segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Vice City Stories - Parte 23


Anoitece e Vic Vance chama alguns de seus funcionários para o acompanharem até a casa de Gonzalez. Lá, ele é informado por seguranças que o chefe estava na casa de Ricardo Díaz. Vic estranhou, os dois eram inimigos e rivais na distribuição de cocaína em Vice City, o que estariam fazendo juntos? Ir até lá era o único jeito de descobrir. Vic diz a seus homens que poderiam voltar, pois a casa de Díaz era um lugar em que ele se sentia seguro, pelo menos a ponto de não sentir que seria fuzilado pelas costas a qualquer momento. Quando estaciona seu carro no estacionamento da mansão de Díaz, Vic ouve uma forte discussão na parte de trás do pátio, próximo ao píer. Lá estavam Díaz, com seus homens armados, e Gonzalez, sentado em um banco ao lado da piscina.

 Leve as armas de volta para o seu coronel, mas lembre-se, você pertence a mim agora! Cada carga que você trouxer para Vice City passará por mim! – Díaz grita para Gonzalez.

 Si, si! Sem problemas! – responde Gonzalez, assustado.

 Vic! – Díaz grita quando vê Vic se aproximando – Eu estava falando com meu novo amigo Gonzalez sobre lealdade. Sobre como eu irei cuidar dele se ele fizer o que eu mandar. E você vai fazer o que eu mandar, não vai, Gonzalez?

 Si, si... – Gonzalez responde com o mesmo tom de antes.

 Bueno. Escolte ele até o aeroporto, Vic. Mostre a ele o que significa ser amigo de Ricardo Díaz! E o que significa ser um inimigo... – Díaz diz.

Vic olha mais à frente e vê um caminhão com um grande contêiner na caçamba. Eram as armas que Gonzalez levaria para seu coronel Cortez, as mesmas armas que a DEA havia trocado por drogas. Drogas que, falsamente, foram divulgadas para a mídia como se tivessem sido capturadas entrando no país ilegalmente. Gonzalez assume a direção do caminhão e Vic assume o comando de um helicóptero que carregava alguns homens armados para se algum imprevisto acontecesse no trajeto do caminhão até o aeroporto. E aconteceu. Assim que sai da mansão de Díaz, o caminhão é seguido por vários carros. Os funcionários de Díaz abrem fogo violentamente contra os carros que seguiam o caminhão. Não se sabia quem estava por trás, mas provavelmente era algum dos outros barões de droga da cidade. O caminho até o Escobar International Airport é aberto sem grandes problemas. O caminhão dirigido por Gonzalez é recebido por um grupo de seguranças do coronel Cortez, que aguardavam com um bloqueio no portão principal de entrada de cargas do aeroporto. Gonzalez leva o caminhão até um hangar que possuía um jato executivo estacionado.

Mas o bloqueio do portão feito por homens de Cortez não estava dando conta dos carros que continuavam chegando ao aeroporto. Os homens de Díaz no helicóptero tiveram que ajudar a proteção a ser feita. Há um intenso tiroteio naquela noite nos arredores do aeroporto. Vic percebe que a outra entrada da área de cargas do aeroporto também estava sob ataque. Ele apenas aguarda o ataque do portão atual ser combatido para já ir para o outro, que também estava sob proteção do exército de Cortez. Mas ali a situação estava mais controlada. Vic leva o helicóptero de volta ao primeiro portão. Nesse momento, ele reconhece a jaqueta de um dos homens que estavam atacando os portões: era a jaqueta dos Sharks, uma pequena gangue de rua que vendia drogas e armas pelo norte de Vice City. Vic sabia que Díaz os mantinha como aliados, então aquele ataque era um erro, por acharem que Díaz não tinha nenhum envolvimento com aquela carga de armas, ou uma traição. A segunda opção sempre era mais aceita no submundo da cidade. Mas Vic decidiu guardar aquela informação. Mesmo com toda a proteção nos portões e o helicóptero de Vic, os Sharks conseguiram entrar no aeroporto em quatro carros. Eles entraram pelo primeiro portão. Vic os viu indo em direção ao jato executivo, que nesse momento já estava na pista pronto para decolar. Os Sharks se aproximam do avião para interceptá-lo a tiros, mas não conseguem, o avião parte com toda a velocidade e levanta voo. Arriscaram tudo e perderam a chance. Seus carros são fuzilados pelos atiradores do helicóptero de Vic.

Já havia fortíssima movimentação policial na área do aeroporto, então Vic logo leva o helicóptero de volta ao heliponto no topo da mansão de Díaz. Recebe dois mil dólares pela escolta e fica por ali mesmo, relaxando e vendo as notícias sobre o tiroteio, na sala de estar da mansão. Mas ele recebe uma mensagem de Mendez: “Chegou a hora que nós conversamos. Venha nos ver...”. Vic não havia visto ou falado com os irmãos Mendez após ter levado toda a polícia da cidade para lá após roubar drogas da polícia em seu nome. Nesses momentos, a cobertura era essencial para um encontro. Na manhã seguinte, Vic novamente chama seus funcionários e Lance para dar uma volta. Vão todos até a mansão dos Mendez em Prawn Island. Dentro da sala, Diego e Armando estão jogando xadrez.

 A guarda de trás avança, imparável! – Armando diz, mexendo uma peça, quando vê Vic e Lance entrarem – Então... Vocês terminaram. Diego, eles terminaram.

 Buenos... – Diego responde.

 E nenhum de nós mortos. A vida civilizada de um cavalheiro. Nós temos nosso dinheiro, então vocês estão liberados... – Armando diz para os irmãos – Vocês devem deixar a cidade, é claro, e deixar seus outros interesses em nosso controle.

 Como é!? – Vic fica surpreso.

