, eu não vou te trair ou te esfaquear pelas costas, ok? – Tommy tenta manter a calma – Fica calmo, tudo que está acontecendo já é foda demais sem você discutindo relação comigo. Confia em mim! Você tá me ouvindo? Tá me ouvindo?

 Estou ouvindo, Tommy, mas não vou aguentar isso por muito tempo... – Lance diz depois de um longo silêncio.

 Lance, não faça isso. Agora eu estou te avisando... – Tommy começa a ficar irritado novamente – Tá me ouvindo? Relaxa aí, tira uns dias de férias, ok? Eu falo com você depois.

Essa ligação preocupou Tommy. Ele não poderia perder Lance, mas ao mesmo tempo não poderia continuar deixando sua irresponsabilidade atrapalhar os negócios. Alguns dias de férias realmente poderiam fazer bem a ele. Mas se Tommy conhecesse melhor a história do seu sócio e soubesse o que ele fez dois anos antes quando Vic o dispensou, não faria aquilo com uma pessoa com tal temperamento. Para Lance se tornar inimigo de quem o ignora era muito fácil. E já dizia o ditado: “Mantenha seus amigos por perto, mas seus inimigos mais perto ainda”.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Vice City - Parte 13


Outra mensagem chega para Tommy naquela noite, era de Cortez. Os dois não se viam havia algumas semanas, mas a mensagem pedia a Tommy para comparecer até o iate do coronel com urgência: 

“Tommy! Thomás, aqui é Cortez. Olha, os franceses estão me dando todos os tipos de problemas, amigo. Hipócritas desgraçados! Passam centenas de anos roubando dos pobres e me chamam de ladrão! Preciso da sua ajuda o mais rápido possível, amigo. Por favor, se apresse. Tommy, eu preciso de você, ok? Eu odeio esses franceses desgraçados!”.

Tommy se apressa e vai até o píer.

 Circunstâncias forçam uma retirada às pressas, amigo... – diz Cortez ao ver Tommy se aproximando do iate.

 Qual é o problema? – Tommy pergunta.

 Ah, os franceses querem a tecnologia de mísseis de volta e depois daquele último incidente, acho que é melhor procurar por portos mais seguros... – Cortez lembra a morte de Pierre La Ponce.

 Não seria mais seguro voar? – Tommy sugere.

 Eu seria morto antes de chegar ao aeroporto. Além disso, preciso levar minha mercadoria para fora do país... – Cortez diz.

 Precisa de outra arma? – Tommy oferece ajuda.

 Você, meu amigo, vale por dez armas, hahaha! – Cortez afirma.

O iate de Cortez parte do píer lentamente com todos no último andar, inclusive Tommy, que estaria ali para fazer uma segurança contra prováveis ataques que viriam a qualquer momento. E que vieram assim que o motor do barco foi ligado. Dois carros pretos chegam ao píer em alta velocidade e de dentro saem oito homens de terno e gravata, todos armados e à procura do coronel. Provavelmente eram agentes franceses. Tommy os avista ainda no píer e avisa aos marujos do coronel para os eliminarem. Do iate vem uma rajada de tiros na direção dos homens no píer, cinco são alvejados e três pulam na água desesperadamente. Eles não contavam com o reforço de Tommy na segurança do iate e nem que o coronel estivesse deixando a cidade. Mas quem estava atrás de Cortez estava prevenido. Enquanto passava pelo canal de Vice City com seu iate, o coronel vê a passagem embaixo de uma ponte ser bloqueada por vários barcos menores com homens armados, que começam a atirar contra o iate. Um dos marujos tira um lança-míssil de dentro de uma caixa e começa a atirar contra os barcos para limpar o caminho, fazendo vários homens voarem e seus pedaços caírem no mar. É nessa hora que um helicóptero se aproxima. Também estava lotado de agentes querendo parar Cortez. Tommy rapidamente vira seu fuzil para o helicóptero e começa a atirar, assim como os outros marujos. O helicóptero logo cai no mar e seus tripulantes não são mais vistos. Mas logo atrás vinha um Hunter, um helicóptero de combate muito mais resistente. Na troca de tiros, alguns marujos de Cortez morrem. Mas ainda havia a solução naquele iate. Quando vêem o marujo colocando o míssil para atirar contra o Hunter, os agentes pulam para o mar. O helicóptero é atingido em cheio e explode. Mas os franceses não haviam morrido.

 Tommy, estamos sendo invadidos pelos franceses! – grita Cortez.

Os tripulantes do Hunter sobem no iate armados com pistolas reservas. Os marujos e Tommy descem pelos andares do iate com cuidado, mas aniquilam com facilidade os franceses molhados, afinal tiros de pistola não se comparavam a rajadas de fuzis. Três franceses morrem no segundo andar do barco.

O caminho estava livre. O iate de Cortez atravessa o canal sem mais problemas e chega próximo ao mar aberto de Vice City. Cortez e Tommy conversam no convés:

 Thomas, você me protegeu e me serviu bem. Mas agora tem que nos deixar, antes que cheguemos ao mar aberto. Vou te dar minha lancha particular... – Cortez mostra uma lancha vermelha caríssima que o iate carregava em sua popa – Fique com ela, meu amigo, como símbolo da minha gratidão.

 Obrigado, coronel! – Tommy agradece.

 Mais um pedido. Enquanto eu estiver fora, você poderia ficar de olho em Mercedes para mim? – Cortez pergunta.

 Acho que ela pode cuidar de si mesma, mas claro, vou ficar de olho... – Tommy promete.

