sexta-feira, 29 de maio de 2015

Vice City Stories - Parte 8


Vic vai ao aeroporto esperar por seu visitante. Ele vai com um novo carro conversível que tomou de Marty, pois podia ter mais de uma pessoa o esperando, nunca se sabe. Vic estaciona seu carro em frente à entrada principal e fica em pé aguardando alguém se manifestar. É quando um homem negro se aproxima sorrateiramente de Vic e lhe dá um susto:

 E aí, mano! Hahahaha!

 Lance! O que você está fazendo aqui? – Vic se surpreende.

 Você não parece estar muito feliz... – Lance diz.

 Não estou mesmo! – Vic confirma.

 Valeu, mano. O que você esperava? Que recepção, cara... – Lance resmunga.

 Não você! Alguém útil! – Vic aponta para seu irmão.

 E eu sou o quê? Um inválido? Seu irmão ruim, idiota e vida torta? – Lance diz.

 Mais ou menos isso aí mesmo... – Vic responde.

 Tá bom. Bom, eu não sou o cara que foi chutado do Exército... – Lance ironiza.

 Não, você é o cara que foi chutado dos escoteiros! – Vic responde na mesma moeda.

 Ah, qual é, cara. Eu viajei esse tempo todo para você me recepcionar como se eu tivesse herpes... – Lance se cansa.

 Talvez seja porque sua vida toda foi dar problemas para todo mundo! – Vic se irrita.

 Ah, me dá um tempo, cara. Eu mudei! – Lance diz.

 Tá bom. Vou te dar uma chance. Uma chance. Nada mais... – Vic diz, após pensar calado por um longo tempo.

 É isso aí! Hahaha! Vem cá, cara! Você não vai se arrepender, mano! – Lance abraça Vic – Eu te amo, cara. E amor pode mudar o mundo. Mas, Vic... Eu tenho herpes! Hahaha!

 Sai de cima de mim, cara! Apenas entra nesse carro logo! – Vic diz, sorrindo.

 Hahaha! Estou brincando! – Lance diz.

Lance era o irmão do meio. Ele era um homem agora com vinte e seis anos, bem mais alto que Vic e usava grandes óculos redondos, o que lhe dava um ar de bobo e imaturo. Foi para Vice City porque não aguentava mais viver com sua tia Enid e vice-versa. Vic, ao contrário do que imaginava, não ficou totalmente irritado ao saber que seu irmão estava ali. Fazia muito tempo que não se viam e por um momento relembrou sua adolescência, quando convivia diariamente com Lance.

Os dois entram no carro conversível de Vic. Logo quando estão saindo, dois carros repletos de Cholos os cercam. Todos estão armados e um deles vai andando em direção ao conversível:

 Todos os Cholos estão procurando por você, senhor atirador! – o Cholo era Carlos, o homem que estava dentro de uma loja quando Vic fez um dos maiores caos que Vice City já viu.

 O que você quer comigo? – Lance grita.

 Não estou falando com você! Estou falando com ele! – grita Carlos, irritado – Você matou vários Cholos, agora vamos matar você várias vezes!

Imediatamente, Vic troca de lugar com Lance no carro. Lance passa para a direção e Vic se senta na janela do passageiro e começa a atirar nos Cholos, que revidam.

 Tira a gente daqui, Lance! – Vic grita para seu irmão, que acelera o carro com tudo.

Vários carros com Cholos estavam ali por perto e um drive-by intenso começa nos arredores do aeroporto, matando, inclusive, vários inocentes por bala perdida.

– Essa é uma ideia sua de festa de boas-vindas? – Lance pergunta com ironia.

 Vai! Acelera! – Vic diz ao olhar para trás e ver vários carros o seguindo.

 Espera aí, cara! Para onde eu estou indo, caralho!? – grita Lance, sem conhecer a cidade.

Vic não responde, apenas atira virado para trás. De repente, ele sente um tranco. Lance fez o carro subir em uma rampa que estava encostada em um muro e o carro conversível levanta voo.

 CARALHOOOO!!!!! – os dois irmãos gritam simultaneamente.

 Sou muito lindo para morrer! Hahaha! – grita Lance ao aterrissarem o carro.

Mais Cholos estavam por ali, pareciam ter montado um esquema especial e que sabiam que Vic iria buscar seu irmão no aeroporto. O tiroteio continua.

 Você tem algum amigo nessa cidade? – Lance pergunta – Que merda, eles estão em todos os lugares!

Lance leva o carro até uma galeria de esgoto em Little Haiti. Quando estão andando com o carro por lá, os Cholos posicionam seus vários carros em cima da galeria e começam a atirar de cima. Mas Vic abre fogo e consegue acertar todos antes de sofrer algum dano. Eles saem dali e Lance vê mais uma rampa à frente. Sua impulsão falou mais alto:

 Mais uma chance para Lance Vance!

Lance leva o carro direto para a rampa. Como estavam em alta velocidade, o carro simplesmente levita, atingindo cinco metros de altura.

 Laaaaaaaaaaance! Seu imbeciiiiiiiiiiil! – Vic se desespera, segurando no vidro dianteiro do carro.

Quando aterrissam, um incêndio começa e os dois irmãos logo saem do carro. Ele explode em alguns segundos.

 Você nunca mais vai dirigir! – Vic diz, irritadíssimo.

 Cansei de você, cara. Você me deixa puto. Sempre me trata igual criança! – Lance também fica irritado.

Alguns Cholos não desistem e encontram os irmãos. Vic joga uma pistola para Lance e os dois conseguem eliminar os mexicanos que o perturbavam.

 Eu apreciaria uma carona até o meu hotel... – Lance diz.

Vic e Lance entram em um dos carros dos Cholos e vão até o centro da cidade, onde Lance havia reservado um quarto no 1412 Hotel, um dos mais caros da cidade.

 Impressionante, esse lugar não é barato! – Vic diz, surpreso.

 Hahaha! Não tinha como eu saber. Pedi a eles para cobrarem de você... – Lance diz, rindo, indo em direção a entrada do hotel.

