terça-feira, 24 de novembro de 2015

Vice City - Parte 10


Depois de procurar em algumas lanchonetes em Little Havana, Tommy encontra uma cheia: a Café Robina. Antes de estacionar, ele recebe uma mensagem de Kent Paul, que dizia: 

“E aí, meu amigo. Aqui é Paul. Acho que tenho uma coisa para você, mas preciso falar com você pessoalmente. Estou relaxando aqui no Malibu. Saiba que você irá me dever um favor ou dois depois disso. Até mais!”. 

Novamente Tommy estava no meio de algo, não podia dar muita atenção aos outros. Então ele sai do carro e se aproxima da porta da lanchonete.

 Si, cara? – pergunta um idoso. Era Alberto Robina, dono da lanchonete.

 Calma, papi. Esse cara é para mim... – Umberto Robina, o líder dos Cabrones, diz – Você! Você é o garoto? É, acho que é!

 Não, acho que eu não sou... – Tommy responde após olhar para os lados.

 Ah é? Vem aqui, machão! Você acha que pode me bater? Acha que pode bancar o idiota pra cima de mim? – Umberto se irrita.

 Não, acho que você já está sendo idiota por nós dois... – Tommy responde acidamente.

 Ei, ele te chamou de babaca, filho! – Alberto diz para Umberto.

 E eu chamo esse cara de garotinha, papi! – Umberto responde – Olha só para ele! Todo bem vestidinho. Que dia é hoje? Dia das moças? Você se diz machão, mas se veste feito uma mulher? Você usa calcinha também?

 O que você tem contra mulheres? Você prefere homens, garotão? – Tommy provoca.

 Eu gosto de mulher! Gosto de todas as mulheres! Eu amo minha mãe, chico! – Umberto fica muito irritado.

 Tudo bem, tudo bem, já entendi. Relaxa... – Tommy se afasta.

 Você sabe dirigir, amigo? – Umberto pergunta.

 Sim... Como uma moça... – Tommy brinca.

 Hahaha! Muito engraçado! Eu gosto de você, garotão! Talvez você possa ajudar! – Umberto muda de humor – Talvez você possa provar que é um homem, hein! Pegue um barco! Me mostre que você tem grandes cojones e não umas chiquitas aí no meio das pernas!

Tommy é levado até um píer próximo à praia e é observado pelos Cabrones enquanto é submetido a um teste de direção com uma lancha.

 Ei, eu sou o  Rico. Você é o cara com grandes cojones? – pergunta um latino.

 Tommy Vercetti. Vamos logo... – Tommy responde.

 Ok, cara. Trate a lancha como uma moça... – Rico diz.

Tommy sobe na lancha e vai acompanhado de Rico, que vai dizendo por onde ele tem que passar para suas habilidades de direção serem testadas. Mesmo ouvindo provocações por todo o caminho, Tommy mostra sua boa direção e acaba impressionando Rico, que com menos de cinco minutos de lancha com Tommy já reconhece sua perícia. Eles voltam para o píer e o cubano diz que passará o resultado do teste para Umberto e que Tommy em breve receberá ligações dos Cabrones. E não demora: no dia seguinte, Tommy já era chamado para o Café Robina. Entretanto, Umberto não estava lá.

 Um cafezito por favor, Alberto... – Tommy pede ao dono da lanchonete.

 No problema, Tommy... – Alberto prepara o café.

 PAPI! UM GRAN PROBLEMA! – Umberto entra gritando na lanchonete, exausto.

 Umberto, meu filho, o que aconteceu? – Alberto se assusta.

 Os haitianos! Eu odeio esses haitianos! – Umberto grita – Eles mexeram comigo pela última vez! Esses... Esses haitianos! Nós vamos pegar eles! Mas precisamos de reforços! Já perdi vários hermanos lá! Amigo, você dirige bem!

 Para uma moça, né? – Tommy brinca.

