quinta-feira, 24 de março de 2016

San Andreas - Parte 15


Naquela semana, não se falava de outra coisa em East Los Santos a não ser do ataque aos russos. Os Ballas começaram a sofrer ataques repentinos vindos da máfia e sabiam que haviam sido feitos de otários, coisa que não acontecia com eles antes do retorno da Grove Street Families. Era hora de se vingar, e, para isso, escolheram recrutar um membro da Grove para o lado roxo da cidade.

Little Weasel era um dos soldados da Grove. Seu apelido vinha de sua rapidez e agilidade em confrontos, realmente como um pequeno mangusto selvagem. Em seus estudos sobre as gangues da cidade, os Ballas descobriram que Weasel era um dos Groves “pequenos” que estavam mais insatisfeitos com sua situação, principalmente sobre a proibição de drogas pesadas. Eles investiram nele, ofereceram uma melhor condição como um dos Ballas e Weasel aceitou, passando a agir como um gangster duplo. O que não ficou muito tempo sobre segredo, pois Sweet ficou sabendo da traição e ligou para CJ.

E aí, Sweet? – CJ diz.

A gente tem um problema. Um moleque drogado filho da puta está vendendo drogas para os manos dele da Grove! – Sweet diz.

O que? Quem? – CJ pergunta.

Se liga. Ele está comprando umas paradas em Glen Park. Ele sabe que o bairro está falando dele, então ele está escondido com os novos amigos Ballas dele... – Sweet explica.

Que merda, cara! Como a gente vai pegar ele? – CJ pergunta.

Chegou a hora de você anunciar seu retorno, CJ! Vai lá foder com Glen Park e aquele neguinho viado vai se desesperar e acabar aparecendo! – Sweet grita.

Ok, vou passar aí para te pegar... – CJ diz.

Não, porra! A parada é sua, CJ! Você vai precisar de uns ferros, vai lá na Ammu-nation e compra alguma coisa pesada! – Sweet desliga.

Apesar de Sweet ter dito que aquela era a chance de CJ mostrar que estava à frente da Grove, era claro que se alguém fosse combater um território dos Ballas sozinho, não se daria muito bem, ainda mais naquele momento onde eles estavam acuados e prontos para se defenderem dos ataques russos. CJ então convoca um exército em quatro carros, vai até a Ammu-nation de Market e comanda um ataque em massa a Glen Park, um pequeno bairro em volta de um parque verde com um pequeno lago, onde a maioria das casas era de classe-média, apesar de o local ser amplamente dominado pelos Kilo Tray Ballas.

Os carros dos Groves passa com os vidros escuros fechados a procura de Ballas pelo parque. Eles fazem um cerco com os quatro carros com um em cada canto do local. Havia Ballas reunidos ao lado do lago central, então o carro em que CJ estava estaciona e de dentro saem cinco Groves fortemente armados avançando pelas árvores sorrateiramente. Eles soltam uma rajada de fuzis nos Ballas, que morrem sem reagir. Logo o exército de segurança provisório dos Ballas aparece no parque, causando pânico e correria nas ruas do bairro, com todos os populares buscando desesperadamente suas casas. Os três carros restantes dos Groves param e deles sai um exército dos Groves, que estavam com mais de vinte homens para a ação. Uma guerra de gangue se inicia, mas os Groves estavam em vantagem, pois a grande maioria dos Ballas estavam sob efeito de entorpecentes, causando lentidão em suas reações. Nesse momento, CJ tem um estalo e finalmente entende o motivo de Sweet ser tão radicalmente contra drogas pesadas em sua gangue, era uma questão de mantê-los sempre alertas e no melhor estado mental possível para protegerem o bairro.

Enquanto Groves matavam Ballas incessantemente, CJ ouve alguém gritando o nome de Little Weasel. Ele estava vestido de roxo, saindo correndo de uma das casas ao lado do parque. Ele gritava desesperadamente:

O Tenpenny armou para mim!

