quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Veja o final de GTA Vice City de uma forma especial!

Galera, a parte 19 foi última parte do GTA Vice City postada no site. O final da história, assim como de toda a saga sobre Vice City durante a série, vocês saberão em um novo lançamento de ebook que realizaremos nos próximos dias!

Iremos preparar novamente um ótimo livro eletrônico com a história de GTA Vice City, que, assim como o ebook de GTA Vice City Stories, terá o preço de R$ 5,00. A venda será feita através da fanpage. Quem já estiver interessado em fazer uma pré-encomenda, já pode entrar em contato inbox em nossa página, iremos discutir os procedimentos de pagamento e envio online.

Se você também quiser comprar o ebook de GTA Vice City Stories, entre em contato com a fanpage e também peça. Assim você terá finalizada toda a saga Vice City do Grand Theft Auto: A História Completa.


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Vice City - Parte 19


Uma semana se passou e Tommy percebeu que investir em comércios de fachada era um ótimo negócio para sua organização. Os lucros da sorveteria foram imensos com o investimento feito em mais carros de “sorvete” e o aumento significativo da clientela. A hora de expandir o mercado de drogas e influências era aquela e o novo dono da cidade já tinha outro comércio na mira. A Kaufman Cabs era uma empresa de táxis que ficava em Little Haiti. Se instalou na cidade em 1985 e não era a maior. A Vice City Cabs era a maior empresa, com uma frota mais numerosa e carros mais modernos. Mas Tommy gostava de levantar quem estava embaixo, e a Kaufman Cabs não estava muito bem naquele momento, além de estar desvalorizada. Ele entra em contato com o dono da empresa, Jack Kaufman, e a compra por um valor baixíssimo, apenas quarenta mil dólares, pois a venda era a única saída para a falência.

Como a empresa ficava em um grande prédio amarelo em Little Haiti, bairro que Tommy havia sido proibido de estar por Tia Poulet, ele vai visitar a empresa acompanhado por três seguranças para se apresentar a seus novos funcionários. Na garagem havia alguns carros e motoristas, além de uma salinha para uma senhora informar via rádio sobre novas corridas. Tommy vai até a despachante.

 Acho que você é o novo dono... – diz Delores, uma senhora de aproximadamente sessenta anos, cabelos brancos presos, óculos de grau e agasalho, sentada em frente a um microfone – Você é de onde? Máfia? Cartel? Você não parece mexicano. De qualquer forma, é melhor você começar logo com aquela merda de “as coisas vão começar a mudar por aqui”, talvez ameaçar um dos motoristas. Vá direto no Ted ali, ele acabou de se curar de uma hérnia.

 Sim, claro... – Tommy olha para Ted, um dos taxistas, que era gordinho, de bigode e chapéu, arrumando o porta-malas de um dos carros – As coisas vão mudar por aqui, senhora.

–  Ah, não, filho. Deixa isso comigo, eu já faço isso há anos... – Delores puxa o microfone para falar com os funcionários – “Todos ouvindo, por favor! Estamos sob nova direção e as coisas irão mudar por aqui novamente. Nosso novo diretor aqui, o...” De que gangue você é mesmo?

 Bom, eu não faço parte de nenhuma gangue, na verdade... – Tommy diz.

 Me fala a merda do seu nome, garoto! – Delores se irrita.

 Vercetti! Tommy Vercetti! – Tommy diz.

 “Nossa nova direção, a Vercetti Gang, vai fiscalizar tudo para que não tenhamos problemas. Capiche? Agora vão!”  – Delores volta a usar o microfone – Gostou do “capiche”? Eu gosto do “capiche”. As coisas eram assim no passado: a gente comanda a empresa normalmente, se nós tivermos algum problema com empresas rivais, a gente detona eles, aí eles detonam a gente, a gente detona eles, etc, etc. Entendeu?

 Sim, acho que sim... – Tommy responde.

 Pegue um dos carros se você quiser experimentar... – Delores sugere.

Tommy anda pela garagem para conhecer os carros, que eram todos do modelo Glendale ano 1968, carros ridículos se comparados aos Sentinels ano 1984 da Vice City Cabs. Quando estava dentro de um dos carros, Tommy ouve Delores falar pelo rádio:

 Ok, nós temos um cliente da alta sociedade esperando ser buscado em Starfish Island. Alguém livre?

 Tommy aqui, eu busco! – Tommy responde no rádio, surpreendendo a todos.

O dono da empresa sai com um táxi para buscar o cliente. Realmente as coisas mudariam ali, era o que pensavam os funcionários. Tommy recebe as informações sobre o cliente por Delores via rádio e se aproxima de uma das mansões de Starfish Island, em frente à dele. O cliente milionário aguardava em seu jardim e quando vê o táxi da Kaufman Cabs começa a caminhar em direção ao portão. De repente um táxi da Vice City Cabs surge subindo a calçada da mansão para pegar o cliente.

 Esse cliente é meu! Sai fora, cuzão! – diz o taxista.

O cliente entra no táxi da Vice City Cabs, que sai em disparada. Tommy começou a compreender como funcionava o jogo das empresas de táxi da cidade. Mas aquele taxista provavelmente não sabia que a Kaufman Cabs tinha um novo dono casca-grossa e que quem dirigia era o próprio. Tommy vai atrás do táxi que roubou seu cliente e atira em seus pneus, o fazendo rodar antes mesmo de sair da ponte de Starfish Island. O cliente milionário abre a porta do táxi desesperadamente e fica sem saber o que fazer.

 Vem! Vem! Entra, rápido! – Tommy grita para o homem ao parar seu táxi ao lado.

 Ok, ok! Só não me machuque! – o homem entra no carro.

O homem diz que apenas queria ir ao aeroporto. Tommy o leva até lá olhando por todo caminho se não haveria táxis de outras empresas querendo fazer o mesmo que ele tinha acabado de fazer com o táxi da Vice City Cabs. O cliente chega ao aeroporto em segurança e dá mil dólares a Tommy, talvez pelo medo, talvez por ter sido salvo de uma guerra de taxistas.

Enquanto voltava para a empresa, Tommy ouve no rádio a ira de Delores, que reclamava sobre a moleza de seus motoristas:

 Chamando todos os carros! Estamos perdendo clientes pela cidade inteira! O que há com vocês!?

 A Vice City Cabs continua dando uma surra em nós! Eles tem muitos carros, não tem como competir! – Ted, o taxista que Delores comentou anteriormente, responde via rádio.

 Senhor Vercetti... Se estiver ouvindo aí, é melhor colocar alguns carros da Vice City Cabs para fora do mercado antes que a gente decrete falência! – Delores diz.

