quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Vice City - Parte 4


Tommy vai até o escritório de Ken pela manhã. O advogado estava dormindo em seu sofá, de roupa social e tudo. Aparentemente não havia dormido aquela noite, assim como a anterior. Tommy entra com sua chave e vê Ken naquela cena patética e bate a porta com toda a força para acordar seu novo parceiro.

 Ah! Pelo amor de Deus, é você! Jesus, vou precisar de calças novas! – Ken se assusta e se alivia quando vê Tommy, que estava gargalhando – Ei, olha só, aqueles psicopatas do norte ficaram sabendo de tudo e estão vindo para cá! E cadê a merda do dinheiro!?

 Relaxa, relaxa. Ainda não chegamos nessa parte... – Tommy responde.

 Aaah, eu achei que você estava cuidando disso, realmente achei... – Ken se irrita – Agora aqueles guidos dizem que estamos devendo uma a eles!

 Eu que devo uma a eles! – Tommy interrompe.

 Ah, é claro! Eu pareço que posso intimidar um jurado? Não consigo intimidar nem uma criança, e olha que eu já tentei! – Ken se desespera – Olha, ou é isso ou o primo dos Forellis, Giorgio, pega cinco anos por fraude! Você tem que acabar com esses caras!

 Entendi, ajudar os jurados a mudarem de ideia. Não se preocupe... – Tommy diz e já vai saindo.

 Não, não, não, não! Eu já tentei isso e não deu muito certo! Então FAÇA eles mudarem de ideia! – Ken grita.

Giorgio Forelli, que há dois anos tentava matar Phil Collins e seu empresário por não pagarem o que pegaram emprestado, agora tinha sido preso por fraude pela polícia de Vice City. E Ken sabia, como advogado da família na cidade, que se não conseguisse ajudar Giorgio a escapar, sua ligação com os italianos chegaria ao fim, assim como sua vida. Principalmente após estar envolvido na perda da mercadoria e dinheiro de Sonny. Tommy era sua única salvação.

Tommy vai para a rua e logo fica sabendo quem eram os dois jurados naquele caso graças aos milhares de informantes em cada esquina daquela cidade. Ele compra um martelo e vai até o hotel de luxo onde estava o primeiro jurado, Martin Comper, e destroi seu carro a marteladas até o dono aparecer:

 Não acredito que isso está acontecendo!

 Inocente até que se diga o contrário! – Tommy avisa e mostra sua pistola, o que faz o homem correr.

A segunda informação que Tommy tinha era que o segundo jurado, John Travinsky, estava em certo restaurante da cidade. Ele vai até lá e o vê em uma mesa do lado de fora junto a uma mulher que parecia ser uma prostituta. Tommy se aproxima cuidadosamente e tira seu martelo para ameaçar John, mas o jurado vê e corre antes de ser atingido. Ele entra em seu carro e acelera com tudo, mas é atingido por um caminhão que passava na rua. Tommy aproveita e começa a martelar os vidros que sobraram do carro do jurado até ele se desesperar completamente.

 Meu carro! Pára de bater nele! – John se desespera.

 Lembre-se: culpado é a palavra-chave para você! – Tommy ameaça e vai embora, a vida de Ken já havia sido salva.

Ao voltar para o escritório do advogado, Tommy vê que a sala está com visitas. Lá estava Avery Carrington.

 Tommy! Tommy! Algum progresso? Não, não, me diga depois! – Ken se reserva na presença do convidado – Tommy, esse é Avery Carrington. Acho que você o encontrou na festa, né?

 Não pessoalmente... – Tommy aperta as mãos de Avery.

 Opa... – Avery diz.

 Avery tem uma proposta... – Ken diz a Tommy.

 Err... Nós não temos outras coisas para resolver? – Tommy disfarça e cochicha para Ken.

 Eu estou tentando me virar, você não pode me dar um tempo? – Ken responde, irritado – Eu estou ferrado como um arame e se eu for morrer no fim de semana, quero ter certeza de que não vou morrer pobre! Ok?

 Fiquem calmos, vocês dois! – Avery diz – Filho, se você me ajudar, pode ter certeza de que qualquer seboso italiano que te incomodar vai ter um sono longo e cheio de terra.

 Ok, o que posso fazer por você? – Tommy entende que aquela era uma defensiva de Ken contra os Forellis e pergunta a Avery.

 Há uma companhia de entregas que tem um armazém em um terreno excelente. Eles não irão vender. Estão lá feito ratos velhos e gordos, então vamos dedetizar aqueles insetos com fogo! Vá até lá e acabe com aquele ninho de vespas. A segurança vai estar ocupada, então você vai poder entrar de mansinho e acabar com o negócio deles! – Avery diz.

 E você pode parar no Rafael’s para mudar de roupa. Você pode ficar lá por um tempo, mas não tem problema... – Ken se referia ao uniforme da companhia que já tinha conseguido e deixado na loja.

 Tem que ter um protesto... – Tommy já pensa na ação.

 Se der tudo certo, passe no meu escritório alguma hora... – Avery diz.


Avery Carrington era um senhor de cinquenta e um anos, natural do Texas, um típico caipira americano. De cabelos e grande bigode já grisalhos, era alto e se vestia no estilo cowboy, sempre com um chapéu. Era um homem de imóveis, assim como seu pai foi. Mas a forma de trabalhar de Avery era através do jogo sujo, sempre ameaçando seus rivais e conseguindo seus terrenos e imóveis da maneira mais fácil e criminosa possível. Ele possuía vários terrenos em construção em Vice City através de sua construtora Avery Construction e seu próximo objetivo era conseguir o terreno da Spand Express, uma das companhias de entregas da cidade. Seu armazém ficava em Washington Beach. Quando Tommy chega ao local, percebe que bem ao lado havia um edifício em construção pela construtora de Avery. O velho queria expandir seu terreno.

