quinta-feira, 25 de junho de 2015

Vice City Stories - Parte 12


No dia seguinte, a VNN noticiou no rádio o que ocorreu na tarde anterior em Vice City: “Mais uma vez as ruas de Little Havana explodiram em guerra de gangues, dessa vez literalmente houve explosões no bairro. Fontes próximas das gangues relatam que esse pode ter sido o fim da violência entre gangues na região, os cubanos são guiados por um líder: Umberto Robina. Mais informações em instantes, VNN!”. Vic se sente aliviado pelo fim dos Cholos, a noite anterior havia sido memorável.

Um descanso de alguns dias deu as caras. Ele foi interrompido por uma mensagem de Lance no pager de Vic. A mensagem dizia: “Eu não confio no Forbes, cara. Me encontre na Arena...”. Parecia que Lance havia realmente ficado de olho em Forbes, assim como seu irmão lhe alertou e também percebeu algo de estranho. Vic ficou sério quando leu a mensagem. Forbes era um homem poderoso e Lance estava correndo perigo a todo momento junto com ele. Vic logo liga sua moto e vai até a arena no centro da cidade.

Assim que chega ao estacionamento, Vic vê Forbes em pé, sozinho. Vic se pergunta se deveria se encontrar com Lance primeiro ou se deveria iniciar contato com Forbes. De qualquer forma, Forbes viu Vic em sua moto e acenou. Ele não teve escolha. Se aproximou de Forbes, que disse:

 Victor V.! O que está detonando, parceiro?

 O que? – Vic pergunta.

 O que está detonando? – Forbes repete.

 De que porra você está falando? – Vic está confuso.

 Não é assim que vocês falam? “O que está detonando?”? – Forbes diz.

 Ah, acho que deve ser o Lance... – Vic diz e olha ao redor.

 O que foi? – Forbes percebe.

 Está tudo certo com você? Nenhum problema? – Vic pergunta.

 Claro. Ei, eu estava apenas brincando com você, ok? – Forbes diz.

 Sim, tanto faz... – Vic responde.

 Ótimo, ótimo... – Forbes abraça Vic e vê Lance se aproximando – Aí está seu irmão! O que está detonando, querido?

– Você! – Lance grita e aponta uma pistola para a cabeça de Forbes.

 Lance, o que está acontecendo!? – Vic finge surpresa.

 Você é uma porra de um policial! Você acha que pode brincar com Lance T. Vance, seu merda? – Lance grita com Forbes.

 Ei, calma... – Forbes diz calmamente, com as mãos para cima.

 CALMA!? – Lance grita e atira no chão. Até Vic se surpreende.

 Ok, você está certo. Eu sou um policial. Eu iria te contar... – Forbes gagueja com um sorriso de nervosismo – Eu preciso de dinheiro, eu quero trabalhar com vocês, não vou ferrar vocês.

 Não, você não vai. EU VOU FERRAR VOCÊ! – Lance grita e encosta a arma na cabeça de Forbes.

Assim que sente a arma em sua cabeça, Forbes reage, batendo rapidamente na arma com o braço esquerdo e dando um soco em Lance com o braço direito. Vic segura Lance, e Forbes sai correndo em direção a seu carro. Os irmãos correm atrás dele, mas ele consegue entrar no carro e acelera. Lance atira no pneu do carro e acerta. Os dois correm para a moto de Vic e perseguem o carro de Forbes, que já ziguezagueava. Não demora muito e os irmãos alcançam o policial disfarçado. Forbes ia batendo com o carro em postes e milhares de notas de dólares saíam voando do porta-malas, que devia ter centenas de milhares de dólares escondidos. A população na rua se jogava para pegar as notas.

 Cara, aquele é o nosso dinheiro! Pega ele! – Lance grita da moto.

 Que caralhos o nosso dinheiro está fazendo aqui? – Vic pergunta.

 Você nunca sabe quando vai precisar de alguns milhares de dólares... – Lance diz.

A última batida acontece e o carro de Forbes morre. Lance diz que queria saber o que Forbes sabia e que não iria matá-lo por hora. Em vez disso, o levariam para um cativeiro. Os dois chegam apontando a arma para Forbes, que não reage. Lance vai para o meio da rua e se passa por policial para roubar o primeiro carro que passasse. Ele aponta a arma e o motorista sai de seu carro tranquilamente. Os três entram no carro roubado e seguem até um prédio abandonado, não muito longe dali.

O cativeiro de Lance era um apartamento vazio de prédio em ruínas. Assim que entram, Vic percebe que o lugar já estava preparado para receber Forbes, com uma cadeira, cordas, fita adesiva e um saco de pão. Lance pede para Vic segurar Forbes e primeiramente cobre sua cabeça com o saco de pão e o amarra na cadeira. Vic fica surpreso com o profissionalismo do irmão. Os irmãos terminam o serviço e ficam olhando para Forbes. Vic se dá conta de que estavam mantendo em cativeiro um policial dos grandes, possivelmente um agente duplo da DEA (Drug Enforcement Administration), o órgão do governo responsável pela caça às drogas e aos traficantes do país.

 Eu não sei sobre isso, Lance... – Vic diz.

 Ou é isso, ou eu mato ele! – Lance ainda grita – O que acha, Forbes?

 Definitivamente prefiro ficar assim... – Forbes responde, com o saco na cabeça.

 Vamos deixar ele suar um pouco. Nós vamos voltar! Não vá a lugar nenhum, amigo... – Lance avisa.