Tommy não fala nada, decide fazer seu papel como responsável pela empresa em silêncio. Andando por Little Havana, já vê um dos táxis da empresa rival. Ele fecha o táxi no meio da rua e sai do carro sacando sua metralhadora. O taxista tenta fugir mas tem seu carro atingido por uma rajada de tiros. Gasolina começa a vazar aos montes e o homem sai correndo para não ser vítima de uma possível explosão. Já na praia, outro veículo da Vice City Cabs é vítima de Tommy. Ele dirige ao lado do táxi rival e atira, mas desta vez não no carro, e sim no motorista. O tiro atinge a cabeça do taxista, que morre na hora. Seu táxi perde a direção e vai direto para o mar, afundando. O terceiro e último táxi que Tommy tiraria das ruas estava no centro da cidade. E para isso, Tommy usa uma isca. Ele vai até o Café Robina e dá cem dólares para algum cubano pagar uma corrida com algum táxi da Vice City Cabs, matar o taxista e atear fogo no carro. O cubano é levado até o centro e lá faz sinal para o táxi parar. Ele entra e diz que quer ir para seu bairro, Little Havana. Lá chegando ele saca sua pistola e atira na nuca do taxista. Seus parceiros de gangue o ajudam a jogar um balde de gasolina no carro e atear fogo. Mais um rival havia sido eliminado.

A adrenalina de participar do dia daquela empresa desvalorizada renascendo fez bem a Tommy. Apesar de ser o novo dono, ele achou legal passar toda a tarde trabalhando em prol da empresa, ainda mais pelo motivo do mercado de táxis da cidade ser uma adaptação da vida que o próprio Tommy vivia. Em resumo, tudo era máfia.


Tommy passou o resto da tarde e a noite na empresa, conversando com Delores e os taxistas que ficavam disponíveis momentaneamente. Falou sobre sua vida, sobre o que passou para chegar onde estava, etc. Estava se sentindo muito bem, afinal era mais um motivo para não ter que ficar em casa resolvendo problemas que pagava a seus empregados para resolverem. Às dez da noite, coincidentemente, uma conhecida de Tommy, que estava sentado em um táxi, liga para a empresa pedindo seu serviço.

 Carro treze, temos um chamado da senhorita Cortez especialmente para você... – Delores diz.

 Ok, entendi! Carro treze saindo! – Tommy responde.

Delores passa o endereço que Mercedes se referiu na ligação. Era em Viceport, em frente ao antigo apartamento de Phil Cassidy, que havia se mudado dali e levado seu salão de tiro. Tommy não estranhou, afinal Mercedes era uma prostituta e poderia estar em qualquer lugar da cidade naquela noite pelo preço certo. Mas ao se aproximar do local, Tommy foi se dando conta de que era a primeira vez que voltava no exato local onde sua vida tinha mudado para sempre. Foi ali que o atentado contra ele aconteceu. Mas como era um cara totalmente frio, ele não se abalou e entrou com o carro pelo mesmo portão aberto que Ken Rosenberg entrou com ele, Harry e Lee naquele dia.

Estava escuro e totalmente deserto naquele ponto de Viceport. Só se ouvia o barulho das ondas do mar ao lado. Tommy desliga seu táxi e olha ao redor procurando Mercedes, mas ela definitivamente não estava ali.

 Humm... Nenhum sinal da Mercedes... – Tommy estranha.

Quando ia pegar o rádio para conferir o endereço com Delores, Tommy é surpreendido. Uma tropa de seis táxis da Vice City Cabs entram em fila indiana pelo mesmo portão que Tommy passou. Rapidamente fazem um cerco ao táxi de Tommy. Claramente era uma vingança pela morte dos dois motoristas da empresa naquela tarde. Sempre armado, Tommy pega sua metralhadora. Mas se todos ali estivessem armados, era o fim. Tommy morreria no mesmo local onde sobreviveu ao pior momento de sua vida. Pela primeira vez em Vice City, ele se sentiu impotente, pronto para morrer. Os táxis rivais começam a ir para cima do carro de Tommy, que sai em disparada arranhando seu táxi pelo muro para escapar em direção ao portão. Mas lá havia outros dois táxis bloqueando a passagem. Como o local era grande, Tommy começa a rodar em alta velocidade para fugir dos seis táxis, que corriam atrás dele, mas não faziam nada, pareciam apenas querer assustá-lo. De repente, todos param. Aparentemente haviam recebido uma mensagem simultânea. Eis que surge no portão um táxi totalmente único, amarelo com grandes listras pretas. Estava escrito “Zebra Cab” em sua traseira. Era simplesmente o dono da Vice City Cabs em seu carro especial, que ao passar do portão, grita:

 Está na hora do anjo da guarda da Kaufman Cabs comer o próprio para-lama!

O taxista estava sedento por vingança. Tommy espertamente sai de seu carro e se aproxima calmamente do limite entre terra firme e mar, que tinha suas ondas batendo a uns quatro metros de altura abaixo de onde estava acontecendo toda a ação naquela noite. O dono da Vice City Cabs acelera com toda sua força o carro em direção a Tommy. Provavelmente estava cego de ódio, pois não percebeu que atrás de seu inimigo só havia uma grande queda para o mar. Tommy calmamente aguarda seu inimigo chegar com o carro até certo ponto onde não poderia mais fazer a curva e evitar a queda devido a grande velocidade. Tudo se passava em câmera lenta na gelada cabeça do italiano. Tommy corre para o lado esquerdo, saindo da direção do táxi, e o taxista se dá conta pela primeira vez que estava indo direto para a queda, e já era tarde demais para curvar. Ele se joga do táxi pouco antes do veículo voar em direção ao mar. O dono da maior empresa rival da nova Kaufman Cabs fica de joelhos em frente a Tommy, que não hesita em matá-lo com um tiro na cabeça na frente de todos os seus funcionários. Aquele ato não foi só a confirmação do domínio de sua nova empresa no ramo de táxis da cidade e sim um ato simbólico, que mostrava para todos os funcionários da Vice City Cabs o local e para quem eles deveriam trabalhar. Um silêncio toma conta do lugar. Tommy se volta para os oito taxistas que acompanhavam seu ex-chefe e pergunta se queriam ter o mesmo fim. Todos negam. Então Tommy os obriga a jogarem seus táxis no mar e comparecerem no dia seguinte à garagem da Kaufman Cabs, pois seriam os novos motoristas da empresa. Ele volta para a empresa para deixar o carro para os funcionários do turno noturno trabalharem. E volta para casa pensando no fato de ter escapado de duas tentativas de assassinato naquele mesmo local. Definitivamente não queria voltar lá e arriscar uma terceira.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Vice City - Parte 18


De volta à sua rotina normal, Tommy assume novamente o posto de chefe de uma organização gigantesca. Volta a aprovar e desaprovar acordos por drogas que chegavam à cidade, dar comandos para que problemas variados se resolvessem. Mas algo inesperado também volta: as ligações para Leo Teal. Era uma noite de terça-feira quando ele recebeu uma ligação o avisando para ir até o telefone público do aeroporto imediatamente. Se antes Tommy fazia aqueles serviços para ter pistas sobre quem roubou a grana dos Forellis, agora ele aproveitaria para descobrir quem estava por trás daquelas ligações, quem era aquele russo e qual era sua organização criminosa.

