segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Vice City - Parte 7


Tommy retorna ao iate de Cortez. Apesar da frustração pela morte de Pierre La Ponce, o coronel não podia deixar de fazer seu trabalho, principalmente agora que sabia que órgãos do governo francês estavam a sua procura.

 Thomas, agradeço sua visita. Me perdoe por ir direto aos negócios: Díaz me pediu para que eu supervisionasse uma transação de valores pouco significantes... – Cortez diz.

 Vamos torcer para que seja melhor que a última, né... – Tommy interrompe.

 É por isso que pensei em você, meu amigo! – Cortez também interrompe – Eu deixei uma proteção no estacionamento do shopping. Pegue e vá ver os homens de Díaz no acordo. Gracias, amigo...

Tommy recebe os endereços daquela noite e sai do barco pensando que Díaz, aquele anão, aparentemente controlava a cidade realmente. Até Cortez se submetia a ele no ramo das drogas. Ficava cada vez mais clara para Tommy a relação do grande líder da cidade com a perda da droga e dinheiro dos italianos do norte.

Ele vai até o estacionamento do prédio do Washington Mall, o mesmo shopping que encontrou Pierre La Ponce. No estacionamento, Tommy vê um saco preto. Dentro havia um fuzil poderosíssimo. Seria com ele que Tommy faria a segurança da transação de Díaz. Mas um Infernus branco estaciona ao lado de Tommy. Ele já tinha visto aquele carro antes. Era de Lance.

 Pegando toda a ação, pelo que vejo... – Lance diz ao sair do carro.

 Olha só, você não tem nada melhor para fazer do que ficar me seguindo para todo lado? Por que você não vem comigo e me mostra se tem alguma utilidade? – Tommy se irrita.

 Posso fazer isso. E o nome é Lance, a propósito... – Lance responde.

 Tommy Vercetti. Vamos! – Tommy entra em seu carro e abre a porta para Lance.

Os dois vão até o local combinado: um beco atrás dos hotéis de Washington Beach, próximo ao hotel onde Tommy estava. Eles aguardam pouco tempo até que um carro com vários latinos estaciona próximo. Dentro estava Ricardo Díaz.

– Você deve ser a nova arma de Cortez... – Díaz diz a Tommy.

 Até oportunidades melhores aparecerem... – Tommy responde e alerta Lance – Eles vão estar aqui a qualquer momento. É melhor a gente ficar em um local estratégico.

–  Ok, vou ficar na varanda e você fica no telhado do outro lado do beco! – Lance sobe as escadas de emergência.

Tommy sobe no telhado e aguarda alguns minutos. Logo um carro modificado com pinturas flamejantes chega. Um dos homens de Díaz avisa que eram os cubanos. Dois homens latinos saem do carro com uma mala e a transação começa. Mas assim que o acordo começa a ser feito, um carro estranho se aproxima disparando contra todos ali. Tommy ouve alguém gritando “Haitianos!” e começa a disparar juntamente com Lance dos pontos estratégicos.

 Porra, os homens de Díaz estão sendo fodidos! – Lance grita – Não se preocupe! Estou te protegendo!

 Esses haitianos acham que podem pegar Ricardo Díaz? – Díaz grita enquanto se esconde atrás do carro que veio.

 Tommy, eu preciso de ajuda aqui! – Lance grita, ele está tomando tiro de vários haitianos do chão.

Tommy desce as escadas correndo e dispara contra os haitianos na rua. Logo, tudo parecia acabado, todos estavam mortos. Mas dois haitianos aparecem de moto por trás de Díaz e pegam sua mala de dinheiro.

 MEU DINHEIRO! – Díaz grita e mata um dos motoqueiros com um tiro – Não fiquem parados aí, seus idiotas. Peguem aquele haitiano!