 Agora não é hora para piadas! Vai, dirige para mim de novo! – Umberto se irrita – Leve meus homens até lá e vamos acabar com esses haitianos! Se eles mexeram comigo, eles mexeram com o maior garotão da cidade!

Tommy entra em um carro dos cubanos e três dos Cabrones vão com ele e indicam o caminho para chegarem aos haitianos:

 Vamos lutar como homens!

Tommy leva os cubanos até Little Haiti, onde eles se juntam a mais membros da gangue para irem de van até onde os haitianos se escondiam. Era um beco que dava acesso a uma fábrica de drogas e tudo era muito bem protegido por soldados haitianos. Um dos cubanos agradece Tommy por ter levado o reforço e pede ajuda para acabar com todos. Tommy adorava uma ação, então leva a van até o beco e sai com seu fuzil para se juntar aos cubanos. O tiroteio começa e no beco há um carro atravessado servindo de proteção para os soldados. Mas os cubanos não eram a maior gangue da cidade por sorte e sim por competência, então logo tratam de lançar granadas na direção dos haitianos. Enquanto as bombas explodiam, outros cubanos matavam haitianos em cima de prédios ao redor com snipers. Era uma operação de limpeza da área para a tomada de um dos maiores pontos da gangue rival. Três cubanos avançam pelo beco e são atingidos por disparos fatais de mais snipers, desta vez de um haitiano no telhado da fábrica.

 Sniper no telhado! Eles lutam como moças! Se protejam! – um dos Cabrones grita enquanto liga para Umberto – Precisamos de reforços da lanchonete! Peguem aquele sniper covarde!

Todos os tiros dos cubanos se concentram no telhado da fábrica. O haitiano despenca de quinze metros de altura, já morto. Os cubanos esperam alguns minutos até um carro com mais cinco deles chegarem. Os haitianos estavam todos entocados na fábrica, portanto deveria haver um bom número de soldados lá dentro. Enquanto os cubanos iam avançando, haitianos apareciam esporadicamente na rua para tentar fazer uma proteção, sem sucesso. Apesar de serem considerados soldados, eram amadores, não possuíam o treinamento de combate que os Cabrones possuíam, portanto logo padeceram. Ainda no combate, um dos cubanos disse a Tommy para roubar uma van que estava no estacionamento da fábrica. Os haitianos deixavam suas drogas lá. Tommy rapidamente corre e entra na van. Ele leva toda a droga para Robina em Little Havana.

Ao fim daquele dia, Tommy recebe uma ligação em seu próprio telefone. Pensou que poderia ser Kent Paul, já bêbado, insistindo para ele ir ao Malibu para a informação grandiosa que receberia, mas não era o inglês e sim uma mulher com um fortíssimo sotaque latino misturado com francês que falava:

 Tommy, vários homens mortos estão falando sobre você, meu querido. Achei que você precisaria de algo para sentir-se melhor. Então a Tia Poulet vai te preparar uma sopa, ok? Venha à minha cozinha alguma hora, ok, Tommy?

A serenidade e o mistério na fala daquela mulher pela primeira vez assustou Tommy em todo aquele período em Vice City. Ele sentiu sua espinha gelar ao fim do recado. Logo associou tudo. Se vários homens mortos falavam sobre ele, deveriam ser os haitianos mortos naquele dia. Ir até essa Tia Poulet misteriosa seria entrar no terreno do inimigo. Tommy não faria isso. Portanto, pegou sua moto, saiu de seu hotel e tinha a intenção de ir ao Malibu encontrar Kent Paul. Mas do segundo que desligou o telefone até o momento em que subiu em sua moto, Tommy não conseguiu se livrar do frio na espinha que aquela mulher tinha lhe passado. E se decidiu. Talvez fosse um grande erro, mas ele iria até a Tia Poulet.