 Mas vocês, suas famílias, ninguém irá morrer. É um trato justo... – finaliza Diego.

 Justo? Então ser fodido para caralho e ainda pagar por isso é justo? Parece um ótimo trato mesmo! – Lance se irrita.

 Eu acho sua linguagem e sua atitude bem desagradáveis! – Armando também se irrita e se levanta do sofá, mas sem perder a classe.

 Puta madre! – Diego resmunga bem baixo.

 Ei, espera aí, ouça, senhor Mendez. Eu, ou melhor, nós fizemos muitas coisas para você. Nos mantemos na nossa e agora você quer que entreguemos nossos interesses para você? – Vic toma as rédeas da situação.

 Vocês chegam na minha cidade, andam por aí como maníacos, colocam a polícia e a DEA na minha vida. Agora eu quero que vocês sumam. Vocês tem muita sorte de não estarem mortos...– Armando diz enquanto anda pela sala.

 Ei, olha só, eu te dei toneladas de dinheiro! Dinheiro que eu não subtraí! – é a vez de Vic se irritar.

 E agora vocês terminaram. Vocês são obsoletos... – Armando diz, com a maior tranquilidade do mundo.

Homens armados com bastões entram na sala e nocauteiam os irmãos Vance por trás. Armando decide não matá-los, exatamente por reconhecer a ajuda que eles foram. Manda seus homens os deixarem em algum lugar deserto. Vic e Lance são deixados no meio de uma fábrica de combustível, deitados entre milhares de tubos saindo do chão.

 Nossa, aonde nós estamos? – Vic diz ao acordar.

 Em um lugar não muito bom. Acho que sobrevivemos à nossa inutilidade para os Mendez... – Lance já estava acordado.

 Ei, calem a boca! Eles estão acordando! Vamos acabar com isso logo! – ainda haviam homens dos Mendez ali que não queriam problemas, decidiram matar os irmãos.

Ao atirarem, Vic e Lance correm e os tiros acertam os tubos que continham gás. Há uma enorme explosão que queima todos. Agora há um incêndio no local, mas Vic foge dali com Lance para fora da fábrica, que ficava próxima ao aeroporto. Mas um incêndio em uma fábrica de combustível não é uma boa combinação, então há uma explosão espetacular naquela fábrica. Vic e Lance se protegem atrás de uma grossa árvore por perto.

 Ótimo, agora temos uma guerra com os irmãos Mendez... – Vic diz.

 Está tudo bem, mano. Eu sou um cara com planos, hahaha! Apenas me dê um pouco de tempo... – Lance tranquiliza o irmão.

Vic sabia que estar contra o maior cartel da cidade não seria nada fácil. O calafrio que sentiu quando foi avisado por Martínez que Lance havia roubado drogas dos Mendez voltou. Se até Martínez havia fugido da cidade após estar no meio de toda a confusão que Lance criou, provavelmente Vic deveria fazer o mesmo agora. Mas ele não havia chegado até aquele ponto para desistir. O trato justo dos irmãos Mendez seria posto à prova. Com o coração de Vic e a inteligência de Lance.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Vice City Stories - Parte 22


Ricardo Díaz era o atual maior inimigo dos irmãos Mendez em Vice City. Era um colombiano de quarenta e dois anos, baixinho, calvo, gordo e com um ridículo bigode fino. Ele usava camisas floridas abertas, mostrando seu peito bem peludo cobrindo uma cruz de prata pendurada a um grosso cordão. Era milionário. Fez sua fortuna com seu cartel na Colômbia e se mudou para Vice City em 1978. Conseguiu sua legalidade subornando funcionários do INS (Immigration and Naturalization Service). Era falador e muito nervoso, provavelmente foram essas características que o levaram ao sucesso no mundo do tráfico. O chamado para ver Vic Vance através de Reni era óbvio: Díaz queria seus maiores inimigos de negócios mortos. Nada melhor do que alguém infiltrado no meio deles.

Vic recebe um telefonema de Reni. Ela diz o endereço de Díaz. Ele morava na maior mansão de Starfish Island. Fora construída a mando dele, portanto ainda havia obras sendo realizadas no exterior. A mansão tinha uma imensa escada central em frente a porta principal em seu lobby, que levava ao escritório de Díaz e a corredores com quartos. Todas as paredes eram revestidas de veludo vermelho. Ao chegar à mansão, Vic é levado ao o escritório do dono. Ele está contando seus dólares em uma máquina de contagem automática enquanto fuma um grande charuto. Vê Vic na porta e abre um largo sorriso:

 Hahaha! Então você é o Vic!

 Sim. E você? Você é o Díaz? – Vic responde.

 Não, eu sou o Papai Noel... – Díaz ironiza – Eu ouvi bastante de você: Mr. Big, o amigão dos Mendez...

 Eu não diria que somos exatamente amigos... – Vic diz.

 Tanto faz. Eu ouvi dizer que você não é muito aberto, amigo, mas dá uma porra de um sorriso! A vida é incrível, olha para mim! Tenho pornografia, tenho drogas, tenho dinheiro. Sou feliz! – Díaz tenta se vangloriar, o que não tira um sorriso de Vic.

 Legal. Bom, eu também. Eu não quero vender drogas, mas não tenho chance por enquanto... – Vic responde.

Lance aparece saindo do banheiro do escritório de Díaz. Ele fica surpreso ao ver Vic, que fica em choque ao vê-lo, mas ambos não falam nada.

 Nossa, Quentin, você não disse que seu irmão era tão chato! – Díaz se refere a Lance como Quentin.

 Vic!? – Lance diz, puxando seu zíper.

 Quentin!? – Vic fica surpreso com o nome falso usado por Lance, mas sua pergunta soa como se ele estivesse surpreso com a presença do irmão ali. Díaz não desconfia.