Havia um grande tumulto na porta da empresa naquela tarde. Vários trabalhadores estavam possivelmente reclamando das condições de trabalho e do salário. Tommy se juntou a eles, já que tinha ido buscar o uniforme da companhia na Rafael’s. Os seguranças apenas olhavam atrás do portão, era necessário fazê-los o abrirem. E a melhor forma de fazer seguranças trabalharem é criando o caos. Tommy começa a bater em várias pessoas por trás e uma briga coletiva começa. Ele foge até próximo ao portão e, no caminho, todo mundo briga com todo mundo. O tumulto chega até o portão, então os seguranças são obrigados a sair e tentar conter o caos. Eles saem com cassetetes, batendo em todo mundo pela frente. É nesse momento que Tommy entra furtivamente pelo portão e se esconde atrás de uma van da empresa. Ele estava lá para dar prejuízo, então decide explodir as duas vans que possuíam para fazer suas entregas. Como? Ao lado das vans, havia toneis de combustível usados para evitar a perda de tempo parando em postos. Tommy faz um furo em cada tonel com uma faca, o líquido escorre até o chão. Ele toma distância, prende um papel em chamas a uma pedra pontiaguda e a joga em direção aos toneis. A explosão é imensa. As duas vans e metade do armazém são completamente destruídos. O tumulto no local até chega ao fim diante da explosão. Todos ficam caídos olhando a grande labareda que se formou. Menos Tommy. Ele já estava voltando para casa.

Quando estava em sua moto, o grande telefone de Tommy tocou. Ele parou a moto e atendeu.

 Ei, Tommy. É Sonny. Como está o bronzeado? – era Sonny.

 Não estou me bronzeando... – Tommy responde.

 Bem, você ainda não pegou meu dinheiro, então eu me pergunto: o que será que ele está fazendo? Me diga, Tommy, o que você está fazendo? – Sonny parece bem venenoso.

 Estou procurando o dinheiro, Sonny. Não se preocupe... – Tommy diz.

 Me preocupo, Tommy, esse é o meu estilo, porque eu tive que lidar minha vida toda com gente não confiável. Não seja não confiável, Tommy, por favor, faça um favor para nós dois. Estou aguardando notícias... – Sonny desliga.

Tommy fica irritado. Sua vontade era novamente jogar o telefone no chão. Mas antes que pudesse fazer isso, o telefone toca novamente.

 Hola, é o senhor Vercetti? – um latino pergunta.

 Sim... – Tommy responde.

 Aqui é Cortez! Você esteve na minha festa... – era o coronel.

 Sim, me lembro... – Tommy responde.

 Senhor Vercetti, o que aconteceu na sua transação foi um grade e infeliz incidente... – Cortez diz.

 Eu sei... – Tommy diz.

 Quero que você se aproxime de mim. Meu pessoal está fazendo o impossível para chegar perto de saber o que houve. Se quiser falar comigo pessoalmente, você pode me encontrar no meu barco, sim? Boa tarde, señor! – Cortez encerra a ligação.

Tommy sentiu confiança nas palavras do coronel. Sua recepção no iate também foi confiável naquele dia. Ele chega ao seu quarto de hotel e decide ir visitar o latino pela noite. Mas logo quando sairia, novamente o telefone toca. Mas dessa vez não foi o telefone de Tommy, e sim o telefone do chef que Tommy tinha provavelmente matado no dia anterior. Os planos da noite mudariam drasticamente.

 Ei, Leo. Acho que nós temos um comprador para a mercadoria do Díaz. Você tem que dar uma ligada para eles, armar o acordo, tá ligado? – um homem fala.

 Onde você está agora? – Tommy percebe a oportunidade e se passa pelo chef, que já era sabido que se chamava Leo.

 Você está bem, Leo? Sua voz está meio diferente... – o homem estranha.

 Apenas me diga onde você está! – Tommy insiste.

 Quem está aí nessa porra? Coloca o Leo na linha, cara! – o homem se irrita.

 Leo viajou por um tempo, me deixou no lugar dele... – Tommy diz.

 Vai se ferrar, cara! – o homem desliga.

Uma grande informação foi revelada nessa ligação. A ideia de ficar com o telefone do chef foi ótima por parte de Tommy. Com certeza seus contatos iriam ligar, já que ele estava tão bem de vida, como informou Kent Paul. Seu nome era Leo e ele tinha contato com Díaz. Até aí nada demais, pois Díaz era o maior barão do tráfico da cidade, era óbvio que quem tivesse ligações com ele estaria nadando em dinheiro de cocaína. Mas a segunda ligação para Leo chegou poucos minutos depois.

 Vá até o telefone público próximo ao shopping em Washington às vinte e uma horas! – diz uma voz com um sotaque aparentemente russo.

Tommy sentiu que aquele chef tinha sido um tiro certo, uma dica valiosa de Kent Paul. Era necessário investigar suas conexões. Já que tinha tantas, alguma deveria ter ligação com o latrocínio de sua cocaína e dinheiro.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Vice City - Parte 3


Pela manhã, Tommy volta ao escritório de Ken para começar a traçar planos para recuperar o dinheiro e a droga de Sonny. Tommy já estava calmo, mas Ken Rosenberg ainda estava em chamas, desesperado, não tinha dormido naquela noite.