Já em Little Haiti, às onze da noite, Tommy, de capacete pra proteger seu rosto, procura algum haitiano sozinho pelas ruas, pois caso a ligação fosse uma emboscada, seria mais fácil de escapar. Após rodar por alguns minutos, um haitiano é visto sentado em um banco. Tommy se aproxima e tira sua pistola já apontando para o homem e perguntando onde morava a Tia Poulet. O homem pede calma e aponta para um conjunto de casas velhas ao fim da rua.

Tia Poulet era uma idosa de oitenta e seis anos nascida em Port-au-Prince com incrível aparência jovem, não aparentando ter mais do que cinquenta anos. Era a fundadora e matriarca da gangue haitiana de Vice City, que atuava na cidade desde o início dos anos trinta, além do próprio bairro de Little Haiti, que no fim dos anos setenta e oitenta foi dominado pelos Cholos mexicanos até serem erradicados por Vic Vance e os Cabrones em 1984. Tia Poulet era obesa, alta e usava um largo vestido e um pano na cabeça amarelos. Era especialista em poções e vudu, praticamente uma feiticeira.

 Olá? Olá? – Tommy entra na primeira casa do conjunto, que está com a porta aberta e tudo escuro.

 Entre, meu querido, e descanse sua alma... – Tia Poulet acende as luzes enquanto prepara um chá em um fogão velho – Você deve ser o grande homem mau que meu vovô sempre fala. Ele me diz coisas sobre você, sabe, quando ele me visita, e também sobre os outros que aguardam por você. Nós estamos mortos há muito tempo, mas você, eu não queria estar na sua pele, hahaha!

 Eu recebi uma mensagem para vir aqui... – Tommy diz confuso enquanto aceita o chá que a velha oferece.

 Você ouve eles? Eles estão chamando seu nome, garoto, devem querer muito a sua presença, você não acha? – Poulet diz – Agora você irá fazer um favor para a Tia Poulet, hein, talvez ela te ajude. Talvez ela te dê um pequeno amuleto Juju depois de tudo. Dar a você uma magia para meter medo nos homens da lei, hein?

 Olha, isso tudo está bem... Me dar o que!? Acho que eu bati na porta errada... – Tommy não percebe, mas está completamente alterado pelo chá que está tomando, que, na verdade, era uma poção, o fazendo falar arrastando as palavras.

 Shhh, me faça essas coisas, Tommy... – Tia Poulet se levanta, põe a mão na cabeça de Tommy e lhe fala aos ouvidos – Os cubanos nojentos, orgulhosos e convencidos estão fazendo meus adoráveis garotos haitianos baterem cabeça. Agora eles disseram para a polícia onde eu estou guardando meus pós. Eles acham que são drogas, são estúpidos. Agora seja um bom garoto, Tommy, e vá buscar os pós para a Tia Poulet...

 – Sim, claro, claro... – Tommy está enfeitiçado pelo chá misterioso que tomou.

Ao sair da casa velha, Tommy se sente estranhíssimo. Não conseguia pensar no que estava fazendo. Apenas tinha várias intuições pipocando em sua cabeça. E essas intuições lhe diziam locais onde havia sacolas escondidas. Tommy sobe em sua moto e segue em um caminho fixo, sua mente o guiava. Ele anda por algumas ruas e se aproxima de um pequeno prédio com uma escada de acesso ao telhado. Lá havia uma sacola com várias cápsulas que continham pós de várias cores. Mas assim que Tommy pega a sacola, um policial aparece no telhado do prédio ao lado mandando Tommy não se mexer. Mas ele sai correndo e desce as escadas em direção à rua, indo a um novo caminho que sua mente lhe dizia para seguir, esquecendo sua moto ao lado do prédio. Nesse momento, inúmeras viaturas de polícia começam a perseguir Tommy, que fugia a pé. Ele pula muros de casas velhas e alcança outra sacola com cápsulas. E aí mais uma visão aparece para Tommy lhe dizendo onde mais uma sacola estaria e que dessa vez era bem mais longe. Tommy percorre o bairro por cinco minutos com viaturas e até um helicóptero da polícia em sua cola e encontra a terceira sacola. Com as três sacolas na mão, ele decide voltar para a casa da Tia Poulet. Mas quando abre a porta da casa para entregar os pós da velha, tudo fica escuro para Tommy e um som agudo lhe perfura os ouvidos. Quando o som passa, Tommy abre os olhos e está deitado em sua cama no quarto de hotel que morava. Ele demora alguns segundos tentando compreender o que estava acontecendo. Sem sucesso. Uma forte dor atrás da cabeça o atinge quando ele se levanta. Ele estava do outro lado da cidade sendo perseguido pela polícia e, num piscar de olhos, estava em seu hotel. Quando olha pela janela, vê sua moto estacionada em frente à praia, exatamente no mesmo lugar que sempre a estacionava. A forte dor de cabeça e uma inexplicável fadiga corporal levam Tommy novamente à cama. Mas ele não dormiu aquela noite. Será que tudo tinha sido um sonho?