Ao chegar ao aeroporto, Tommy se lembra do dia em que chegou a Vice City. Mal imaginava que voltaria ali praticamente como dono da cidade poucos meses depois. Ele aguarda até um horário redondo e o telefone público do saguão toca.

 É hora de fritar peixes maiores, senhor Teal. Há um rifle escondido entre as plantas à sua direita... – o russo diz – Observe a mulher que está na varanda acima das mesas de check-in. Ela caminhará pelo povo e perguntará as horas a uma pessoa. Você deve matar esta pessoa, pegar a mala que estará com ela e levar para o local descrito embaixo do telefone.

A ligação termina e Tommy olha rapidamente para uma mulher olhando para ele na varanda do segundo andar do saguão. Ela era morena, usava óculos, cabelo preso e roupa social. Não era nada bom ter uma segunda pessoa envolvida vendo as características do “Leo Teal” que Tommy se passava, pois o verdadeiro tinha características físicas totalmente diferentes. Qualquer contato da mulher com a organização arruinaria os planos de Tommy. Ela não sobreviveria com “aquele” Leo Teal ali.

Tommy vai até o vaso decorativo com várias plantas grandes ao seu lado e encontra uma sniper cheia de balas. A mulher vê Tommy se posicionar para atirar escondido entre os arbustos e desce do segundo andar por uma das escadas rolantes. Ela vai em direção a um homem idoso de terno que estava acompanhado por um mais novo, possivelmente seu segurança. Parecia ser um homem poderoso. Tommy logo entende a ideia da mulher para a aproximação, talvez fosse o único gênero sexual autorizado a se aproximar. A mulher se aproxima sensualmente do idoso e lhe pergunta as horas. O homem saca seu relógio de pulso caríssimo e a responde. Era a confirmação. Tommy rapidamente mira na cabeça do idoso e atira. A bala faz o crânio explodir. A mulher logo sai correndo em direção à rua, mas é alvejada pelas costas pelo segurança do homem com cinco tiros, que provavelmente achou que os tiros haviam vindo dela. Mais um problema resolvido, Tommy pensou. O segundo tiro da sniper teve como destino a cabeça do segurança. A explosão de miolos foi a mesma da anterior. Nesse momento, o aeroporto já estava em caos, com uma correria e desespero gigantescos. Tommy deixa a sniper nas plantas e se aproxima calmamente dos corpos mortos no aeroporto. Até aquele momento, poucos segundos depois, nenhum policial ou segurança havia chegado até o centro do tiroteio. Tommy pega a maleta do idoso e sai tranquilamente em direção ao seu carro. Ele tinha um endereço descrito para seguir em um papel que estava junto ao telefone público. E o caminho levava até a Ammu-Nation do centro da cidade, aquela em frente ao esconderijo dos Sharks. Pelo destino final da maleta, ficou nas entrelinhas que o idoso morto teria alguma relação com armas, sendo assim de interesse do russo possivelmente alguma arma ou documento naquela mala.

Saindo do aeroporto com seu carro, por Tommy passavam numerosas viaturas policiais no sentido contrário. Provavelmente câmeras de segurança teriam gravado a ação de Tommy, mas ele não se preocupou, pois toda a polícia da cidade sabia quem ele era e o procurava. Além disso, o único crime que poderiam acusá-lo de cometer era de furto da maleta, pois Tommy verificou que o local que ele se posicionou para atirar era um ponto-cego, nenhuma câmera de segurança filmava aquele exato espaço. Mas com certeza o russo teria acesso às imagens e veria que não era Leo Teal fazendo suas missões. Relacionando com a conta bancária parada do cozinheiro, sem a retirada dos pagamentos pelos trabalhos realizados, seria fácil deduzir que Tommy Vercetti fazia todo o trabalho.


Se o último contato do russo havia demorado em chegar, o próximo veio apenas um dia depois. O mesmo protocolo seria seguido: Tommy deveria ir até outro telefone público, desta vez seria o telefone próximo a uma grande sorveteria chamada The Cherry Popper Ice-cream Company, que ficava em Little Havanna, em frente à praia. Tommy desconfia das intenções da ligação, pois com certeza saberiam que não seria Leo Teal no local e sim o maior gangster da cidade. Portanto, Tommy chama alguns de seus homens para fazer uma segurança à distância caso algo de ruim fosse tentado. Às nove da noite em ponto, o telefone público toca e Tommy está lá para atender.

 Há um valioso acordo acontecendo no terraço da sorveteria The Cherry Popper Ice-cream Company. Mate todos os envolvidos, roube a mercadoria e leve até o heliponto do aeroporto. Há um portão à sua esquerda que leva até os fundos da sorveteria... – diz o russo.

Tommy desconfiou mais ainda, pois o nome de Leo Teal não foi citado nessas ligações pela primeira vez. Logo chamou seus soldados para entrarem na fábrica e acabarem com o acordo feito, mas com um propósito certo. Descobrir quem era o russo daquelas ligações.

Logo na entrada do portão dos fundos da sorveteria há seguranças, que quando veem Tommy e seus soldados começam a abrir fogo. Os soldados de Tommy, a maioria Cabrones, avançam com táticas de guerra, pois o novo dono da cidade não teria soldados de rua e sim um exército treinado pelos melhores profissionais que o dinheiro poderia comprar. Todos os seguranças que estavam na parte de trás da sorveteria vão caindo com os vários tiros disparados e a coluna de soldados avançando. De baixo, Tommy vê que há um helicóptero no terraço do prédio, local onde estaria acontecendo o acordo. Mas curiosamente não há nenhuma movimentação do helicóptero após os tiros começarem, o que seria óbvio, pois quem estivesse negociando lá em cima ficaria acuado e não teria para onde fugir, apenas se pulasse do prédio. Naquele momento, Tommy teve certeza de que aquilo era realmente uma emboscada.

Todos avançam pelas escadas que levam ao topo do prédio com todo o cuidado para caso quem estivesse lá contasse com seguranças ou estivessem propriamente armados. Mas estranhamente Tommy chega ao topo do prédio e não vê ninguém, apenas uma mala deixada entre duas chaminés gigantescas ao lado do helicóptero. Era exatamente a maleta que o russo queria, mas Tommy não caiu na armadilha. Atrás das chaminés estavam vários homens armados apenas esperando a aproximação de Tommy para pegar aquela maleta. Mas eles foram surpreendidos pelo cerco militar que os soldados Cabrones fizeram por trás, os rodeando e atirando, mas os deixando vivos. Por enquanto.

Tommy aguarda todas as armas serem retiradas daqueles homens e se aproxima. Pergunta para o primeiro quem havia mandado eles para lá. O homem diz que não sabia. E morre com um tiro na testa. Foi um exemplo para os outros três homens restantes. As súplicas por misericórdia começam e se ouve a pergunta mais uma vez sobre o nome do homem que mandou aqueles quatro homens para matarem Tommy Vercetti. Um dos homens diz que falaria o que sabia. E era uma história importantíssima.