Vic fica furioso e com vontade de sair do carro e espancar Lance, mas tenta manter a calma. Tinha coisas para resolver, como, por exemplo, pegar o dinheiro de seus novos negócios. Ainda no carro, seu pager toca e uma mensagem diz: “Então você está comandando a gangue de Marty agora. Precisamos conversar...”. A mensagem era de um homem chamado Umberto, que logo depois enviou um endereço. Vic já tinha um novo amigo ou inimigo para fazer. Em Vice City, tudo era possível.

Naquela noite, Vic seguiu até o endereço da mensagem e chegou a uma casa em Little Havana. Na garagem, havia um carro típico de membros da gangue cubana da região, conhecida como Los Cabrones. A porta estava aberta, Vic entrou e viu um homem gordo, aparentemente de cinquenta anos, de cabelos longos e negros, bigode e aparência latina, sentado num sofá branco.

 Ei, você é o Umberto? – Vic pergunta.

 Alguém pediu uma stripper? – o homem diz, evitando o olhar para Vic.

 Como é? – Vic pergunta.

 Porque eu gosto das minhas putas um pouco menos carecas... – diz o homem.

 O que? Você é um comediante, amigo? – Vic vai para cima e aponta uma pistola para a cara do sujeito.

 Hahahaha! Não, sou um homem... Assim como você. Umberto Robina. Você deve ser o Vance! – diz Umberto, levantando suas mãos e rindo.

 É, isso aí. Então você ficou sabendo sobre Marty... – Vic abaixa a arma.

– Sim, haha! Fiquei sabendo daquele imbecil! Acabou com um fim desconfortável, hein? Briga por puta... – Umberto sorri – Gostei daquilo... Duas putas chegam, gostosas e soadas e... Bang, bang, bang!

 Sim, tanto faz o que você está metido, cara... – diz Vic.

 Ei, estou metido com homens! Homens se provando homens! – Umberto fica irritado.

 Sim, sim. Parece interessante. Olha, você trabalhou para Marty por anos. Então, papo de homem, eu posso confiar em você? – Vic pergunta.

 Claro, papi! Se você me provar que tem bolas! – Umberto desafia Vic.

Os dois saem de casa e Umberto diz que tem um pacote para coletar no centro da cidade e pede para Vic ir buscá-lo, se conseguir. Vic responde que não era entregador de mercadorias, mas Umberto diz que precisa saber se ele era homem de respeito, caso contrário, não haveria aliança entre os dois. Ele avisa que um garoto chamado Juan iria com ele e contaria tudo que iria acontecer por lá.

Vic entra no carro dos Cabrones junto com Juan e percebem que outros membros da gangue também estão saindo de carro, indo em direção ao centro. Parece que não era apenas Umberto que estava querendo aquele pacote. Então a noite se tornou uma corrida. No meio do caminho, Juan percebe que as pessoas nos outros carros eram carecas, e não havia nenhum membro dos Cabrones que era careca. Eram infiltrados. Assim começa uma perseguição a tiros. Juan põe a cabeça para fora da janela e começa a metralhar os invasores. Ele consegue acertar o pneu de um carro, que desliza e bate na traseira de outro carro invasor, fazendo os dois rodarem na pista e ficarem para trás. Vic chega ao centro e pega o pacote com um traficante em uma esquina próxima ao ginásio da cidade e volta para Little Havana sem maiores problemas. Umberto estava esperando em um carro a algumas ruas de sua casa. Vic e Juan se aproximam e entregam o pacote para o cubano.

 Gracias, Vic! Hahaha, um beijo para você! – diz Umberto ao receber o pacote.

 Uou, hoje não! – Vic recusa amigavelmente.

Umberto entrega setecentos e cinquenta dólares nas mãos de Vic e vai embora com Juan em seu carro. Vic leva o carro novo para sua casa e o deixa guardado para alguma necessidade. Ele tinha agora mais um parceiro no crime organizado. Os negócios de Vic já estavam em ouvidos de pessoas importantes. Era preciso ter muita sagacidade para escolher amizades. Nessa situação, ter Lance na cidade poderia ser um grande problema.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Agradecimentos e fanpage do projeto

Olá, pessoal.

Primeiramente gostaria de agradecer imensamente a todos que estão acompanhando este projeto e a todos os elogios que recebi nos comentários dos textos. São apenas duas semanas de projeto e já constam nos contadores mais de 10 mil visualizações, isso é fantástico, novamente muito obrigado a todos pela apreciação.

Gostaria de fazer um agradecimento especial aqui a um cara que é grande responsável também por esse ótimo número de visualizações, que é o Funky. Todos aqui com certeza conhecem o melhor youtuber do Brasil. Eu o conheço há quase 10 anos já, éramos parceiros de moderação de um fórum musical no falecido Orkut e desde essa época eu vi que o cara era muito engraçado e carismático. O sucesso que conquistou é muito merecido. Muito obrigado pela força, grande Guilherme da eterna panelinha.

E, para finalizar, uma importante informação que muitos me pediram: as postagens não possuem dias certos para saírem. Ao mesmo tempo em que estou postando, estou produzindo, porque, né, é coisa demais. Então assim que eu for tendo texto disponível para se encaixar no padrão de tamanho de cada post, eles vão sendo liberados. Pensando nisso, há uma ótima solução: criei uma fanpage sobre o projeto no Facebook. A cada post que eu criar aqui, eu irei compartilhar na fanpage e eles chegarão até a timeline de quem curtir a página, facilitando a vida de quem fica entrando aqui no blog todo dia para ver se saiu mais alguma parte da história. Então, curtam a fanpage do GTAAHC, pois a produção está fervendo. Um abraço a todos!


terça-feira, 26 de maio de 2015

Vice City Stories - Parte 7


Logo pela manhã, Vic vai visitar Louise. Ele estranha a portaria do prédio estar aberta. Quando chega ao apartamento, a porta também está aberta. Vic entra e encontra Mary Jo, irmã de Louise e Phil, uma mulher de trinta e poucos anos, obesa, de cabelos curtos e pretos. Ela está angustiada, dando voltas pela sala. Ela ainda não conhecia o rosto de Vic, apenas seu nome. Quando olha para trás, ela se assusta:

 Quem é você!?

 Cadê a Louise? – Vic pergunta.