 “Vá dormir um pouco”, ele diz, hahaha! Eu fiquei sentado nessa cadeira a noite toda com as luzes apagadas tomando café! – Ken andava de um lado para o outro atrás de sua mesa enquanto Tommy olhava a janela – Isso é um desastre. A gente está muito ferrado, cara! Esses gorilas, escuta só, vão voar aqui para o sul e arrancar minha cabeça! É ridículo! Eu não fui para a faculdade de Direito para isso! Ok, que merda a gente vai fazer agora?

 Cala a boca, senta e relaxa... – Tommy diz tranquilamente enquanto se senta e põe os pés na mesa de Ken – Vou te dizer o que vamos fazer. Você vai descobrir quem pegou nossa cocaína. Aí eu mato ele.

 É uma boa ideia, é uma ÓTIMA ideia! Deixa eu pensar, deixa eu pensar, deixa eu pensar...Ah! Tem um coronel aposentado, coronel Juan García Cortez! Foi ele que me ajudou a arrumar esse acordo bem longe dos reis do crime de Vice City, ok? Agora escuta, ele está dando uma festa na baía em seu caríssimo iate. E todos os peixes grandes de Vice City estarão lá, ok? Eu tenho um convite, é claro que tenho um convite, mas não tem chance de eu ir lá, colocar minha cabeça para fora dessa porta, sem chance! Não vai rolar! – Ken começa a se desesperar mais ainda.

 Eu te disse para calar a boca! Estou indo lá! – Tommy se irrita, se levanta e pega o convite da mão de Ken.

 Uou, uou! Ei, eu gosto de 1978 também, mas, sabe, lá não vai ter cerveja e strippers! – Ken ridiculariza a roupa de Tommy, um pouco fora de moda – Digo, sem querer ofender, mas acho que vão ficar olhando para você pelos motivos errados, haha!

 O que tem de errado com a minha roupa? – Tommy não entende.

 Ok, olha aqui, dê uma passada no Rafael’s, diga que eu te mandei. Ele vai te fazer parecer respeitável... – Ken entrega um endereço de uma loja escrito em um papel.

Tommy vai até a loja de roupas finas Rafael’s contra sua vontade, ele gostava daquela camisa azul florida que vestia. Ele teria que se vestir igual os ricaços da cidade para estar perto deles, e aquilo o incomodava. Tommy novamente chama um táxi para ir até a loja, dinheiro não faltava mesmo. A loja não ficava muito longe dali e logo ele já estava com roupas iguais as de Ken: terno aberto de cores vivas e sapatos mocassins. Mas completamente desconfortável. Talvez para desfazer esse desconforto, Tommy decide não voltar para aquele táxi. Ele dispensa o motorista e avista uma bela moto Freeway sendo estacionada naquela rua. Era exatamente aquele tipo de moto robusta que Tommy adorava quando era jovem, antes de ser preso. Decide roubá-la, já fazia quinze anos que não fazia aquilo. E foi tão fácil como era em 1971.

Tommy chega ao Pier 2 da Ocean Bay Marina, onde ficavam todos os grandes iates da cidade. De lá, já vê o maior iate de todos com várias pessoas a bordo e um som alto, a festa era lá. Ele apresenta o convite que Ken o entregou e vai ao terceiro andar do barco, onde todos estavam dançando.

 Buenas noches! – um homem acompanhado de um marinheiro recepciona Tommy, era o coronel Cortez, com seus quase sessenta anos e cabelo grisalho – Entendo que você está aqui em nome do senhor Rosenberg. Espero que os recentes problemas não tenham afetado a saúde dele ou o bem-estar mental, senhor...err...?

 Vercetti! – Tommy responde – Ele só está com um pouco de... agorafobia! Hahaha!

 Haha! Excelente, excelente! E você? – Cortez pergunta.

 Eu só quero minha mercadoria... – Tommy é franco.

 Ah, é uma infeliz sucessão de circunstâncias para todos os envolvidos. Claro que já iniciei minhas próprias linhas de investigação, mas um assunto tão delicado requer tempo. Vamos falar disso mais tarde. Enquanto isso, deixe-me te apresentar minha filha. Mercedes! – Cortez chama sua filha – Caramia, você pode acompanhar nosso convidado enquanto resolvo minhas necessidades obrigatórias?

 Claro, papai... – responde uma jovem e bela latina de cabelos curtos, assim como suas roupas, e andar sensual.

 Por favor, com licença... – Cortez vai para outra área do barco.

 Mercedes? – Tommy pergunta à garota.

 Acostume-se... – responde Mercedes com um olhar provocativo – De qualquer forma, vou te apresentar alguns dos nossos convidados mais interessantes. Aquele ali é nosso deputado Alex Shrub com a recém-estrela do silicone Candy Suxxx...

 Você tem visto minha amada esposa Laura? Não? Bem, infelizmente ela está no Alabama. Essa é Candy! – Shrub, um jovem político, conversa com um homem, acompanhado de uma mulher ruiva com super peitos e biquíni apoiada em seu ombro.

 E ali temos a estrela dos Vice City Mambas, BJ, sempre charmoso... – Mercedes aponta para um grupo de três pessoas conversando.

 Eu bloqueei o cara e depois ele foi parar numa cadeira de rodas, hahaha! – BJ, um jovem atleta negro e musculoso se gaba de seus feitos no futebol americano.

 Haha! Essa é boa! Bem, eu estou procurando boas propriedades... – responde para BJ um velho homem de chapéu de cowboy e bigode, seu nome era Avery Carrington.

 E ali, aquele anfíbio ao lado da piscina é Jezz Torrent, vocalista da Love Fist... – Mercedes mostra outro cara.