Tommy rapidamente pega a moto do haitiano baleado e vai atrás do que escapou. Os dois passam em alta velocidade pelos becos dos hotéis, atravessando perigosamente as ruas que levavam até a praia. Tommy carregava também a metralhadora que o primeiro haitiano soltou. E é com ela que acerta o segundo, que solta a mala e cai no chão, logo antes de levar uma rajada de tiros de sua própria metralhadora, agora de propriedade de Tommy Vercetti. Ele recupera a maleta e volta para Díaz no mesmo local.

 Sobrevivi! Imbecis! E tudo graças a você. Qual é o seu nome? – Díaz, já dentro de seu carro, pergunta a Tommy.

 Tommy... – Tommy responde.

 Te vejo em breve, amigo. Eu acho... – Díaz diz e vai embora.

 Merda, cadê aquele Lance? – Tommy percebe que Lance havia sumido.

Mas não importava. O mais importante havia sido feito. Um contato com Ricardo Díaz, o maior suspeito de ter roubado e matado os italianos naquele fatídico fim de tarde. Mais tarde, naquela noite, Tommy recebeu uma mensagem de Díaz:

Tommy, aqui é Ricardo Díaz! Quero te agradecer por ter me vigiado, cara! Falei com aquele idiota do Cortez e ele me disse que você é um cara sério! Você poderia vir me ver, preciso de homens como você. Tudo que eu tenho são imbecis, vários imbecis, cara. Posso te deixar muito rico!”.

Tommy aceitou a oferta de trabalho sem hesitar. Era a grande chance de se aproximar do colombiano e ver qual era sua ligação com o ocorrido. Díaz passa seu endereço para Tommy: a maior casa de Starfish Island. A visita acontece na manhã seguinte. Tommy é recepcionado por seguranças e é levado ao escritório de Díaz, que assistia televisão.

 Vai, baby, vai! Isso, isso, aaah! – Díaz grita com a televisão, que transmitia uma corrida de cavalos em que seu cavalo disputava, e tinha perdido – Cavalo estúpido! Vou cortar sua cabeça! Quem é esse idiota?

 Tommy Vercetti. Você se lembra de mim... – Tommy diz enquanto vê o latino chutando sua televisão.

 Aah... Me desculpe, estou um pouco irritado. Nunca confie em um cavalo desgraçado! – Díaz se acalma, mas ainda chuta sua televisão – Você trabalha bem. Agora você trabalha para mim!

 Eu trabalho por dinheiro... – Tommy interrompe.

 Como eu disse, amigo, você trabalha para mim! – Díaz se irrita.

 Eu não trab... – Tommy é interrompido.

 Cale a boca! Algum Judas me traiu! – Díaz diz – Ele acha que eu não sei quanto dinheiro eu ganho, mas roubar três por cento é a mesma coisa de roubar cem por cento! Ninguém faz isso comigo! NINGUÉM! Você vai seguir ele até onde ele mora e vai ver para onde ele vai depois. Mais tarde, nós matamos ele...


Os seguranças mostram os dados para Tommy, que permanece calado, e ele vai para ficar de tocaia próximo ao apartamento de um dos soldados de Díaz, não muito longe de Starfish. Enquanto esperava, Tommy pensava que se Díaz estivesse achando que seria chefe daquele italiano em Vice City, ele estaria muito enganado. Após algumas horas dentro de seu carro, Tommy vê o homem chegando em casa. Ele era o líder da gangue de rua Sharks, que havia se unido a Díaz em 1984, após a morte dos irmãos Mendez. Tommy se aproxima cautelosamente da janela do apartamento, que ficava próxima à uma escada de emergência, para ver se o dinheiro roubado era visível. Mas o quarto estava vazio, não havia ninguém. Quando olha para trás, Tommy vê o homem em cima do telhado do prédio, fugindo. Uma perseguição começa envolvendo tiros, mas apenas por parte do Shark, pois Tommy não deveria matá-lo, como ordenou Díaz. Do telhado do prédio, a perseguição vai para a rua. O Shark pula do prédio e entra em um jipe para fugir. Tommy pula para a rua e rouba uma moto que passava na hora, pois não poderia perder o traidor de vista. A perseguição se estende até o norte da cidade, mais precisamente Prawn Island. O jipe entra rapidamente na antiga mansão dos irmãos Mendez, que fora explodida e que agora, com vários símbolos de gangues nas paredes, servia de esconderijo para os Sharks. Tommy observa de longe. Era apenas aquilo que ele deveria fazer para Díaz, o resto os demais soldados dele resolveriam. O colombiano fica sabendo do esconderijo por Tommy através de uma ligação e libera seu novo empregado. Tommy se sente submisso por estar trabalhando para alguém e não com alguém, mesmo querendo. Mas aquilo era o que deveria ser feito para a confiança de Díaz ser conquistada e informações relevantes surgirem.