 Como é? Ele levou ela! Aquele... Aquele animal levou ela! Ele levou ela para machucar! – Mary Jo grita desesperada, olhando pela janela.

 Ei, quem levou ela? E quem é você? – Vic pergunta.

 Mary Jo, a irmã dela. E quem é você? – Mary Jo está irritada.

 Vic. Um amigo... – Vic responde.

 Aah, é um prazer te conhecer. Ouvi muito falar de você... – Mary Jo muda o tom de voz, tentando uma sedução atrapalhada.

 Quem levou ela? – agora Vic está irritado.

 Aquele monstro Marty! Ele disse que iria matar ela! – Mary Jo grita.

 Meu Deus, sua própria esposa... – Vic fala para si mesmo e vai embora.

 Sim, sim! Ele disse que iria me matar também! Eu juro que ele disse! – Mary Jo tenta se fazer de vítima para Vic, mas é tarde demais.

Vic voa com sua moto até o Trailer Park para salvar Louise. Ele consegue ouvir os gritos da discussão de longe:

 Eu não vou ser sua puta, Marty! – grita Louise de dentro do trailer de Marty.

 Você está sendo a puta daquele Vic! – Marty grita – Você não pode negar! Se você quer agir como uma puta, você será uma! Entra no caminhão!

Marty arrasta Louise para um caminhão que estava atrás do trailer. Eles saem pela porta dos fundos e Vic dá a volta para interceptar Marty. Ele fica no caminho do caminhão, mas Marty acelera com tudo, quase atropelando Vic, que se joga no chão.

 Vic! Socorro! – Louise grita, desesperada.

Assim que Vic se levanta e está indo em direção a sua moto, ele é cercado por dois caipiras com tacos de baseball. Um deles pergunta:

 Você está procurando problema, Vince?

Vic não pensa duas vezes. Metralha os dois. Não havia tempo a se perder. Ele sobe em sua moto e sai atrás do caminhão em que estavam Marty e Louise. Logo os alcança. O caminho que estava sendo feito era o caminho do prostíbulo. Vic acelera sua moto e começa a atirar nos pneus do caminhão. Consegue acertar o pneu esquerdo traseiro e Marty perde o controle do veículo, batendo em um carro estacionado. Marty desce do carro com uma pistola e procura por Vic, que havia sumido. Olha para um lado, nada. Olha para o outro, nada. De repente, vê a moto de Vic estacionada na calçada. Não deu para pensar muito. Uma rajada de tiros acerta a cabeça de Marty. Vic estava agachado atrás de um carro, do outro lado da rua, pensando que o primeiro de sua lista negra iria para o lugar que deveria. Ele se levantou rapidamente e metralhou o caipira machista. O caminho agora estava livre. Vic vai ao caminhão e encontra Louise com um pequeno corte na bochecha causado pela batida. Louise olha para Vic com um olhar raivoso e diz:

 Não acredito que você matou ele! Como eu vou criar meu bebê agora?

 O que!? Marty era um babaca! Ele te tratava pior do que um lixo! – Vic fica enfurecido com a reação da mulher.

 Desculpa! Eu só... – Louise parece não saber o que pensar, mas consegue alertar Vic – Olha! A gangue de Marty vai vir atrás de você agora! É melhor você ir para um lugar seguro!

Vic leva Louise para sua moto e os dois vão para uma viela escondida, indicada por ela.

 Você e Mary Beth vão ficar melhores sem Marty... – Vic diz a Louise, mais calmo.

 Vamos? Tudo está mudando tão rápido... – Louise pergunta, insegura.

 Tudo vai ficar bem! – Vic garante.

 Então tá, Vic Vance... – Louise diz e sai da viela, indo em direção a seu apartamento, que não estava muito longe dali. Vic leva-la para casa seria perigoso.

Antes de ir, ela entrega uma chave para Vic e diz para ele olhar para trás. Havia uma casa no fim da viela que eles estavam. Era uma antiga casa de Marty. Agora seria de Vic. Ele fica sem palavras a Louise, que vai embora sem dizer nada. A casa tinha uma cozinha, um escritório, um quarto e um banheiro. Era perfeita para alguém que mora sozinho. Foi a primeira conquista de verdade de Vic em Vice City.

Dez dias se passam e Vic já sente uma vontade imensa de ver Louise. Eles não se encontraram nesse tempo para evitar problemas sendo perseguidos pela gangue de Marty. Mas Vic não aguentava mais e foi ao apartamento de Louise. Ela ficou muito feliz em ver seu heroi, embora tentasse não demonstrar demais. Ela estava um pouco traumatizada sobre relacionamentos. Na cozinha, Louise diz para Vic:

 Eu tenho pensado naquilo que você me falou sobre eu e o bebê ficarmos bem sem Marty e tenho um plano. Por que VOCÊ não assume os negócios de Marty?

 Eu não sou chefe de gangue! – Vic responde prontamente, um pouco irritado.

 Não, mas você poderia ser... – Louise diz – Vamos lá, nós dois precisamos de dinheiro, querido.

Vic pensa um pouco e acaba concordando com Louise. A Trailer Park Mafia estava fragilizada com a morte de seu líder e era questão de tempo até alguma gangue tomar tudo que era de Marty. Vic não havia pensado nessa oportunidade de começar a fazer dinheiro de verdade, pois ele sabia que estava no crime organizado, mas seu coração o dizia que ele ainda era um homem honesto, que seguia a lei e a protegia. Estava na hora de cair na real. Vic e Louise vão para rua.

 Primeiro nós precisamos juntar alguns caras! – Louise diz, subindo na moto de Vic.