Todos ali trabalhavam para um homem que ninguém sabia o verdadeiro nome e nem face. Todos o conheciam como Black, ou Sr. Black, como ele exigia que fosse chamado. Era um homem que investia em contratações de matadores para realizarem assassinatos que o ajudavam em seus negócios, cujo ramo também era desconhecido. Já Leo Teal era o maior matador da cidade, fazia serviços para todas as gangues e impérios de Vice City desde os anos sessenta, mas sempre trabalhando em um restaurante como cozinheiro para despistar a polícia sobre seus lucros. Em determinado momento dos anos oitenta, Black chegou à cidade e contratou Leo Teal para realizar serviços. Junto com Teal sempre andava Eugene, dono do restaurante em que ele trabalhava, sendo também seu namorado, os dois mantinham uma relação amorosa e profissional no mundo do crime. Havia também um homem conhecido como Moweesha, a terceira peça de um triângulo amoroso gay entre assassinos de aluguel. Até que Leo Teal foi morto e tanto Eugene quanto Moweesha fugiram da cidade temendo serem os próximos alvos.

Tommy logo fez uma associação rápida. No atentado que matou Vic Vance, Harry e Lee, havia exatamente três atiradores. Muito provavelmente eram Teal, Eugene e Moweesha. A cabeça de Tommy se confunde. Será que o responsável pelas mortes e roubos das drogas não havia sido Díaz e sim o tal Black? Essa seria a dúvida que Tommy teria de agora em diante. Ele comunica ao chefe de seus soldados para colocar todos os esforços para descobrirem quem era o homem conhecido como Black. E também ordena a execução dos três matadores capturados restantes. Cada um recebe um tiro na boca.

O que havia acontecido ali era muito significante para a trajetória de Tommy. Pela primeira vez, passava por sua cabeça que a morte de Díaz poderia ter sido por algo que ele não fez. Mas ninguém se importaria. Talvez fosse o momento de chamar Lance de volta e contar tudo o que havia sido descoberto, mas seria muito arriscado, tudo estava correndo muito bem sem ele.

Quando Tommy e sua tropa descem do prédio da sorveteria, em uma das saídas para os fundos está uma senhora idosa muito mal encarada e aparentemente sem se assustar com os corpos em seu quintal. Ela tinha aproximadamente um metro e meio de altura e usava uma bengala. Tommy se aproxima e entra na sorveteria, que já estava fechada. O nome da senhora era Maude Hanson.

 Quem é você? – Maude pergunta.

 Seu novo chefe... – Tommy diz.

 Você é agora ou já foi uma criança? – Maude pergunta novamente com uma frieza assustadora.

 Do que você está falando? – Tommy não entende.

 VOCÊ JÁ FOI UMA CRIANÇA? – Maude grita e curva seu corpo para trás.

 Sim! Calma! Você é louca? – Tommy se assusta.

 Eu sabia! Uma criança! – Maude começa a bater com a bengala no saco de Tommy – Uma criancinha suja, fedorenta, catarrenta, teimosa, melequenta e chorona! Um bebê! Um bebezinho feio, horrível e nojento! A mamãe não te ama, sua merdinha!

 Calma! – Tommy se irrita.

 Eu odeio bebês e odeio crianças! Elas são sujas, fedorentas, catarrentas, teimosas, melequentas e choronas! – Maude diz.

 Já chega! Você é louca!? – Tommy estoura – Você faz sorvete, ok? Isso é justamente para crianças! Que tipo de psicopata você é? Quero entender isso! Por que fazer crianças felizes se você odeia todas?

 Ah, seu idiota fedorento, catarrento... – Maude já estava repetindo, mas é interrompida por Tommy.

 Cala a boca! – Tommy não aguenta mais.

 Seu moleque! O sorvete é uma fachada! Nós distribuímos outros produtos, não-lácteos... – Maude diz e começa a pirar sozinha, mostrando claramente que era uma possível psicopata – E se eu vejo um garoto, faço bom uso dele. Não faço, bebezinhos? Sim, faço sim. Mamãe não ama vocês. Ela ODEIA vocês!

Tommy se afasta daquela louca e dá a ela um cheque com um valor mais do que suficiente para comprar aquela sorveteria de fachada. Lá eram vendidas drogas em carros de sorvete. Seria uma ótima forma alternativa para as drogas do Vercetti Cartel serem distribuídas pela cidade. Tommy deixa um de seus soldados ciente de que seria o responsável pela manutenção da sorveteria. E vai embora com um novo helicóptero, uma nova dúvida e com uma nova propriedade. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Vice City - Parte 17


A noite do show da Love Fist havia chegado, mas tinha trazido surpresas desagradáveis. Tommy vai visitar a banda no estúdio pouco antes da apresentação e sente um desespero que já havia sentido antes. E por causa da mesma pessoa.

 Tommy! Tommy! Cara, aquele psicopata voltou! – grita Jezz.

 O que está acontecendo? – Tommy pergunta a Kent Paul.

 Aquele psicopata não vai deixar a Love Fist em paz! – Paul diz.

 Você não matou ele, cara! Agora ele voltou! – Jezz vai para cima de Tommy.

 É isso aí, é isso aí! Agora é o seguinte... – Paul dizia, mas é interrompido por Jezz.

 O seguinte é que a gente precisa de alguém confiável para dirigir a limousine porque aquele doente continua fazendo ameaças! – Jezz continua gritando.

 Eu estou me cagando de medo, cara! Quero a minha mãe! – Percy se desespera.

 Estamos todos presos aqui! – Dick também está com medo.

 Ok, pessoal, calma! Eu vou resolver isso! – Tommy se irrita – Normalmente eu não me daria ao trabalho de dirigir por aí para um bando de bêbados escoceses bissexuais, mas no caso de vocês eu farei uma exceção...

Tommy desceu o prédio sem entender. Ele havia dado um tiro com uma metralhadora dentro da boca do psicopata. Viu sua cabeça explodindo. Não fazia sentido o mesmo homem continuar fazendo ameaças. Só podia ser outro. Mas pouco importava. Tommy entra no carro para levar a banda até o local do show naquela noite chuvosa. Kent Paul ficou no estúdio.

 Finalmente, cara. Tempo para um drink bem merecido. O clube que vamos tocar fica a cem metros daqui... – diz Willy quando todos já estão no carro – É melhor fazer um drink reforçado. Tommy, liga o rádio aí, cara!

 Eu fico confuso quando minha cabeça não está balançando. Olha só, o que é isso aqui? Tommy, coloca essa fita para tocar aí... – Dick encontra uma fita dentro da limousine.

Tommy coloca a fita no aparelho de som e uma mensagem é dita:

“Love Fist. O tempo de vocês poluindo as ondas sonoras acabou. Dei a chance para vocês de sermos amigos. Agora estou dando a vocês a chance de morrer. Tentem diminuir a velocidade e a limousine de vocês explodirá, assim como suas bundas grandes e cabeludas!”