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Vice City - Parte 9


No meio da ansiedade do início da nova guerra de gangues pela cidade, Tommy recebe uma ligação no telefone de Leo Teal. Ele vai até o telefone público do shopping e atende na hora marcada. O russo diz:

 – Uma gangue europeia está planejando assaltar um banco em Vice City. Meus sócios não querem que isso aconteça. Todos os membros dessa gangue estão disfarçados aqui pela cidade. Alguns estão trabalhando e outros estão de folga. Todos os alvos e tudo sobre eles está anexo ao telefone.

Tommy pega um papel e vê seis nomes escritos, cada um com local de trabalho, descrição física e moradia. Também havia no papel a localização de uma sniper para tiros a distância. E Tommy iria precisar, pois o primeiro nome da lista era de Mike Griffin, um homem de aproximadamente quarenta e cinco anos, robusto e barbudo que trabalhava colando propagandas em outdoores em Washington Beach. E lá Tommy encontra o homem fazendo seu trabalho de capacete amarelo. O tiro sai de dentro do carro e acerta as costas de Mike, perfurando seu coração. Tommy sai em disparada para o novo alvo, que era Dick Tanner, um homem com características físicas bem parecidas com seu finado colega, mas que trabalhava como segurança para a DBP Security, a maior empresa de segurança do país na época. No papel dizia que Dick costumava ficar dentro de um dos carros-fortes com a porta aberta no estacionamento da empresa. Tommy se aproxima da DBP e sobe pelas escadas de emergência de um prédio ao lado da empresa. De lá, tem uma visão ampla do estacionamento e vê Dick relaxando dentro do carro-forte ouvindo música. Aquela foi a última música que ele ouviu. Tommy acertou sua cabeça em cheio. O próximo alvo era uma dupla de folga: Marcus Hammond e Franco Carter, dois primos que dividiam uma mesma mulher na cidade. Eles sempre estavam no apartamento dela, em frente a uma joalheria em Vice Point. Tommy aguarda algumas horas na frente da loja e vê uma caminhonete igual à descrita em seu papel. Marcus dirigia e Franco estava no banco do carona. Assim que estacionam, os dois são surpreendidos pela morte instantânea ao serem atingidos por uma só bala da sniper de Tommy, que atravessou a cabeça dos dois. O próximo alvo seria o mais fácil, pois Nick Kong morava em seu barco e costumava ficar tranquilamente tomando sol próximo ao píer de seu bairro. Tommy o matou rindo de sua imaturidade. O último da lista era Charlie Dilson, classificado como o líder da gangue e o mais sagaz de todos, além de ser o mais velho dos seis. Ele tinha uma casa perto da praia e sempre saía para comprar mantimentos no mesmo horário todos os dias. Tommy aguarda em frente a casa de Charlie e o vê saindo com sua moto. Ele aponta a arma para Charlie, mas é visto. Charlie acelera sua moto e Tommy erra o tiro. Uma perseguição se inicia pela praia e Charlie costura o trânsito intenso com sua moto em alta velocidade, com Tommy na sua cola. Mas com poucos minutos de perseguição, Charlie é fechado bruscamente por um carro que fazia a curva para a esquerda e tem seu corpo cortado ao meio pelo violento impacto da batida. Tommy passa direto ao ver pernas e tronco separados por cinco metros de distância. Mais um trabalho supostamente feito com maestria por Leo Teal.