Eles vão até a Sunshine Autos, loja de carros que ficava ao lado do Trailer Park. Lá, Louise sabia que ficavam dois membros da gangue de Marty que eram as ovelhas negras do grupo, os renegados. Eles tinham uma proximidade muito grande com Louise por conta da discordância do modo de agir de Marty, os dois estavam lá apenas para sobreviver. Eram conhecidos como Roger e Jackson. Louise oferece dinheiro a eles. Eles não pensam duas vezes. Tudo que tinham que fazer era ir até o escritório de Marty, que ficava ali ao lado, e começar a destruição. Quando todos chegam lá, Vic deixa a moto com Louise, que diz que iria recrutar outros conhecidos e que encontraria Vic em algum outro negócio de Marty. E assim começa o tiroteio. Os caipiras estavam em maior número, mas estavam completamente afetados e sem saber o que fazer. Quem eles iriam chamar? Não tinham mais chefe e nenhum subordinado poderia tomar seu lugar. Roger e Jackson descarregaram suas metralhadoras em seus ex-colegas com toda a raiva do mundo, como se estivessem em uma vingança plena. Vic via os olhares maníacos nos olhos dos dois e viu neles dois possíveis grandes aliados no futuro. Em poucos minutos, todos os caipiras do local estavam mortos. Vic entrou no escritório e pegou todas as chaves e documentos que estavam guardados nas gavetas. Ele saiu e entrou, juntamente com seus novos capangas, em um carro estacionado que era de Marty. Foram até o bairro vizinho, Little Havana, onde Marty tinha mais um escritório. Um drive-by foi realizado com extremo sucesso, eliminando todos os guardas do local. Mais um negócio foi tomado por Vic.

 Você conseguiu, Vic! Todo o jogo agora é seu! – Louise chegou com a moto de Vic, um pouco atrasada, seguida por um carro com três amigos armados.

 É, mas eu não sei muito bem como comandar esse tipo de negócio, hehe... – Vic sorri.

 Marty conseguia, e ele era um cabeça-oca. Você vai conseguir! Você é incrível! Você pode fazer qualquer coisa! – Louise está confiante.

 Ei, chefe! Esse é um emprego fixo? – pergunta Jackson.

 Sim, é sim... – diz Vic, após hesitar por três segundos.

 Tudo vai ficar bem! – grita Louise, empolgada.

Vic então leva a mulher para seu apartamento. No caminho, Louise diz que Marty pegava o dinheiro todo dia às cinco da tarde. Vic diz que faria então uma rotina diferente: adiantaria a coleta em uma hora para evitar possíveis ataques. Louise concorda e desce da moto. Logo chegam ao prédio, pois era na próxima esquina. Vic então volta para sua nova casa, que ficava no mesmo bairro, passando pela viela. Ele leva consigo mil e quinhentos dólares e faz algumas compras para sua casa, como uma televisão, um rádio e uma boa cadeira para se sentar em seu escritório, que a partir de agora começaria a ter um grande uso.

Enquanto fazia compras, Vic recebe uma mensagem em seu pager. Era uma mensagem enviada pelo serviço VCTN, que funcionava como um correio eletrônico embrionário. Uma pessoa ia até uma agência, pagava um certo valor e eles enviavam a mensagem eletrônica para o cliente. A mensagem dizia o seguinte: “VCTN: Você tem um visitante a sua espera no aeroporto. Tenha um bom dia”. Vic não tinha ideia de quem poderia ser. Talvez um amigo, um novo contato profissional, poderia ser qualquer um. Mas quem era essa pessoa que não tinha nem um pager próprio? 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Vice City Stories - Parte 6


Vic enfrenta mais um dia de trabalho com Marty. Faz seu caminho diário até o Trailer Park e encontra seu chefe atual saindo de seu trailer com vários outros caipiras, todos membros de sua gangue. Estão conversando e dando risadas com garrafas de cervejas em mãos. Ao ver Vic, Marty diz:

 Ah, aí está ele! O durão! O grande cara!

 Seus pulos são altos mesmo, garoto? – pergunta um dos caipiras de Marty, veladamente comparando Vic a um macaco.

 Garoto? Você deve ser bem durão né, seu branquelo imundo de merda! Por que você não vem até aqui e me pergunta isso de novo? – Vic percebe o teor racista da pergunta e contra-ataca, chamando o caipira para a porrada.

 Não tenho medo de você! – diz o caipira com uma voz trêmula.

 Ah é? Então por que sua voz está falhando... Garoto? – ironiza Vic.

 Beleza, beleza, chega! Vocês podem parar de incomodar a porra dos vizinhos com essa merda? – Marty acalma os ânimos – Eu pago a vocês para me ajudarem e não para discutirem, escutaram?

 Alto e claro... Chefe! – Vic finge um comprometimento a Marty.

 Ótimo. Agora vamos ao que interessa: estamos tendo alguns problemas com os Cholos. Eles estão ameaçando as minhas garotas. Quero que você ensine a eles um pouco de respeito... – Marty dá o trabalho novamente para Vic.

Vic percebe que Marty estava dando todos os problemas com os Cholos para ele. E eles não estavam nada amigáveis com sua pessoa após o que ocorreu durante a semana. Mesmo assim, Vic apenas ouve as ordens de seu chefe, abaixa a cabeça e vai ganhar seu dinheiro do dia, mas não sem antes escutar uma frase lamentável de Marty para seus amigos:

 Aí eu falei com eles para trazerem ela para mim. Não me importo se ela tem apenas quatorze anos, eu gostei dos peitos dela! Hahaha!

Deixando aquele ambiente podre de homens sem a mínima honra, Vic pega uma moto que estava à disposição e vai novamente ao prostíbulo que havia estado no dia anterior. Quando chega, logo vê vários Cholos armados, aparentemente o esperando. Vic estava certo.

 Você começou e nós vamos acabar com você! Todas as suas putinhas vão morrer! Ninguém mexe com os Cholos! – grita um Cholo ao ver Vic. Ele entra em um carro e começa a atirar.

Vic corre e se joga atrás dos muros do prédio. O carro vai embora pela rua. Ele entendeu a mensagem. Os Cholos iriam matar todas as prostitutas da região e assim a entrada de Marty no mundo da prostituição seria arruinada. Vic entra correndo no prostíbulo e pergunta de quem era o carro de quatro portas estacionado no estacionamento. Um dos empregados responde e Vic pega a chave do carro às pressas para evitar o desastre. Ele entra no carro e sai cantando pneu seguindo o caminho do carro dos Cholos. Poucos metros à frente, vê uma garota morta a tiros. Tinha que agir rápido. Então faz um caminho inverso ao do carro dos mexicanos para salvar quem não estava no caminho deles. Logo encontra uma prostituta negra e grita:

 Rápido! Entra logo!