 Gracias, amigo. Hasta luego! – Cortez aperta a mão de Tommy.

 Adiós, amigo! – Tommy corresponde.

Cortez segue com seu iate para o sul, provavelmente voltaria para sua terra natal, o Panamá. Lá deveria ter mais poder para se defender de possíveis retaliações do governo francês, pois praticamente era dono do país. Tommy assume a lancha e volta para a praia. A deixa ancorada próximo ao farol de Washington Beach, visível do quarto de seu hotel. Mas ela não ficaria lá por muito tempo, pois Tommy tinha planos de acabar com Díaz e tomar sua mansão. Assim, sua nova lancha teria um píer bem mais seguro para ficar.

Durante aquela noite, Kent Paul havia alertado Tommy sobre sua situação na cidade com uma mensagem que dizia:

 “Beleza, Tommy. Aqui é Paul. Ouvi um pessoal dizendo que você tem sido um menino mau. Alguém se ofendeu por você começar a agir como o grandão do nada com esses golpes. Bem, não diga que eu não avisei. Se gabar é coisa de filho da puta, filho. De qualquer jeito, eu ouvi que sua cabeça está valendo um certo preço e que alguém está indo te pegar, então tome cuidado, e lembre-se de mim, irmão!”.

Tommy só ouviu a mensagem quando chegou em seu hotel. Era óbvio para ele quem queria sua cabeça: Díaz e seus homens. Sharks também poderiam estar atrás dele, mas, sem a força que perderam quando traíram Díaz, eles não incomodariam.


Lance recebe alta do hospital na tarde seguinte. Ele havia ficado muito fraco e perdido muito peso nos dias em que ficou confinado no cativeiro de Díaz, mas com quase uma semana de repouso, recuperou sua forma física. E estava disposto a acabar com o colombiano assim como Tommy estava. Como haviam combinado, ambos se encontram em frente à mansão de Díaz, escondidos, claro. Não só Tommy, mas também Lance era procurado a todo custo pela cidade.

 Consegui umas armas, estão aqui... – Lance abre o porta-malas de seu carro.

 Puta que pariu! De onde você tirou isso tudo? – Tommy se assusta com a artilharia.

 Estava guardando para algum dia ruim... – Lance brinca e entrega uma M4 para Tommy – Você gosta?

 Hahaha, sim, eu gosto! – Tommy se empolga.

Ricardo Díaz estava sentado em uma poltrona de seu escritório. Ele percebeu algo em seus vários monitores mostrando imagens de câmeras de segurança. Quando viu Tommy e Lance entrando em seu quintal, se levantou e pegou uma metralhadora para se defender. Ele sabia que o troco havia chegado.

 Esse lugar vai estar cheio de idiotas. Tome cuidado... – Tommy avisa a Lance enquanto eles se aproximam dos fundos da mansão.

 Não se preocupe, Tommy. Vou te cobrir! – Lance garante.

Os seguranças da mansão recebem o aviso de que podiam acabar com os intrusos e logo vão em peso para os fundos da casa. Munidos de fuzis poderosíssimos, Tommy e Lance trabalham em equipe, um cobrindo o outro, e vão limpando o caminho a cada segurança que entra na frente para tentar impedi-los. Muitos seguranças também ficam dentro da mansão para proteger Díaz. Enquanto Lance dava rajadas de tiros em homens que caiam mortos na imensa piscina da casa, Tommy avançava para a porta de entrada.

 Díaz deve estar lá dentro! – Tommy grita para chamar Lance.

Os dois adentram a casa e chegam ao início de uma grande escadaria interna giratória que levava aos vários andares da mansão. O teto dessa escadaria era de vidro, portanto o sol da tarde penetrava o ambiente. Tommy percebe pelas sombras projetadas pelos corpos dos seguranças a localização deles e mira os disparos de seu fuzil e do de Lance para o piso onde cada segurança estava, os atingindo de baixo pra cima, derrubando todos que faziam a proteção da casa por ali. Eles sobem a escadaria e chegam ao interior da mansão.

 Tommy, posso ficar com algum quarto com vista para o mar? – Lance se empolga.

Após derrubarem mais alguns seguranças na escadaria central da mansão, que levava ao escritório de Díaz, Tommy e Lance ficam cara a cara com o barão do tráfico novamente, o colombiano no alto e cada um em uma ponta da escada.

 Díaz! Vim tomar o seu império! – Tommy grita com toda força e fúria.

 Tommy, você me traiu, seu idiota! Eu vou te matar! – Díaz começa a disparar com sua metralhadora em direção a Tommy.

Os dois se jogam para o chão e rolam para trás da escada. Díaz estava por conta própria, todos os seus seguranças já estavam mortos. Mas ele não se entregava. Atirava sem parar, destruindo sua própria mansão, assim como fazia com qualquer bem que possuía.

 Tomem, seus filhos da puta assassinos! – Díaz berrava enquanto atirava.

Inexplicavelmente, Díaz estava atirando apenas em Tommy. Lance tinha ficado sob seu domínio por vários dias e não foi morto. Talvez ele tenha sido apenas uma isca para a conquista da morte de Tommy, que com certeza era muito mais perigoso para os negócios. Mas Díaz deveria ter pensado que Lance tinha motivos muito maiores para se vingar, afinal para ele quem tinha ordenado que fossem executados todos os presentes no acordo de drogas dos Forellis com os Vances tinha sido o maior traficante da cidade. E Vic Vance foi morto naquele final de tarde. Perder drogas, dinheiro e dois capangas como Tommy havia perdido não era nada se comparado a perder um irmão e parceiro de negócios. Como não pensou nisso e focou seus tiros apenas para o italiano, Díaz foi atingido no ombro direito por um tiro de Lance, deixou sua metralhadora cair e desabou ao chão entre gritos de dor.