Poucas horas depois, Tommy é chamado novamente à mansão de Díaz. A movimentação era grande por lá. Tommy vê Díaz na grande escadaria da casa.

 Que tipo de idiota incompetente você é!? IDIOTA! IDIOTA! IDIOTA! IDIOTA! – Díaz falava ao telefone aos berros até jogar o telefone no chão – Tommy!

 O que foi, Ricardo? – Tommy pergunta.

 Esses idiotas... Sempre estão tentando te ferrar. Esse é o problema nesse tipo de negócio. O que você acha que está fazendo!? – Díaz lança um vaso na direção de Tommy sem motivo, que desvia – Esses imbecis falharam miseravelmente. Daqui a pouco, qualquer mamãe e papai vão achar que podem vender gallo em Vice City! Quem serão os próximos, hein? A máfia fedorenta? Aquele local da gangue é uma fortaleza em nível terreno, então o Quentin aqui... Quentin! Quentin! Ele vai te levar para voar sobre a área. Erradiquem eles! O que vocês acham que estão fazendo!?

Quentin era como Díaz conhecia Lance desde 1984. Ele estava na mansão também. E o desabafo do latino para Tommy foi como se o céu tivesse se aberto após uma grande tempestade nebulosa. Díaz havia acabado de deixar claro que não queria ninguém vendendo drogas além dele em Vice City, principalmente a máfia, que, aparentemente, ele odiava. Era praticamente uma confissão. Tudo levava a crer que o ataque ao acordo da família Forelli com traficantes locais tinha participação de Díaz, ou pior, havia sido encomendado por ele. Mas a dúvida ainda continuava na cabeça de Tommy. Mesmo com essa declaração de Díaz, não era possível ter certeza de que ele era o único envolvido, pois havia o russo que ligava para Leo Teal, e Tommy não fazia ideia do tamanho da importância daquele homem. Portanto, trabalhar mais para Díaz era o que deveria ser feito para mais confissões como aquela, que aparentemente eram facílimas de se obter, fossem feitas.

 O que você está fazendo aqui!? – Tommy pergunta a Lance enquanto seguem para o helicóptero.

 Ei, eu tenho investigado por aí e é óbvio que foi Díaz que estragou o acordo e matou o meu irmão! – Lance diz.

 E ele vai te matar também! – Tommy alerta.

 Eu vou pegar ele! – Lance se irrita.

 Não! Escuta aqui! Eu vou cuidar do Díaz! Ele está começando a confiar em mim... – Tommy sussurra.

O helicóptero decola em direção a Prawn Island.

 Uma coisa está me deixando curioso. Por que Quentin? – Tommy pergunta.

 Eu não sei, eu sempre gostei. Quentin Vance... – Lance responde.

 Vance? Seu nome é Lance Vance? – Tommy começa a rir.

 Ei! Eu já tive o suficiente disso na escola! – Lance se irrita.

 Lance Vance... Coitado! – Tommy continua rindo.

 Para onde a gente tem que ir mesmo? – Lance interrompe.

 Prawn Island! – Tommy diz.

 Voce já atirou com uma dessa de um helicóptero? – Lance aponta para a submetralhadora acoplada à aeronave.

 Não. Vou praticar um pouco pelo caminho... – Tommy começa a atirar no mar para pegar a sensibilidade da arma.