 Relaxa! Temos mais do que camisinhas para proteção! – a puta parece não entender muito bem a situação.

 Trabalho para Marty, estão querendo matar você e todas as suas colegas! – Vic alerta para a prostituta, que olha no retrovisor e vê um carro com homens armados os seguindo. Ela simplesmente tira uma pistola de sua bolsa e começa a atirar para trás.

Mais alguns metros e Vic avista uma prostituta se escondendo atrás de um carro para escapar dos tiros dos Cholos, que estavam no carro que passou por ele antes. Vic dirige com uma mão e atira nos Cholos com outra. O carona do carro é atingido. Vic então para seu carro e a segunda prostituta entra, se jogando no banco traseiro. Agora havia duas atirando do carro que Vic conduzia. Novamente a mesma situação ocorre mais a frente: prostituta encurralada por Cholos. Vic passa por cima dos que estavam na rua e resgata a terceira prostituta. Havia Cholos por todo lado, então Vic pensa que não deveria haver mais prostitutas vivas pela região, salvar três ficaria de bom tamanho. Decide levá-las ao prostíbulo para ficarem em segurança. Assim que entra no prédio e estaciona, Vic é elogiado:

 Isso foi divertido, amor! Você é incrível! – diz uma das mulheres.

 Fico feliz em servi-las, moças. Mas tomem cuidado por aí a partir de agora! – Vic agradece e alerta.

Estava na hora do almoço e Vic volta para o trailer de Marty para receber a recompensa de seus capangas. Quinhentos dólares era o valor do dia. Ele até que não acha tão ruim e decide parar em uma lanchonete para comer algo. Paga quinze dólares em um grande sanduíche no King Knuts de Little Haiti. Enquanto come sua primeira refeição do dia, Vic sente saudades de Louise. Decide ir vê-la.

Quando toca o interfone do prédio, Vic é atendido, mas ninguém fala nada. A portaria se abre. Quando chega ao apartamento, ele encontra a porta aberta e Louise sentada no sofá chorando copiosamente com seu bebê no colo.

 Ei, para com isso... – Vic tenta acalmar Louise falando suavemente e sentando-se ao lado dela.

 Desculpa, não é nada... Só estou... Cansada... – Louise tenta despistar.

 Não está parecendo que não é nada. O que foi? – Vic pergunta.

 Eu deixei algumas coisas dela no trailer de Marty. Tudo que eu faço é errado. Não consigo nem fugir direito! – Louise diz, ainda chorando, olhando para sua filha.

 Olha, não é grande coisa. Nós vamos até o trailer do Marty e pegamos tudo lá... – Vic se levanta.

 Mas e o Marty? – Louise se preocupa.

 O que tem ele? – Vic pergunta desleixadamente, o que tranquiliza Louise, que se levanta.

 Obrigada, Vic! Você é especial! – diz Louise, indo em direção ao quarto de sua irmã deixar sua filha para sair com Vic.

Os dois vão de moto ao Trailer Park para pegar roupas e brinquedos da pequena Mary Beth, mas chegando lá são cercados por caipiras. Louise diz para Vic que não estava gostando do olhar daqueles caras e Vic os reconhece: eram os demais competidores da corrida de quadriciclos.

 Suas traições mostraram sua cara de vagabunda! – grita um dos caipiras, com um taco de baseball na mão, para Louise.

 Se Marty ouvir você falando comigo desse jeito... – Louise diz, inocentemente.

 Marty? Ele disse que na próxima vez que te encontrasse, ele te detonaria! – o caipira responde.

 Se afasta, caipira de merda! – Vic alerta.

 Caipira de merda? Você realmente quer fazer isso, seu comedor de puta? – o caipira pergunta a Vic.

Nesse momento, todos os membros da Trailer Park Mafia que estavam no local se agrupam e partem para cima de Vic e Louise. Os dois correm para trás de um dos trailers e Vic tira sua submetralhadora da cintura e joga uma pistola que carregava em um gun holder embaixo de seu braço esquerdo para Louise. O tiroteio começa e Vic mata vários caipiras com sua submetralhadora. Louise fica atrás de um dos carros novos da gangue e atira mortalmente em quem se aproxima, mostrando uma grande habilidade com tiros. Quando todos os caipiras ali estavam alvejados no chão, Louise corre para o trailer de Marty dizendo que iria pegar as coisas de sua filha. Vic grita com ironia que Louise deveria pensar em comprar roupas novas, o que tira um sorriso dela. Assim que Louise sai do trailer, em questão de segundos, ela responde ao conselho de Vic dizendo que iria comprar roupas novas mesmo, pois havia achado a carteira de Marty e que iria fazer grandes compras, pois seu ex-marido a devia por tudo que a fez passar. Então, Vic e Louise rapidamente sobem na moto e saem definitivamente do Trailer Park, antes que mais caipiras aparecessem, e voltam para o apartamento.  No caminho, Vic diz:

 Marty não vai ficar muito feliz quando descobrir que você deixou ele duro!

 Hahaha! Como se eu desse a mínima! – Louise dá gargalhadas.

Quando chegam ao prédio, Louise respira fundo, desce da moto e diz olhando para Vic:

 Vic Vance... Nunca imaginei que pudesse me divertir tanto!

 Se divertir? Isso ai! Fizemos uma bagunça! – Vic ri.

 E você foi ótimo! – Louise abre um largo sorriso novamente – É melhor eu entrar logo. Até mais!

Louise entrega duzentos dólares da carteira de Marty para Vic e entra em seu prédio olhando para ele. Ela sabia que havia encontrando um grande homem, um grande cavalheiro. E Vic estava a centímetros de ter a certeza de que havia encontrado a mulher da sua vida. Mas para tudo isso funcionar, Marty não poderia estar vivo. Vic imediatamente começa a pensar em algo que colocaria em prática em alguns dias.

Passados quatro dias, Vic vai até o apartamento de Phil para visitá-lo. Quando chega lá, tem mais uma surpresa desagradável. Martínez estava conversando com Phil ao lado da sala de tiros. Ele os observa de longe, mas podia os ouvir:

 Phil, meu querido! Você acha que eu poderia te ferrar? – Martínez pergunta a Phil.