 Seus imbecis estúpidos! – Díaz berra se arrastando pelo chão tentando recuperar sua arma – Minha linda casa, olha o que vocês fizeram com ela!

 Isso é pelo meu irmão! – Lance sobe as escadas e chuta Díaz antes que ele chegasse à metralhadora.

 Eu confiei em você, Tommy! – Díaz aponta e olha nos fundos dos olhos de Tommy, que olha para Lance com uma gelada cara de desdém – Eu poderia ter te transformado em um homem de verdade!

 Diga boa noite, Sr. Díaz... – Lance aponta sua arma juntamente com Tommy para a cara de Díaz e diz.

O tiro atinge a testa de Díaz, que morre com uma expressão de decepção gravada em sua face. Tudo que conquistou tinha sido em vão. Sua morte, ironicamente, tinha sido motivada por vingança de algo que ele não era responsável. Lance se sentiu aliviado e vingado pela morte de Vic e Tommy aliviado por finalmente ter dinheiro e droga suficiente para pagar a Sonny Forelli o que era devido. O império de Díaz agora era de Vercetti.

O homem que comandava Vice City estava morto e agora outro homem estava em seu lugar. Mas seu nome não era Tommy Vercetti. Era Sonny Forelli. Tudo havia saído como planejado na mesa do Marco’s Bistro em Liberty City e estava na hora da viagem à Vice City ser marcada.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Vice City - Parte 12


Depois de dois dias aguardando Lance sair do hospital, Tommy vai a uma hamburgueria no centro da cidade à noite. Enquanto comia seu sanduíche e tomava seu refrigerante, um homem negro esbarra na mesa de Tommy, pede desculpas e vai até o balcão. Tommy fica irritado, mas aquilo não era nada demais. Pelo menos era o que ele achava. Ao final de seu lanche, Tommy começa a se sentir estranho, algo estava errado. Não parecia ser uma má digestão e sim algo afetando sua mente. Rapidamente ele olha seu refrigerante e vê um resto de pó branco no fundo do copo, mas naquele momento já estava fora de si. O homem negro que esbarrou em Tommy estava na mesa ao lado. Ao ver que o italiano já estava sob efeito da droga que jogou no refrigerante quando esbarrou na mesa, ele diz em alto e bom som o nome de Tia Poulet repetidas vezes. Tommy olha fixo para o homem, se levanta e vai embora. O destino: Little Haiti.

Tommy chega à casa de Tia Poulet, que estava sozinha, sentada em sua sala.

 Ah, me desculpe. Acho que entrei na casa errada... – Tommy diz.

 Não, você deve é entrar, descansar suas pernas e tomar um pouco de chá... – Tia Poulet responde colocando um chá em uma xícara – Você tem alguma coisa aí para mim, Tommy?

 Sim... – Tommy percebe que tem um pacote branco na mão, não tendo ideia de como aquilo foi parar ali, e entrega – Esse lugar parece familiar para mim. Um cheiro de infância, um dejavu...

 Tommy, agora vou sussurrar um pequeno trabalho para você. Ouça bem, ok? – Tia Poulet diz.

 Você me lembra alguém que eu... eu... – Tommy está muito confuso.

 Os cubanos tem barcos rápidos que eles usam para cruzar os mares com drogas. É o ganha-pão deles. Meu sobrinho tem fabricado pequenas bombas voadoras para acabar com eles. Mande aqueles barcos para o caixão... – Tia Poulet ordena.

 Obrigado pelo chá... – Tommy bebe a xícara inteira e sai.

Fora da casa, um haitiano diz a Tommy que a van que ele realizaria o serviço estava na praia e aberta. Lá dentro ele saberia o que fazer. Então Tommy vê a van da Top Fun parada, entra e vê toda uma parafernália para guiar pequenos protótipos de avião que carregavam bombas. Seria o mesmo serviço que fez para Avery Carrington na destruição daquele edifício, só que dessa vez com aviões em vez de helicópteros. Como já estava habituado com aquele tipo de situação, Tommy logo tira os protótipos da traseira, acopla as bombas e começa a guiá-los de dentro da van. Um monitor mostra a visão frontal de cada avião através de câmeras. Os cubanos estavam com suas lanchas no píer de uma das mansões de Starfish Island, provavelmente fechando algum acordo de drogas. Tommy controle o avião até chegar bem em cima de onde estavam todos reunidos e solta a bomba. Instantaneamente todos no acordo morrem com a explosão. Restou a Tommy apenas trazer de volta o avião para colocar mais bombas acopladas e soltá-las nas lanchas dos Cabrones, o que foi feito sem ninguém para atrapalhar.

Ainda sob efeito de drogas haitianas, Tommy volta até a casa de Tia Poulet. Já era madrugada. Ao entrar e ver a casa toda escura, com apenas uma luz entrando por uma janela, ele grita:

 Olá, estou procurando por alguém aqui...

 Você parece estar com fome, Tommy... – Tia Poulet sai das sombras.

 Eu te conheço? – Tommy aparentemente não reconhece a velha, talvez por efeito das drogas.

 Agora cale a boca! Só mais uma coisa e eu deixo você ir, Tommy... – Tia Poulet diz – Meus garotos foram para a guerra com os cubanos, mas sem armas envolvidas. Huum, mas os cubanos tem uma surpresinha chegando. Enquanto eles lutam nas ruas, você pega esse rifle e mata eles no meio da confusão. Ninguém irá te ver, ninguém irá te ouvir. Tommy, se você fizer isso para mim, não ficará mais preso à minha presença.