 Já estamos quase lá! Vamos dar duas passadas! Pegue o tanto de soldados que você puder! Depois eu te deixo lá e você faz seu caminho! – Lance avisa.

O helicóptero se aproxima da mansão por cima, mas no teto havia vários soldados dos Sharks, todos armados. Eles começam a disparar contra o helicóptero ferozmente.

 Porra! Isso aqui é uma zona de guerra! – Lance grita – Mata esses caras!

Tommy mata quatro soldados com a submetralhadora. Lance leva o helicóptero para longe para escapar dos tiros. Logo vários homens aparecem nas janelas da mansão, também atirando. Mas Tommy se deu muito bem com a arma e elimina mais daqueles homens. Mas a cada homem eliminado, apareciam dois novos. O helicóptero começou a ser atingido.

 Estamos tomando tiro aqui, cara! Essa merda não é barato para consertar! Pega eles! – Lance se irrita com os danos em seu helicóptero, mas vê que poucos homens restam – Ok! Você vai sozinho daqui! Boa sorte, irmão!

Tommy desacopla a metralhadora do helicóptero e vai para a rua quando Lance desce o helicóptero. Ele segue com ela para dentro da mansão em ruínas. O dinheiro roubado de Díaz provavelmente estaria lá. Realmente havia pouquíssimos soldados dentro da casa, todos foram mortos pelos tiros de Tommy no helicóptero. Em seu caminho para o telhado, ele encontra o líder dos Sharks, aquele mesmo homem que havia perseguido naquela manhã. Ele atira na perna do Shark e ameaça matá-lo caso ele não falasse onde estava o dinheiro roubado. O homem, entre gritos de dor, aponta para uma porta. O dinheiro estava em uma maleta em cima de uma mesa naquele quarto. Tommy pega a mala e metralha fatalmente o homem. Não havia mais necessidades de interrogatórios. Ele já sabia quem deveria interrogar: Díaz.

domingo, 18 de outubro de 2015

Vice City - Parte 6


Tommy, após ter explodido um prédio em construção, sai de cena por alguns dias. Com Avery fora da cidade e Ken escondido em seu escritório, ele não tinha muitos contatos recentes, inclusive para Leo Teal. Mas o coronel Cortez queria a presença de Tommy em seu barco, como dito naquela ligação. É para lá que vai Tommy em uma noite de sábado.

 Senhor Vercetti! – Cortez acena sentado em uma cadeira quando vê Tommy.

 Coronel! – Tommy se aproxima.

 Obrigado por vir. Por favor, sente-se. Lagosta? – Cortez oferece o prato de sua mesa.

 Não, obrigado... – Tommy diz enquanto se senta.

 Ah... Sinto vergonha em dizer que uma das causas do nosso problema mútuo parece ter relação com a língua solta de um homem que eu confiava. Venho aguentando Gonzalez há anos, mas agora sua incompetência passou dos limites. É direito seu matar Gonzalez... – Cortez provavelmente havia descoberto o que Gonzalez vinha fazendo com ele há anos, desviando suas mercadorias e cooperando com Ricardo Díaz desde 1984, o que era uma grande traição.

 Ele participou daquilo? O que é importante para mim é o dinheiro... – Tommy diz.

 Por essa gentileza eu irei recompensá-lo. Depois encontramos seu dinheiro juntos. Ele vai estar em sua cobertura, meio bêbado, provavelmente. Use isto... – Cortez diz enquanto um de seus garçons coloca uma serra elétrica na mesa.

Tommy aceita fazer o trabalho para Cortez, pois Gonzalez já estava timidamente como suspeito por ser muito rico para ser apenas um braço direito do coronel, era o que Tommy pensava desde que viu o colombiano na festa do iate. A cobertura de Gonzalez ficava em um prédio ao lado do Malibu Club. Tommy levou a serra elétrica em um carro que ganhou de presente do coronel naquela noite como a recompensa prometida pela “gentileza”. Para entrar no apartamento de Gonzalez, Tommy comprou um laço e amarrou na serra, dizendo para os seguranças do colombiano que era um presente por parte de Cortez. Gonzalez estava na piscina conversando com um amigo quando Vercetti puxa o laço e a corda da serra ao mesmo tempo e grita:

 Vou calar essa sua boca grande!