Tommy é chamado por Ricardo Díaz para comparecer à mansão. Logo ele chega e encontra o colombiano gritando furiosamente na sala de estar, chegando a atirar em seu videocassete, que era com quem ele estava brigando:

 Ejeta! Ejeta, seu pedaço de plástico idiota! Você não vai fazer isso!? Quem você pensa que é? Vai se ferrar! Você comeu meu filme favorito do El Burro, você tem que morrer! O que mais eu posso fazer?

 Talvez esteja desligado da tomada... – Tommy diz.

 O que? – Díaz diz e vê a tomada desligada – Merda... Não importa. Posso comprar cem desses. Olha só, Tommy, todo mês um freelancer veleja aqui por Vice City e ancora seu iate. Ele vende a mercadoria para o primeiro barco que aparece. Quero que você pegue minha lancha, chegue na frente de todos os merdões e traga a mercadoria para mim, ok?


Aquele deveria, em tese, ser um trabalho fácil de se executar, mas como em qualquer coisa que envolvesse drogas naquela cidade, havia armas e criminosos por perto, que fariam qualquer coisa para ganhar dinheiro, e Tommy sabia disso. Ele busca seu fuzil em seu carro e vai para o píer da mansão para procurar o iate do tráfico. É quando tem uma surpresa: dentro do barco está Lance, sentado no banco relaxadamente.

 Deixa eu adivinhar: você achou que eu precisaria de um anjo da guarda... – Tommy diz.

 Só acho que você precisa de mim, cara... – Lance responde – Você pode continuar com essa besteira de “fodão solitário”, mas eu sei que um dia eu vou te salvar e você provavelmente vai querer me dar um beijo!

 Que nojo... – Tommy diz.

 Hahaha! – Lance sorri.

Tommy assume o volante da lancha e logo parte na direção que Lance afirma ter visto o iate, mas logo que chegam à baía, eles vêem outros barcos indo na mesma direção, então aquilo vira uma corrida. Enquanto disputam posições no mar, Lance aproveita o tempo para falar com Tommy sobre seus planos:

 Então, Tommy. Nós já sabemos que foi Díaz que arruinou nosso acordo. Por que a gente continua fazendo trabalhos para ele?

 Quanto mais coisas ficarmos sabendo agora, menos coisas teremos que aprender depois de tomarmos essa cidade... – Tommy sabiamente diz.

 Gosto do seu estilo, cara. Bem moderno! – Lance se empolga, saca sua metralhadora e começa a atirar nos outros barcos que se aproximavam – É hora da Lance Vance Dance!

Tommy chega com o barco primeiro ao iate do traficante e mostra rapidamente uma mala cheia de dólares para o homem, que joga vários sacos brancos na lancha após receber a mala das mãos de Lance. Mas agora viria a pior parte. Com a mercadoria na lancha e após terem disparado contra os competidores, o troco havia chegado, e quente. Vários barcos foram atrás da lancha atirando, e Lance dessa vez assume o volante e Tommy faz a segurança, atirando de volta em quem atirava contra eles. Até um pequeno helicóptero se aproxima da lancha atirando e Tommy consegue atirar na hélice traseira da pequena aeronave, a fazendo girar e cair no mar. Rapidamente Tommy e Lance se aproximam da mansão de Díaz e seus homens ajudam os dois a enfrentarem os barcos perseguidores atirando do píer. Isso os afasta e Tommy finalmente entrega a mercadoria para os colombianos.

 Boa mira, meu amigo. Você é um verdadeiro lunático classe A! – Lance diz.

 Obrigado... – Tommy responde.