 Tudo bem, tia... – Tommy pega uma sniper em cima de uma mesa e vai para a rua matar cubanos.


A briga estava acontecendo a poucas ruas de onde Tommy estava. Haitianos e cubanos lutavam na mão em um gramado de Little Haiti. Tommy sobe até o terraço de um prédio por uma escada nos fundos. Atrás de um outdoor ele se esconde e começa a mirar nos cubanos, muitos deles conhecidos do Café Robina, mas não eram reconhecidos naquele momento. Todos eles foram mortos, inclusive alguns haitianos também.

Logo após o último cubano ser morto, Tommy se vê em seu quarto de hotel com o sol incomodando suas vistas e com uma imensa dor de cabeça, a mesma de antes quando pensou ter visitado a velha haitiana. Era a segunda vez que Tommy não entendia nada e não sabia se o que tinha vivido era sonho ou realidade. Em seu, no mínimo sonho, Tommy havia acabado de eliminar praticamente metade dos soldados dos Cabrones, e se alguém tivesse o visto atirando, ele era um homem morto. Umberto nunca iria perdoar uma traição.

E é exatamente Umberto que liga para Tommy o chamando até a lanchonete, coisa que nunca havia feito. Aparentemente sua fala estava desapontada, por ter perdido muito de seu exército naquela noite, mas tranquila em relação a Tommy, parecia não haver suspeitas. Tommy se previne e vai armado até com granadas para o Café Robina naquela manhã. A lanchonete estava lotada e Umberto tentava se manter animado investindo em mulheres que tomavam café no balcão.

 Ei, senhoritas. Sabe o que eu vou fazer? Vou matar um haitiano! E depois? Depois vou fazer amor como um homem! Sabe como é, chica? Assim! – Umberto grita e faz movimentos sexuais para as mulheres, provavelmente prostitutas, que tomavam café.

 Que nojo! – uma das mulheres joga café nas calças de Umberto e se levanta para ir embora com sua amiga – Idiota!

 Ei, baby! Eu não tocaria em vocês nem com um pau de três metros! Umberto Robina gosta de damas e não de cabritas de saia! – Umberto se irrita com as prostitutas, que passam por Tommy na entrada, e ao ver o italiano se alegra – Tommy! Tommy! Eu te amo, eu te amo! Vamos lá!

 Ir aonde? Não posso tomar um café primeiro? – Tommy pergunta.

 Não há tempo para café! Além disso, acabei de tomar um! – Umberto mostra as calças molhadas – A gente tem que pegar aqueles haitianos! Tommy, como você mata uma cobra? Você morde a bunda dela! Hahahaha!

 Se você falou, está falado, Umberto... – Tommy diz.

 Tommy, consiga para nós um carro dos haitianos. Quando conseguir, volta aqui e pegue meu garoto Pepe e leve ele até os haitianos. Aí vocês vão até a fábrica dos haitianos e usem o solvente deles como explosivos. Boom! Adeus! – Umberto explica o plano.

 E você, Umberto? – Tommy pergunta ao ver o cubano indo para os fundos da lanchonete.

 Errr... Eu vou ficar lá atrás e vigiar a lanchonete com o papa! Ele não está muito bem, sabe? – Umberto dá uma desculpa esfarrapada para o seu já conhecido medo de estar na ação.

Tommy vai até Little Haiti e rouba um Voodoo estacionado, o carro que a gangue dos haitianos usavam para rodar em seu bairro. Vai até seu hotel deixar suas granadas, que não precisariam ser utilizadas, e volta para Little Havana e busca Pepe, que diz para Tommy ir encontrar mais cubanos que estavam com outros Voodoos, entre eles Rico, que depois dos ataques às lanchas dos cubanos por Tommy e pela falta de soldados, foi obrigado a se juntar aos ataques terrestres dos Cabrones. Em Little Haiti, Tommy encontra Rico e outros cubanos dentro de dois Voodoos.

 Hola, amigos! – diz Rico – Oy, a fábrica está do outro lado do quarteirão, amigo! Bueno, haitianos putas! Muerte! Vamos!

 Vamos! – Tommy responde.

 Siga os meus compadres! – o outro cubano no terceiro Voodoo diz.

Os Voodoos saem em fila para a entrada da fábrica do haitianos. Os cubanos se passariam por eles com seus carros para terem entrada liberada no portão. Os carros se alinham e o porteiro da fábrica nem se dá o trabalho de olhar quem estava dirigindo. Se eram Voodoos ele liberava a entrada, algo já percebido há dias pelos Cabrones. Os dois primeiros Voodoos entram e já se preparam para estacionar. Já o último carro, o que Tommy dirigia, passa pelo portão e Pepe atira com uma arma com silenciador no porteiro haitiano, então o portão fica aberto, algo essencial para o plano de fuga. Os Cabrones saem do carro e entram na fábrica, vazia por ser antes das nove da manhã e rendem e matam os poucos haitianos ali. Pepe leva as bombas para dentro da fábrica e instala todas em locais calculados para a explosão fazer com que toda a estrutura ceda e a fábrica desabe. Ele aciona três bombas com um timer de quarenta e cinco segundos. Logo todos os cubanos entram em seus carros e saem rapidamente da fábrica passando pelo portão aberto. Antes de deixarem a rua da fábrica, ouvem a enorme explosão, que a deixou completamente em ruínas. Todos voltam ao Café Robina para comemorar, mas Umberto não estava lá. Alberto dá dez mil dólares a Tommy pelo serviço muito bem executado e promete que Umberto logo entraria em contato. O que acontece naquela tarde:

 Tommy! Umberto Robina!