CJ ouve enquanto corria atrás de Weasel, sabendo que tudo aquilo era por culpa de Tenpenny. Claramente ele estava envolvido em todas essas traições entre membros de gangues rivais, como já havia deixado claro para CJ no centro da cidade nos últimos dias. CJ rapidamente se lembra dos contatos da CRASH com Smoke e Ryder, suspeitando das atitudes dos dois desde que voltou para Los Santos, mas uma parte muito grande de CJ não queria acreditar que os dois poderiam se corromper da forma como Weasel se corrompeu, que, aliás, foi morto com quatro tiros nas costas, beijando a grama do parque de Glen Park. O bairro foi tomado de volta pela Grove, tendo homens de verde pelas redondezas novamente depois de cinco anos.

O dia seguinte ao ataque começa com tranquilidade. Foi armada uma defesa especial na Grove Street para um possível contra-ataque dos Ballas, mas nada ocorreu. Parecia que eles estavam preocupados com outra atividade naquela manhã: enterrar os mortos do dia anterior. Sweet sai de casa e vê CJ sentado na escada de casa, tomando um café e olhando o movimento.

E aí, maninho! – Sweet cumprimenta CJ.

Qual é? – CJ responde.

Se liga: Tenpenny passou por aqui mais cedo, disse que aquele Balla que você passou, Little Weasel, está sendo enterrado, e todos os OGs deles vão estar lá! – Sweet diz.

Em um funeral? – CJ ri.

Sim! Vamos pegar aqueles negões de merda todos de uma vez! – Sweet se anima.

Em um funeral... – CJ pensa, enquanto os soldados da Grove do dia anterior se aproximam dos irmãos.

Igual ao da mamãe! – Sweet planeja uma vingança – Vamos detonar aqueles filhos da puta! A gente tem que fazer uma parada grande! Colocar a Grove no mapa de uma vez por todas! Para sempre!

Beleza, negão. Vambora! – CJ diz.

A gente vai precisar de aliados! – Sweet diz a todos.

Todos os Groves ali se oferecem para participar de mais um ataque, então novamente quatro carros vão em direção ao Vinewood Cemetery, o mesmo cemitério onde Beverly Johnson estava enterrada, em uma área chamada Los Sepulcros, onde ficavam as sepulturas.

Nós vamos dar a volta por Los Sepulcros e aí pulamos o muro... – Sweet diz dentro do carro.

Kane? Esse cara não é um dos líderes da Front Yard? – CJ pergunta ao ouvir dois soldados conversando.

É, mas ele é daqueles que a qualquer sinal de treta, ele vaza! – Sweet diz.

Após quinze minutos de viagem, todos chegam aos fundos do cemitério, onde pulam o muro sorrateiramente.

É por aqui! Vem, CJ! – Sweet diz enquanto anda pelas sepulturas – Nós vamos ficar por aqui e esperar por Kane...

Kane era um dos maiores líderes dos Ballas, sendo o líder dos Front Yard Ballas, os que estavam mais perto dos Groves. Matar Kane significaria um grande golpe nos Ballas que rodeavam Ganton e uma grande paz momentânea para a Grove Street Families.

Ele chegou! – Sweet diz ao ver um carro com vários Ballas se aproximando do local onde o caixão de Little Weasel estava sendo enterrado – Parece que aqueles filhos da puta estão de colete. Pode demorar um pouquinho para a gente derrubar esses safados! Ok, CJ. Você pega o Kane que a gente pega o resto desses otários!

Outro intenso tiroteio começa entre Groves e Ballas. Mas dessa vez, os Ballas estavam bem mais preparados e ligados. Enquanto os soldados da Grove avançavam nos seguranças, CJ corria para matar Kane, que estava próximo ao caixão, ao lado de uma mulher e de um padre. Para se defenderem, os soldados dos Ballas avançam contra os soldados da Grove, deixando o líder totalmente vulnerável, armado apenas com uma pistola, enquanto CJ portava uma submetralhadora. Não demora muito para Kane ser morto com um tiro na cabeça. Mas enquanto o líder morria, os soldados faziam uma limpa nos Groves. Vários soldados de verde foram mortos ali naquele cemitério, mas mesmo assim os Ballas não possuíam profissionalismo e bom treinamento em guerras de gangue como os Groves, que vencem ao verem o último homem de roxo cair sem vida. Não havia tempo de carregar os corpos, pois sirenes de polícia começavam a aparecer ali por perto.