Lance e Vic revistam Forbes, verificando se ele não tinha nenhuma forma de comunicação, e o deixam trancado naquele apartamento, com todas as janelas fechadas e cobertas com papelão. Lance e Vic saem para comer alguma coisa e esfriar a cabeça. Vão a uma pizzaria do centro. Lá, Vic recebe uma mensagem de sua tia Enid: “Você tem visto a cheiradora da sua mãe? Ela acabou de deixar a cidade...”. Será que a mãe de Vic e Lance estaria indo ver seus filhos? Logo agora?

Na televisão da pizzaria, a notícia de que um possível filantropo havia jogado dinheiro de seu carro estava sendo exibida, o que fez os irmãos rirem. Eles comeram uma pizza grande e deixaram um pedaço para levar para Forbes. Assim que voltaram ao apartamento, Lance abriu um buraco no saco na cabeça de Forbes para o policial comer. Colocou o pedaço de pizza inteiro de uma vez na boca de seu sequestrado, estava sem paciência. Enquanto comia, Forbes diz:

 Então vocês querem informação. Que fonte seria melhor que um policial, né?

 Ei, Vic, veja! Temos duas grandes mentes aqui... – Lance ironiza.

 Parece mais com duas mentes idiotas, seu lixo! – Forbes responde – Você quer informação? Que tal essa: há um barco de um traficante chegando ao centro hoje. Ele não é muito confiante, só aceita se encontrar com uma pessoa apenas. Ele tem cocaína e dinheiro e não confia em seguranças.  

 Por que a gente deveria confiar em você? – Vic pergunta.

 Se eu estiver mentindo, gênio, eu estou morto, certo? – Forbes ironiza.

 Eu vou me encontrar com esse cara, Vic. Você pode me vigiar de cima e eu te vigio de baixo... – Lance diz, com os braços cruzados.

Os irmãos saem do prédio e vão para um píer que ficava no centro da cidade. Lance vai com o carro roubado horas antes e dá carona para Vic buscar algo em casa e depois sua moto, que ficou na calçada onde capturaram Forbes. Lance segue em direção ao píer e Vic sobe a escada de emergência de um prédio próximo até o teto e fica estrategicamente posicionado com um presentinho que ganhou de Phil alguns dias antes: uma sniper. Após quarenta minutos de espera, uma lancha se aproxima do píer e Lance logo fica em pé fora de seu carro para estar à vista do traficante. O traficante era um homem alto, meio latino, de calça preta, camisa branca e boné vermelho. Ele sai de sua lancha, caminha pelo píer e Lance também se aproxima na direção contrária. Vic está espiando tudo de cima do prédio. Lance começa a conversar com o traficante, mas o latino era difícil de confiar em alguém e logo empurra Lance, que cai no chão, e começa a chutá-lo. Vic estava pronto para atirar fatalmente no traficante, mas antes verificou a região para se certificar de possíveis perigos. Viu uma viatura passando bem em frente ao prédio em que estava. Atirar com uma sniper barulhenta ali era sinônimo de dificuldade em terminar tudo bem. A melhor opção foi descer correndo as escadas e ir ajudar seu irmão na batalha braçal. Mas nesse meio tempo, Lance já estava desacordado após tantos chutes na cabeça. O traficante latino o leva para seu barco e sai dali. Restou a Vic entrar no carro que Lance estava e iniciar uma perseguição pela orla. Ele percorreu toda a orla de Vice City de olho na direção que a lancha estava tomando. Se ela fosse para alto-mar, pouco se poderia fazer. Mas o caminho que o traficante tomou foi até um grande navio cargueiro atracado no porto da cidade. Vic viu que ele entrou por uma abertura que ficava embaixo do navio. Agora o jeito de salvar Lance seria invadir aquele navio cargueiro. E isso não seria fácil. Havia vários seguranças armados em volta. Vic viu uma rampa ao lado do navio que era usada para contêineres serem empurrados para a terra. Seria ali a entrada para o carro de Vic. Ele acelera e sobe com o carro no navio. Logo ele desce e entra na primeira porta aberta. O barulho do carro chamou a atenção dos seguranças, que foram aos montes ao local.

Dentro do navio, os seguranças não ouviram nada. Então foram pegos de surpresa por um sujeito armado invadindo cada sala a procura de seu irmão. Vic atirava em quem estivesse pela frente. Foi assim até chegar a uma varanda, que ficava em um grande porão vazio. Lá, viu Lance sentado em uma cadeira, amarrado e rodeado por três latinos armados. Ainda bem que Vic estava com sua sniper. De muito longe, Vic deu cabo dos três, mirando na cabeça dos homens. Desceu a foi desamarrar Lance, que estava muito ferido e ainda um pouco tonto pelas pancadas que recebeu.

 Achei que esse cara não usasse seguranças... – Vic diz a seu irmão.

 A informação de Forbes está seriamente errada... – Lance responde, fraco – Vou ver se consigo um transporte e você pega o que viemos pegar! Te encontro na orla.

Vic viu que seu irmão estava ferido, mas que tinha que acabar o que havia começado. Lance segue pelos corredores do navio com uma pistola e Vic entra de sala em sala com sua sniper procurando o contrabando. Alguns seguranças aparecem, mas Vic consegue se esconder e fugir sem atirar para não chamar atenção de mais homens. Ele encontra um pequeno pacote branco ao lado de uma mala cheia de dinheiro. Ali estava o que eles queriam. Vic pega a mala e o pacote e vai em direção ao deck do navio, torcendo para que Lance tivesse se dado bem e que não houvesse muitos seguranças lá. E realmente não havia. Será que Lance havia dado conta de todos? Vic logo ouviu uma buzina de um carro na orla e um aceno de Lance dizendo para descer logo. Logo os dois irmãos já estavam dentro do carro.