 Sim, você poderia! – Phil responde, sério.

 Besteira! Eu não poderia. Não você, não um parceiro! Vem cá, me dá um abraço! – Martínez abre os braços. Phil o abraça.

 Não, você não vai ferrar ninguém, vai? – uma voz surge ali. Era Vic.

 Ooh, olha só quem é! São Victor de Vance! Mais sagrado que vossa assassinidade! Com todos seus mandamentos: atirais em todo mundo! Hahaha! – Martínez desdenha do ex-soldado.

 Fiz o que eu tinha que fazer, depois de ter confiado em um babaca! – Vic diz, com os braços cruzados.

 Você gostou disso, irmão! Admita! Você é um maníaco! Eu te dei vida! – Martínez se aproxima de Vic, apontando seu dedo.

 Vai para o inferno, Martínez! – Vic diz.

 Viu só, Phil? Eu salvei o Vic. E posso te salvar também! – Martínez se vira para Phil.

 O que esse saco de merda quer? – Vic pergunta para Phil.

 Ele quer que eu vá até um armazém e veja se a mercadoria dele está toda lá. É só isso... – Phil responde.

 Ei, está tranquilo, pode ir com ele, menino Vic, se você não confia em mim! Mas Phil, você está me devendo depois do que você disse... – Martínez diz, apontando o dedo para Phil.

 Você disse que isso já tinha sido esquecido! – Phil reclama para Martínez.

 Se você fizer isso... – Martínez, sério, diz e vai embora.

 Eu explico enquanto a gente dirige. Está na hora de eu pegar outra bebida! – Phil diz a Vic.

Enquanto estavam indo em direção ao armazém, Vic pergunta:

 O que é isso? Você “tem que ir”?

 Ah! Eu estava bêbado e falei para o Martínez que eu não confiava mais nele. Disse que ele era um babaca... – Phil confessa.

 Ele É um babaca! – Vic se irrita.

 Não, eu sou. Porque agora ele não irá colocar mais nenhum trabalho na minha frente se eu não MOSTRAR que confio nele! Vamos acabar logo com isso... – Phil se lamenta.

Quando chegam próximo ao armazém, Vic e Phil veem três caras parados na rua, bloqueando o caminho. Phil se irrita, pergunta quem eram aqueles caras e sai do carro. Quando iria falar a primeira palavra com eles, os homens misteriosos sacam suas armas e um deles diz:

 Martínez disse adeus!

Phil volta correndo para a caminhonete, se esconde atrás dos caixotes na carroceria e grita:

 Ei, vão devagar, caras. E a merda da Convenção de Genebra?

Os três homens abrem fogo tentando acertar Phil. Isso facilita a vida de Vic, que simplesmente acelera com tudo para passar por cima dos três, que estavam um ao lado do outro. Os três homens são atropelados. Vic engata a ré para escapar da emboscada do sargento. Dois carros começam uma perseguição e a situação fica extremamente perigosa, com Phil na carroceria rodeado de caixotes de Boomshine, altamente explosivos. Um tiro e fim. Mas, felizmente, poucos tiros são disparados e nenhum acerta a caminhonete. Phil ainda começa a jogar garrafas com a bebida para cima dos carros, o que os afasta ainda mais. Os contratados por Martínez não haviam recebido para uma perseguição e sim para uma execução, portanto não fizeram muita questão de segui-los. Vic leva a caminhonete tranquilamente pela praia até o apartamento de Phil.

 Acho que nós dois já somos inúteis para Martínez... – Vic alerta Phil.

 Jerry quer nos matar? – Phil parece não acreditar – Babaca de merda, acho que vou ficar quieto por um tempo. Acho que você também deveria...

 Que se dane! Não vou me esconder desse lixo! – Vic diz, com raiva.

 Lembre-se: discrição é a melhor saída... – Phil novamente alerta Vic – Boa sorte, soldado.

Phil sobe para seu apartamento e Vic volta para casa com sua moto. Já era noite. Antes de dormir, ele recebe uma mensagem inesperada de Louise em seu pager: “Você pode passar aqui amanhã? Estamos tendo problemas com Marty...”. Vic decidiu que iria assim que o sol nascesse. Logo depois, ele recebe outra mensagem: “Você e Phil ainda estão na minha lista negra. É melhor você sair da cidade enquanto pode!”. Era Martínez. Vic deu os ombros e disse para si mesmo que agora tinha duas pessoas em sua própria lista negra. A segunda a entrar foi Martínez. A primeira era Marty. A semelhança dos nomes era um sinal.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Vice City Stories - Parte 5



Assim que acordou, Vic foi até Phil. Quando chegou lá, teve uma surpresa desagradável: sargento Martínez estava fumando um baseado com o bêbado, os dois sentados em caixotes.

 Ei, olha só quem apareceu! Victor Vance! O que está rolando, amigo? Quer fumar um pouco? – perguntou, sorrindo, Martínez.

 Vai se foder, Martínez! – Vic responde.

 Relaxa, você é histérico para caralho! Parece quando eu saio com alguma vadia menstruada... – diz o irônico sargento.

 Você quer que eu te foda inteiro? – ameaça Vic.

 Tanto faz, querido. O que importa é que você trabalha para o Phil. E Phil? Phil trabalha para mim, o que faz de você a puta da minha puta. Pense nisso... – alerta Martínez.

 Cara, essa merda está pesada! – diz Phil, tossindo ao passar o baseado para Martínez, que se levanta.

 Então, é melhor você abaixar a bola se quiser ser pago, hein... – diz Martínez a Vic – Porque se você não for pago, quem vai cuidar do seu irmão doente? Hahaha!

 Vai se foder! – Vic vai para cima de Martínez com o dedo em riste.

 Ei, troca o disco, querido. “Vai se foder, vai se foder, vai se foder...”. O que você esperava que eu fizesse? – pergunta o ácido sargento – Eu não te ferrei para me divertir. Eu estava me salvando, e você deveria fazer o mesmo. Não ficar fingindo o contrário.