 Deixa eu falar para vocês! – um roqueiro com forte sotaque escocês, branquelo, de longos cabelos pretos, maquiagem, bandana vermelha e sem camisa diz para duas garotas que o cercam sentado em uma cadeira de tomar sol – Vocês sabem como jogam pingue-pongue na Tailândia? Deixa eu falar para vocês: eles não usam raquetes, se é que vocês me entendem...

 Impotente... – Mercedes desdenha de Jezz – E o trio conversador ali tem aquela bola de suor com sono que é o braço direito idiota do meu pai, Gonzalez. Os outros dois são Pastor Richards e o pseudo-intelectual diretor de filmes Steve Scott.

 ...a paixão pelas ninfas invasoras, quando um tubarão gigante aparece e arranca os pintos deles! Você nunca viu nada igual, né? – Scott falava sobre seu recente filme para Gonzalez, que estava deitado em uma cadeira igual a de Jezz.

Nesse momento, quem aparece no iate é um pequeno notável da cidade, acompanhado por dois seguranças gigantescos. Era Ricardo Díaz.

 CORONEL! – Díaz grita, chamando a atenção de todos ali – Suas festas são sempre triunfantes, hahaha! Só posso me desculpar pelo meu atraso...

 Ah, de nada, amigo! – Cortez corta as desculpas de Díaz, parecia não fazer muita questão de sua presença – Como você se encontra?

 Nossos negócios estão sendo incomodados. Bárbaros no portão! É tempo de recompensar nossos amigos e liquidar nossos inimigos, amigo! – Díaz diz.

 Quem é o tagarela? – Tommy pergunta a Mercedes.

 Ricardo Díaz, o senhor cocaína! – Mercedes responde.

 MERCEDES! – Díaz vê Mercedes de longe e acena.

 Ah, eu estou levando meu amigo de volta para a cidade! Outra hora, Ricardo! – Mercedes se esquiva e cochicha com Tommy – Vamos sair daqui, me leve ao Pole Position Club!

Tommy e Mercedes voltam para terra firme e vão juntos para o Pole Position com a moto roubada. No caminho, a garota faz várias perguntas:

 Você vai trabalhar para o meu pai?

 Talvez... – Tommy responde.

 Você se importa se eu colocar minha mão no seu colo? – Mercedes investe.

 Talvez... – Tommy repete.

 É tão difícil ter um pai rico e poderoso...Vamos! – Mercedes se lamenta e ao mesmo tempo provoca.


Ao chegar ao clube, Mercedes sai da moto e vai rebolando até a porta de entrada.

 Vejo você pode aí, bonitão... – ela provoca.

 Com certeza vai ver... – Tommy responde.

Ele volta imediatamente ao escritório de Ken. Havia novidades para contar. Com certeza, algum daqueles homens no iate estava por trás do atentado e do roubo da cocaína, era o que pensava Tommy.

 Ah! Espero que você tenha se divertido, porque eu estava perdendo a cabeça de preocupação aqui! O que você descobriu? – pergunta Ken.

 Que há mais criminosos nessa cidade do que na prisão. Precisamos de um contato nas ruas... – Tommy responde.

 Ok, deixa eu pensar, deixa eu pensar, deixa eu pensar... Ah, já sei! Tem um inglês aí, um idiota do ramo musical, que atende pelo nome de Kent Paul. Enfim, esse cara tem o nariz enfiado na maioria das bundas de Vice City! Se alguém sabe desses vinte quilos de cocaína, é esse cara! Ele está sempre no Malibu! – diz Ken.

 Vou fazer uma visita a ele... – Tommy sai do escritório.

 Pega leve! – Ken adverte.

Kent Paul, ou melhor, apenas Paul, era um jovem loiro britânico de vinte e um anos, da cidade de Kent, Inglaterra. Foi para Vice City em 1982 aos dezessete anos para buscar espaço na cena musical da cidade, mas logo seu vício em drogas o levou para perto de todos os traficantes da cidade. Todos. Quatro anos depois, ele já conhecia todas as pessoas que vendiam, compravam, todas as conexões, todos os esquemas do crime organizado dali. Chegou a tal ponto de conhecimento sobre tudo que começou a cobrar para passar informações.

Mas Tommy Vercetti não era homem de pagar para conseguir informações. Se ele conseguia intimidar inimigos aos vinte anos em 1971, imagine agora com trinta e cinco. Ele foi até o Malibu Club e perguntou por Kent Paul a um segurança. Logo viu quem procurava no bar. Percebeu que aquele cara também estava no iate de Cortez mais cedo.

 De onde você é? Tenho procurado um passarinho como você por eras, amor... – Paul tenta dar em cima de uma mulher no bar – Kent Paul, amor. Sim, sou o maior daqui. Resolvo tudo, vou te tratar bem, tudo que você quiser eu vou te dar, garota. Não se preocupe com nada, amor...

– Vaza, docinho... – Tommy se aproxima e diz para a mulher.

 Ei, ei, ei, ei! – Paul se irrita ao ver a mulher indo embora.

 Você é Kent Paul? Sou amigo do Rosenberg... – Tommy se apresenta.

 Rosenberg? Rosenberg... Ah, aquele doente caçador de ambulâncias! Aquele cara pode fazer um homem inocente ir direto para o corredor da morte, hahaha! Dá outro drinque, amigo! – Paul faz piada e pede outra bebida ao barman.

 Todo mundo é comediante aqui... – Tommy diz para si mesmo – Olha só, eu perdi vinte quilos e muito dinheiro.

 Drogas, cara!? Isso é coisa de imbecis! – Paul interrompe.

 O que você sabe sobre isso? – Tommy empurra e derruba Paul.