 Bom te ver, cara. Reni me mandou até aqui. Ricardo e eu temos conversado... – Lance diz, meio inseguro.

 Hehehe! Gostou dela? – Díaz pergunta a Lance. Aparentemente ele havia dado uma puta para Lance se satisfazer no banheiro.

 Hehe, sim, ela é boa... – Lance diz sem graça, mas forçando dureza.

 Ela sabe vários truques para uma garota nova, né? – Díaz diz.

 Lance, você é patético! – Vic se enoja com a conversa e acaba dizendo o nome do irmão, mas Díaz não percebe.

 É isso aí, Quentin! Só levou três minutos! Pegue um cigarro, descanse, hahaha! – Díaz dá gargalhadas.

 Hahaha! Vou pegar mesmo! – Lance também ri.

 Então, vocês vão me ajudar? – Díaz pergunta aos dois.

 Claro, baby! Vamos fazer você virar uma estrela! – Lance grita ao se jogar em um grande sofá.

 Cala a boca, seu idiota! – Vic se irrita com a gritaria do irmão e pergunta a Díaz – Beleza, do que você precisa?

 Gonzalez acha que ele pode mover produtos sem me pagar. Ele deve estar armando alguma coisa! Ele tem escondido algumas coisas pela costa. Talvez os Vances possam pegar o negócio! – Díaz se refere à mercadoria que Gonzalez pediu a Vic para proteger alguns dias antes.

 Tudo bem. Vamos, imbecil! – Vic aceita e chama Lance, que estava cheirando cocaína na mesa de centro.

Ao chegar ao carro de Lance, Vic diz:

 Vice City é uma cidade imensa. Essa merda pode estar em qualquer lugar...

 Esse Gonzalez... Você reconheceria os homens dele? – Lance pergunta.

 Talvez... – Vic responde.

 Ótimo! Porque se eu estivesse em uma cidade grande com algumas horas para passar, eu iria ficar doidão com um mano, ou me deitar com uma mina! E eu sei onde os “forasteiros” fazem as duas coisas... – Lance tem um momento de lucidez impressionante e vai em direção ao Pole Position, um clube de striptease em Ocean Beach.

No caminho, Vic se lembra que Lance estava na casa de Díaz antes dele e pergunta:

 Você acha que podemos confiar em Díaz?

 Meu amigo Díaz é um homem de negócios! – Lance responde.

 Ótimo! Isso é um “não” então... – Vic ironiza novamente.

Lance e Vic chegam ao clube e estacionam o carro na rua lateral, com uma boa visão da entrada. Estavam próximos da casa de Lance, inclusive.

 Fique com os olhos atentos! – Lance diz a Vic – Se você reconhecer algum cara do Gonzalez, me fala!

 Isso é idiotice! Não tem como nós... – Vic já ia desdenhando da ideia de Lance quando vê um carro que já havia visto antes parar em frente ao clube e um homem saindo lá de dentro entrar – Eu não acredito! É um dos caras dele ali!

 Cara, eu sou bom, hahaha! Às vezes eu me assusto comigo mesmo! – Lance se gaba – Aposto que ele nos levará direto para a mercadoria. Vamos ficar na cola dele!

 Como você sabia que ele estaria aqui? – Vic pergunta enquanto Lance começa a seguir o carro dos homens de Gonzalez.

 Todo mundo que é de fora da cidade vem para cá querendo ficar chapado e fazer sexo. Comigo foi assim... – Lance diz.

O carro estaciona em um píer em frente a um parque de diversões e o homem que saiu do clube sobe em um jetski e vai em direção ao alto-mar. Por sorte, ali era a rua do apartamento que Vic havia comprado há muito tempo, e ele também tinha um jetski na garagem. Lance e Vic rapidamente levam o jetski de Vic para a água e uma nova perseguição começa, dessa vez com Vic sozinho. Novamente ele fica distante do homem para que não levantasse suspeitas. Vic segue o homem até uma plataforma cheia de casas de madeira que ficava flutuando no meio do oceano. Ao chegar perto, Vic percebe que era possível ver a mansão de Lance, finalmente entendendo o motivo de seu irmão ter comprado ali.

O homem estaciona seu jetski em um dos píeres da plataforma e vai em direção a uma das casas. Vic esconde seu jetski atrás de uma dessas casas e de lá vê uma imensa lancha ligada e lotada de pacotes de drogas, deveria haver quase meia tonelada de pó ali. Vic olha ao redor e vê apenas um segurança vigiando a área em uma varanda. No momento em que ele vira as costas, Vic sai correndo e pula na lancha e acelera. Ao ouvir o barulho, o segurança abre fogo contra Vic, que se abaixa e pisa o mais fundo que pode no acelerador. Ele consegue sair da plataforma, felizmente sem ser perseguido, pois aparentemente o lugar estava vazio. Vic segue reto pelo mar até Starfish Island, onde havia um píer atrás da mansão de Díaz. Um dos homens de Díaz recebe a droga. O pagamento do serviço era de mil e quinhentos dólares. Mas, além de tudo, Vic se sentia vingado por Gonzalez ter tido tamanha falta de confiança com ele. A guerra entre Gonzalez e Vic Vance estava declarada.

Ao voltar do roubo de mercadoria, Vic vai novamente ao escritório de Díaz. O traficante estava recebendo dois funcionários para experimentar sua cocaína pura, verificando o que estavam vendendo em seu nome.

 Ah, Vic! Graças a Deus, finalmente alguém que não está perdido! – Díaz se anima ao ver seu novo parceiro.

 Ei, Díaz... – Vic o cumprimenta novamente.