 Eu tinha uma carreira! – grita Vic, olhando nos olhos de seu ex-superior.

 E daí? Você foi chutado do Exército. Grande coisa... – desdenha Martínez, que sai do armazém dizendo – Ei, eu falei para o Phil sobre algumas armas que eu consigo vender se você consegui-las para mim. Phil, não fume muito essa merda, vai te fazer ficar viajando, paranoico.

– Claro, até mais, Jerry. Vamos lá, Vic. Isso deve silenciar qualquer babaca que estiver me seguindo! – diz Phil, mostrando uma submetralhadora. Quando chegam ao carro de Phil, ele diz – Vamos precisar de apoio, Vic. Eu conheço uns caras que podem ajudar.

Vic entra na caminhonete de Phil e pergunta para onde eles iriam. A resposta é sobre um hotel. Assim que a caminhonete, dirigida por Vic, ultrapassa o porto, Phil começa a dar sinais sobre o efeito do cigarro que fumou com Martínez:

 Estamos sendo seguidos? É melhor não estarmos sendo seguidos. Senão estouro os miolos desses vagabundos!

 – Relaxa, cara! Não tem ninguém seguindo a gente! – Vic já explode, sem paciência.

O hotel se chamava Beachcomber e ficava ao lado do escritório de Marty. Ao chegarem à cancela, Phil grita para dois homens vestidos com roupas de gangue entrarem na caminhonete, prometendo dinheiro. Logo os dois pulam na carroceria.

 São caras bons, Vic. Apenas um pouco quietos. Talvez eu não devesse confiar neles... – Phil diz.

Vic então acelera o carro em direção à praia para encontrar um caminhão que transportava armas para a base militar que ele frequentava.  Logo avistam o caminhão. Os dois homens, sentados na carroceria da caminhonete de Phil, já se preparam para um drive-by. Vic chega ao lado do caminhão e o tiroteio começa, não só partindo da caminhonete de Phil, mas há uma grande resposta de dois homens armados no caminhão. A batalha se estende até poucos metros. Os dois homens do caminhão são baleados e Vic intercepta o veículo, parando em sua frente. Os dois capangas de Phil metralham o motorista do caminhão sem dó.

 Vou levar esse caminhão lá para a minha casa. Se alguém me seguir, mandem eles para o inferno! – diz Phil, entre arrotos.

Phil desce da caminhonete e sobe no caminhão para levá-lo até o estacionamento de sua sala de tiros (e apartamento). Vic então começa a fazer a escolta, acelerando a caminhonete logo atrás do caminhão, com os dois capangas preparados para qualquer perturbação.  O que não demora muito a acontecer, pois vários carros de passeio surgem em alta velocidade querendo interceptar o caminhão, talvez fosse outra gangue querendo o mesmo que Phil e Martínez. Os capangas de Phil novamente metralham sem dó os carros e seus passageiros. Phil chega com o caminhão em seu estacionamento e paga trezentos dólares a Vic. Para os dois capangas, o valor de cem dólares para cada foi o suficiente. Vic então vai para casa a pé e os capangas somem pelo porto, talvez procurando algum outro serviço. 

Assim que chega em casa, Vic recebe uma mensagem em seu pager. Era seu irmão Lance: “E aí, mano! Tia Enid está me deixando louco! Posso me juntar a você? Vamos dominar essa cidade em dupla!”. Um pavor tomou conta de Vic. A última coisa que ele queria ao seu lado era seu irmão problemático, mas tudo estava se desenhando para isso acontecer.

À noite, Vic fez seu caminho até o trailer de Marty, que agora estava sozinho e totalmente focado em seu negócio. Ele estava saindo de seu trailer a mil por hora em direção a sua caminhonete quando avistou Vic:

 Parece que nós temos competidores...

 Como assim? – Vic pergunta.

 Esses merdas dos Cholos estão tentando tomar meu negócio de reposse a força. Está na hora de enviar uma mensagem a eles! – diz Marty, que abre a porta de sua caminhonete e mostra algo para Vic.

 Granadas?! – Vic se espanta.

 Apenas quero ter certeza de que eles irão ouvir o que eu tenho a dizer! – Marty diz, com um sorriso maquiavélico em seu rosto.

O trabalho era de Vic. Marty era um chefe de gangue, não podia se expor assim. Sabia que um cara com conhecimento de táticas militares poderia manter seus negócios intactos por certo preço.  Vic então entra na caminhonete de Marty e sai pela noite procurando vans de Cholos para explodir com as granadas, que perigosamente estavam aos montes no banco do carona. Ele logo encontra uma van estacionada com dois Cholos a escoltando, viu que não dava para chegar perto. Então estaciona a caminhonete ao lado de uma loja, a uns cinquenta metros do local. Pega uma granada do banco e a joga na van. O arremesso é certeiro: a van se transforma em uma grande bola de fogo com a explosão, o que mata os dois Cholos instantaneamente. Vic se apressa para entrar na caminhonete e sai dirigindo, passando em frente ao incêndio. O que ele não sabia era que havia um terceiro Cholo que estava dentro de uma loja, do outro lado da rua, e que não se feriu. Assim que Vic passou com a caminhonete em frente à loja, o Cholo sobrevivente, que se chamava Carlos e que teria um papel importante em um futuro bem próximo, abriu fogo com uma submetralhadora contra o carro, fazendo o motor se incendiar e Vic dirigir abaixado. Mesmo assim, Vic conseguiu ver outra van escoltada por Cholos logo na rua a frente. Ele não precisaria arremessar granadas desta vez. Apenas acelerou o máximo que pôde e jogou a caminhonete em chamas em cima da van protegida pela gangue. A segunda explosão foi maior do que a primeira, mas muito maior, pois havia dois carros explodindo desta vez, um deles lotado de granadas.