 Ei! Como está a lanchonete? – Tommy pergunta.

 Maravilhosa! Incrível, Tommy, incrível! Sem covardes, Tommy, apenas homens de verdade. E mulheres maravilhosas! De qualquer forma, quero te dizer que para mim e para o papi, você é um cubano! Você provou para todos, cara! Você tem grandes cojones! – Umberto agradece pelos serviços.

 Muito obrigado, Umberto! Ninguém nunca me disse isso após eu sair da cadeia! Te vejo por aí! – Tommy brinca.

No final do dia havia uma mensagem em seu telefone e era de Tia Poulet, que dizia: 

“Tommy, Tommy, porque você continua voltando aqui? Estou te dizendo que não queremos você aqui por perto de novo!”.

Tommy teve três certezas: de que o que fez para os haitianos foi real, de que não teria mais que se envolver com a guerra latina da cidade e que não poderia, em hipótese alguma, mesmo com a gangue haitiana quase totalmente eliminada, se aproximar de Little Haiti. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Vice City - Parte 11


Amanheceu e Tommy estava tão desperto quanto poderia estar. Só conseguiu dormir um pouco a tarde, mas apenas o suficiente para acordar algumas horas depois e ficar cansado o resto do dia e noite devido ao sono acumulado. Logo pensou em ir até a lanchonete dos Cabrones, mesmo ainda em dúvida se realmente tinha feito serviços para os haitianos ou não.

 Alberto, uno café, senhor! – Tommy entra na lanchonete e já pede.

 Papa, não sirva nada para essa cobra desprezível! – Umberto se levanta de uma mesa e agarra Tommy pelo pescoço, o jogando na parede – Você é duas caras, Tommy! Você é duas caras ou covarde, seu bebezão! Eles estão rindo de mim!

 Calma, calma! Qual é o problema? – Tommy se livra das mãos de Umberto.

 Eles estão rindo de mim, Tommy! De mim! Umberto Robina! Eles estão fazendo o que querem! – Umberto grita.

 Ninguém faz o que quer, Umberto. Eles só fazem o que você deixa eles fazerem! – Tommy responde seco.

 O que!? – Umberto é surpreendido.

 – Quer que alguém resolva isso? Eu faço, mas isso vai te custar! – Tommy se irrita – Eu sei que nós somos irmãos e tudo, mas estamos falando de negócios.

 Tommy, você é um grande homem. Um homem de negócios, um cavalheiro... – Umberto abraça Tommy, que logo depois limpa a camisa, e cochicha – Esses haitianos, eles tem um carregamento de produtos chegando pelo mar, coisa muito boa. A gente pega isso e acaba com eles. Você pega! E eu fico te vigiando. Como meu irmão, como meu filho!

 Acho que eu iria preferir dinheiro do que ser criado por você, amigo... – Tommy diz e sai da lanchonete.

Não ficou claro para todos se Umberto realmente sabia que Tommy tinha trabalhado para os haitianos. Nem o próprio Tommy tinha certeza. Mas ter deixado claro que tudo aquilo envolvia negócios e outros interesses foi um bom ponto para o italiano, era algo que precisava ser dito naquele ambiente. Umberto logo percebeu que Tommy não era um verdadeiro parceiro externo como Vic Vance uma vez foi aos Cabrones, mas mesmo assim poderia considerá-lo um amigo.

Como já estava habituado aos cubanos, Tommy já sabia que serviços pela água eram da autoridade de Rico, o cara que o levou para fazer o teste de direção na lancha. Ele estaria aguardando em Viceport, próximo ao porto. Tommy chega em alguns minutos e encontra o cubano em um píer com a mesma lancha de outrora:

 Ei, Rico. Belo barco. Você está pronto?

 Si, Tommy. Você vai ter que dar bons tiros hoje, meu barco não fica bonito cheio de buracos, ok? – Rico responde.


Tommy e Rico vão até Starfish Island, onde em um píer de uma mansão está acontecendo o acordo de drogas. De longe, Tommy reconhece duas gangues: os haitianos de Little Haiti com seus barcos e camisetas roxas e, por incrível que pareça, Sharks por toda a extensão da mansão, mesmo após a base deles ter sido arruinada por Tommy e Lance a pedido de Ricardo Díaz. Aparentemente, eles conseguiram invadir outra mansão para usar como base e investir no tráfico novamente. Dentro da lancha que Rico estava guiando, Tommy vê um lança-míssil. É com ele que o acordo recebe as honras dos Cabrones, que tinham um italiano casca-grossa como frente. Tommy lança o míssil em um dos barcos dos haitianos, que explode, lançando os homens em pedaços ao mar. Logo após a explosão, a rajada de tiros dos fuzis de Tommy e Rico avassalam todos os homens naquele píer, sem chance para reagirem. As drogas e as maletas com dinheiro estavam lá, mas era arriscado demais ir buscar, pois ainda havia vários Sharks no quintal da mansão a protegendo e já estavam indo para o píer por causa do barulho de tiros. Rico leva a lancha para o píer da casa vizinha e os dois avançam sobre a mansão dos Sharks eliminando os seguranças restantes com tiros letais, a maioria na cabeça. Rico era um excelente soldado, avançava em ambientes hostis com muita tranquilidade. Tommy apreciou o cubano. Logo eles chegam ao que interessa e roubam tudo envolvido no acordo, cem mil dólares e vinte quilos de um pó branco que não era possível deduzir de que material era feito. Tudo é entregue na Café Robina ainda naquela noite e Tommy recebe um pagamento pela primeira vez por parte de Umberto pelo serviço prestado.