 Deixa eu provar... – Díaz novamente cheira mais uma parte do pó em cima da mesa, onde seus funcionários aguardavam sua reação, e rejeita – Se eu quisesse cheirar leite, eu chuparia uma vaca, porra! Idiota! Não corte tanto assim!

 O que você está fazendo? – Vic pergunta.

 Estou jogando dos dois lados. Vou fazer um pequeno acordo com a DEA, passo uns duzentos quilos dessa cocaína que você e Quentin roubaram de Gonzalez. De troco, eles me darão boas armas, não esse brinquedo! – Díaz aponta um revólver para todos na sala e atira na parede, para o desespero geral.

 Ok... – Vic percebe que deverá se acostumar com o temperamento do colombiano.

 Hahaha! Mas primeiro estamos separando a cocaína, eles pegam esses duzentos quilos e eu fico com o resto, comprende? Mas nós temos que fazer a mistura correta. Deixa eu ver de novo... – Díaz mistura inglês com espanhol e novamente prova o pó que estavam preparando e dessa vez quase entra em transe com a droga, mas logo volta o foco ao trabalho – Ah! Perfeito... Beleza! Ensacolem isso e carreguem o carro para Vic. Mas deixem um pouco para mim, estou precisando...

Vic espera alguns minutos e quando sai da mansão já há uma van carregada de drogas o aguardando. Dentro havia um dos homens de Díaz que estava no escritório. Ele iria dizer o caminho para a entrega ser feita.

 O chefe me mandou ir junto para evitar de você decidir levar embora essa mercadoria... – o homem revela a Vic.

O encontro seria no centro da cidade, em um estacionamento atrás de um comércio. Lá já estava um carro com quatro homens de Díaz fortemente armados, que aguardavam a van.

 Bem na hora, señor. A DEA vai chegar em alguns minutos com nossas armas! – um dos homens diz a Vic.

Vic ainda olhava este homem falar quando a cabeça dele explodiu em sua frente. O homem havia tomado um tiro de sniper e teve morte instantânea. Vic olhou para cima e virou vários atiradores nos terraços dos prédios em volta ao estacionamento. Aparentemente era uma armadilha da DEA. Ele se joga atrás da van, enquanto os homens de Díaz tentavam revidar os tiros, sem sucesso. Dois homens foram atingidos, sobrando apenas um. Um dos homens de Díaz, antes de morrer, reconheceu um dos atiradores e gritou que eram homens de Gonzalez. A resposta ao roubo veio extremamente rápido, pensou Vic. Com a DEA chegando em poucos minutos, o acordo seria arruinado. Então, Vic tinha que fazer alguma coisa. Ele entra na van e puxa uma sniper que estava na parte de trás. De dentro da cabine, consegue acertar dois dos atiradores de Gonzalez. Isso já os assusta e os fazem ir embora. Vic e o homem que sobrou, Enrico, tratam de limpar a área para os agentes da DEA não se assustarem com o ambiente. Eles colocam os corpos dos homens mortos dentro do carro em que eles chegaram e o estacionam em cima da poça de sangue que se formou.

Em alguns minutos, chega um caminhão e uma caminhonete com vários homens com coletes da DEA. Enrico comanda o acordo, que é feito. Os agentes da DEA ficam com a van cheia de drogas e entregam o caminhão cheio de armas. Rapidamente todos saem dali. Vic dirige o caminhão de volta até a mansão de Díaz, com alguns infortúnios pelo caminho, mas nada que atrapalhasse o fechamento do acordo. Ele recebe mil e setecentos dólares de Díaz e o convite de voltar para mais trabalho. O comportamento de Vic no acordo agradou muito a Díaz, que o viu como um bom homem para se ter ao lado.

Logo o pager de Vic toca e lá está uma mensagem de Gonzalez: “Vic, meu velho amigo... Eu apreciaria uma pequena ajuda sua uma última vez. Por favor! Por favor!”. Claramente aquilo era uma armadilha. Talvez Gonzalez tenha achado que Vic não saberia que não eram agentes da DEA nos telhados dos prédios ao redor do acordo e sim seus homens. Mas Vic ficou curioso em descobrir o que Gonzalez falaria para ele. Marcou de se encontrar ainda naquela noite. Com Vic, iria um exército de prontidão.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Vice City Stories - Parte 21


Alguns dias se passam e Reni recebia Phil Collins e Barry em seu escritório. Lá era o lugar mais seguro para o astro ficar na cidade. Reni fazia suas típicas investidas sexuais, dessa vez em Phil, enquanto Barry falava ao telefone.

 Mas, querido, você não sente uma conexão especial entre nós? Uma certa mágica? – Reni pergunta a Phil.

 Não. E eu serei sincero com você: você não faz o meu tipo! – Phil responde – Barry, está tudo pronto para hoje à noite?

 Cara, é claro que está tudo resolvido! – Barry diz após sua conversa no telefone ser interrompida – Você vai detonar tudo!

 Hum, bem, eu estou mais preocupado em alguém ME detonar... – Phil diz, preocupado.

 Ai, esse papo de detonar... – Reni não consegue segurar seus pensamentos sexuais.

 Por favor, querida, desconte todas as suas frustrações em Barry e me deixe em paz... – Phil perde a paciência com Reni.

 Barry? Eu já tive Barry! Todo mundo já teve. Eu gosto de desafios! – Reni revela.

 Você o que!? Phil, ele está brincando! – Barry se incomoda.

 Barry? – Phil acredita.

 Olha, Phil... PARA COM ISSO! – Barry grita ao ter Reni beijando sua nuca enquanto tentava se explicar para Phil.

 Sim! No ano passado, em Mônaco. Bastante champanhe, bastante amor no ar... – Reni relembra.