 Ei, tenha certeza de que ninguém está te vendo aí! – Lance grita, aparentemente já recuperado.

 Belo carro! – Vic diz.

 Estou com pressa. Quanto mais rápido eu me livrar dessa cocaína, melhor. Esse lixo de drogado não faz nenhum favor para a minha imagem... – diz Lance.

Os dois seguem de carro até o píer novamente para Vic buscar sua moto. Lance segue com o carro até seu hotel e Vic volta para casa com mil e quinhentos dólares para despesas. Forbes esperaria até o outro dia para ter seu castigo por tentar foder os irmãos Vance.

domingo, 21 de junho de 2015

Vice City Stories - Parte 11


Bryan Forbes, pelo que dizia Lance, era um homem do submundo das drogas. Ele tinha quarenta e um anos, cabelo castanho penteado para trás, era alto e usava uma camiseta roxa com um fino terno branco aberto por cima, onde seus óculos de sol wayfarer ficavam pendurados. Sua calça e seus sapatos também eram cuidadosamente brancos. Ele morava em um grande prédio de luxo no centro de Vice City. Era lá que Lance estava passando a maior parte do dia.

Vic finalmente decide ir até os dois para tratar de seus novos negócios, afinal Forbes era um “cara grande”, como disse Lance. Ele vai de moto até lá e liga para seu irmão para poder subir. Quando chega ao apartamento, que era gigantesco, Vic vê Lance e Forbes conversando no sofá.

 Claro! Você não pode roubar um ladrão... – diz Forbes.

 Hahahaha! – Lance dá gargalhadas.

 Ei, Vic! – Forbes vê seu novo parceiro entrando e vai recebê-lo.

 E aí... – Vic responde.

 E aí, mano! Como você está? – Lance pergunta de longe.

 Então, Vic, quer ouvir um pequeno plano que vai deixar nós três ricos? – pergunta Forbes.

 Muito ricos! – Lance se aproxima dos dois.

 Quais são os riscos? – Vic está sério.

 Bem, digamos que... Você não vai tocar em nenhuma droga. Tudo que eu preciso que você faça é deixar os policiais ocupados enquanto Lance e eu roubamos uma mercadoria do escroto que a trouxe para este país... – Forbes explica.

 As drogas já estão aqui. Então não vamos traficar drogas! – Lance complementa.

 Exato! – Forbes diz – Você é apenas a isca. Tudo que você precisa é fazer com que os policiais pensem que você está carregando. Eles não podem te prender por isso...

 Não, mas eles podem atirar em mim... – Vic responde.

 Aah! – Lance suspira em negação.

 Não seja ridículo! – Forbes diz, quase rindo.

 É isso aí! Qual é, cara! Vamos lá! – Lance insiste.

 Vic, você vai ficar bem. Rico e bem! – Forbes diz.

 Tá bom! Vamos fazer isso... – Vic aceita após refletir.

 Isso! Vamos detonar! – Lance se anima.

Os dois irmãos saem do apartamento e Forbes fica parado estranhamente com um olhar fixo, segurando uma vontade de rir. Não se podia confiar cegamente em um barão do tráfico. E Vic sabia disso, mas a insistência de Lance acabou o fazendo entrar no jogo também.

Na garagem do prédio de Forbes havia uma van branca. Vic assumiu o comando, Lance foi no banco do carona e Forbes foi atrás. Ele disse o local em que deveriam ir e ficou o caminho inteiro em silêncio, o que chamou a atenção de Vic, que não fez nada. Ao chegarem ao local dito, abriram uma porta de ferro e entraram em um armazém em Little Haiti. De cima dos prédios ao lado, dois policiais monitoravam por binóculos a van entrando na garagem. Tudo era parte do plano, pois dentro desse armazém seria feita uma troca de carro.

 Essa será a van de isca, pode entrar e dirigir, Vic! – Lance mostra uma van creme para Vic.

 Essa van tem a cor errada, Forbes... – Vic percebe.

 Relaxa! Nada que uma boa pintura não resolva... – Forbes diz.

Os três usam vários sprays de tinta branca para deixar a van de isca da mesma cor da original. Ao fim do trabalho, Lance se empolga:

 Essa van é a van do Van Gogh! Hahaha!

 Hahaha! Boa! Vic, pegue essa van e leve os policiais para longe daqui. Nós te avisaremos quando você estiver dispensado... – Forbes diz.

Vic sai do armazém e dirige em direção ao sul, a direção do porto. Assim que pega a primeira curva, ele já percebe viaturas vindo atrás dele. Estava funcionando. Vic não podia sair da vista dos policiais, mas também não podia ser pego.
 Interruptor-interruptor, qual é o seu vinte? – Lance fala por um rádio que Forbes entregou a Vic.

 Pelo amor de Deus, Lance! Fale inglês! – Vic responde.

 Ah, sim. Estamos fazendo nosso caminho. Mantenha os policiais ocupados! – Lance responde.

Vic fura bloqueios policiais e percebe que aquela estava sendo uma grande operação policial. Forbes deveria ter ótimos infiltrados na polícia para armar esse plano e enganá-los tão facilmente, era o que Vic pensava.

 Estamos quase lá! Só mais um pouco! – Lance diz no rádio.

Vic ainda estava tentando relacionar o tamanho da operação e os métodos usados para a missão de isca com o comportamento estranho de Forbes na van mais cedo. Poderia haver algo de errado no que estava acontecendo.

 Chegamos, dez-dez! Vamos fazer isso de novo, cowboy! Apague a fumaça, Vic, já terminamos! – Lance dá o sinal no rádio indicando que Vic já poderia despistar os policiais.