 Ei, ele tem uma serra! – Gonzalez se espanta e começa a correr.

 Pare de correr, seu gordo escroto! – Tommy vai atrás com a serra ligada, o que afugenta quem estava por perto.

 Fique longe de mim, seu pobre idiota! – Gonzalez grita – Meu Deus, desperdicei minha vida e minha beleza!

 Fique parado e você não vai sentir dor! – Tommy continua gritando.

 Te pago o dobro, Tommy, o dobro! – Gonzalez tenta pela última vez, já cansado de correr.

 Pode parar de gritar, ninguém se importa, gordão! – Tommy alcança Gonzalez.

A serra entra nas costas de Gonzalez, que imediatamente cai de joelhos, já morto, dentro de seu banheiro. Tommy deixa a serra lá e tira sua pistola para sair da cobertura. Mas não havia mais nenhum segurança de Gonzalez lá. Provavelmente acharam que aquele era um ataque massivo do coronel, que sabiam que não teriam nenhuma chance. Tommy volta para seu hotel em seu novo carro.

Logo pela manhã volta ao iate de Cortez. O coronel estava descansando em uma espreguiçadeira, com um largo sorriso pelo trabalho de Tommy com o traidor, rodeado por seguranças e garçons, com algo exótico em uma mesa ao lado.

 Tommy! Venha, junte-se a mim! Isso aqui está delicioso! Aceita nariz de tapir? – Cortez oferece um pedaço de uma cabeça inteira de tapir, uma espécie de anta da América do Sul.

 Ah! Uh! Não, não! – Tommy recusa com nojo.

 Tommy, você é como uma brisa dos pampas que me livrou do fedor da corrupção, embora eu tenha que parecer detestar sua passagem e continuar com os negócios, como normalmente... – Cortez diz.

 Isso não me aproxima nem um pouco do meu dinheiro! – Tommy está impaciente, ainda em pé.

 Tommy, meu amigo, você não está mais em Liberty. Aqui nós fazemos as coisas de um jeito diferente. Vou continuar com meus inquéritos, mas, enquanto isso, tenho um valioso acordo para fechar... – Cortez acalma seu novo parceiro.

 Um favor para um amigo, Cortez? – Tommy pergunta.

 Você é um bom amigo, Tommy! Eu sabia que você não iria me desapontar... – Cortez se levanta – Preciso que você encontre um mensageiro que conseguiu uma valiosa tecnologia para mim...


O encontro deveria acontecer no Washington Mall, o shopping center de Ocean Beach, ali próximo, e o mensageiro seria um homem francês. Tommy vai até o shopping no lugar marcado por Cortez para o encontro: no segundo andar, em frente à escada rolante central. Lá estava um homem tipicamente francês, como camisa listrada, boina, bigode e óculos escuros. Quando viu Tommy parado em sua frente, o francês começou a falar com seu fortíssimo sotaque:

 A chuva... Está muito úmido essa época do ano!

 O que? – Tommy não entende.

 Ah! Comentários? – o francês pergunta.

 Olha só, Cortez me mandou. Me entregue a merda dos chips! – Tommy pede.

 Ah! De acordo... – o francês se aproxima.

 Parado, seu porco imperialista americano! – vários homens uniformizados gritam apontando fuzis para Tommy do telhado do shopping – Isso é propriedade do governo francês! Está tudo acabado!

 Seu idiota americano! Eles te seguiram até aqui! – o francês desce a escada rolante correndo, mas estranhamente os agentes secretos não atiram.