 Não teve nada disso! É melhor você calar a boca! É mentira, Phil! – Barry começa a ficar desesperado.

 Mas foi tããão lindo... – Reni provoca Barry imitando um bebê.

 Tá bom, tá bom. Barry, nós estamos seguros, certo? – Phil muda de assunto.

 Seguro? O melhor segurança da cidade acabou de aparecer. Eu mentiria para você, garoto? – Barry vai até a porta do escritório receber Vic, que havia acabado de chegar.

 Na verdade, sim. Toda hora! – Phil responde irritado.

 Bem, dessa vez eu não estou! Vic, eu mentiria para ele? – Barry pergunta.

 Provavelmente... – Vic é seco.

 É melhor nós irmos para o camarim... – Phil se cansa do assunto.

 Vic, eu preciso de um favor! – Barry diz – Vá ver se o palco do show está limpo. O senhor superstar aqui colocou toda a imprensa na minha cola.

 Claro! – Vic aceita.

 Ei, não era eu que estava procurando um verdadeiro amor em Mônaco... – Phil ironiza.

 Cala a boca, senão você vai ter que procurar um novo empresário! – Barry se irrita.

 Ei, não me provoque... – Phil diz e sai do escritório. Barry o acompanha.

 Eu amo esses dois! São deliciosos! – Reni diz a Vic.

 Hehehe! – Vic sorri e segue os dois.

O show de Phil aconteceria em uma semana no ginásio do centro cidade naquela noite, o Hyman Memorial Stadium. Naquela noite, aconteceria o primeiro ensaio de Phil no palco. A ameaça de Giorgio Forelli de matar Phil Collins era real, então deveria haver uma absoluta certeza de que nada aconteceria durante o ensaio e o show. E ninguém melhor do que Vic Vance para organizar esse esquema de segurança.

Naquela tarde, Vic vai até o ginásio para preparar tudo. Mas tem uma surpresa: dentro do ginásio havia vários italianos armados, eles já haviam matado várias pessoas que estavam trabalhando nos preparativos técnicos da passagem de som e luz. Mas Vic vai abrindo caminho com seu fuzil e matando um por um dos que estavam sem crachá em toda a área reservada do local. Ele roda por todos os corredores entre as áreas de bilheteria e encontra vários homens armados. O tiroteio é intenso, mas ele sempre sabia se defender de tiros, sempre arrumava alguma coisa para usar de escudo. Ao chegar ao palco, mais homens armados. Vic penetra aquele colosso de metal e elimina todas as pessoas visíveis ali, naquele momento não queria saber mais da inocência de cada um. A área do palco e dos corredores estava limpa. Mas para a segurança ficar completa, era necessário chegar aos andares de cima do ginásio. Lá, mais uma surpresa desagradável: três homens estavam plantando uma bomba ali. Pelo tamanho do artefato, praticamente do tamanho de um carrinho de supermercado, não só o show de Phil seria destruído como também a arena inteira. Vic solta uma rajada de tiros precisas nos três homens que estavam distraídos com a bomba. Ele se aproxima e vê que o timer ainda estava desligado. A bomba ainda não havia sido ativada.

Após, agora sim, ter todo o ginásio seguro (enquanto limpava a área, Vic ligou para seus empregados para cercar o local e evitar possíveis entradas), era hora de arrumar uma nova equipe para fazer o ensaio acontecer, pois os homens que trabalhavam ali, infelizmente, estavam todos mortos. Vic liga para Reni e pede uma nova equipe técnica. Seu pedido é atendido em poucas horas. À noite, Phil e Barry chegam a bordo de uma limousine preta. No estacionamento, Vic os recepciona. Barry, que estava no banco do carona da limousine, sai e diz para Phil:

 Olha aí o Vic! Viu, não te falei? Nada para se preocupar!

 Tá bom, tá bom. Te vejo lá dentro... – Phil não dá bola e sai caminhando em direção ao elevador.

 Sério, cara, está tudo bem? – Barry pergunta a Vic.

 Claro, mas você vai precisar de um esquadrão antibomba! – Vic responde com certa ironia e desprezo pela ingenuidade do inglês.

 Antibomba? Hahaha! Boa! Você é um comediante mesmo! Hahaha! Acho que você também deveria estar no palco, hein? Hahaha! – a reação de Barry só confirma o que Vic sentia – Phil, acho que a gente deveria atrasar o ensaio um pouco. Problemas técnicos, mas nada sério, está tudo bem...

Phil sobe para o camarim completamente calado. Em poucos dias de Vice City, já estava cansado de Barry Mickelthwaite. O ensaio acontece normalmente, a equipe que Reni contratou faz milagre em pouco tempo e deixa tudo em perfeita ordem e qualidade. Vic assiste o ensaio de um camarote. Aproveita para gastar parte dos mil e quinhentos dólares que Barry havia dado a ele. Mas enquanto estava lá, ele recebeu uma mensagem em seu pager. Era uma mensagem de Reni: “Falei para Ricardo Díaz coisas boas sobre você, amorzinho. Ele quer um encontro. Lembre-se, querido, você me deve uma!”. Vic já sabia quem era Ricardo Díaz. Era a parte que faltava para completar a trinca de barões de drogas da cidade. Ele era tão grande quanto os irmãos Mendez e o coronel Cortez. Vic então pensou que no dia seguinte marcaria o encontro que ele queria.

Após sair do ensaio de Phil Collins, Vic aproveita para passar na casa de Lance. Eles não se falavam desde a loucura aérea que o irmão mais novo havia feito, há três dias. Vic entra e encontra seu irmão dormindo no sofá com todas as luzes apagadas. Após as luzes da sala serem acesas, Lance acorda parecendo que dormiu por um bom tempo:

 Nossa, cara! Que mês é hoje? Eu fiz alguma coisa estúpida nos últimos dias?