Vic consegue entrar em uma rua paralela à orla da praia e entra rapidamente em uma loja de pinturas automotivas chamada Pay and Spray. Ele paga cem dólares para pintarem sua van de vermelho. Com a porta da loja fechada, os policiais perdem a van de vista e se dispersam. Era a hora de Vic voltar para o prédio de Forbes. Ele vai ao centro da cidade e deixa a van estacionada na garagem do prédio onde a buscou. Lance vai até a calçada e entrega mil e quinhentos dólares ao irmão. Vic olha no fundo dos olhos de Lance e diz para o irmão tomar cuidado com o “cara grande”. Lance percebe a seriedade de Vic e diz que iria ficar ligado caso algo acontecesse. Vic sobe em sua moto e vai para sua casa em Little Haiti, que agora tinha novos móveis e estava mais aconchegante do que sua casa na praia.

Um dia se passou sem novidades, então, naquela tarde, Vic decide fazer uma visita a Umberto, ver o que estava rolando entre as gangues da cidade. Quando chega à casa do cubano, ele vê uma reunião na sala:

 Então eu pergunto mais uma vez: vocês são homens? – Umberto está em pé, falando com seus recrutas.

 Sim! – respondem os homens, escorados em uma mesa de bilhar.

 Então por que vocês não gostam de bolas? – Umberto pergunta.

 Porque é totalmente constrangedor! – um dos homens tenta responder.

 Porque é algo que vocês não tem! Eu tenho um saco de bolas aqui! – Umberto balança o saco com as mãos – Toneladas! Bolas para todo lado! Bolas à vontade!

 Cara, certamente ele é rodeado de bolas, hehe... – cochicha um cubano para Vic.

 Como é, querido? – Umberto ouve o cochicho – Está de conversinha no ouvido de alguma vagabunda? Hein, frutinha?

 Err, não, chefe... – o cubano fica sem graça.

 Victor Vance! Esse é um homem de verdade! Cheio de bolas, hahaha! – Umberto se aproxima de Vic – Você não tem medo de Cholos, não é, Vic?

 Você sabe que eu não tenho medo de ninguém... – Vic responde de braços cruzados, escorado na mesa de bilhar.

 Então mostre para eles suas bolas! – Umberto grita.

 Haha, não, eu era do Exército. Não da Marinha! – Vic repete a piada que seu ex-sargento Martínez fez com ele, o que arranca risada dos Cabrones.

 Vão se ferrar, suas vadias! – Umberto se irrita e se afasta.

 Hahaha, qual é, cara? Só estou brincando com você! – Vic diz.

 Alguém tem que ensinar uma lição a esses Cholos. Acho que esse alguém sou eu. Sozinho... – Umberto provoca.

 Umberto, chefe, eu estou pronto para qualquer coisa. Não quero mostrar minhas bolas de novo... – um dos cubanos diz ao chefe.

 É isso aí, a gente não pode ir lá e detonar sem ter que baixar nossas calças? – outro cubano se levanta.

 Sim, vamos lá! – um terceiro cubano grita e todos começam a sair da sala.

 Está vendo, Vic? Eles não queriam ir e agora estão todos prontos. A arte da liderança, meu amigo, é fazer as pessoas pensarem que elas tiveram toda a ideia... – Umberto diz.

Vic ri da cara-de-pau do amigo e sai para a calçada. Na rua, várias vans estão posicionadas esperando os cubanos entrarem.

 Meus homens estão indo buscar um pequeno presente para os Cholos. Eles se encontrarão com você depois, mais tarde... – Umberto avisa a Vic.

 Depois de que? – Vic pergunta.

 Depois de você limpar o caminho para nós. Aí podemos pegar os Cholos e suas armas... – Umberto diz – Irei coordenar o ataque daqui.

 Claro, parceiro, realmente precisamos de um coordenador aqui... – Vic ironiza o medo de ação de Umberto.

Vic vai com um carro dos Cabrones a um depósito dominado por Cholos próximo dali. Era lá que guardavam suas armas. É recebido por uma chuva de tiros dos dois mexicanos que faziam a segurança da entrada, mas atropela quem atirava nele. Vic desce do carro e atira em mais três Cholos. O depósito estava livre. Era só aguardar os Cabrones chegarem com as vans e recolherem o material. Eles não demoraram e logo já estavam colocando os caixotes de armas dentro dos carros.

 Vamos precisar de uma proteción enquanto carregamos o carro! – um dos cubanos diz.

 Vou proteger vocês! – Vic responde.

 Hahaha! Gostou do nosso presente para os Cholos, cara? – o cubano aponta para um boneco inflável gigante representando Umberto, mostrando o dedo do meio.

– Ótimo gosto... – Vic responde.

Os mexicanos começam a chegar. Vic já os recebe metralhando seus carros. Mas eles conhecem o depósito e entram pelos fundos, matando alguns Cabrones de surpresa. Vic entra no depósito e faz a limpa com sua tática militar de enfrentamento.

 Já pegamos tudo que tínhamos para pegar. Vamos voltar, ok? – os cubanos entram na van e dizem, já saindo do depósito.

Vic entra na outra van e volta para a casa de Umberto, tendo que atirar em alguns Cholos que ainda restavam pelo caminho. Quando chega à casa de Umberto, já anoitecendo, Vic vê uma enorme explosão vinda de onde estava e ouve do cubano:

 Hahaha! Meu amigo, hoje é um dia bom! Viramos o jogo em Little Havana. Os Cholos já eram!