Boa, CJ! Vamos voltar para o carro! Todo mundo dentro! Vambora! – Sweet grita.

Todos voltam para seus carros na rua de trás e fogem rapidamente de perto do cemitério, onde algumas viaturas rondavam, mas não desconfiaram dos carros dos Groves. Ao estar voltando para casa, mesmo com as baixas na gangue, Sweet comemora:

Cara, a gente foi um exército lá! Todo mundo vai para casa, fica de boa, a gente se vê durante o dia!
Todo mundo segue as ordens do líder da Grove. Todos ficam entocados até o início da noite. CJ vai até a casa de seu irmão e lá encontra Big Smoke e Ryder, que não estavam no bairro nas últimas semanas, com a desculpa de que foram visitar um antigo membro da gangue que estava morando em San Fierro. Todos estavam vendo uma fita pornô de Candy Suxxx na sala.

Porra, essa vagabunda é muito boa... – Smoke diz.

E aí, galera... – CJ cumprimenta a todos.

E aí, CJ! – todos respondem.

Desliga essa televisão aí... – Sweet pede ao irmão – Ouçam, caras, como estávamos conversando, não há mais bagulho nas ruas.

Finalmente! – CJ diz.

Se liga: nós vamos reunir as Families mais uma vez. Os Ballas vem deixando nossos manos cheios de bagulho na cabeça há muito tempo, enquanto a gente fica aqui brigando uns com os outros. Então todas as Families vão se encontrar no Jefferson Motel. É hora de a gente chegar lá e deixar as coisas bem claras! Tirar essas merdas das nossas ruas! Eu voto para eu ser o representante dessa vez... – Sweet diz.

Beleza... – CJ diz.

Tudo bem. Se o Sweet acha que pode fazer isso, estou fechado com ele, caras! – Smoke cumprimenta Sweet.

Beleza, então vambora, manos! – Sweet diz.

Vamos! – CJ diz.

Vamos lá! – Smoke reforça, enquanto Ryder apagava seu baseado.

Todos entram no carro de Sweet e CJ dirige. Eles iriam se encontrar no Jefferson Motel, um pequeno motel de trinta quartos, em Jefferson, para uma reunião entre as Families: Grove Street, Seville Boulevard e Temple Drive, para voltarem a se unir contra Ballas, Vagos e Aztecas novamente. No caminho para o motel, Ryder volta a encher o saco de CJ:

Diz aí, CJ, você vai bater o carro de novo?

Vai se foder, Ryder! – CJ responde.

Ryder, dá um tempo para o CJ, cara! Ele praticamente levantou a Grove sozinho... – Sweet diz.

Só estou fazendo uma piada com esse neguinho... – Ryder ri.

Tudo que você faz é uma piada, Ryder! – CJ se irrita.

Isso não é verdade! – Ryder responde.

Ryder, relaxa aí, caralho! – Smoke se irrita.

Vocês tem que lembrar que estamos reunindo as Families, então nada de besteira! Fiquem de boa! – Sweet diz.

Você me conhece, Sweet! Sou calmo como um monge Shaolin... – Ryder diz.

Especialmente você, Ryder! – Sweet retruca.

Como assim? Essa sua implicância me deixa puto... – Ryder reclama.

O Sweet só falou que você é um assassino de nascença, baby! – Smoke diz – Você só tem que ficar ligado e ficar de boa...

Sim, eu estou ligado. Entendo o que ele está tentando dizer, mas eu estou sempre de boa, maluco! – Ryder continua reclamando.

Todo mundo concorda com isso, baby... – Smoke ri.

CJ chega ao Jefferson Motel e já percebe vários carros e membros das Families no estacionamento.

Ok, é estritamente um representante por gangue. Vocês vão ter que esperar aqui... – Sweet diz.

Vamos estar aqui caso algo aconteça, mano... – CJ diz.

Valeu, mano, mas eu estou fechado com os caras... – Sweet sai do carro e entra no motel.