Tommy imediatamente aproveita o momento e pula do segundo andar. Os franceses atiram, mas não o acertam. Ele sai do shopping e vê o francês subindo em uma moto segurando uma maleta. Uma perseguição se inicia pela cidade com Tommy seguindo aquele francês misterioso. Após alguns minutos, o francês tem sua moto jogada contra a parede e desmaia. Tommy recolhe a maleta e joga o francês, muito machucado, em seu carro. Ele não levaria os chips e o francês para o coronel sem antes interrogá-lo, pois achou curioso aquela emboscada e o fato dos policiais franceses não atirarem naquele homem. E também por toda aquela situação se parecer com o que aconteceu com o próprio Tommy há algumas semanas. Após algumas horas, o francês é levado por Tommy até um subúrbio da cidade onde havia acabado de comprar uma afastada casa barata, apenas para usá-la como cativeiro. O francês é acordado por um balde de água na cara. Tommy está com uma grande faca nas mãos e pergunta ao francês quem ele era e o que fazia em Vice City. A resposta é imediata.

Seu nome era Pierre La Ponce, um ex-agente da GIGN (Groupe d’Intervention de la Gendarmerie Nationale), um grupo de operações secretas do exército francês. Ele foi contratado por Juan Cortez para entregar aqueles chips tecnológicos para mísseis por um altíssimo valor, mas não sabia o propósito. Ao ser perguntado por que os policiais não atiraram nele, Pierre disse que era refém do GIGN, pois a agência de inteligência do governo francês, o DGSE (Direction Générale de la Sécurité Extérieure) havia descoberto a traição do ex-agente e o transformou em um agente duplo. Se Pierre conseguisse fazer o governo francês capturar Juan Cortez, ele teria sua pena praticamente anulada. Mas se falhasse, seria levado ao corredor da morte pelo grupo. Pierre diz a Tommy que seria questão de tempo até encontrarem os dois, pois nele havia um chip de rastreamento dentro de seu corpo. Ele pede para Tommy entregar o material ao coronel, mas que para isso teria que ser morto antes por um tiro fatal, pois se fosse capturado pelo GIGN novamente, sofreria torturas para dizer o que havia acontecido ali e mesmo assim seria morto. Tommy agradece o trabalho de Pierre em nome de Cortez e não hesita em atirar na testa do francês, que cai morto no chão. Ao entregar a maleta com os chips a Cortez e lhe contar o que aconteceu, Tommy vê uma profunda tristeza e preocupação nos olhos do coronel. Pierre realmente deveria ser um homem de confiança de Cortez, assim como Tommy.

Quando voltava para seu hotel naquela tarde, o telefone de Leo Teal, que Tommy sempre levava consigo, finalmente tocou novamente. Foi atendido desesperadamente. A pessoa da ligação era a mesma que ligou na última vez, o mesmo homem com sotaque russo. Ele apenas diz para Teal, no caso, Tommy, ir até o telefone público de Vice Point, em frente ao WK Chariot Hotel, às cinco da tarde. Tommy é pontual e o telefone toca.

 Meus cumprimentos por um trabalho bem feito, senhor Teal. Meu cliente ficou muito satisfeito. Eu tenho mais trabalhos para você usar suas mãos. Seu próximo trabalho está anexo embaixo do telefone... – o russo diz.

Tommy já havia visto um papel com anotações antes de atender. Nele estava escrito o nome de “Senhora Dawson”, junto com uma foto tirada de longe. Era uma jovem mulher loira e bonita, aparentemente muito rica. No papel, havia a ordem de executá-la, mas fazendo com que parecesse um acidente de carro. Ela sairia da loja de joias Jewler’s, que ficava a dois quarteirões dali, a qualquer momento. Provavelmente o mandante do crime seria o próprio marido, portanto, algum “senhor Dawson”. Tommy guardou esse nome e foi em direção à joalheria. Logo a mulher saiu da loja com sacolas de compras e entrou em seu carro. Em alguns minutos, o carro conversível da senhora Dawson era atingido pelo carro de Tommy, o que a fez bater em uma árvore e bater violentamente a cabeça no para-brisa. Tommy aproxima seu carro para checar se a batida foi fatal e vê que a mulher estava imóvel e de olhos abertos, sem reação. Claramente estava morta. Mais um trabalho havia sido feito, supostamente, por Leo Teal e mais informações haviam sido passadas sobre pessoas ligadas a ele e ao russo daquelas ligações.  