 Te vejo por aí, Tommy! – Lance diz e vai embora da mansão em seu carro.

 Ok, senhor Lance Vance Dance! – Tommy brinca.

Naquela noite, o telefone de Leo Teal tocou. Tommy atendeu e uma voz grossa e com sotaque latino estava do outro lado.

 Ei, Leo! Eu tenho um trabalho para você! – o homem latino diz.

 Aqui não é Leo... – Tommy se vê seguro para responder, já que não era o russo.

 Ei, se o Leo souber que você tá com o telefone dele, ele vai te matar! – o homem diz.

 Talvez Leo já esteja morto. Talvez eu o matei e peguei o telefone dele. O que você acha disso, seu imbecil? – Tommy diz.

 Você matou Leo? Você deve ter grandes cojones! Quer trabalhar para mim? Apareça na lanchonete do meu pai em Little Havana e conversaremos mano a mano! – o homem convida.

Era uma ótima chance de Tommy conhecer mais os grandes donos da cidade, então ele se apronta para ir até Little Havana imediatamente. Mas antes de sair é interrompido por uma ligação de Lance:

 E aí, Tommy. É Lance!

 O que foi? – Tommy pergunta apressado.

 Nossa, “bom falar com você, Lance”. Fica de boa, cara! – Lance se irrita com a frieza de Tommy.

 Eu estou no meio de uma coisa. O que você quer? – agora é a vez de Tommy se irritar.

 Nada, estou só ligando. Olha, Tommy, a gente pode fazer isso! Você e eu, sem problemas! Você me entende? – Lance diz.

 A gente tem que fazer isso, caso contrário, estamos mortos, Lance! Mas ainda estamos longe por enquanto. Mas obrigado por ligar. Falo com você depois! – Tommy desliga o telefone.

Se Tommy conhecesse Lance a mais tempo do que apenas um mês, ele não agiria assim com aquele cara. Muita gente em Vice City sabia do temperamento dele e que ele não aguentava ficar isolado da ação que acontecia pelas ruas, por isso sempre estava seguindo Tommy. E sempre foi nos momentos de maior solidão que Lance agia irresponsavelmente. Foi assim em 1984 com seu irmão Vic e estava na cara de que aconteceria novamente em 1986 com Tommy.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Vice City - Parte 8


Alguns dias se passam sem novidades, até que Tommy recebe uma ligação de Cortez, que solicitava sua presença em seu barco. Ao chegar lá, Tommy é recebido com pressa.

 Díaz ficou satisfeito, ele quer te ver de novo! – Cortez diz.

 E isso é bom? – pergunta Tommy.

 Claro! Embora eu esteja começando a achar que Díaz foi responsável pela nossa lamentável perda... – Cortez confessa.

 O que te faz pensar isso? – Tommy testa o coronel.

 Ninguém faz acusações contra um homem como Díaz... – Cortez se defende – Estou apenas pensando alto. Mas não importa. Tenho uma proposta que pode te fazer lucrar muito...

 Não tenho mais tempo para esse tipo de negócio, Cortez! – Tommy interrompe, irritado.

 Penso que um homem com tantas dívidas perigosas deveria estar faminto por oportunidades. Por favor, Tommy. Pelo menos me ouça... – Cortez pede.

 Diga... – Tommy cede.

 Tenho um comprador para um equipamento militar que está sendo levado pela cidade. Pegue para mim. Quando você pegar, quero que me ligue imediatamente, aí... – Cortez diz o plano inteiro.

O equipamento militar que Cortez se referia nada mais era do que um tanque de guerra. Um comboio militar levaria o tanque até Fort Baxter Air Base, a base militar do Exército de Vice City e Tommy deveria roubá-lo dos militares. Cortez ofereceu uma gigantesca recompensa em dinheiro para Tommy para convencê-lo a fazer aquela missão praticamente suicida. Seria necessária proteção de coletes à prova de balas e artilharia pesada para combater um comboio militar, então Tommy se apodera do mais poderoso fuzil que possuía, compra um colete e granadas.