Não estou gostando disso, cara! – Ryder reclama – Olha esses caras das outras Families. Todos eram da Grove Street!

Relaxa! Nós estamos de boa e eles estão de boa! – CJ responde – E você, Smoke?

Estou me sentindo um pouco exposto, mas estou bem... – Smoke diz.

De repente, um helicóptero da LSPD chega ao local com vários atiradores posicionados e apontando canhões de luz. Eles pairam sobre o hotel e usam um megafone para falar com todos os gangsteres no motel:

AQUI É A LOS SANTOS POLICE DEPARTMENT! TODO MUNDO PARADO!

Começa uma correria no estacionamento do motel. Todos que estavam ali entram em seus carros e saem cantando pneu.

Todas as unidades: ROCK N’ ROLL! – o capitão da polícia dá a ordem para os soldados descerem do helicóptero em cordas.

Que merda! – CJ grita e sai do carro, correndo em direção à entrada do motel.

Cara, o que você está fazendo!? – Ryder grita para CJ.

Carl, volta! A gente tem que sair daqui, baby! – Smoke grita.

Eu não vou abandonar meu irmão, não sou cuzão! – CJ grita.

Cara, é cada filho da puta por si! – Ryder grita e assume o volante do carro.

Ryder e Smoke deixam o estacionamento do motel voando baixo. CJ fica sozinho, vendo vários policiais descendo para o estacionamento e o telhado do motel. Ele entra rapidamente e anda pelos corredores a procura de seu irmão. Em uma escadaria, ele vê um gangster ferido na barriga sentado no chão e pergunta:

Onde os OGs estão? Tenho que buscar meu irmão Sweet!

Eles estão se encontrando em algum lugar nos fundos do motel... – o gangster diz com dificuldade.

Após correr por vários corredores do pequeno motel, CJ vê vários membros das Families em um tiroteio contra policiais que invadiam os quartos pelas janelas e pelo teto.

Families, tem policiais descendo pelo teto! – CJ grita avisando a todos.

Antes de os policiais chegarem ao chão, eles são baleados por tiros de todos de verde ali, que se juntam e trabalham em equipe novamente. CJ avança pelos corredores até chegar em frente ao quarto em que Sweet estava escondido.

Por que essa demora? Cadê o Smoke e o Ryder? – Sweet pergunta ao ver seu irmão sozinho.

Eles vazaram! – CJ abraça Sweet.

Foda-se eles! Vamos sair daqui! – Sweet diz.

Sair pela porta da frente era impossível. O prédio estava completamente cercado. A única alternativa era o teto, mesmo com alguns policiais entrando por lá. Mas no caminho da escada até o teto, não havia ninguém. CJ e Sweet rapidamente atravessam o terraço do motel para irem até a escada de emergência, mas são surpreendidos pelo helicóptero da LSPD:

AQUI É A LOS SANTOS POLICE DEPARTMENT! TODO MUNDO PARADO!

CJ, esse helicóptero está em cima de nós. Atira! – Sweet grita, se escondendo atrás de um dos vários geradores do terraço.

CJ começa a atirar com seu fuzil AK-47 em direção à hélice do helicóptero. Com a boa mira de CJ, começa a haver uma pane e o motor começa a falhar, fazendo a aeronave perder estabilidade e balançar, forçando um pouso não planejado no estacionamento, o que permite que os Groves desçam pelas escadas e cheguem à rua de trás do motel.

Que merda, e essa agora!? – Sweet diz ao ver o carro em que chegaram ao motel virando a esquina.

Smoke e Ryder! – CJ reconhece.

Entra aí! – Smoke grita ao parar o carro.

Acelera aí! – CJ grita ao ver viaturas começando a persegui-los – Cara, eu estou sem munição!

Eu tenho um fuzil aqui! – Ryder mostra.

Essa velharia fodida aí!? – CJ reclama.

O Emmet não é o Pentágono! – Ryder rebate.

Você arrumou isso no Emmet? Puta que pariu! – CJ não acredita.

CJ, cobre a traseira! – Smoke grita.