 Ei, ei! Eu já ia falar! Há um chef estranho que trabalha na cozinha de um hotel na Ocean Drive! Ele tem estado bem satisfeito consigo mesmo ultimamente. Você poderia dar uma olhada nele... – Paul diz ainda caído no chão.

 Eu vou. E estarei te observando... – Tommy avisa e vai embora.

 É isso aí, vai andando mesmo, seu imbecil! Vou te quebrar todo! – Paul diz quando Tommy já estava longe e volta para o bar – Me dá um drinque! E cadê aquela puta?

Tommy vai até a galeria que ficava atrás dos vários hoteis da Ocean Drive. Era por lá que os ingredientes das comidas eram entregues nas cozinhas. Assim que chega, ele já vê um chef fumando do lado de fora e falando ao telefone. O homem se incomoda com a aproximação de Tommy:

 Ei, o que você está olhando?

 É melhor você começar a falar! – Tommy ameaça.

 Ei, venha fazer, seu otário! – o chef responde e parte para cima de Tommy.

Uma luta braçal começa, aquele chef era um homem baixo e gordo, mas aparentemente muito sólido. Seus chutes incomodavam Tommy, mas não a ponto de fazerem algum estrago. Com a experiência em brigas que adquiriu na prisão, Tommy rapidamente nocauteia o gordinho e pega seu telefone. É quando um homem negro aparece naquela galeria e provoca Tommy:

 Bom trabalho, durão. Bateu nele até desmaiar. Isso vai fazer ele falar bastante agora...

 Você quer apanhar também? – Tommy se irrita.

 Ei, calma. Eu quero o que você quer, irmão... – o homem responde.

 Ah, é? E o que é? – Tommy pergunta.

 Sua grana. E a senhorita branca do meu irmão morto. Infelizmente, você acabou de silenciar nosso contato... – o homem diz.

 Acidentes acontecem. Vaza! – Tommy ainda está irritado.

 Ei, ei! Não precisar dar uma de “Guerreiro Solitário” para cima de mim! Pelo que eu vejo, somos dois hombres numa cidade estranha. Precisamos vigiar as costas um do outro... – o homem responde.

 Minhas costas estão bem, irmão! – Tommy abre os braços demonstrando tranquilidade.

 Tem certeza disso? – o homem diz ao ver vários cozinheiros armados com grandes facas saindo da cozinha do chef e joga uma pistola para Tommy – Aqui, pega isso! Vem comigo!

Tommy sai correndo atrás daquele homem que não conhecia. Eles vão até a Ocean Drive, onde há um carrão estacionado, um Infernus branco. O homem entra e abre a porta para Tommy entrar. Ele acelera e começa a falar.

 Uma coisa que você precisa saber sobre essa cidade: você tem que andar armado. Tem uma loja de armas aqui perto... – ele passa em frente a uma Ammu-Nation e mostra o melhor local para comprar armas para Tommy.

Tommy pede para aquele homem o deixar em seu hotel. Ele rapidamente dirige até lá e diz que iria procurar pistas e que estaria observando o “italiano”. E vai embora. Tommy entra em seu hotel e relembra do que aquele homem falou. Seu irmão havia morrido. É claro: aquele era o irmão do traficante que havia morrido na emboscada. Então, aquele era Lance Vance.

sábado, 19 de setembro de 2015

Vice City - Parte 2


O avião com Tommy, Harry e Lee pousa no solo de Vice City exatamente às cinco da tarde. Os três desembarcam e vão direto para a entrada do Escobar International Airport, o aeroporto da cidade. Lá havia um carro prata estacionado com um homem magro, de cabelos ruivos e enrolados, de grandes óculos e um comportamento inquieto. Era Ken Rosenberg. Ele vê os três se aproximando e sai de seu carro:

 Ei, ei, caras! Sou o, err, Ken Rosenberg! Ei, ei, ei, ótimo, ei! Eu vou levar vocês para o encontro, ok? Eu já falei com os fornecedores e eles estão com muita vontade de começar uma relação de negócios, então, se tudo der certo, nós devemos, err, nos tratar muito bem, sabe?

Os italianos apenas entram no carro estacionado, todos em silêncio. Aquele advogado era realmente um idiota, como disse Marco Forelli.

 Ok, então, eles são irmãos. Um opera os negócios e o outro voa... – diz Ken enquanto dirige.

O carro com o advogado e os italianos chega às docas ao lado do porto da cidade, onde ficava o salão de tiros de Phil Cassidy. Todos ficam dentro do carro aguardando um helicóptero chegar. Após algumas horas, ainda antes de escurecer, um helicóptero preto se aproxima e pousa no local.

 Ok, são eles no helicóptero. O acordo é esse: eles querem uma negociação franca em um local aberto, beleza? Ok, fiquem ligados! Vamos lá! – Ken avisa aos homens, que saem do carro.

Dentro daquele helicóptero estão duas pessoas da cidade que tinham influência o bastante para negociar com os Forellis de Liberty City. Dois traficantes de alto nível: Lance e Vic Vance.

Voltando dois anos no tempo, Vic e Lance foram para a cidade de Reddick após acabarem com todos os seus inimigos diretos pelo comando do tráfico de drogas em Vice City. Vic não queria mais saber daquele ramo, mas Lance sempre quis continuar, tanto que, mesmo com a insistência do irmão, não se desfez dos últimos vinte quilos de cocaína que conseguiu na cidade antes de os dois partirem juntos. Durante todo o ano de 1985, os negócios de Vic em Vice City foram sendo destruídos ou desmontados pela polícia, que depois dos acontecimentos de 1984, teve um grande reforço providenciado pelo governo americano, tendo em vista o aumento gigantesco do tráfico de drogas, da criminalidade e do domínio de gangues e cartéis latinos na cidade naquele momento. Então, no reveillón de 1986, os irmãos Vance decidiram começar de novo, voltariam a construir seu império através do tráfico. E aqueles vinte quilos que Lance guardou seriam o primeiro passo. E nada melhor para uma volta promissora do que negociar com peixes grandes: a máfia italiana do norte do país.