Tommy segue com seu carro repleto de armas para a orla de Little Haiti, onde o comboio passaria em direção à base militar. Logo que chega, ele vê vários caminhões militares e uma infantaria correndo ao lado do gigante tanque, que andava lentamente girando sua lagarta. Tommy estaciona seu carro na mão contrária e aguarda o comboio passar por ele, para assim atacar por trás. Os militares passam por ele e nem percebem sua presença. É quando Tommy sai do carro e começa a jogar granadas freneticamente na direção dos soldados. Elas explodem e vários da infantaria morrem na hora. Um soldado que estava no topo do tanque fica ferido e desmaia. Os caminhões militares, que estavam mais a frente, dão meia volta e avistam Tommy, que corria em direção ao tanque atirando com seu fuzil nas rodas dos veículos, fazendo-os derraparem e baterem no canteiro central da pista ou um ao outro. Tommy se aproxima e atira na cabeça do soldado desmaiado, sobe rapidamente no tanque até a entrada onde o homem estava em pé, o lança de lá e assume o controle, já que o tanque estava sem condutor e sim apenas com uma programação para andar a certa velocidade. Tommy faz aquele tanque atingir o máximo de velocidade fugindo do local, pois com certeza chegaria um imenso reforço para aquela operação de resgate.


De dentro do tanque, Tommy liga para Cortez. O coronel diz que Tommy deveria levar o veículo até uma determinada garagem ali mesmo naquele bairro. Tommy guia o tanque por algumas ruas até que chega ao ponto de referência que Cortez citou, uma loja de doces. A garagem ao lado da loja estava aberta com alguns homens fazendo sinal para que Tommy entrasse. O tanque é escondido naquela garagem e os militares nunca saberiam para onde o veículo tinha ido, pois moradores de bairros pobres da cidade nunca viam nada, nunca ouviam nada. Praticamente não tinham nenhum dos cinco sentidos, pois se tivessem, morreriam. O dinheiro entra na conta do italiano imediatamente.

Mais tarde, Tommy aproveita que estava próximo à casa de Díaz e lhe faz mais uma visita. O traficante estava na parte de trás de sua casa atirando em pássaros com uma espingarda.

 Vocês não estão felizes agora, hein! Hahahaha! – Díaz diz aos pássaros depois de atirar e vira a espingarda para Tommy.

 Uou! Olha para onde você aponta isso! – Tommy se afasta.

 Nenhum pombo vai cagar no meu carro mais, hein Tommy! Hahaha! – Díaz brinca.

 Acho que não! – Tommy se irrita.

– Você está certo! Agora escuta! Você sabe quem é o dono do barco mais rápido na costa leste? – Díaz pergunta.

 Não tenho ideia, não... – Tommy responde.

 Eu! E eu quero que continue assim. Todo bandido daqui até Caracas tem um sonho: um barco rápido! Estão dizendo que fizeram no estaleiro quase um cargueiro para algum idiota costarriquenho. E Tommy, EU QUERO AQUELE BARCO! – Díaz ordena e volta a ficar irritado atirando em mais pássaros – Ah! Eu achei que tinha acabado com vocês, de onde vocês vieram!? Seus pombos, aaaah!

 Acho que os pombos voltaram... – Tommy diz já indo embora.

O estaleiro ficava ao lado do porto da cidade, em Viceport. Tommy chega ao local e vê que não há muita segurança, apenas alguns homens armados protegendo o barco, que era uma lancha amarela. De longe, Tommy atira nos quatro seguranças e se aproxima da lancha, que estava pendurada em um guindaste em cima da água. Seria necessário colocar o barco no mar para fugir. Tommy então vai até o estaleiro e rende os trabalhadores de lá, gritando para dizerem em que lugar estavam as chaves do barco e irem embora imediatamente. Eles obedecem e Tommy puxa a alavanca do guindaste. O barco vai para água e Tommy o liga com a chave. A lancha era incrivelmente rápida, Tommy fica impressionado. Ele a leva até a parte de trás da mansão de Díaz, onde havia docas, sem problemas. Entrega as chaves para um dos soldados do latino e diz que tinha feito o que havia sido mandado. Díaz fica muito feliz com o presente e satisfeito com o trabalho de Tommy. E o mais importante: confiante de que tinha um belo soldado em seu exército, totalmente confiável. O que, na verdade, não era nada disso.