CJ atira no vidro traseiro, o quebrando, e começa a atirar contra as viaturas que vinham logo atrás. Ao passarem pelos trilhos, as viaturas são atingidas por um trem que passava naquela hora, ao qual o carro dos Groves escapou por milésimos de segundos de ser atingido.

Eles se foderam! Vocês viram? – Ryder grita.

Porra, essa passou perto! – CJ diz.

Cara, está ficando pior! Cada vez mais intenso! Está parecendo a oitava guerra mundial! – Ryder diz ao ver mais viaturas se aproximando – CJ, olha a esquerda!

Sua esquerda ou a minha esquerda? – CJ se confunde, pois vinha uma viatura pela sua direita.

Porra, eu sei lá! Atira em todo mundo, filho da puta! – Ryder grita.

Tem mais na frente! – Smoke grita ao ver mais uma viatura na sua dianteira – Carl, eles estão na nossa cola, baby!

CJ, olha nossa direita! – Sweet se abaixa para seu irmão continuar atirando em todas as direções.

Dois policiais estavam parados em suas motos em uma esquina quando veem a perseguição frenética nas ruas naquela noite. Contra suas vontades, eles colocam o capacete e ligam as motos.

Desperdício de boas rosquinhas... – um dos policiais diz ao jogar sua rosquinha no chão.

Vambora... – o segundo diz.

Fica ligado na nossa dianteira, CJ! – Smoke grita.

Um dos policiais das motos se aproxima do carro e pula no para-brisa, segurando nas janelas, sacando sua arma para atirar em Smoke, que dirigia.

Caralho! Olha isso! – CJ grita ao ver a cena e atira contra o policial, o matando na hora.

Eu queria ter ficado em casa e assistido aquela porra de jogo! – Smoke diz – Carl, atrás de nós! Atrás de nós! Se apoia na janela!

Smoke, que porra é essa que você está fazendo!? – CJ estranha a fala do gordo e percebe que ele estava entrando em um lava-jato – Porra, Smoke, tem sabão no meu olho! Smoke, você é louco!

Eu gosto das coisas limpinhas! – Smoke ri.

CJ, olha a esquerda! – Ryder repete.

Ei, a gente já não esteve aqui antes? – CJ começa a perceber que Smoke estava dando voltas.

Eu estou pegando as opções que eu tenho, beleza? – Smoke se esquiva – Talvez se você tivesse uma boa conversa com esses policiais, eles deixariam a gente em paz!

Cara, tem outro idiota pendurado na traseira do carro! Atira nele aí!  – Ryder vê outro policial se jogando no carro, que morre logo quando CJ se vira.

Que merda, só tem cuzão no meu retrovisor! CJ, resolve isso aí! – Smoke diz ao ver que ainda havia várias viaturas em sua cola, e vê mais na frente – Que merda! A rua está bloqueada!

O fuzil não tem mais bala! – CJ grita ao ver as viaturas paradas na frente do carro.

Foda-se! Eu vou passar por eles! – Smoke acelera e atropela dois policiais, com um deles ficando pendurado novamente no para-brisa do carro enquanto passavam por um beco.

CJ, tem um passarinho ali na frente! – Sweet avisa.

Aqui é a LSPD! Não ouse... – o policial falava quando ouviu um barulho de motor, era um helicóptero que vinha em direção ao carro, em uma altura que, com certeza, o atingiria, o que o fez gritar desesperadamente com o piloto, inutilmente – EI! QUE PORRA É ESSA!? VOCÊ ESTÁ MUITO BAIXO! VAI MATAR TODO MUNDO!

Dá ré, Smoke! Dá ré! – Sweet grita desesperadamente.

Porra nenhuma! Eu vou passar! – Smoke diz e acelera em direção ao helicóptero.

CARA, A GENTE VAI MORRER! – Ryder grita e se encolhe no banco do carona.

O helicóptero se aproxima do carro com a hélice inclinada para frente, fazendo com que o carro sofra várias batidas das hélices na lataria, cortando o policial no capô em pedaços, dando um banho de sangue em todos.

Que merda! – CJ grita.

Diminui, Smoke! DIMINUI! – Sweet grita ao ver que o beco levava a um outdoor.

Porra! O freio já era! – Smoke grita.