Tommy já havia ligado o carro e já estava andando. Mas agora não podia parar. A limousine aparentemente continha uma bomba ativada pelo velocímetro parado. A voz da mensagem era a mesma do psicopata anterior, mas não havia como ele ter plantado esta bomba, pois fugiu da loja para sua morte e Tommy havia dirigido a limousine naquele momento. Provavelmente o cara havia gravado aquela mensagem naquela fita antes de morrer e alguém plantou a bomba no carro depois de sua morte. Portanto, havia mais de um louco naquelas ações terroristas. E o desespero toma conta da limousine.

 Tommy, meu amigo, você tem que salvar a banda! – Jezz se desespera.

 Já estou cansado disso... – Tommy mantém a calma.

 Continua acelerando sem parar! – Willy grita.

 A gente tem que achar a bomba! – Dick é outro desesperado.

 A gente não pode ficar passeando o dia inteiro? Tem muita coisa para beber aqui... – Percy era o único calmo da banda, pois estava bêbado.

 A bomba está no motor? Vamos ter que parar para desativá-la! – Dick grita.

 Vamos todos morrer. Vou ficar bêbado! – Percy toma goles de conhaque sem parar.

 Ei, existe uma fila aqui, caras! – Jezz se incomoda com todos indo pegar bebidas.

 A resposta não está na geladeira de bebidas! Sai da frente! – Dick também quer se embriagar.

 Ei, as garrafas de vodka tem fios saindo delas... – Percy percebe.

 Isso não é vodka, isso é Boomshine! – Willy grita.

 AAAAAAAAAAAAAAAAH! ESTÁ COM FIOS PARA EXPLODIR! AAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – todos da banda gritam desesperados.

 Sempre me disseram que a bebida iria me matar! – Willy grita chorando.

 Eu já vi isso na televisão! A gente tem que puxar um dos fios! – Percy diz.

 Qual dos fios? – Jezz pergunta.

 Não sei, cara! – Percy responde.

 Não tenho nem ideia! – Dick diz – Willy, diz alguma coisa!

 Vou tocar baixo no inferno! – Willy diz.

 Tommy, continua dirigindo rápido, cara! – Jezz grita para Tommy, que continuava dirigindo pela cidade calmamente – Alguém faz alguma coisa!

 Ah, que inteligente! “Alguém faz alguma coisa”? Que porra é essa? Eu já vi garotas mais corajosas! – Willy diz.

 Beleza, machão, então faça alguma coisa você! – Jezz se irrita.

 Olha, cara, eu só toco um instrumento musical. Não tenho a mínima noção sobre desarmar bombas! – Willy diz.

 O Willy poderia chupar esse Boomshine com um canudo! – Percy dá a ideia.

 É mesmo, ouvi falarem que você é bom nesse tipo de coisa! – Dick diz.

 Ei, eu estava muito doido naquela noite! E vocês sabem disso! – Willy responde.

 Deem logo um canudo para o Willy! – Percy diz.

 Um canudo? Esse aqui é o carro que a Love Fist viaja! – Dick diz – Aonde vou arrumar um canudo!?

 Qual fio, Tommy? – Jezz pergunta desesperado.

 O verde... – Tommy diz calmamente.

 Não tem fio verde! – Jezz grita – Peraí, esse aqui é verde?

 Algum desses parece verde para você? – Tommy pergunta, sem paciência.

 Ah não! Nós vamos morrer, todos os fios parecem verdes! – Dick grita.

 Eu deveria ter dispensado todos vocês quando tive chance, cara! – Jezz abaixa a cabeça.

 Estrelinha... – Percy diz.

 Capitalista! – Dick grita.

 Eu carrego vocês nas costas há anos! – Jezz se irrita.

 Cala a boca, seu idiota! – Dick também se irrita.

 Você e seus berros de garotinha... – Percy diz.

 Calem a boca e puxem um fio! – Jezz grita.

 Qual fio? – Willy pergunta.

 Esse! – Percy puxa um dos fios verdes.

 NÃO! – todos gritam.

Todo mundo se jogou no chão da limousine com as mãos na cabeça, menos Tommy, que ri da cena patética.

 Cara, a gente está bem! A gente não explodiu! – Willy diz.

 Tommy, muito foda, cara! Rock n’ roll! – Percy grita.

 A gente ainda tem um show para ir? Fazer uma festa? Pegar várias fãs? – Jezz abre o sorriso.

 LOVE FIST! LOVE FIST! LOVE FIST! – todos da banda gritam.

 Vocês acabaram com a garrafa? – Dick pergunta.


Todos voltam a beber tranquilamente. Durante todo o caos, Tommy manteve-se calmo e ficou dirigindo pela avenida da praia, que era longa e estava pouco movimentada naquele horário. Logo todos chegam ao clube. Todo o público já havia entrado e aguardava a banda, que estava atrasada. Tommy entra com a limousine pelos bastidores e a Love Fist começa a se preparar.

 Jezz está preparando a fita de playback. Então pensamos em te mostrar nosso Templo do Rock para que você veja a fúria da Love Fist! – Willy diz a Tommy atrás do palco mostrando os adereços do palco, que tinha uma imensa caveira com olhos vermelhos brilhantes pendurada e vários neons com o nome da banda – Olha só, cara! É como se fosse papel machê e fita isolante!

 Para os fãs, aqui é o templo e nós somos os padres... – Dick completa.

 Se os fãs gostam de padres bêbados e desafinados, quem sou eu para discutir? – Willy ri.

 Ah, cara! A fita está com problema de novo! – Willy ouve o teste em outra sala.

 Assim nunca vamos poder tocar ao vivo... – Dick reclama.

 Ah, que merda! Minha barriga... – Willy começa a sentir dores de nervosismo – Temos que dar um jeito. Obrigado novamente, Tommy. Saiba que isso é um bom tchau!

Tommy sai do clube e volta para casa, pois não era louco de ficar e ouvir a Love Fist. Apenas confirmou que a gangue de Mitch Baker estava fazendo a segurança e foi direto para sua mansão. Lá, já de madrugada, recebeu uma ligação. Era Baker:

 Alô, Tommy?

 Sim... – Tommy diz.

 Aqui é Baker. Só queria te dizer que gostei muito do show! Eu e o pessoal queremos te agradecer e te lembrar que você tem o nosso respeito. Boa noite! Continue pilotando, filho! – Baker diz.


Tommy agradece e desliga o telefone. Vai dormir aliviado por seus dias de babá da Love Fist terem chegado ao fim, mesmo que tivesse sido por vontade própria. Ele havia subestimado a imbecilidade de rockstars.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Vice City - Parte 16


Após alguns dias descansando, Tommy recebe uma nova mensagem de Kent Paul. Ele tinha um favor para pedir: 

“E aí, cara! Aqui é o Paulo de novo. Olha só, Tommy, esqueci de dizer que nós vamos precisar de uma força bruta extra para um show. Alguns seguranças. Tem uma gangue de motoqueiros liderada por Mitch Baker, isso daria uma ótima publicidade. Bem rock n’ roll, baby! Resolva isso para mim e eu te dou alguns ingressos para os bastidores do show, beleza?”.