Lance pilotava o helicóptero, que vinha de Reddick, e Vic estava com duas maletas. Ele sai do helicóptero e anda em direção aos italianos, que também seguravam duas maletas.

 Estão aí? – Tommy pergunta a Vic.

 Cem por cento pura, colombiana tipo A, meu amigo! – Vic responde.

 Deixa eu ver... – Tommy pede.

 As verdinhas? – Vic pede para ver o dinheiro.

 De dez e de vinte. Usadas! – Tommy diz enquanto Harry e Lee abrem as malas com os três milhões.

 Acho que o negócio está fechado, meu amigo, hahaha! – Vic se enche de felicidade.

Mas a felicidade de Vic dura segundos. Atrás de caixotes dentro do galpão de Phil, que estava aberto, três homens fortemente armados se escondem. Todos estão vestindo roupas pretas e capuzes para esconderem o rosto. No momento em que Vic entregaria a cocaína para Tommy, aqueles homens encapuzados abrem fogo contra todos naquela negociação. Os tiros acertam Vic em cheio, assim como Harry e Lee. Embora Vic estivesse usando colete, dois tiros de fuzil acertaram sua cabeça, que ficou completamente desfigurada. Vic morreu na hora. Lance, do helicóptero, vê a cabeça de seu irmão explodindo e a única reação que tem é levantar vôo imediatamente  em direção ao mar. Ele voa de volta para Reddick em estado de choque, não conseguindo perceber direito a dimensão do que acabara de acontecer.

Tommy milagrosamente consegue sair correndo em direção ao carro de Ken. Ele toma vários tiros de raspão e se joga no carro pela janela traseira e grita desesperadamente:

 Vai! Tira a gente daqui! Dirige!


Ken arranca com o carro e logo sai de Viceport. A viagem até seu escritório, em Vice Beach, é marcada pelo completo silêncio, tanto de Ken, que dirigia de olhos arregalados e com a garganta seca, quanto de Tommy, que estava pensativo, deitado no banco traseiro. Para quebrar o clima péssimo, Ken liga o rádio do carro e a música “Wow” de Kate Bush começa a tocar. A cada refrão da música, que dizia “Wow, wow, wow, unbeliavable!”, Tommy concordava. Era inacreditável o que tinha acontecido naquele início de noite. Tudo parecia estar caminhando para um ótimo recomeço na vida de Tommy Vercetti e uma grande conquista da família Forelli, mas o destino não quis que fosse assim. Ou melhor, alguém não quis que fosse assim.

 Coloco minha cabeça para fora da janela por um segundo e o destino caga nela... – Ken finalmente fala quando estaciona seu carro ao lado de seu escritório.

 Vá dormir um pouco... – Tommy diz, ainda deitado.

 O que você vai fazer? – Ken pergunta.

 Passo aqui no seu escritório amanhã e começamos a resolver essa merda... – Tommy diz ao sair do carro.

O escritório de Ken Rosenberg era o K. Rosenberg & Co., uma pequena sala com móveis de madeira que ficava dentro do simples Hotel Harrison. Tommy olha o lugar e percebe que, por mais que Ken Rosenberg se envolvesse com a máfia, ele não teve capacidade suficiente para ter bens, como um escritório que não ficasse em um velho prédio com arquitetura latina. O hotel de Tommy já estava reservado, ele ficaria no Ocean Beach Hotel, que ficava na orla de Washington Beach. Ele vai para lá de táxi, deita na cama de seu quarto e decide ligar para Sonny Forelli para explicar o que tinha acontecido. O telefone chama uma vez e pára. Alguém tinha atendido, mas não falava nada.

 Alô, Sonny... – Tommy diz.

 Tommy! Tommy, há quanto tempo! – Sonny saúda seu velho parceiro.

 É... – Tommy não sabe o que dizer.

 Eu sei, eu sei! Você está sobrecarregado pela emoção... Quinze anos, parece que foi ontem! – Sonny diz.

 Acho que isso é uma questão de perspectiva... – Tommy discorda.

 Ei, cumprir pena pela família não é fácil, mas ela cuida de todos que pertencem a ela, ok? – Sonny fica um pouco irritado – Então, como foi o acordo? Você já está sentado no ouro branco?

 Olha só, Sonny. Nós fomos pegos! O acordo foi uma emboscada! Harry e Lee morreram! – Tommy senta na cama.

 É melhor você estar brincando comigo, Tommy! Me diga que você está com o dinheiro! – Sonny se irrita.

 Não, Sonny... Eu não estou com o dinheiro... – Tommy diz.

 Aquele era meu dinheiro, Tommy! MEU DINHEIRO! – Sonny bate o telefone na mesa de reunião do Marco’s Bistro, onde estava – Acho bom você não estar tentando me ferrar, Tommy, porque você sabe que eu não sou um homem fácil de ser ferrado!

 Calma, Sonny! Você tem minha garantia de que eu vou pegar seu dinheiro de volta e as drogas! E que eu vou pegar todos os desgraçados que foram responsáveis por isso! – Tommy responde.