 Estúpida? Não, não. Você ultrapassou muito o limite do estúpido e continuou indo até chegar ao nível fodido! – Vic usa sua ironia.

Nesse momento o telefone toca. Vic atende e ouve uma voz feminina:

 Lance? É a Louise. Onde o Vic está? Eu preciso dele...

 Sou eu, Louise. O que foi? – Vic responde.

 Vic? Ai, graças a Deus! É aquele Martínez! Ele deve achar que a gente ainda é um casal! – Louise diz, inquieta.

 Ah é? Bem, a gente não é! – Vic responde, irritado.

 Pelo amor de Deus, Vic! Eu não dormi com o Lance! Ele é só meu amigo. Mais amigo do que você tem sido ultimamente! Você nunca liga, a gente nunca se vê... – Louise também se irrita.

 Isso aqui vai dar em alguma coisa? – Vic perde a paciência e já quer desligar.

 Eu só queria que você soubesse que os homens de Martínez estão me seguindo. E como eu estou querendo voltar, eu estou tentando evitar ser morta! – Louise desabafa – E agora eu estou escondida atrás de uma merda de lanchonete. Como se você fosse dar a mínima.

 O que? Martínez mandou caras atrás de você? – Vic finge surpresa para não deixar Louise em pânico por ele já esperar isso acontecer.

 Eu nem sei por que eu liguei! Eu vou matar todo mundo sozinha mesmo! – agora é a vez de Louise perder a paciência e desligar.

 Espera! Louise! Louise! – Vic fica preocupado com o rumo que as coisas estavam tomando – Lance, você vai me ajudar? Ah, esquece.

Lance poderia até ajudar Vic, mas em seus sonhos. Ele dormia como pedra. Possivelmente havia usado alguma droga relaxante. Vic vai até a lanchonete mais próxima do apartamento de Louise, um King Knuts em Little Haiti. Ele está com seu fuzil e grita por ela nos fundos. Louise estava em frente à lanchonete sendo jogada dentro de um carro por dois homens. Ela ouve os gritos de Vic e grita por socorro. Vic olha para trás e vê três carros indo embora do local, um com Louise dentro. Alguns homens de Martínez aparecem nos fundos da lanchonete e dizem que Louise era a puta do chefe deles agora. Vic rapidamente solta uma rajada de tiros para acertar os três. Ele nem mirou, só pensava em entrar em seu carro e perseguir quem havia sequestrado sua “namorada”. Os carros vão até o estacionamento de um prédio no centro da cidade. Quando Vic se aproximou, quase todos já haviam saído dos carros, apenas Louise ainda estava na traseira de um e outro carro estava ocupado com duas pessoas. Vic chega atropelando todo mundo, inclusive batendo com muita violência na frente do carro em que Louise estava. O carro que estava ocupado foge. Com todos no chão, Vic sai de seu carro e vê que Louise estava ferida no peito, provavelmente pela batida. Ele precisa a levar para o Schuman Health Care Center, o hospital que ficava no centro de Vice City, bem próximo de onde eles estavam. Enquanto colocava Louise em seu carro, Vic dizia com um pouco de medo:

 Vai ficar tudo bem!

 Vic, eu sabia que você viria... Acho que eu preciso de um médico... – Louise está fraca para falar.

Vic estaciona o carro em frente ao hospital e grita para os enfermeiros buscarem Louise com urgência. Dois homens vão buscar e a levam de maca para o hospital. Vic não poderia ficar lá e muito menos parado dentro de um carro no centro da cidade. Ele acelera para sua casa em Little Haiti. Logo em seguida, recebe uma mensagem de Martínez dizendo: “Louise foi muito boa comigo, cara. Diga a ela que nós iremos nos encontrar de novo...”. Por pouco Vic não jogou seu pager no chão. Martínez cada vez mais passava dos limites. Juntar forças com Ricardo Díaz poderia ser uma boa opção para o ex-soldado eliminar o sargento Martínez de sua vida. E isso precisava acontecer o mais rápido possível. A vida de Louise estava ameaçada.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Vice City Stories - Parte 20


No fim de semana, Vic visita Gonzalez em seu luxuoso apartamento. O traficante está tomando sol junto com uma garota de biquíni na piscina. O sol era forte naquela tarde de sábado.

 Ah, Vic, meu amigo! – diz Gonzalez ao ver Vic passar pela porta – Tenho uma pequena negociação precisando de um... Toque sensível.

 Sensível? – Vic pergunta.

 Vamos dizer que meu chefe não sabe disso, hehe, ou meus homens, se precisar... – Gonzalez diz.

 Deixa eu adivinhar, você pegou a cocaína do seu coronel para fazer um pé-de-meia... – Vic afirma o que já desconfiava desde o primeiro encontro entre os dois.

 Shhh, Vic, por favor! – Gonzalez se incomoda – Além do mais, aqui é a Terra da Oportunidade!

 Eu não me interesso sobre quem você rouba, Gonzalez, contanto que não seja eu... – Vic desdenha.

 Bueno! As drogas estão em Ocean Beach. Leve elas para o acordo em Washington! – Gonzalez encerra.