Sobre a explosão, uma comitiva de Cholos chegou ao depósito e se deparou com o presente deixado pelos Cabrones. Um dos mexicanos se revoltou e atingiu o boneco inflável com um taco de baseball. Um erro. E dos grandes. O boneco estava repleto de dinamite, que explodiria a qualquer pressão. O depósito se explodiu por completo, a alta cúpula dos Cholos morreu, significando que a gangue estava sendo eliminada definitivamente. Umberto havia planejado tudo.

 Umberto Robina diz que você é um verdadeiro amigo! Pode contar comigo para qualquer coisa! – Umberto diz a Vic – Eu te amo, cara! Como um filho, ou um cachorro...

Vic recebe mil e quinhentos dólares de Umberto e a certeza de que não haveria mais motivos para ajudar os Cabrones na guerra de gangues, pois a principal gangue inimiga dos cubanos agora era história. Mas era muito bom ter o líder da maior gangue da cidade como parceiro, pensou Vic. A qualquer momento, ele precisaria de soldados. E seus soldados seriam cubanos.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Vice City Stories - Parte 10


Pela manhã, Vic ouve a rádio dentro de seu carro, procurando relaxar um pouco. A notícia sobre o assalto no King Knuts fala sobre dois homens e não três. A polícia realmente considerou Vic e Lance como os assaltantes. Isso não incomoda o ex-militar. Ser negro sempre foi ser culpado naquele país racista de 1984. Talvez uma das únicas formas de ganhar dinheiro fácil em sua condição fosse entrar no crime mesmo. Toda a aventura de Lance começou a ganhar crédito na cabeça de Vic.

Por falar em Lance, durante a madrugada ele enviou uma mensagem no pager de seu irmão: “Já entreguei o carro, mano. Vejo você na casa do Forbes”, enviando logo depois o endereço. Mas Vic achou melhor não ir correndo ao encontro de seu irmão e seu novo parceiro. Não queria mostrar necessidade daquilo. Preferiu ir ver como estava Umberto após a polícia ter feito uma investigação especial sobre sua gangue.

 Você tem um pouco de cubana em você? Parece que você tem um pouco de cubana em você, dona... – Umberto está em sua casa tentando seduzir uma mulher de aproximadamente cinquenta anos, vestida socialmente, sentada no sofá, analisando uma papelada.

 Não... Eu sou de Ohio... – a mulher diz.

 Hehehe. Você quer um ter um pouco de cubano em você, dona? – Umberto maliciosamente pergunta.

 Não. Como eu te disse, eu sou lésbica e estou em uma jornada compromissada com minha parceira de vida... – a mulher responde enfática – Agora, senhor Robina, sobre a aposentadoria do seu pai...

 Ah, tanto faz, cara... – Umberto interrompe a mulher e vê Vic entrando em sua sala – Vic! Te digo que essa vadia está louca por mim, consegue sentir isso?

 Ela está enlouquecendo... – Vic diz, ironicamente, ao ver a senhora concentrada em seus documentos.

 Sempre a mesma coisa, haha. Escuta, nós temos um problema... – Umberto desconversa – Seu amigo Jerry. Ele está causando todo tipo de problema.

 Martínez? Que merda! – Vic havia esquecido um pouco desse problema em sua vida.

 Senhor Robina, tenho que te lembrar que sou uma mulher muito ocupada... – a advogada interrompe a conversa.

 Ei, baby, hehe. Mira, escuta. Você fica com essa bunda aí, ok? Tenho um assunto de homem bem sério para tratar com o meu amigo. Por que você não se senta e relaxa? Não se preocupe, eu vou voltar com um grande chorizo... Err, você tem alguma amiga para o meu amigo? Ele é um pouco tímido... – diz Umberto se aproximando, até sentar ao lado da mulher.

 Ai, meu Deus... – a mulher suspira em negação.

 Ah, foda-se! Vic, vamos embora! – Umberto se irrita.

Ao saírem da casa, Umberto diz a Vic que alguns Cholos estavam incomodando e que era necessário mostrar a eles o que era ser homem e recuperar as ruas em domínio pelos mexicanos. Trabalho fácil para Vic. Umberto diz que não pode ir por ter uma vadia esperando por ele em sua sala. Vic percebeu que Umberto quer a ação, mas não gosta muito de estar nela. Tudo bem. Vic gostava de estar no meio pelos dois. Ele entra em um carro dirigido por Cabrones e sai à procura de Cholos causando desordem. Logo a frente, já há um carro em chamas no meio de uma rua de Little Havana. Um insulto. Drive-by nos Cholos. Mas havia mais para serem eliminados. Na rua de cima, mais um carro incendiado. Dessa vez os mexicanos viram os cubanos chegando e fugiram de carro. Não adiantou muito, pois logo foram alcançados e morreram metralhados. Mexer com cubanos era praticamente um caminho sem volta, principalmente com Vic Vance como membro.

A ordem estava restabelecida no bairro. Vic volta até a casa de Umberto e recebe oitocentos dólares do cubano por ter ajudado. Uma grande amizade surgia ali. Quando estava ligando sua moto para ir embora da casa de Umberto, Vic é chamado por um cubano para voltar, pois algo horrível havia acontecido naquele espaço de segundos. Vic entra novamente na casa e vê Umberto chorando, debruçado sobre a mesa de bilhar, algo que ele nunca imaginaria ver. Algo realmente sério deveria ter acontecido e Umberto acabara de ser avisado.

– Vocês não tem bolas!?
 – pergunta Umberto aos prantos a dois cubanos que haviam acabado de chegar e assistiam seu desespero.

 Eu, eu, eu... Não sei! – gagueja um dos cubanos.

 E você? Eu só vejo merda atrás de merda! – grita Umberto, olhando para o cubano calado.