Ao sair da lanchonete, Tommy se lembrou de uma coisa quando viu o letreiro com o nome do estabelecimento. Antes de entrar nela pela primeira vez, recebeu um recado de Kent Paul, que dizia ter uma informação valiosa. Depois de uma semana, Tommy finalmente resolve ir ao Malibu Club encontrar o inglês para ver o que era essa tal “informação valiosa”. Ao chegar ao clube, Tommy vê Paul no bar, que o vê e logo vai a seu encontro:

 E aí, meu amigo. Eu vou salvar sua namoradinha, cara!

 De que merda você está falando? – Tommy pergunta.

 Você conhece aquele safado do Díaz, o rei do pó. Ele pegou o seu parceiro Lance. Dizem que seu amigo quis passar por cima dele, mas não pulou alto o suficiente, se é que você me entende... – Paul revela.

 PARA ONDE LEVARAM ELE!? – Tommy agarra Paul pelo colarinho e joga na parede – FALE EM INGLÊS CLARO!

 Ah! Calma! Levaram ele para o ferro velho do outro lado da cidade! – Paul diz entre gritos de dor até Tommy o soltar e ir embora – Porra! Seu louco!

Tommy vai imediatamente até o ferro velho de Little Haiti. Só havia aquele naquele lado da cidade. Enquanto se aproximava do local, ele se lembrou da última vez que falou com Lance, e que não foi nada amigável. Lance deveria ter se sentido abandonado e tomou a decisão de tentar matar Díaz sozinho, já que Tommy não teria tempo para tentar impedi-lo. E como Kent Paul já sabia daquela informação há uma semana, seria um milagre Lance ainda estar vivo naquele ferro velho.

Lá chegando, Tommy vê que havia uma barreira na porta com um carro atravessado e homens armados. Aquilo era um bom sinal, pois significava que estavam protegendo alguma coisa lá dentro. Não iriam proteger Lance morto. Tommy então acelera seu carro, se abaixa e invade a barreira em altíssima velocidade. Os tiros dos seguranças de Díaz acertam os vidros do carro antes da batida. Com o impacto, o carro de Tommy explode, fazendo o segundo carro explodir juntamente com os seguranças. Tommy também havia explodido? Não, pois antes do impacto ele se jogou do carro segurando seu fuzil. Ficar machucado era mais interessante do que morrer. Tommy avança pelo ferro velho e elimina os homens armados de Díaz que se aproximavam do portão para ver o que havia acontecido. O caminho aparentemente ficou livre. De longe, Tommy vê um galpão aberto e lá estava Lance amarrado e desacordado em uma cadeira. Só havia um segurança com ele e estava pronto para atirar na cabeça do traidor já que todo mundo havia morrido. Mas Tommy dá um tiro certeiro no braço do homem, que larga a arma e grita de dor até o próprio Tommy aliviar sua agonia com um tiro na testa. Lance acorda com os gritos e Tommy o desamarra, mas o italiano não estava nada feliz:

 Meu cuidadoso plano foi para a casa do caralho graças a você, muito obrigado! Você me fodeu direitinho, Lance!

 Ele matou meu irmão! O que você achou que eu faria? Cortasse a grama dele? – Lance, irritado, quase não tem forças pra falar.

 A gente vai ter que eliminar aquele idiota do Díaz antes que ele tente matar a gente! – Tommy diz – Você está bem para usar uma arma?

 Claro, eu acho... Bom te ver também... – Lance ironiza.

 Vamos embora daqui! – Tommy diz ao entregar uma pistola que guardava para Lance.

Eles encontram um carro com a chave na ignição no ferro velho e Tommy leva Lance ao hospital do centro da cidade, o Schuman Health Care Center.

 Fique melhor, se apronte e me encontre na ponte de Starfish Island, ok? – Tommy diz.

 Ok, pode deixar... – Lance diz e vai caminhando para o hospital.

A hora de Ricardo Díaz havia chegado.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Vice City - Parte 10


Depois de procurar em algumas lanchonetes em Little Havana, Tommy encontra uma cheia: a Café Robina. Antes de estacionar, ele recebe uma mensagem de Kent Paul, que dizia: 

“E aí, meu amigo. Aqui é Paul. Acho que tenho uma coisa para você, mas preciso falar com você pessoalmente. Estou relaxando aqui no Malibu. Saiba que você irá me dever um favor ou dois depois disso. Até mais!”. 

Novamente Tommy estava no meio de algo, não podia dar muita atenção aos outros. Então ele sai do carro e se aproxima da porta da lanchonete.

 Si, cara? – pergunta um idoso. Era Alberto Robina, dono da lanchonete.

 Calma, papi. Esse cara é para mim... – Umberto Robina, o líder dos Cabrones, diz – Você! Você é o garoto? É, acho que é!

 Não, acho que eu não sou... – Tommy responde após olhar para os lados.

 Ah é? Vem aqui, machão! Você acha que pode me bater? Acha que pode bancar o idiota pra cima de mim? – Umberto se irrita.

 Não, acho que você já está sendo idiota por nós dois... – Tommy responde acidamente.

 Ei, ele te chamou de babaca, filho! – Alberto diz para Umberto.

 E eu chamo esse cara de garotinha, papi! – Umberto responde – Olha só para ele! Todo bem vestidinho. Que dia é hoje? Dia das moças? Você se diz machão, mas se veste feito uma mulher? Você usa calcinha também?