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Vice City - Parte 5


Exatamente às 20:55 daquela noite, Tommy chegou ao telefone público próximo ao shopping e que ficava em frente ao posto de gasolina do bairro. Aguardou cinco minutos e o telefone tocou. Era o mesmo homem com sotaque russo do outro lado da linha:

 Senhor Teal, sua ajuda na erradicação daqueles forasteiros foi inestimável para os negócios. Eu tenho mais trabalhos para você, agora com mais contato. Sua nova missão está embaixo do telefone.

Havia um papel com um recado escrito sendo apoiado por uma pequena pedra ali naquele telefone, que dizia: “Carl Pearson, entregador de pizza. Mate-o antes que termine suas entregas!”. Antes de realizar o serviço, o que faria aquele homem continuar entrando em contato, Tommy parou para raciocinar.

Ele estava sem acreditar no que acabara de ouvir: aquele chef, Leo, Teal, ou Leo Teal, realmente deveria estar envolvido no ataque aos italianos, ou “forasteiros”, como o russo se referiu. A ramificação do ocorrido estava sendo feita aos poucos. Havia o chef Leo Teal, o russo misterioso e possivelmente Ricardo Díaz como possíveis caminhos para seguir. Uma aproximação a um dos três era necessária, mas Teal já estava morto. O russo parecia ser muito astuto e precavido com sua segurança e identidade, não deveria confiar em um italiano naquele momento. Ricardo Díaz era quem poderia ser o atalho para as informações, até porque um pequeno contato já tinha sido feito, embora visualmente, no iate de Cortez. A rota começou a ser traçada por Tommy. Mas naquele momento o mais importante era fazer o serviço para o russo.

Pela ligação ter sido em um local tão específico, Tommy deduziu que o entregador trabalharia na Well Stacked Pizza, a maior cadeia de pizzarias da cidade, que tinha uma loja ali ao lado. Tommy vai até a pizzaria e pergunta por “Carl”. Um funcionário aponta para um homem que estava se preparando para sair com sua moto. Tommy agradece e sobe em sua própria moto, aguardando Carl sair. Poucos minutos depois, a moto de Carl é emparelhada pela moto de Tommy. Apesar de ter a pistola que Lance o deu, Tommy não atira, afinal tinha sido o último a procurar pelo entregador antes de sua morte, o que seria extremamente suspeito. O que acontece é um acidente forçado. Tommy joga sua moto, muito mais pesada, em cima da pequena moto de Carl. O entregador cai na pista contrária e tem seu crânio esmagado por um carro que vinha. Serviço feito, ninguém para culpar. Tommy foi perfeito. Agora era aguardar mais contatos para os trabalhos do finado Leo Teal.

No dia seguinte, Tommy decide visitar Avery. Talvez trabalhando para ele, poderia conseguir mais informações sobre os grandes milionários da cidade. Tommy vai até a construtora do cowboy e é recebido pelo próprio dentro de uma limousine.

 Entra e senta aí, filho. Porra, meu pai sempre me dizia para nunca olharmos a boca de um cavalo dado de presente, nunca reclamarmos de algo de graça, e ele nunca reclamou. Quer um gole do velho Kentucky? – Avery oferece whisky.

 Não, obrigado... – Tommy recusa.

 Um pensador de cabeça limpa. Gosto disso! – Avery diz – Olha só, o negócio de imóveis não é só assinaturas de contratos com lucros altos. É terra, sujeira! E eu quero essa sujeira! Você está comigo, filho?

 Com certeza... – Tommy se interessa.

 Eu preciso que um desgraçado corajoso dê uma terra para mim, e você me parece uma ótima pessoa para persuadí-lo... – Avery diz.

 Persuasão é o meu forte! – Tommy responde.