 Você não falou nada sobre o seu pai! – o cubano responde com medo.

 Cala a sua boca, seu viado! Ele é meu pai! Eu amo ele! – se desespera Umberto – Não acredito que vocês fizeram isso! Deixaram ele lá para morrer!

 Umberto, qual é o problema? – Vic pergunta.

 Meu Deus, eu vou virar um órfão! – diz Umberto, se debruçando novamente na mesa de bilhar, chorando como uma criança.

 Nossa, cara. Sinto muito. Como isso aconteceu? – lamenta Vic.

 Ainda não aconteceu, irmão. Alberto, o pai dele, está lá assistindo a luta, cara... – diz um dos cubanos.

 E por que o choro? – Vic não entende.

 Nós vimos alguns Cholos indo para lá de carro... – responde um dos cubanos.

 Então por que ninguém vai lá e busca Alberto? – Vic ainda não entende.

 Foi isso que nós dissemos para Umberto, mas ele enlouqueceu! – o cubano se justifica.

 Então vamos lá buscar! – Vic diz.

 Não! Sem chance, Vic! Não deixa essas duas vadias irem buscar meu pai! Ele é um homem! A vergonha vai matar ele! – Umberto se joga em Vic, chorando.

 Então vai você! – Vic se irrita com o drama.

 Não, eu não posso dirigir, cara! Estou histérico... – Umberto continua o choro e novamente se joga na mesa.

 Puta que pariu! Eu vou lá buscar! Mas você está me devendo, seu louco! – Vic diz, saindo da casa.

Vic liga o carro de Umberto e vai até o ginásio do centro da cidade esperar por Alberto. Ele era um senhor cubano de cabelos brancos que foi para os Estados Unidos nos anos sessenta ilegalmente e abriu um bar chamado Robina’s Café Cubano em Little Havana para sustentar seus filhos, entre eles Umberto, na época um jovem homem de trinta anos. Reconhecer Alberto foi fácil. Ele usava uma camiseta florida e um chapéu preto.

 Ei, Alberto? Seu filho me pediu para vir te buscar! – Vic diz ao velho homem.

 Gracias, senhor! Você está atrasado... Tarde! – diz o homem, misturando inglês com espanhol – Não posso abrir meu café atrasado. Em vinte anos, nunca abri tarde!

 Fica calmo, Alberto. Sem problemas... – diz Vic, pensando que aquele velho não poderia dormir nem uma horinha a menos para abrir seu bar, ou seja, era um chato.

Os dois saem sem problemas do centro da cidade, mas enquanto está na orla da praia, Vic vê carros de Cholos rondando a área, provavelmente procurando Cabrones. Antes de ir buscar Alberto, um cubano do lado de fora da casa disse que o velho era cardíaco e que qualquer estresse poderia atacar seu coração. Então era necessário muito cuidado para evitar qualquer batalha. Vic leva o carro para dentro do bairro, andando com muito cuidado sobre suas ruas para não encontrar Cholos, mas isso irrita Alberto, que cobra rapidez para chegar em casa. Isso já o faz sofrer:

 Ai, meu coração! Por favor! Estou sem meus remédios! – grita o velho.

Mas Vic logo chega ao bar de Alberto e ele se acalma. Agradece a carona e entra na porta lateral do bar humilde que tinha. Vic leva o carro de Umberto até sua própria casa e o deixa com a chave na ignição estacionado na calçada, sabendo que os cubanos iriam buscá-lo mais tarde. Assim acontece, mas dessa vez uma embalagem é jogada através da janela do apartamento de Vic. Ele abre e conta mil dólares em dinheiro e um bilhete: “Obrigado por salvar meu pai, amigo! Agora não estou mais te devendo!”. Vic sorri, achando que o dia havia terminado bem, mas ele estava enganado.

O telefone de Vic toca e Louise o chama desesperadamente para ir a seu apartamento. Ela precisava conversar sério sobre algo. Assim que chega ao apartamento, Vic vê Louise sentada no sofá com as mãos no rosto.

 Vic! O Conselho Tutelar disse que eu sou uma péssima mãe. O agente disse que vão tirar Mary Beth de mim. A menos que eu faça favores para ele. Mas ele vai ver! Chamei um pessoal para dar um jeito nele! – diz Louise.

 O que!? Matar o cara só vai deixar as coisas piores! – Vic não acredita que Louise fez aquilo – Quando foi isso?

 Quase agora! Eu fiz errado? Como eu ia saber? – Louise fica confusa.

Vic desce o prédio correndo e pega sua moto para procurar alguma perseguição. E logo encontra a uns cinco minutos do prédio. Um homem sozinho em um carro estava sendo perseguido por uma caminhonete com dois homens atirando. Só podia ser a besteira armada por Louise. A solução era evitar a morte do agente, então Vic atira na caminhonete dos homens e fura os dois pneus dianteiros, fazendo-os capotarem. O agente do Conselho Tutelar foge, mas não sairia ileso após tratar Louise daquilo jeito. Vic acelera sua moto atrás do homem e primeiro atira na traseira do carro.

 Coloca isso no seu relatório! Deixa Louise Williams em paz, amigo, senão eu e você vamos nos tornar realmente amigos! – Vic ameaça o homem e dá um tiro em seu ombro.

 Tá bom, tá bom! Ela é só um lixo humano mesmo! – o homem sai do carro berrando de dores.

Vic liga para Louise e diz a ela que ela poderia dormir tranquilamente, pois ninguém iria levar sua filha. Ela agradece profundamente e pede perdão pelo trabalho que o fez ter. Vic diz que não foi nada e que faria qualquer coisa por ela. O silêncio nesse momento diz todo o restante. Vic desliga e percebe que está apaixonado. Mas havia muito mais coisa para se pensar do que apenas em Louise.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Covers dos temas de abertura do universo 3D de GTA

E ai, pessoal!