 O que você tem contra mulheres? Você prefere homens, garotão? – Tommy provoca.

 Eu gosto de mulher! Gosto de todas as mulheres! Eu amo minha mãe, chico! – Umberto fica muito irritado.

 Tudo bem, tudo bem, já entendi. Relaxa... – Tommy se afasta.

 Você sabe dirigir, amigo? – Umberto pergunta.

 Sim... Como uma moça... – Tommy brinca.

 Hahaha! Muito engraçado! Eu gosto de você, garotão! Talvez você possa ajudar! – Umberto muda de humor – Talvez você possa provar que é um homem, hein! Pegue um barco! Me mostre que você tem grandes cojones e não umas chiquitas aí no meio das pernas!

Tommy é levado até um píer próximo à praia e é observado pelos Cabrones enquanto é submetido a um teste de direção com uma lancha.

 Ei, eu sou o  Rico. Você é o cara com grandes cojones? – pergunta um latino.

 Tommy Vercetti. Vamos logo... – Tommy responde.

 Ok, cara. Trate a lancha como uma moça... – Rico diz.

Tommy sobe na lancha e vai acompanhado de Rico, que vai dizendo por onde ele tem que passar para suas habilidades de direção serem testadas. Mesmo ouvindo provocações por todo o caminho, Tommy mostra sua boa direção e acaba impressionando Rico, que com menos de cinco minutos de lancha com Tommy já reconhece sua perícia. Eles voltam para o píer e o cubano diz que passará o resultado do teste para Umberto e que Tommy em breve receberá ligações dos Cabrones. E não demora: no dia seguinte, Tommy já era chamado para o Café Robina. Entretanto, Umberto não estava lá.

 Um cafezito por favor, Alberto... – Tommy pede ao dono da lanchonete.

 No problema, Tommy... – Alberto prepara o café.

 PAPI! UM GRAN PROBLEMA! – Umberto entra gritando na lanchonete, exausto.

 Umberto, meu filho, o que aconteceu? – Alberto se assusta.

 Os haitianos! Eu odeio esses haitianos! – Umberto grita – Eles mexeram comigo pela última vez! Esses... Esses haitianos! Nós vamos pegar eles! Mas precisamos de reforços! Já perdi vários hermanos lá! Amigo, você dirige bem!

 Para uma moça, né? – Tommy brinca.

 Agora não é hora para piadas! Vai, dirige para mim de novo! – Umberto se irrita – Leve meus homens até lá e vamos acabar com esses haitianos! Se eles mexeram comigo, eles mexeram com o maior garotão da cidade!

Tommy entra em um carro dos cubanos e três dos Cabrones vão com ele e indicam o caminho para chegarem aos haitianos:

 Vamos lutar como homens!

Tommy leva os cubanos até Little Haiti, onde eles se juntam a mais membros da gangue para irem de van até onde os haitianos se escondiam. Era um beco que dava acesso a uma fábrica de drogas e tudo era muito bem protegido por soldados haitianos. Um dos cubanos agradece Tommy por ter levado o reforço e pede ajuda para acabar com todos. Tommy adorava uma ação, então leva a van até o beco e sai com seu fuzil para se juntar aos cubanos. O tiroteio começa e no beco há um carro atravessado servindo de proteção para os soldados. Mas os cubanos não eram a maior gangue da cidade por sorte e sim por competência, então logo tratam de lançar granadas na direção dos haitianos. Enquanto as bombas explodiam, outros cubanos matavam haitianos em cima de prédios ao redor com snipers. Era uma operação de limpeza da área para a tomada de um dos maiores pontos da gangue rival. Três cubanos avançam pelo beco e são atingidos por disparos fatais de mais snipers, desta vez de um haitiano no telhado da fábrica.

 Sniper no telhado! Eles lutam como moças! Se protejam! – um dos Cabrones grita enquanto liga para Umberto – Precisamos de reforços da lanchonete! Peguem aquele sniper covarde!

Todos os tiros dos cubanos se concentram no telhado da fábrica. O haitiano despenca de quinze metros de altura, já morto. Os cubanos esperam alguns minutos até um carro com mais cinco deles chegarem. Os haitianos estavam todos entocados na fábrica, portanto deveria haver um bom número de soldados lá dentro. Enquanto os cubanos iam avançando, haitianos apareciam esporadicamente na rua para tentar fazer uma proteção, sem sucesso. Apesar de serem considerados soldados, eram amadores, não possuíam o treinamento de combate que os Cabrones possuíam, portanto logo padeceram. Ainda no combate, um dos cubanos disse a Tommy para roubar uma van que estava no estacionamento da fábrica. Os haitianos deixavam suas drogas lá. Tommy rapidamente corre e entra na van. Ele leva toda a droga para Robina em Little Havana.

Ao fim daquele dia, Tommy recebe uma ligação em seu próprio telefone. Pensou que poderia ser Kent Paul, já bêbado, insistindo para ele ir ao Malibu para a informação grandiosa que receberia, mas não era o inglês e sim uma mulher com um fortíssimo sotaque latino misturado com francês que falava:

 Tommy, vários homens mortos estão falando sobre você, meu querido. Achei que você precisaria de algo para sentir-se melhor. Então a Tia Poulet vai te preparar uma sopa, ok? Venha à minha cozinha alguma hora, ok, Tommy?