Vic já sabia onde ficava o esconderijo de drogas. Ele vai até um depósito de Gonzalez. Lá há vários homens que trabalham para ele. Vic é informado sobre onde aconteceria o acordo e entra em uma van carregada para ir até o local. O combinado era às cinco da tarde. Bastava Vic aguardar com a van que os compradores se aproximariam. Ele chega lá às quatro e cinquenta e três e estaciona em um beco. Era só aguardar. Sua metralhadora repousava no banco do carona, afinal, qualquer coisa pode acontecer nesses momentos. Às cinco em ponto, um caminhão passa na rua lateral. Era uma rua estreita, caminhões não passavam ali. Vic desconfia e já pega sua metralhadora. De repente, o caminhão entra com tudo no beco onde Vic estava e bate muito forte na dianteira da pequena van. A porta de trás se abre e os pacotes com cocaína são jogados para o ar e estouram no chão, espalhando todo o pó branco. Vic desmaia com o impacto. Dois homens saem do caminhão, ambos bem arrumados. Um deles está irritado e diz:

 Você bateu na van muito forte, as drogas já eram! Tem mais nesse cara do que na traseira!

 Para de gritar! Vamos levar logo essa merda para a festa em Starfish! Temos vagabundas nos esperando! – o outro homem responde.

Os homens recolhem a cocaína que sobrou na traseira da van, colocam no caminhão e vão embora dali. Vic fica desmaiado dentro da van vazia por quase uma hora. Como a batida foi dentro de um beco, o barulho não chegou muito alto na rua, portanto pessoas não se aproximaram. Vic finalmente acorda e olha ao redor. Ele vê que a droga havia sumido e que não tinha nenhum dinheiro. Quando se lembra do que aconteceu, sua cabeça dói. Ele estava enxergando tudo embaçado e lento, parecia estar bêbado. Seu pager estava com a luz vermelha de mensagem não-lida acesa, então Vic vê que Gonzalez havia deixado uma mensagem havia vinte e cinco minutos dizendo: “Por que está demorando tanto? Ligue para mim, rápido!”. Vic não entendia nada. Só sabia que havia sido vítima de um atentando e roubo. A pista que ele tinha era o caminhão e um vislumbre de quem o dirigia. Ele vai para a rua e vê um telefone público. Após ficar com a cabeça baixa por aproximadamente dez segundos, liga a cobrar para Gonzalez.

 Gonzalez, fomos atingidos... As drogas... Foram embora... – Vic tem muita dificuldade para falar.

 O que!? Você está tentando me foder!? – Gonzalez fica extremamente irritado.

 Não. Não... Estou... – Vic novamente quase não consegue terminar uma frase.

 O que você tem? Você está louco com a minha droga? – Gonzalez percebe a voz alterada de Vic.

 Não! – Vic responde, mas nesse momento percebe que poderia estar daquele jeito por conta da cocaína no carro, afinal ele acordou coberto de pó dentro da van – Sim... Eu devo ter respirado o pó enquanto estava desmaiado...

 Eu quero minhas drogas de volta, Vic! Eu ainda tenho um comprador que pode estar interessado, mas ele está deixando a cidade daqui a pouco, às dez! Mate os desgraçados que fizeram isso e leve a droga de volta para o meu depósito! – Gonzalez desliga o telefone na cara de Vic.

 Eles vão pagar... – Vic diz ainda pensando que Gonzalez estava na linha.

Vic tinha que levar a droga de volta para o depósito de Gonzalez até as dez. Ainda eram seis da tarde. Havia tempo, mas quando não se tem ideia de quem procurar, isso fica um pouco mais difícil. Ele não podia perder tempo, então se vê obrigado a roubar um carro, coisa que não fazia há muito tempo. Vic aponta a metralhadora, que ficou jogada nos fundos da van, para uma senhora dirigindo um Manana verde, que logo entrega o carro. Vic dirigia em ziguezague por conta do efeito da cocaína, sem saber para onde ir. De repente, ele se lembra de uma voz masculina falando “Starfish!”. Era a lembrança de ter ouvido inconscientemente quem o roubou, mas Vic não sabia disso. Ele decide ir para Starfish Island, pois pelo menos era uma direção a se tomar. Como a ilha tinha poucas casas e todas tinham quintais abertos, sem muros, ficaria fácil ver se havia alguma festa acontecendo por lá, pois, naquela época em Vice City, festas eram sinônimo de drogas. Vic vê uma festa acontecendo com várias pessoas dançando e, de longe, vê o caminhão estacionado dentro da casa. Agora tudo havia ficado muito fácil: Vic tinha praticamente três horas para pegar aquela droga de volta e levar para Gonzalez. Ele estaciona o Manana em frente à casa e entra sorrateiramente. Várias pessoas dançavam e algumas estavam sentadas no chão, já detonadas pelas drogas, e a noite nem havia começado direito. Vic percebe que existe uma van estacionada no quintal com as portas traseiras abertas e dentro vários pacotes de cocaína abertos, prontos para quem quisesse cheirar. Vic, mesmo drogado, tem a ideia de roubar a van com toda aquela droga, que com certeza era a de Gonzalez, ou pelo menos parte dela. Ele se aproxima de uma mulher que estava dançando sozinha e começa a dançar junto, se movendo com a cabeça abaixada para perto da van, pois já havia detectado o homem que viu no vislumbre do caminhão antes de ser atingido. Vic finalmente chega ao lado da van e larga a mulher, que continua dançando sozinha. A chave estava na ignição, perfeito. Naquele momento, havia alguns drogados cheirando a droga na traseira da van e isso atrapalharia a fuga. Vic não tinha escolha: tira sua metralhadora da camisa e abre fogo contra os drogados e contra o homem que reconheceu. A correria no quintal da mansão é alucinante. Vic rodeia a van, fechando a porta traseira sem dar as costas, pois mais alguém poderia estar armado, mas ninguém mais estava. Vic entra na van e sai dirigindo ainda sob efeito de cocaína, batendo em muretas, mas consegue sair da casa e voar baixo pela ponte que levava de volta a Ocean Beach. Em pouco tempo, ele já estava com a van estacionada em frente ao depósito de Gonzalez, que inclusive estava lá esperando:

 Bem, pelo menos você recuperou a minha mercadoria. Mas para nossa amizade... Eu acho que é o fim! Adiós! – Gonzalez afirma.