Enquanto a parte 10 da storyline do GTA Vice City Stories está saindo do forno, tenho algo muito legal para mostrar para vocês! Há uma série de videos no Youtube do canal SquidPhysics que tem covers completos de todos os temas de abertura da franquia de Grand Theft Auto (na verdade só faltou o do GTA Advance, além dos dois primeiros jogos). A qualidade técnica é impressionante, assim como a gama de instrumentos que o autor dos videos possui. Vale muito a pena dar uma olhada!

Vou deixar aqui todos os covers dos temas do universo 3D (para vocês entrarem no clima do que ainda está por vir aqui no site), mas no canal também há covers das aberturas dos títulos do universo HD como GTA IV, GTA The Ballad of Gay Tony, GTA The Lost and The Damned, GTA Chinatown Wars e GTA V. Deliciem-se:












domingo, 14 de junho de 2015

Vice City Stories - Parte 9


Amanheceu. Vic acorda e sente saudade de Louise, que não via havia alguns dias. Ele vai até o prédio dela e toca o interfone:

 Ei, Louise! Sou eu...

 Vic! Graças a Deus você está aqui! – Louise diz, alterada – Eu ouvi falarem que o seu prostíbulo está em chamas! As garotas estão bem?

 Foi a gangue de Marty que fez isso? – Vic pergunta, irritado.

 Estou descendo! – Louise diz.

Vic estava cansado de problemas, mas percebeu que dali para frente aquilo seria comum e tratou de se acalmar e esperar Louise chegar até a porta do prédio. Assim que ela chegou, Vic já foi andando em direção a sua moto, perguntando:

 Você ligou para o Corpo de Bombeiros?

 Não se preocupe. Eu sei onde podemos encontrar um carro de bombeiros! – Louise respondeu.

Alguns metros a frente, na orla da praia, havia acabado de acontecer um acidente de carro. Louise ouviu o caminhão dos bombeiros indo ao local apagar as chamas dos carros, que haviam explodido. Logo Vic chegou em sua moto com Louise. Eles viram que o caminhão estava ligado e desocupado. Simplesmente entraram e saíram dirigindo o caminhão em direção ao prostíbulo. Não deu tempo de os bombeiros reagirem. Vic e Louise viram um grande incêndio em vários carros estacionados em volta do prostíbulo, que tinha o teto ardendo em chamas também. Vic precisou da ajuda de Louise para acionar a mangueira do caminhão, por falta de experiência. Mas os dois conseguiram apagar o fogo com alguns minutos de insistência. Quando terminaram de apagar o fogo, Louise viu um homem espiando tudo no fim da rua e o reconheceu:

 Aquele é o primo de Marty! Pega ele, Vic! Esse desgraçado tem seis dedos nas mãos!

Vic desceu do caminhão com uma pistola em mãos. O homem viu e correu, subindo as escadas laterais de uma casa, indo em direção ao telhado. Quando Vic estava subindo as escadas, tiros começaram a ser disparados. Ele se abaixou e esperou os tiros cessarem. O primo de Marty precisava recarregar a arma. Era a hora. Vic subiu dois degraus e com um tiro acertou o peito do homem, que caiu, largando sua arma. Ele não sobreviveria. Vic mexeu nos bolsos dele e encontrou trezentos dólares. O incendiário agiu e pagou com a morte.

Era hora de levar o caminhão dos bombeiros para um local afastado. Vic diz a Louise para ir embora de carona com um dos funcionários do prostíbulo, que estava junto com os outros do outro lado da rua, afastados por conta do fogo. Vic entrega mil dólares para Louise entregar para seu funcionário para pagar as despesas que o fogo causou no teto. Ela pega o dinheiro e segue em direção ao grupo. Vic decide deixar o caminhão em um estacionamento do centro da cidade. Enquanto estava chegando ao local, deu a notícia na rádio de que, na noite anterior, vários motoristas disputavam corridas nas ruas do centro da cidade atirando um contra os outros e que a polícia viu que havia vários carros dos Cabrones envolvidos e que um advogado chamado Ken Rosenberg estava tomando o caso para si. Vic pensou em Umberto, mas também pensou que ele sabia se virar. Então deixou o caminhão no local e entrou em um táxi de volta para a praia. Na altura onde havia acontecido o acidente, Vic pediu para o taxista parar e o pagou. Ele viu sua moto estacionada onde havia deixado para roubar o caminhão e fez o caminho de volta para casa tranquilamente.

Assim que chega em casa na hora do almoço, Vic pede comida chinesa para matar sua fome. Eis que recebe uma mensagem em seu pager de sua tia Enid: “Ouvi dizer que você tem uma garota. Não gaste todo seu dinheiro com ela, pois você tem obrigações familiares!”. Vic lembrou que não mandava dinheiro para sua tia já havia algum tempo. Tinha que fazer algo em relação a isso. Pegou três mil dólares e foi ao hotel onde estava seu irmão Lance. Quando chegou lá, Vic se apresentou como irmão do hóspede. Seu nome já estava liberado previamente, então foi até o quarto. Assim que entrou, Vic viu Lance deitado no sofá falando ao telefone:

 Eu sou Lance Vance, querido, você pode confiar em mim! Lance T. Vance, com T de Trust (confiança). Ótimo. Eu amo você, cara. Não, não de um jeito engraçado! Beleza! Tchau!

 Quem era? – pergunta Vic, com um pé numa cadeira, aguardando.