 Ei, eu já sei disso. Você não é idiota, Tommy. Mas eu te aviso que eu também não sou... Se eu fosse qualquer outra pessoa, você já estaria MORTO! Mas como é você, como nós temos história, eu vou deixar você resolver isso... – Sonny diz, já mais calmo.

 Sonny, você tem minha palavra! – Tommy garante.

 Entro em contato... – Sonny diz e desliga o telefone.

Tommy joga o telefone do hotel no chão de tanta raiva que estava sentindo naquela noite. Tudo que tinha planejado durante toda a tarde naquele vôo não valeu de nada, alguém tinha que estragar tudo. Mas o que ele não sabia era que enquanto falava por telefone com Sonny, toda a droga e o dinheiro do acordo que tinha acontecido quatro horas antes daquela ligação já estavam dentro do Marco’s Bistro, em Liberty City. A emboscada para Tommy foi armada pelo próprio Sonny. Tudo fazia parte do plano que tramou naquele mesmo local um dia antes da libertação de Tommy. O ex-presidiário sobreviveria propositalmente ao ataque e teria a obrigação de ir atrás de quem tinha impedido o acordo de acontecer e roubado o dinheiro e as drogas. Com certeza, Tommy iria atrás de grandes barões do tráfico da cidade, eles seriam os primeiros suspeitos. E com a grande capacidade assassina de seu ex-soldado, Sonny confiou que Tommy abriria o caminho para a família Forelli se tornar dona de Vice City, sem inimigos para se preocuparem. Se Tommy Vercetti sobreviveria após a chegada de Sonny Forelli a Vice City? Só o tempo pode responder.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Vice City - Parte 1


Aquela noite chuvosa de Liberty City não estava muito convidativa para uma reunião. Como de costume na cidade, quase todo mundo andava de sobretudo, chapéu, luvas e outros acessórios para escaparem do frio de inverno daquele começo de 1986. Mas a família Forelli tinha negócios a tratar. Com a máfia italiana da cidade não havia tempo ruim. Seu líder, ou Don, era Sonny Forelli, um homem até jovem para esse alto cargo. Tinha trinta e sete anos, cabelos pretos, bom porte físico e só vestia as roupas mais caras do país. Já era líder da famiglia desde os anos setenta, quando transformou rapidamente sua organização criminosa na maior da cidade, investindo em prostituição, jogos de azar, agiotagem, sindicatos, etc. A família tinha Portland Island, uma ilha afastada do grande centro de Liberty City, como base. Lá era um local mais pobre, não havia tanto policiamento como nas áreas mais ricas da cidade, portanto era mais fácil para máfias e pequenas gangues se instalarem e construírem seu império ou terem seus domínios de bairros.

A reunião daquela noite aconteceria em um estabelecimento de um dos líderes dos Forellis. Marco era irmão de Sonny e um grande apreciador da culinária de seu país, portanto abriu o Marco’s Bistro, um restaurante italiano no bairro de Saint Mark. A reunião seria entre três dos quatro irmãos da família: Sonny, Marco e Franco, o irmão mais novo. Mike Forelli, mais conhecido como “Boca”, estava na Itália naquele ano. Todos os irmãos chegam escoltados por seus soldados e se reúnem em uma sala escura, no topo do fino restaurante. Marco recebe seus dois irmãos naquele ambiente agradável, tocava “Broken Wings” da banda Mr. Mister bem baixo em um sistema de som. O assunto? Um cara que sairia da cadeia no dia seguinte, chamado Thomas Vercetti.

 Tommy Vercetti!? Porra! – Sonny se espanta – Achei que nunca iriam libertar ele...

 Ele ficou de boca calada, isso ajuda a todos esquecerem... – diz Marco.

 As pessoas vão lembrar cedo o bastante quando o virem andando pelas ruas dos bairros... – Sonny se preocupa – Será péssimo para os negócios.

 Então...O que vamos fazer, Sonny? – Marco pergunta.

 Vamos tratá-lo como um velho amigo e deixar ele ocupado longe da cidade, ok? – Sonny diz – Estamos pensando em expandir os negócios para o sul, certo? Vice City é um ouro de vinte e quatro quilates hoje em dia. Os colombianos, os mexicanos, puta que pariu, até aqueles refugiados cubanos estão pegando um pedaço do bolo!

 Mas são drogas, Sonny! Nenhuma das famílias vai mexer com essa merda... – Franco se lembra das regras anti-drogas da Cosa Nostra.

 Os tempos estão mudando. As famílias não podem dar as costas enquanto nossos inimigos estão pegando tudo. Então, nós mandamos alguém para lá para fazer o trabalho sujo para nós e pegamos uma boa fatia depois, ok? – Sonny propõe – Quem é nosso contato lá?

 Ken Rosenberg. Um advogado idiota... – Marco responde – Como ele vai segurar o Vercetti?

 Não vamos precisar disso. Vamos apenas soltá-lo em Vice City e damos a ele um dinheirinho para começar, ok? Damos a ele alguns meses. Aí a gente vai até lá, faz uma visitinha a ele, certo? Vemos como ele está indo... – Sonny trama um grande plano para fazer uma investida em Vice City usando o ex-presidiário.

Thomas Vercetti era conhecido pelas ruas de Liberty City apenas como “Tommy” em 1971. Era um jovem ítalo-americano de apenas vinte anos de idade que se tornou um dos soldados da família Forelli pelas ruas, pois sua família era pobre e não havia tantas oportunidades boas de trabalho para rapazes de origens italianas na cidade, apenas se suas famílias tivessem um comércio. Seu pai até tinha uma pequena loja de impressões, onde, na adolescência, Tommy costumava limpar os rolos das poucas máquinas que lá havia. Mas seu caminho, assim como de vários outros jovens que conhecia, acabou sendo o crime organizado. Tommy era um garoto muito frio pela pouca idade e rapidamente começou a se destacar naquele ano entre os soldados da famiglia. Logo os irmãos Forelli, que eram caporegimes da organização, trataram de elevar a posição de Tommy na família. Em apenas sete meses trabalhando, ele já era um uomo d’onore, batizado como membro importante da organização, um recorde na história das famílias da cidade. Ninguém nunca tinha sido tão valorizado em tão pouco tempo na máfia de Liberty City.