Apesar de ter dito isso, Gonzalez não parecia tão certo sobre cortar relações com Vic. Talvez por ele até ser um cara legal, talvez por medo de que Vic se voltasse contra ele (coisa que poderia acontecer mesmo com a melhor amizade do mundo em Vice City). Ele entrega mil dólares a Vic por ter recuperado a droga. Vic apenas pega o dinheiro, espera os homens de Gonzalez retirarem a droga, vira as costas, entra na van e vai embora. Gonzalez entra em seu depósito, pensativo.

Vic vai até seu apartamento próximo à casa de Lance. Como a droga ainda fazia efeito, ele se deita na cama por algumas horas. Quando o relógio marca dez da noite, ele se levanta. Algo o diz para ir à casa de Lance, ele tem a sensação de que seu irmão corria perigo. Vic vai até a casa de Lance e de fora ouve uma música bem alta vindo da sala, ele nunca havia visto aquilo acontecendo lá. Por mais que Lance fosse extravagante, ele tentava manter sua casa fora de suspeitas. Ao entrar na casa, Vic vê seu irmão dançando sozinho e gritando ao lado de um saco de cocaína aberto em uma mesa:

 É isso aí, baby! Essa é a Lance Vance Dance! Você-vai-detonar! Você-vai-demolir! Yeah! Uhu!

 Então é para aí que a cocaína está indo? – Vic desliga o som e diz – Para o seu nariz?

 Ei, Vic!? – Lance se surpreende com o irmão ali e fica quase em pânico – O que você está fazendo aqui!?

 Você me faz rodar a cidade feito um psicopata, e enquanto isso está usando essa merda toda para consumo próprio! Você é inacreditável! – Vic responde.

 Ei, me desculpe! – Lance diz e fica olhando para os lados, ainda em pânico – Olha, a gente pode falar disso depois?

Nesse momento, Louise sai da cozinha e encontra os dois irmãos na sala. Esse era o motivo do desespero de Lance.

 Oh! Ei, Vic... Nossa... – Louise fica completamente sem graça.

 Louise!? Que porra está acontecendo? – Vic está completamente surpreso.

 Bem, err... Err... Mano... – Lance simplesmente não sabe o que falar – Ei, mano! Não é nada disso que você está pensando!

 Eu não faria isso com você! Eu só precisava de alguma coisa para tirar as merdas da minha cabeça... – Louise diz a Vic.

 E aí você vem foder com o meu irmão!? – Vic é direto.

 NÃO! – Lance e Louise dizem juntos.

 A gente só está ficando chapados juntos! Pelo amor de Deus, você é muito julgador, como se você fosse uma merda de um santo ou alguma coisa assim! – Louise se irrita – Por que você está sendo idiota assim?

 Você é um lixo! – Vic aponta para Louise.

 E você é maravilhoso... – Louise ironiza – Um maravilhoso traficante ladrão e assassino!

 Por favor, gente... – Lance percebe o peso da discussão e tenta acalmar as coisas.

 Eu estava fazendo isso por nós! – Vic diz a Louise.

 Quem você está querendo enganar? Você não dá a mínima para mim! – Louise responde, quase começando a chorar.

 Agora eu não dou mesmo! – Vic grita.

 Sabe de uma coisa? Você me faz querer vomitar, seu escroto egoísta! – Louise já chora.

 Aah! Some daqui! – Vic se cansa.

 Fique longe de mim, seu doente desgraçado! Você é uma piada, Vic Vance! – Louise diz e vai embora.

 O que você vai fazer? – Lance pergunta ao irmão, após Louise bater a porta.

 MUITO OBRIGADO, LANCE! – Vic explode.

 O que!? Olha só, quem se importa? A cocaína é MINHA! Toda minha! E eu faço o que eu quiser com ela! – Lance diz e vai em direção a seu helicóptero, onde estava uma grande quantidade de cocaína.

 Lance, volta aqui! – Vic diz.

 Cala a boca! Você sempre está me falando o que fazer. Mas se não fosse por mim, você não teria nada disso! – Lance entra no helicóptero e tranca a porta – Se eu quiser cheirar cocaína, EU VOU! Se eu quiser dar essa merda, EU VOU!  E vou dar essa merda mesmo! Tudo! E você não pode me impedir!

 Lance! Não seja estúpido! – Vic grita, batendo na janela do helicóptero.

Lance dá partida no helicóptero e levanta voo em direção ao mar. Lá de cima, começa a jogar os pacotes de cocaína. Vic não podia deixar a fonte de renda dos irmãos ir embora por loucura de um deles. Ele sobe na lancha de Lance, que ficava no píer atrás da casa, e vai atrás do helicóptero, a fim de não deixar os pacotes jogados por Lance afundarem no mar. Vic consegue pegar alguns pacotes, mas perde vários. Lance leva o helicóptero para o meio da cidade e continua jogando pacotes de cocaína, não havia nada que Vic pudesse fazer. O prejuízo era incalculável. A única coisa que restava a Vic era juntar a cocaína que recuperou e levar para uma de suas casas.

Durante a madrugada, Vic recebe uma mensagem em seu pager. Era Martínez. Rapidamente Vic abriu o texto e viu “Ei, Vic! Eu estou de volta à cidade! Como vai aquela sua garota? Talvez eu faça uma visitinha a ela...”. Vic congelou. Ele sabia das merdas que Martínez poderia o envolver, mas envolver quem não tinha nada a ver, e ainda mais Louise, era demais. Mesmo após ter brigado feio com ela há poucas horas, o amor que existia por ela em Vic era imenso. Martínez definitivamente cavou sua própria sepultura.