 Haha! Ninguém! – Lance desliga o telefone.

 Parecia alguém... – Vic diz.

 Vic, olha para mim! Não era ninguém! – Lance fica sério.

 E você olha para mim! Quem era? – Vic se irrita.

 Você vai me agradecer! – Lance se levanta.

 Como se eu nunca tivesse ouvido isso antes. O que você fez? – Vic diz, irônico.

 Encontrei uma saída! Dois garotos, uma casa zoada, sem educação, sem pai. E ricos para caralho! – Lance diz, empolgado – É o sonho americano, baby! Pete com um bom plano de saúde!

 Nós não somos garotos! – Vic não caiu na conversa um segundo sequer.

 Somos jovens de coração! – diz Lance – Escuta: eu conheci um cara grande. E nós vamos conseguir muito dinheiro fazendo absolutamente nada!

 É melhor isso não se tratar de drogas... – diz Vic.

 Nós não vamos tocar em nenhuma droga, cara, qual é! Você sabe que eu sou seu irmão. Você pode confiar em mim... – Lance insiste.

Vic, como sempre, cede com um pouco de insistência. Ele apenas abaixa a cabeça e faz um movimento com o dedo indicando para os dois descerem. Na rua, Vic pergunta para Lance:

 Então, quem é esse cara grande?

 O nome do meu cara é Forbes. Ele vai ligar para nós a qualquer momento na lanchonete. Então vamos para lá rápido! – Lance responde.

Os dois entram em um carro esportivo alugado por Lance, mas Vic dirige, pois não queria que o que havia acontecido há alguns dias se repetisse. Vic leva o carro até alguns metros à frente, onde havia um King Knuts. Os irmãos entram e Vic pede um sanduíche para disfarçar enquanto Lance vai ao telefone público dentro da lanchonete aguardar a ligação do tal Forbes. A ligação não demora muito:

 Então a mercadoria está escondida dentro do painel do carro? Ah, sim, sem problema... – Lance desliga e vai até a mesa onde Vic aguardava seu lanche – Ok, nós vamos pegar o carro do Forbes.

 É só isso? Sem drogas? Pff, que “cara grande”... – Vic ironiza.

 Cara, me dá um tempo! Nunca se ganha para você! – Lance resmunga e olha para a porta da lanchonete – Ah que merda, você está brincando comigo!

 Ok, ninguém se mexe! Vamos lá! Mãos aonde eu possa vê-las! – um homem encapuzado com uma submetralhadora grita para todos. Ele está acompanhado de mais dois homens. Era um assalto.

Todos levantam as mãos, menos um senhor que se assusta e tenta sair correndo do local. Ele é metralhado. Os homens não estavam brincando. Sabendo que precisavam chegar ao carro de Forbes em um horário marcado, Vic saca sua pistola e toma proteção nas poltronas da lanchonete. O telefone ficava em um canto escuro e afastado do balcão, portanto os ladrões não notaram a presença dos dois irmãos ali. Vic diz para Lance se abaixar e solta três tiros secos, em sequência, cada um com direção certa: a cabeça. Foram três cabeças explodindo quase que simultaneamente. Todos se levantaram. Vic e Lance foram em direção a porta, mas viram que a polícia já havia cercado o lugar e que policiais estavam apontando suas armas para os dois.

 Cara, isso é típico! Eles acham que nós somos os culpados! Que merda! – Lance diz.

Vic olha ao redor e vê uma saída de emergência. Os dois saem por ali, no meio de corredores entre prédios. A polícia não percebe a fuga e fica esperando os “ladrões” se entregarem. Lance diz a Vic que eles precisavam ir a um prédio chamado Port Authority Building, que ficava próximo ao porto. Era lá que casos de imigração ilegal eram investigados e era lá que estava o carro de Forbes. Não havia outro jeito: para chegar ao carro, eles precisariam roubar um carro. E foi o que fizeram com o primeiro carro que passou na rua. Houve a interceptação, o roubo e a fuga, o clássico assalto. Eles atravessaram a praia sem perturbações policiais e chegaram ao estacionamento do prédio. A segurança não deixaria nenhum carro estranho entrar. A solução? Tiroteio. Vic destroi a cancela e atira em todos os seguranças do estacionamento. Lance aponta qual era o carro. Era um dos vários carros de luxo que havia lá. Vic e Lance entram no carro, que dispara o alarme.

 Vai! Tira esse carro daqui! – Lance grita.

 Eu não estou entendendo! Como que roubar um carro idiota vai deixar a gente rico? – Vic se incomoda.

 Eu tenho tudo sob controle, cara... – Lance tranquiliza o irmão.

 Tem droga escondida nesse carro? – Vic pergunta.

 Se acalma, cara... Fica de boa... – Lance diz arrastadamente.

Logo a frente, havia mais seguranças armados. Vic e Lance se abaixam para evitar os tiros e aceleram com tudo para cima dos homens, que são todos atropelados. Agora não havia mais obstáculos. O carro roubado deixa o prédio e vai até a casa de Vic, ali perto.

 Você dirigiu bem, Vic. Mas, err... É melhor eu pegar o controle daqui! – Lance diz, meio constrangido.

 Como assim, cara? – Vic se irrita e sai do carro.

 Forbes não te conhece, cara. Ele não confiaria em você. Até mais! – Lance soa como se estivesse dando uma desculpa esfarrapada e acelera, jogando setecentos e cinquenta dólares para trás.

 LANCE! SEU IDIOTA! – Vic grita, mais uma vez puto com seu irmão.

Não havia mais o que fazer. Victor Vance já estava no jogo das drogas.