Tommy fica sabendo nas ruas que Avery Carrington estava de volta à cidade. Decide fazer uma visita ao parceiro apesar da situação estar totalmente diferente de quando os dois se conheceram, a fumaça que encobria os olhos de Tommy sobre o roubo da droga já havia desaparecido. Mas mesmo assim valeria a pena continuar o contato com Avery para negócios futuros. Os seguranças do prédio em construção da construtora recebem Tommy e ele é recebido na limousine, mas Avery não estava sozinho.

 Tommy, este é Donald Love. Donald, este é Tommy Vercetti, o mais rápido gatilho a aparecer por aí! – Avery apresenta Tommy a Donald Love, um homem de terno e gravata, grandes óculos de grau e uma grande cara de bobo, era o novo assistente do caipira, apenas anotando tudo que o mestre falava – Donald, cala a boca e escuta! Talvez você aprenda alguma coisa! Olha só, nada abaixa mais o preço de terrenos do que uma boa e velha guerra de gangues. Exceto um desastre, ou alguma praga bíblica, mas isso está muito longe de acontecer. Você está entendendo, seu quatro-olhos idiota? Recentemente um líder da gangue dos haitianos morreu. Aparentemente os cubanos fizeram isso, ninguém sabe ao certo. Mas vamos fazer eles saberem! Tommy, você vai se fantasiar como um hombre cubano e vai até o funeral para detonar tudo! Faça uma confusão e deixe eles virem atrás. Você está anotando, Donald? Então vamos colocar o lobo dentro do galinheiro! Enquanto isso vamos ficar sentados vendo os preços desabarem!

Tommy já tinha sentido a violência dos haitianos quando foi proteger os negócios de Díaz há alguns dias atrás. Mas poderia ter sido exatamente ele que havia matado um dos líderes dos haitianos, provavelmente era alguns dos motoqueiros que foram baleados após roubarem a mala. Seria arriscado se vestir de cubano e se aproximar de um reduto de haitianos, ainda mais naquele momento, mas Tommy adorava um bom risco e gostava do jeito de comandar os negócios que Avery tinha. Então decidiu ir até uma loja de roupas em Little Havana e se vestir o mais parecido possível com os Cabrones: calça jeans, camisa branca e faixa vermelha na cabeça. Ele vai com seu carro até a Romero’s Funerals, a maior funerária da cidade, ainda sem a roupa de cubano, e pergunta qual seria o local que estaria acontecendo o velório do haitiano. O dono da funerária diz que é ao lado da pizzaria de Little Haiti. É para lá que Tommy vai, agora já de cubano. Ele se aproxima lentamente na rua da pizzaria e vê vários haitianos em frente a uma pequena casa. Tommy pega seu fuzil e atira impiedosamente contra todos, fazendo questão de ficar com a cabeça bem próxima à janela do carro, para que todos os haitianos vissem a faixa vermelha em sua cabeça. Quatros homens caem baleados, e quando os homens armados atiram no carro de Tommy, ele já está longe. Aquela seria uma guerra entre cubanos e haitianos que já estava para estourar há alguns meses, por isso o ataque dos haitianos nos negócios de Díaz com os Cabrones, que estavam tramando um plano de reação. Mas Tommy Vercetti antecipou o contra-ataque para o benefício de Avery Carrington. Agora os donos da periferia de Vice City estavam “quites”. Era hora de Vice City voltar a ver o que via diariamente em 1984: caos latino.