Tommy já havia ouvido falar nesse tal Mitch Baker. Ele era um veterano da Guerra do Vietnã que sempre era preso na cidade por confusões, mas logo era sempre solto por causa de seu passado como soldado, pois havia ganhado um Coração Roxo, uma medalha militar dada a grandes feitos em guerras, pois Baker havia dizimado, sozinho, uma vila cheia de soldados vietnamitas. Comandava a Vice City Bikers, uma gangue de motoqueiros que era gigantesca na cidade com comércios de drogas, prostitutas, segurança, etc. Foram gigantes até Vic Vance assumir o controle de todos os domínios da gangue durante 1984 e 1985. Já no final de 1986, o que restava a eles era um pequeno bar chamado The Greasy Chopper, no centro da cidade.

Tommy vai até esse bar. Entra e vê vários homens de meia idade vestindo couro, capacetes, longos cabelos e barbas e muitas tatuagens. A maioria jogava sinuca no meio da fumaça de dezenas de cigarros acesos. O rock n’ roll que tocava no bar era muito alto, então Tommy se aproxima de um barman e pergunta sério, já que todos estavam olhando para ele:

 Onde está Baker?

O barman aponta para o homem que estava prestes a jogar na mesa de sinuca. Era um homem gordo, alto, careca na parte de cima, mas com longos cabelos na parte de baixo e longa barba castanhos. Tommy espera o homem jogar.

 Estou procurando pelo “grande” Mitch Baker... – Tommy grita.

 Quem está procurando? – o homem responde ainda vendo o final de sua tacada.

 Tommy Vercetti! – Tommy responde.

 Vercetti... – Baker faz uma longa pausa e olha para Tommy – Você não parece ser da polícia, então isso te dá um minuto. É melhor falar rápido.

 Kent Paul me disse que talvez você esteja interessado em fazer a segurança para um show que ele está preparando... – Tommy diz.

 Kent Paul? – Baker bufa com desprezo – Claro que foi ele que te mandou... A última vez que ele esteve aqui, ele apareceu naquela janela vestindo a frauda que colocaram nele quando ele nasceu.

 Você está interessado ou não? – Tommy se irrita.

 Nós só fazemos favores para nós mesmos... – Baker se prepara para sua próxima tacada.

 E como eu entro para o grupo? – Tommy pergunta.

 Isso aqui não é um clube de férias, garoto. Você sabe pilotar uma moto? – Baker pergunta.

 Você sabe sentar em um balcão e beber? – Tommy rebate.

 Cougar, Zeppelin! Vão ver como essa moça aqui pilota uma moto... – Baker chama seus parceiros para testar Tommy na rua.

Cougar e Zeppelin eram os dois melhores amigos de Mitch Baker. Pareciam gêmeos, ambos gordos, carecas e com as mesmas roupas e barbas. Eles saem do bar com Tommy, sobem em suas motos Angel e jogam a chave de outra estacionada na calçada para o novato. Ele liga a moto e todos se posicionam no meio da rua. E uma corrida começa.

 Beleza, playboy. Vamos ver o que você sabe fazer! – diz Zeppelin enquanto arranca com sua moto.

O trajeto combinado era ir até o extremo norte do centro da cidade e voltar. E Tommy facilmente chega à frente de todos, que olhavam incrédulos de longe em suas motos durante todo o trajeto. Parecia que o engomadinho, com roupas da moda, sabia pilotar uma moto mesmo. Ao chegarem ao The Greasy Chopper novamente, Cougar e Zeppelin entram e pedem para Tommy aguardar por alguns minutos. Logo ele é liberado a falar com Mitch Baker de novo.

 Peguei você de novo! – sorri Baker após vencer uma queda de braço, até que Tommy chega – Ei, Vercetti! Cougar me disse que você saber pilotar uma moto muito bem...

 Sim, quantas missões a mais eu vou ter que fazer? – Tommy se irrita – Eu sou um cara muito ocupado! Se for uma briga que vai decidir isso, então pode cair dentro!

 Ser um de nós não é só ficar por aí brigando. É fazer parte de uma família! – Baker responde.

 Ah, eu já fiz parte de uma família também uma vez, mas não deu muito certo... – Tommy diz e pede uma cerveja.

 Certo, mas essa família aqui cuida de si mesma. Nós não pedimos a um cara para fazer um trabalho sujo e o deixamos na merda por quinze anos. É isso mesmo, eu tenho feito meu dever de casa... – Baker aparentemente sabia da história de Tommy – Essa aqui é a maior família de deslocados, desordeiros e fodões! Porra, alguns de nós fomos traídos até pelo nosso próprio país!

 Eu estive preso durante o Vietnã. O negócio foi feio... – Tommy diz.

 É por isso que vou te pedir para ir contra o Estado! – Baker diz – Essa porra de país precisa de um chute no cu, e nós somos quem vai dar! Então vai lá para a rua, pegue uma moto e mostre para essa cidade o quanto você está puto!

 Beleza, beleza... – Tommy diz e sai.


O que Tommy tinha que fazer era instalar o caos em Vice City para que recuperasse todo o tempo perdido de se rebelar contra o país enquanto esteve preso na Guerra do Vietnã, que acabou em 1975. Assim talvez fosse digno de fazer parte dos Bikers. Cougar acompanha Tommy pela cidade enquanto ele passeava pelo centro atirando para cima pilotando a mesma Angel que disputou a corrida mais cedo. Tommy também atirava em carros estacionados, quebrando todos os vidros e em vitrines de lojas fechadas. Chegou até a atirar contra viaturas policiais em frente à delegacia. Cougar ficou impressionado com a frieza do italiano, claramente não sabia quem realmente Tommy era. Obviamente a polícia toda foi para o centro da cidade atrás do sociopata que estava destruindo tudo, mas Tommy foi ligeiro e se escondeu em um local seguro, deixou a moto, que todas as testemunhas viram, abandonada do outro lado da cidade e pegou um táxi rapidamente até a casa de Mercedes. Cougar voltou para o bar. Na casa de Mercedes, Tommy se escondeu daquela tarde até a noite, não sem antes pagar a dívida que tinha com a filha do coronel. Foi o brinquedo sexual da prostituta por horas, que realizou seu desejo de ter o italiano. À noite, ele pediu para Mercedes ir comprar roupas para ele sair sem ser reconhecido pelas roupas que usava durante o tiroteio, que foram queimadas no quintal da casa. Com roupas novas, Tommy volta para sua mansão em um novo táxi. Mas ainda eram dez da noite e a segurança do show da Love Fist ainda não havia sido fechada. O The Greasy Chopper novamente foi o destino.

 E aí, Mitch! – Tommy encontra Baker jogando pinball.

 Olha só, se não é o fodão Vercetti... – Baker diz ainda jogando – Agora eu quero ver se você é bom em lutar pelo seu território. Uma gangue aí da rua cometeu o erro de roubar a minha moto, provavelmente para se provarem machões ou algo assim. Eu e os caras iríamos até lá para ensinar uma lição para eles sobre respeito e tudo mais. De qualquer forma, eu acho que isso seria uma boa iniciação para você. Você recupera minha moto e já pode dizer para Paul que ele tem a segurança dele.