A serenidade e o mistério na fala daquela mulher pela primeira vez assustou Tommy em todo aquele período em Vice City. Ele sentiu sua espinha gelar ao fim do recado. Logo associou tudo. Se vários homens mortos falavam sobre ele, deveriam ser os haitianos mortos naquele dia. Ir até essa Tia Poulet misteriosa seria entrar no terreno do inimigo. Tommy não faria isso. Portanto, pegou sua moto, saiu de seu hotel e tinha a intenção de ir ao Malibu encontrar Kent Paul. Mas do segundo que desligou o telefone até o momento em que subiu em sua moto, Tommy não conseguiu se livrar do frio na espinha que aquela mulher tinha lhe passado. E se decidiu. Talvez fosse um grande erro, mas ele iria até a Tia Poulet.


Já em Little Haiti, às onze da noite, Tommy, de capacete pra proteger seu rosto, procura algum haitiano sozinho pelas ruas, pois caso a ligação fosse uma emboscada, seria mais fácil de escapar. Após rodar por alguns minutos, um haitiano é visto sentado em um banco. Tommy se aproxima e tira sua pistola já apontando para o homem e perguntando onde morava a Tia Poulet. O homem pede calma e aponta para um conjunto de casas velhas ao fim da rua.

Tia Poulet era uma idosa de oitenta e seis anos nascida em Port-au-Prince com incrível aparência jovem, não aparentando ter mais do que cinquenta anos. Era a fundadora e matriarca da gangue haitiana de Vice City, que atuava na cidade desde o início dos anos trinta, além do próprio bairro de Little Haiti, que no fim dos anos setenta e oitenta foi dominado pelos Cholos mexicanos até serem erradicados por Vic Vance e os Cabrones em 1984. Tia Poulet era obesa, alta e usava um largo vestido e um pano na cabeça amarelos. Era especialista em poções e vudu, praticamente uma feiticeira.

 Olá? Olá? – Tommy entra na primeira casa do conjunto, que está com a porta aberta e tudo escuro.

 Entre, meu querido, e descanse sua alma... – Tia Poulet acende as luzes enquanto prepara um chá em um fogão velho – Você deve ser o grande homem mau que meu vovô sempre fala. Ele me diz coisas sobre você, sabe, quando ele me visita, e também sobre os outros que aguardam por você. Nós estamos mortos há muito tempo, mas você, eu não queria estar na sua pele, hahaha!

 Eu recebi uma mensagem para vir aqui... – Tommy diz confuso enquanto aceita o chá que a velha oferece.

 Você ouve eles? Eles estão chamando seu nome, garoto, devem querer muito a sua presença, você não acha? – Poulet diz – Agora você irá fazer um favor para a Tia Poulet, hein, talvez ela te ajude. Talvez ela te dê um pequeno amuleto Juju depois de tudo. Dar a você uma magia para meter medo nos homens da lei, hein?

 Olha, isso tudo está bem... Me dar o que!? Acho que eu bati na porta errada... – Tommy não percebe, mas está completamente alterado pelo chá que está tomando, que, na verdade, era uma poção, o fazendo falar arrastando as palavras.

 Shhh, me faça essas coisas, Tommy... – Tia Poulet se levanta, põe a mão na cabeça de Tommy e lhe fala aos ouvidos – Os cubanos nojentos, orgulhosos e convencidos estão fazendo meus adoráveis garotos haitianos baterem cabeça. Agora eles disseram para a polícia onde eu estou guardando meus pós. Eles acham que são drogas, são estúpidos. Agora seja um bom garoto, Tommy, e vá buscar os pós para a Tia Poulet...

 – Sim, claro, claro... – Tommy está enfeitiçado pelo chá misterioso que tomou.

Ao sair da casa velha, Tommy se sente estranhíssimo. Não conseguia pensar no que estava fazendo. Apenas tinha várias intuições pipocando em sua cabeça. E essas intuições lhe diziam locais onde havia sacolas escondidas. Tommy sobe em sua moto e segue em um caminho fixo, sua mente o guiava. Ele anda por algumas ruas e se aproxima de um pequeno prédio com uma escada de acesso ao telhado. Lá havia uma sacola com várias cápsulas que continham pós de várias cores. Mas assim que Tommy pega a sacola, um policial aparece no telhado do prédio ao lado mandando Tommy não se mexer. Mas ele sai correndo e desce as escadas em direção à rua, indo a um novo caminho que sua mente lhe dizia para seguir, esquecendo sua moto ao lado do prédio. Nesse momento, inúmeras viaturas de polícia começam a perseguir Tommy, que fugia a pé. Ele pula muros de casas velhas e alcança outra sacola com cápsulas. E aí mais uma visão aparece para Tommy lhe dizendo onde mais uma sacola estaria e que dessa vez era bem mais longe. Tommy percorre o bairro por cinco minutos com viaturas e até um helicóptero da polícia em sua cola e encontra a terceira sacola. Com as três sacolas na mão, ele decide voltar para a casa da Tia Poulet. Mas quando abre a porta da casa para entregar os pós da velha, tudo fica escuro para Tommy e um som agudo lhe perfura os ouvidos. Quando o som passa, Tommy abre os olhos e está deitado em sua cama no quarto de hotel que morava. Ele demora alguns segundos tentando compreender o que estava acontecendo. Sem sucesso. Uma forte dor atrás da cabeça o atinge quando ele se levanta. Ele estava do outro lado da cidade sendo perseguido pela polícia e, num piscar de olhos, estava em seu hotel. Quando olha pela janela, vê sua moto estacionada em frente à praia, exatamente no mesmo lugar que sempre a estacionava. A forte dor de cabeça e uma inexplicável fadiga corporal levam Tommy novamente à cama. Mas ele não dormiu aquela noite. Será que tudo tinha sido um sonho?