Vic pulou da caminhonete segundos antes da imensa explosão, mas mesmo assim ficou próximo ao fogo e teve várias queimaduras. Mas a ideia de desistir jamais passou por sua cabeça. Ele viu que havia mais uma van estacionada no fim da rua em que estava, e estava decidido a acabar o que havia começado. Vic rouba um carro que estava passando na rua, agindo com extrema violência com o motorista, causada pela agitação do momento e a ardência de seus ferimentos, batendo a cabeça do homem no painel e o jogando bem perto do fogo que dominava a rua. Ele sai em disparada com o carro roubado em direção a outra van, vendo no retrovisor que agora o perseguiam dois carros com vários Cholos sentados sobre as janelas com metralhadoras em mãos e uma viatura da polícia logo atrás. A situação a seguir foi simplesmente caótica: Vic, agora sem granadas e armas, acelera em direção a van, que estava sem escolta dessa vez. A rajada de tiros dos Cholos começa logo atrás, atingindo o carro de Vic e, principalmente, a van estacionada. Essa era a ideia. Vic dirigia abaixado e logo quando bateria na van, desvia bruscamente seu carro à direita, fazendo os próprios Cholos metralharem a própria van, que já começa a se incendiar (seu interior estava cheio de tintas e verniz para pintura, produtos altamente inflamáveis), e baterem de frente, causando outra enorme explosão. O segundo carro dos Cholos também se incendeia rapidamente, pois estava muito perto e quase que instantaneamente explode, jogando seus quatro ocupantes para os ares.

E Vic? Ele já estava a vários metros de distância do caos, indo em direção a sua casa com o carro roubado todo metralhado na traseira. A polícia não conseguiu segui-lo, pois a viatura ficou bloqueada pelo fogo intenso em que a rua se transformou. Dentro do carro, muito ferido, Vic pensou em tudo que estava passando e lembrou-se da mensagem de seu irmão Lance. Imaginou por alguns segundos que talvez possuir um parceiro poderia facilitar as coisas. Mas o parceiro seria Lance, e isso estava totalmente fora de questão. Ele chegou em casa e guardou o carro roubado na garagem rapidamente. Subiu as escadas e foi direto para o banho, quase chorando de dor com as queimaduras, graves, mas não ao ponto de ter que ir a algum hospital para curá-las, que ardiam ao toque da água gelada. Vic cobriu seus braços com várias camisas para amenizar a ardência e tentou dormir com a agonia, o que não foi fácil. Do mesmo jeito que não foi fácil acordar na manhã seguinte e ver cinco notas de cem dólares embaixo de sua porta e um papel com um recado: “Eu te daria o dobro, mas você chamou atenção demais. Quer dizer, você chamou atenção da cidade inteira. Melhore seus serviços se quiser ganhar mais dinheiro”. Vic se enfureceu com o pouco dinheiro enviado por Marty. Foi para a rua e comprou um jornal de um garoto que passava em frente à sua casa. A capa do jornal era inteiramente sobre o caos que Vic havia causado na noite anterior. Seu nome e seu rosto agora eram conhecidos pelo lado negro da cidade, mas ainda não pela polícia.

Ainda ferido, Vic anda até o trailer de Marty. Estava disposto a reclamar da situação que ele havia sido exposto e da mísera quantia em dinheiro que havia recebido em troca. Mas quando chegou ao trailer de Marty, Vic já foi escutando, sem tempo de abrir a boca:

 Está na hora de diversificar meus negócios, Vince!

 É Vic! – responde Vic.

 Que seja! Vamos mergulhar na prostituição. Vamos pegar uns lugares! Assim que estivermos dentro do negócio, é hora da festa! Nossa, garoto! Vou me fazer uma ferida que vou precisar ficar coçando o dia inteiro! Você não vai ficar com vergonha, vou te jogar um ossinho! – diz Marty, empolgado com a possibilidade.

 Obrigado. Não preciso que você fique jogando osso para mim... – Vic diz, sério.

 Então vai até esse lugar e limpa tudo lá, Vince! – Marty entrega um papel com dois endereços para Vic.

Vic vê vários carros novos ao lado da casa de Marty, que estavam ali para substituir sua caminhonete destruída. Ele escolhe o carro mais esportivo. O primeiro endereço era de uma loja de armas. Seu dono era um senhor chamado Stonewall J., que era um associado da Trailer Park Mafia. Seu nome era em homenagem ao general da Guerra Civil Americana, Stonewall Jackson. Chegando lá, Vic descobre que Marty já havia deixado comprada uma garrucha para ser levada.

Assim que Vic volta para o carro, coloca a garrucha no banco do carona e liga a rádio, a programação musical da Emotion 98.3, sua estação preferida, é interrompida pela central de jornalismo:

“Notícias urgentes: Cidadãos de Little Havana e Little Haiti foram dormir com uma brutal briga de gangues pelos bairros. A polícia insiste que a violência foi gerada pelas gangues e diz que um assassino solitário foi responsável por esses ataques. Mais informações mais tarde na VNN!”

Vic sabia que sua identidade ainda estava escondida, mas por pouco, o que o fez ter mais cuidado com suas ações. Ele então faz seu caminho até um prostíbulo que constava no segundo endereço do papel de Marty. Estaciona seu carro em frente ao prédio, pega sua garrucha e começa a atirar no vidro dianteiro de um carro típico dos Cholos que estava estacionado ao seu lado. Foram necessários três tiros para vários Cholos aparecerem e partirem para cima de Vic, mas estavam desarmados. Como sempre, Vic mata todos sem piedade. Dentro do prédio, a mesma coisa. Cholos no chão faziam fila. Vic diz para as prostitutas que agora elas teriam um novo cafetão e envia uma mensagem pelo pager para Marty dizendo que já havia terminado. Em poucos minutos, vários homens da gangue do caipira chegam ao local para fazer a segurança do novo estabelecimento da Trailer Park Mafia.

Serviço feito, Vic vai embora com o carro de Marty e chega aos trailers. Recebe setecentos dólares de um dos capangas do chefe, que estava no momento em seu escritório. Vic ri raivosamente, pois o valor pago por esse ridículo trabalho havia sido maior do que ele havia recebido para explodir dois bairros e ter seu rosto marcado pelos Cholos. Ele viu aquilo como uma ofensa e definitivamente decidiu que já estava farto de trabalhar para Marty. Mas ainda não tinha outra opção de arrecadar dinheiro. Tudo ficaria como estava por mais alguns dias. No crime organizado, essa não é uma boa combinação.