Tommy finalmente tinha a resposta que queria ouvir. Bastava recuperar a belezinha de Mitch Baker. Zeppelin diz onde a gangue ficava. Pela descrição, Tommy logo deduziu que eram os Sharks. Eles estavam com a moto de Baker em uma área atrás da Ammu-Nation ali do centro. Ao chegar lá, Tommy, com seu carro, vê que era impossível entrar, pois todos os portões eram altos e de ferro. A não ser se alguém usasse uma grande rampa de acesso a um prédio do outro lado da rua para chegar por cima da loja e chegar à base dos Sharks. E foi o que Tommy fez. Ele voltou até ao bar, pois em frente havia a Howlin’ Petes Biker Emporium, uma loja de motos esportivas. Tommy passa um cheque e compra uma PCJ-600, a moto mais rápida do mercado, só para realizar o que Baker queria. Deixa seu carro em frente ao The Greasy Chopper e vai com sua novíssima moto recuperar outra moto. Tommy vai pela reta da avenida principal do centro da cidade e sobe a rampa em altíssima velocidade, voando por cima da Ammu-Nation e caindo no topo da loja. A moto novinha de Tommy logo tem todos os seus amortecedores prejudicados por causa do grande impacto, mas não fazia mal, pois ele sairia dali com outra moto. Tommy desce as escadas de emergência e chega até a base dos Sharks. Dentro de sua camisa, claro, carregava várias pistolas carregadas. Mas aparentemente os Sharks estavam em algum outro lugar, pois só havia um deles vigiando a moto, assim como toda a base. Tommy atira de longe no homem que ficava próximo ao portão fechado. Dentro de uma das casas provisórias do local, está a Freeway de Baker exatamente como Zeppelin descreveu. Tommy se apressa e monta na moto, a liga com a chave que estava na ignição e sai em direção ao portão, sempre olhando para trás, cauteloso. Ele se aproxima do Shark morto com um tiro na cabeça e pega a chave do portão em seu bolso. Ao sair da base, Tommy olha ao redor entre faróis de carros naquela noite para verificar se não havia nenhum outro membro da gangue de tocaia, mas o caminho estava livre, provavelmente eles estavam participando de algum acordo, pois estavam muito necessitados.

Em alguns segundos, Tommy entrega a moto no bar, mas Baker já não estava mais lá. Zeppelin abre um sorriso quando vê Tommy chegando e assume o controle para levar a máquina até a casa de seu dono. Ele garante que tudo estava finalizado e a Love Fist teria uma ótima segurança em seu show. Tommy deixa um recado para Kent Paul dando as boas notícias. Assume seu carro de volta e vai para sua mansão em Starfish Island com a sensação de dever cumprido.

Na madrugada, chega um recado para Tommy. Era Baker, que dizia:

 “Ei, aqui é o Mitch! Você fez muito bem, Tommy! É muito bom ter a minha garota de volta. Pode dizer a Kent Paul que ele terá a segurança para o show. Você tem minha palavra! Tome cuidado por aí!”.

Era o que se precisava para garantir uma boa noite de sono.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Vice City - Parte 15


Nos primeiros dias da semana seguinte, Tommy recebeu um novo recado de Kent Paul. A última mensagem do inglês havia sido antes da morte de Díaz, alertando a Tommy sobre o preço que sua cabeça valia pela cidade. Quando viu o recado na secretária eletrônica do telefone de seu escritório, Tommy achou que era apenas mais do mesmo do que geralmente vinha de Kent Paul: “cuidado e lembre-se de mim”, mas a mensagem se mostrou diferente.

Tommy, meu filho, eu tenho uma surpresa para você! Estou aqui em um estúdio de gravação com grandes artistas. Por que você não nos faz uma visita? Você entendeu o que eu quero dizer, né? Até mais...”.

Tommy entendeu. Agora ele era a nova fonte de drogas para seus chegados na cidade. Mas ele aproveita aquela mensagem para levar sua cabeça para outras áreas fora do ranço diário de ter que manter seu império. Foi para isso que tirou Lance do comando das extorsões. Então Tommy logo vai com uma de suas inúmeras motos até o maior estúdio de gravações da cidade, pois com certeza era lá que um cara como Kent Paul estaria. Era o estúdio da V-Rock, uma estação de rádio especializada em Hard Rock e Heavy Metal, no centro da cidade. Lá estava Kent Paul sentado em uma mesa de som com vários jovens tipicamente roqueiros dos anos oitenta, todos com cabelos esvoaçantes, magros, maquiados. Faziam parte de uma grande banda escocesa da época chamada Love Fist, uma banda de Hard Rock que se achava muito melhor do que realmente era. Seus membros eram o vocalista Jezz Torrent, que Tommy já havia visto em seu primeiro dia de Vice City naquela festa no iate do coronel Cortez. Jezz era alto, magro, tinha longos cabelos pretos e sempre estava sem camisa. Ainda havia na banda o guitarrista Percy, praticamente Jezz só que vestindo camisetas, o baixista Willy, que também era bem parecido com Jezz e Percy, e um membro que se destacava por ser diferente: Dick. Dick era o baterista da banda e o único ruivo do grupo. Tinha cabelos longos, sempre usava uma camisa da seleção argentina de futebol, a seleção que ganhou a Copa do Mundo daquele ano disputada no México, eliminando a seleção inglesa, eterna rival de escoceses. Seu ídolo era o maior jogador da época, Maradona. Além de tudo, ainda usava um kilt, aquelas saias masculinas típicas escocesas.

Quando Tommy entrou no estúdio, estava acabando de ser finalizada uma gravação. Jezz dava seu último grito para a música e Kent Paul vibrava:

 Isso aí! Brilhante, simplesmente brilhante! – Paul grita antes de ver Tommy – Ei, Tommy! Feliz por você ter vindo! Já ouviu falar da Love Fist?

 Não, nunca ouvi, mas sempre gostei da música de vocês... – Tommy brinca.

 Deixa eu te apresentar para a banda! Esse aqui é o Percy, Dick, Willy está ali fora com uma japonesa e o que estava na cabine agora é o Jezz! Caras, eu quero que vocês conheçam um grande amigo meu! Esse é o Tommy, temos uma longa história juntos! – Paul se empolga.

 E aí, cara... – Jezz cumprimenta Tommy e olha para Paul – E você, qual é o seu nome mesmo? Hahaha!

 Para com isso, Jezz. Você se lembra! Não fique com esses joguinhos comigo, cara. Sou muito esperto para isso, querido... – Paul fica sem graça.

 Inglês idiota... – Jezz cochicha para Dick, mas todos no estúdio ouvem.

 É o seguinte, Tommy, os caras estão precisando de uma ajuda. Eles não são muito conectados com a cidade aqui, não tem aquela manha de perguntar “como vai seu pai?” antes, sabe? – Paul tenta explicar para Tommy, mas é interrompido por um grito de Jezz.

 A gente precisa de umas drogas, cara! Pegar a velha fúria da Love Fist, tá ligado? – Jezz se irrita, e seus colegas o acompanham.