 Ótimo! Ele vai estar no country club, no campo de golfe. Eles não permitem armas, então os seguranças dele não vão dar uma de justiceiros. Vá até lá e detone todo mundo! Aqui, eu tenho uma carteirinha de sócio para você, mas você vai precisar de roupas mais adequadas... – Avery diz.


Tommy vai até a loja Jocksport e compra roupas de golfista: uma calça vermelha xadrez, sapatos especiais, camisa polo e um taco de golfe. Chega ao Leaf Links e deixa sua pistola na entrada. Lá dentro, só vê uma pessoa andando com seguranças. Obviamente, aquele era o alvo. Ele estava praticando sua mira em uma estrutura de madeira reservada para esse tipo de ação. Tommy vai para baixo de onde o homem estava e puxa sua perna com seu taco de golfe, o fazendo cair da estrutura de dois metros.

 Quem é esse cara? Peguem ele! Matem esse psicopata! – o homem grita ao cair no chão.

Mas já era tarde demais. Até seus seguranças descerem da estrutura, Tommy já tinha quebrado o pescoço do milionário e fugido em um dos carrinhos de golfe do clube. Trabalhar com Avery poderia render boas informações, um bom dinheiro, mas com certeza seria perigoso. Mas aquilo não era nenhum problema para um cara criado no mundo do crime.

Tommy voltou à construtora de Avery para mais serviços. O cowboy estava apressado e, assim que viu seu novo parceiro, já o chamou até o porta-malas de sua limousine e mostrou uma planta de um edifício:

 Dá uma olhada aqui, filho! Estou com um problema e creio que você pode resolvê-lo!

 Eu não sou construtor... – Tommy brinca.

 Não, eu estava pensando mais nas suas habilidades como destruidor... – Avery diz – Esse aqui é o projeto planejado e é daquele imóvel ali da frente.

 Você está tentando dizer que esse prédio de escritórios meio que está no caminho... – Tommy diz.

 Você aprende rápido! – Avery fica feliz – Eu vou sair da cidade por um tempo. Se esse projeto de escritórios tivesse, de repente, irrecuperáveis problemas estruturais...

 Com uma mente civilizada, você se veria obrigado a entrar no jogo e salvar o rejuvenescimento desta importante área da cidade! – Tommy interrompe.

 Aonde arrumo mais caras como você? – Avery se encanta.

Tommy recebe um manual de instruções de algo chamado TOPFUN e uma chave de carro. O plano de destruição seria complexo, claro, como qualquer ato sujo naquele ramo de negócios. Ele vai até a lateral da construção e acha uma van com o nome do produto do manual. Abre o carro com a chave e vê que lá havia helicópteros de brinquedo equipados com câmeras e imãs, dinamites, e um monitor junto com um controle remoto. Tommy logo entendeu. Ele se lembrou de alguém dizendo a ele que aquilo havia virado moda no crime organizado da cidade. Até usaram aquela tecnologia para acabar com o grande império de drogas de dois latinos de Vice City em 1984. Tommy olhou a planta do prédio e viu pontos marcados com um X, era lá que deveria levar as bombas através dos brinquedos voadores. E assim fez. As dinamites foram alinhadas no chão e o primeiro helicóptero as levou e deixou direto nos locais estratégicos. Como era noite, havia apenas guardas em cabines nas entradas do terreno, eles não viram os brinquedos voando pelo edifício em construção. Pelo monitor da van, Tommy podia ver que os locais marcados com X eram locais onde haviam barris. Provavelmente eram barris de gasolina, o que significava que algum funcionário tinha os colocado lá por um certo valor.  Os barris ficavam sempre nos cantos das paredes, onde ficavam as estruturas mais pesadas. Detonando elas, o prédio viria abaixo. Então, Tommy fez o serviço. Após colocar todas as bombas em seus devidos lugares, viu um botão ao lado do volante com um papel grudado escrito “BOOM”. A noite de Vice City virou dia para todos. Menos para Tommy Vercetti, que foi dormir após mais um longo dia de trabalho.