O carro atravessa o outdoor de madeira e cai de quinze metros de altura direto na Los Santos Freeway, uma estrada próxima a Grove Street por onde passavam vários caminhões em direção a outras cidades. E é direto em um desses caminhões que o carro dos Groves bate violentamente. O caminhão era da Xoomer, uma empresa de combustíveis, e carregava um tanque cheio de gasolina. Com o impacto, o carro explodiu, inflamando todo o tanque do caminhão, fazendo acontecer uma explosão espetacular, que foi ouvida em toda a cidade e até em cidades vizinhas.

Mas Sweet, CJ, Big Smoke e Ryder não estavam naquele carro. Logo antes de baterem no outdoor, eles pularam do carro em movimento, rolando até atingirem um muro de concreto que os impediu de caírem daquela altura. Após a imensa explosão, ainda meio surdos, eles se levantam e veem o resultado catastrófico daquela noite.

Porra! Essa vai ser uma baita de uma história para a gente contar quando estivermos passando um baseado... – Smoke diz, olhando pelo buraco do outdoor.

Cara, essa merda foi séria! – Sweet suspira aliviado por estar vivo.

Que se foda! A gente tem que sair daqui! – Ryder diz.

Ryder está certo. Todo mundo se separa e a gente se encontra mais tarde! – Sweet diz e corre.

Cada um dos Groves vai para uma direção pelas ruas de East Los Santos e cada um chega em um horário diferente à Grove Street, menos Big Smoke, que vai para sua casa em Idlewood. CJ chega em sua casa de madrugada, após ficar entocado na casa de Denise por algumas horas, aproveitando tudo o que ela tinha a oferecer.

A manhã seguinte traz uma ligação de Cesar.

Quem é o perdedor ligando agora? – CJ atende brincando.

É, acho que sou eu, mano... – Cesar responde sem graça.

Porra, César! Foi mal, mano! Achei que era a Kendl. A gente faz essas paradas desde criança... – CJ ri.

De boa, ese... – Cesar diz – Você dirigiu bem na semana passada!

Valeu! – CJ agradece.

Estou ligando para te convidar. Sua irmã disse que eu e você deveríamos sair, nos conhecermos melhor... – Cesar diz.

Ah, beleza. O que você tem em mente? – CJ pergunta.

Quer conhecer minha garagem? Tem umas cervejas aqui... – Cesar propõe.

Pode ser! – CJ se anima.

Traz um carro maneiro, cara. Vou dar uma tunada para você! – Cesar diz.

Pode crer! Até mais! – CJ desliga.

CJ liga seu low-rider e vai novamente à casa de seu cunhado em El Corona. A garagem estava aberta e lá estavam Cesar e Kendl ao lado do carro do Azteca. CJ deixa seu carro estacionado na rua. O clima parecia muito bom, então ele chega em alto astral:

Que pasa, Cesar!

E aí, mano! – Cesar diz e abraça seu cunhado – As cervejas estão no banco ali. A gente só tem que tomar logo antes que a galera do bairro chegue!

Então, como vocês dois estão indo? – CJ pega uma cerveja e pergunta sobre o casal.

Está tudo bem, CJ. E você e a... errr... Com quem você está namorando mesmo? – Kendl pergunta.

Ah, você me conhece. Eu ainda não achei a garota certa... – CJ ignora o caso com Denise, que já se espalhava pelo bairro.

Aham... Você nunca vai achar a garota certa porque você trata todas que nem lixo... – Kendl diz.

Calma, anjo! O homem não acha o amor. O amor acha o homem, né, carnal? – Cesar ri.

Pode crer, é isso aí, cara! – CJ também ri.

É, acho que é isso mesmo... – Kendl ri.

Então, CJ, vamos ver seu carro! – Cesar diz.

Ele não tem nada demais, você sabe... – CJ responde.

Deixa o Cesar fazer sua mágica, vou fazer ele ficar especial! – Cesar ri e sai da garagem, mas não vê carro nenhum na rua – Mas cadê ele?

Que porra é essa!? – CJ olha para a rua e não vê seu carro.

Achei que você tivesse dito que o carro estava aqui... – Cesar não entende.