Tommy Vercetti era um jovem com muito futuro. Além de ser um ótimo matador, também era um ótimo estrategista, usando sua inteligência e seu temperamento fortíssimo para intimidar inimigos e conseguir informações facilmente. Sonny, já Don da família, via essa capacidade de Tommy como algo ótimo, porém muito perigoso. Ninguém era confiável nas ruas daquela cidade, a qualquer momento seu homem de confiança poderia te trair. Era necessário para qualquer líder de organização ter ao seu lado homens bons, mas inferiores. Ter ao seu lado alguém que pudesse te ultrapassar e assumir o controle dos seus negócios não era o melhor modo de trabalhar em equipe em Liberty. Após pensar muito, decidiu, sozinho, tirar Tommy da família Forelli. Mas aquilo teria que ser um tiro certo, algo que não fizesse Tommy voltar e se vingar. Matá-lo nunca passou pela cabeça de Sonny, que pensou que se Tommy fosse preso em um trabalho para a família e recebesse um bom apoio na prisão, o respeito continuaria no soldado e poderia usá-lo depois, quando a estrutura organizacional da família estivesse ainda mais forte. E assim preparou uma emboscada.

Em uma das noites daquele fim de ano, Sonny convocou Tommy para um trabalho complicado. Deveria ir até o bairro de Harwood para matar um homem que atrapalhava os negócios de prostituição da família e seus soldados. A história que Tommy ouviu era algo sobre outro prostíbulo querendo maior espaço na região, roubando clientes da família. Tommy recebeu doze endereços em um papel e foi até cada casa daquela lista, em ordem. Matou onze homens naquele bairro. O último homem da lista era descrito apenas como Sean. Era o suposto cafetão. Era o dono da última casa da lista, que estava com as luzes acesas. Tommy foi até os fundos, lá havia uma janela aberta. Seria por ela que entraria para matar quem Sonny mais queria. Mas Tommy teve uma surpresa ao ver, de fora da casa, um quadro na parede de uma sala vazia: era um quadro de homenagem a Sean Lutter, oficial de polícia da LCPD (Liberty City Police Department). Assim que viu o quadro, Tommy sentiu algo em sua nuca. Era uma arma. Uma voz grave disse:

 Parado, você está preso, garoto!

Pela primeira vez, Tommy Vercetti se sentiu dominado. Ele nunca havia passado por uma situação daquelas, portanto não sabia o que fazer para se livrar. Por mais durão que já fosse, ainda era um moleque de vinte anos com medo de morrer jovem. Não resistiu à prisão, apenas se ajoelhou, largou sua arma e sentiu algemas prendendo seus punhos. Qualquer pessoa com experiência no ramo do crime desconfiaria de ter sido mandado para matar um policial. Esse tipo de trabalho não era dado a soldados e sim apenas a pessoas com posições mais altas na hierarquia da família. Mas Tommy não desconfiou das más intenções de seu amigo e patrão Sonny, havia vários policiais envolvidos em prostituição na cidade, de qualquer forma. O que ele não sabia era que os onze homens que havia matado naquela noite eram apenas soldados da família Leone, outra famiglia da Cosa Nostra, rivais dos Forellis. Tommy havia caído completamente na emboscada de Sonny.

Jornais da cidade logo deram um apelido ao jovem Vercetti: “The Harwood Butcher”, ou “O Açougueiro de Harwood” pela carnificina que causou no bairro na noite anterior. Tommy foi preso e seria condenado a sessenta anos de prisão por todos os assassinatos  que foram cometidos por ele naquele ano, mas com a influência da família Forelli com os juízes e políticos da cidade, foi feito um acordo interno entre ambas as partes para a retirada de vários assassinatos de sua responsabilidade, fazendo a condenação ser apenas pelas onze mortes daquela noite. A pena ficou acertada em quinze anos, o que, logicamente, chocou a população de Liberty City. Isso fez o jovem Tommy manter todos os segredos e informações sobre os Forellis intactos, por gratidão pela ajuda que recebia. Mas aquele caso de corrupção era apenas mais um naquela década, logo o povo esqueceria do que aconteceu, pois um novo absurdo apareceria para tomar toda a atenção possível.

E assim os anos se passaram. Naquele início de 1986, Tommy foi finalmente solto. Foi recebido por um carro preto dos Forellis e levado a um apartamento em Portland. Lá almoçou e foi informado que Sonny queria que ele voasse até Vice City para conduzir uma negociação de drogas para a família. Tommy estranhou o fato de haver drogas envolvidas nos negócios da máfia, mas pensou que os tempos eram outros, aquilo agora deveria ser normal, já até tinha ouvido rumores sobre isso na prisão. A passagem já estava comprada. O vôo seria às duas da tarde. Com Tommy, iria uma maleta que guardava milhões de dólares, além de dois novos membros da família, Harry e Lee. Em Vice City, Ken Rosenberg, um advogado que há alguns anos atrás investigava o caos causado pelas gangues cubanas e haitianas da cidade, aguardava os italianos. Assim que aquele avião pousasse naquele aeroporto, a cidade nunca mais seria a mesma.