 Bom, isso aqui é Vice City, cara. Qual é o problema? – Tommy pergunta.

 Sumo do Amor, cara! – Percy diz.

 A gente precisa de Sumo do Amor, cara, tá ligado? – Dick completa.

 Sumo do Amor? – Tommy nunca tinha ouvido falar.

 Sim, duas partes de Boomshine, uma parte de cocaína, cinco sais de fruta e um litro de gasolina... – Jezz explica.

 Você pode ajudar a gente, cara? – Dick pergunta.

 Isso significa muito para nós! – Jezz diz.

 Você pode fazer isso pelos caras, né? – Paul pergunta a Tommy.


Tommy cede por consideração a Kent Paul e pede informações sobre onde conseguir aquele sumo louco. Paul diz que havia um traficante vendendo o Sumo do Amor ali mesmo no centro, embaixo de um grande prédio naquela mesma rua. Tommy vai de moto e logo encontra um traficante parado ao lado da entrada de um grande edifício branco. Ele se aproxima e o homem diz:

 Procurando por alguma coisa especial? Eu tenho o que você precisa.

Tommy entrega o dinheiro ao ver o homem tirando as garrafas de uma bolsa. Mas o traficante era um pilantra, ele pega o dinheiro e sai correndo. Com certeza se ele soubesse quem era o seu cliente, ele não teria feito aquilo. Tommy dá uma risada, tira sua pistola e atira três vezes nas costas do homem que corria para chegar na calçada e alcançar seu carro. Ele cai já morto e o dinheiro de Tommy se espalha. Tanto o dinheiro quanto as garrafas são recolhidos, colocados dentro da bolsa e levados para o estúdio para o consumo desesperado dos escoceses. Assim que Tommy chega ao estúdio, Paul aparece na porta, pega a bolsa e diz a Tommy:

 Cara, os caras poderiam tomar isso com uma companhia, se é que você me entende...

 Conheço a garota certa... – Tommy diz.

A casa de Mercedes, filha de Cortez, não ficava muito longe dali. Depois que seu pai foi embora para o Panamá, ela estava livre para ser o que queria ser: a maior prostituta da cidade. Cortez pediu a Tommy para ficar de olho em sua menina, e ele estava mesmo. Estava pensando em ajudá-la ao alcançar seu objetivo profissional. Tommy vai até a casa de Mercedes e buzina com sua moto. Ela aparece na janela.

 Ei, Mercedes! – Tommy diz.

 Oi, Tommy! Como você está? – Mercedes fica feliz em ver o italiano.

 Muito bem! Olha só, você curte Love Fist? – Tommy pergunta com um duplo sentido sutil.

 Ok... – Mercedes entende na hora – Mas esse vai ser um favor que vou esperar retorno...

Ela se arruma um pouco e Tommy a leva até o estúdio para passar algumas horas com a Love Fist. O que eles fizeram sob o efeito do Sumo do Amor naquela noite será sempre uma incógnita.

Na tarde seguinte, Tommy volta ao estúdio. Seus negócios estavam andando bem com o afastamento de Lance, portanto ele poderia andar pela cidade com outros interesses. Assim que chega, Kent Paul já o recebe desesperadamente, todos parecem preocupados.

 Tommy, cara! Que bom te ver! – Paul se levanta da cadeira em que estava sentado.

 O que está acontecendo? – Tommy pergunta.

 Vibrações ruins, Tommy... – Jezz diz.

 É isso aí, eu não estou brincando, isso é bagulho pesado. Pesado, tá ligado? – Percy anda de um lado para o outro.

 Tem um cara aí que a gente mal conhece, mas que conhece muito a gente... – Jezz explica e aponta para Paul – Tipo esse cara aqui. Sabe tudo sobre a gente! Sabe que o Willy gosta de usar as calcinhas das mulheres dele! Sabe que o Percy gosta de Duran Duran!

 Cala a boca, seu idiota! Só porque Jezz come putas! É como um foguete do amor, tá ligado? – Percy reclama.

 Cala a boca! – Dick também reclama.

 É isso aí, a coisa do foguete do amor, pode crer! Mas escutem, esse cara aí... – Jezz dizia, mas é interrompido por Kent Paul.

 É isso aí, esse cara quer todos da Love Fist mortos! – Paul diz – Mortos, Tommy! A Love Fist acabada! Você sabe o que todos dizem, que os bons morrem jovens, mas, Tommy, você tem que salvar a Love Fist!

 A gente tem uma sessão de autógrafos em duas horas e eu acho... – Jezz dizia, mas é interrompido por Kent Paul de novo.

 É, é, é isso aí! Os caras estão achando que o maluco vai tentar fazer alguma merda lá! – Paul diz.

Tommy pede a todos para se acalmarem e começa a bolar um plano de segurança. Com quarenta minutos de conversa, tudo já estava pensado. Às quatro da tarde, Tommy vai até o estacionamento do prédio da V-Rock com a chave da limousine que levaria a banda até a loja Rock City, uma das maiores lojas de música da cidade, que ficava ali mesmo no centro. Mas a Love Fist não desce do prédio. Tommy primeiro iria até a loja com a limousine e se houvesse algum ataque de algum maluco contra o carro, ele saberia se virar. A frente da loja estava lotada, vários fãs gritaram quando viram a limousine se aproximando. Várias mulheres começam a gritar, mulheres com roupas curtíssimas tentam se aproximar do carro, que é cercado por alguns seguranças do evento. Mas Tommy logo percebe que uma dessas mulheres era bem estranha, parecia um travesti alto, quadrado e muito feio. Não deu tempo de avisar, pois aquilo era o maluco que queria a Love Fist morta, provavelmente mais um fã daqueles doentes pelo que venera. O homem tira uma pistola da saia e atira na cabeça de um dos seguranças gritando:

 Vou ver a Love Fist queimar! A Love Fist arruinou a minha vida!

O homem já estava pronto para atirar contra os vidros escuros da limousine achando que a banda estava ali, quando Tommy rapidamente pegou sua metralhadora, abriu o vidro da janela ao seu lado e disparou uma rajada de tiros. O psicopata se assustou e saiu correndo em direção a um carro que estava estacionado logo ao lado. Tommy continua com a rajada de tiros, que acerta por trás o ombro do homem logo antes de ele entrar em seu carro. O carro arranca e Tommy vai atrás com a limousine, mas claramente percebe que a ferida no ombro não estava deixando o fanático dirigir corretamente, ainda mais em uma perseguição. Poucas curvas depois, o psicopata atravessa um cruzamento e é atingido em cheio por um caminhão de lixo que fazia a coleta diária. O carro do homem é jogado contra um poste e ele fica preso às ferragens agonizando. Tommy sai da limousine e se aproxima com cuidado. Ao perceber a agonia do homem, ele decide livrar aquele maluco da dor com uma morte rápida e sem dor. Aperta o gatilho de sua metralhadora, que estava dentro da boca de quem nunca mais iria incomodar a Love Fist.