Porra, que merda! Foi rebocado! – CJ, já furioso, vê um pequeno aviso da polícia deixado ali por ele ter estacionado o carro em frente à garagem de outra casa.

O que!? – Cesar não acredita.

Meu Deus! – Kendl também fica espantada.

Porra! Qual é o problema dessa cidade!? Sempre estão rebocando as paradas dos outros! – CJ grita.

Que merda, mano! – Cesar diz.

Eu nem ouvi! Vocês ouviram alguma coisa? – CJ ainda não acredita.

Não! – Kendl diz.

Eu ia dar uma olhada no carro agora... – Cesar diz.

Porra! Eles são o que!? O serviço secreto de rebocadores de carro? – CJ chuta o lixo na calçada – Caralho! Vai se foder!

Calma-te, mano! Não se preocupa! A gente pode pegar o carro de volta! Eu sei para onde eles levam os carros. É de boa... – Cesar diz e beija Kendl – Já volto, amor...

Tá bom, amor... – Kendl diz.

Entra aí, CJ! – Cesar entra em seu carro e abre a porta.

CJ entra no carro de Cesar e os dois vão para o centro da cidade rapidamente.

A unidade de polícia da cidade fica na Pershing Square, em Commerce... – Cesar diz.

É, eu conheço lá... – CJ responde.

Tem uma entrada à esquerda que leva para o estacionamento subterrâneo. Atrás fica uma garagem para onde eles levam os carros rebocados... – Cesar diz.

Ah, cara, vou arrumar treta com os policiais? – CJ reclama.

É, eu sei, mas se o seu carro premiado não está na rua quando você volta até ele, provavelmente ele foi rebocado... – Cesar diz.

CJ não tinha nada para falar. Ele não ficaria sem seu low-rider por conta dos esquemas corruptos da polícia. Eles chegam à entrada do estacionamento do quartel da LSPD, onde OG Loc estava preso até pouco tempo.

É aqui, CJ... – Cesar diz.

Beleza, cara. Valeu. Acho que eu consigo me virar daqui... – CJ agradece e sai do carro.

A entrada do estacionamento, apesar de possuir uma guarita, era liberada para a população, que geralmente ia até a garagem de carros rebocados para recuperá-los legalmente. Mas CJ não se importava muito com questões legais. Ele estava ali para recuperar seu carro de qualquer jeito.

Ok, moleque, pode seguir... – o policial da guarita abre a cancela para CJ.

CJ vai até a garagem onde seu carro estava e pula a cancela. Um policial vê e já saca sua arma, apontando-a para o Grove, que já havia pulado em seu carro e ligado o motor com sua chave.

Ei, você! Polícia! Parado! – o policial grita.

CJ ignora o policial e o atropela, passando com o carro pela cancela fechada e chamando a atenção de vários policiais, que vão correndo para suas viaturas para perseguir o fora-da-lei. Mas pegar o melhor motorista da Grove era difícil. CJ logo despista as viaturas e volta para El Corona, direto para a garagem de seu cunhado. Cesar fica feliz pela recuperação do carro e, como prometido, usa seus conhecimentos em equipamentos para dar um presente a seu novo cunhado.

Olha só, CJ, nitro! – Cesar anda com o low-rider de CJ pela rua, agora com nitro.

Beleza! – CJ fica animado com seu recuperado e tunado carro.

Para comemorar, Cesar chama alguns amigos de sua gangue, compra mais cerveja e carne, e um churrasco é organizado para durar o dia todo. CJ se enturma com os vários Aztecas, fortalecendo a união entre eles e a Grove Street Families. Ao fim da noite, CJ volta para casa com seu low-rider são e salvo.

terça-feira, 15 de março de 2016

San Andreas - Parte 14


Alguns dias se passam e algo desagradável acontece para CJ: ele recebe uma ligação de Tenpenny. Havia tempo que os dois não se falavam, dando uma falsa sensação de liberdade ao Grove, mas aquilo mudaria daquele dia em diante.

Qual foi? – CJ atende ao telefone.

Não tente vir com esse papo de gueto para cima de mim, garoto! – Tenpenny diz.

Oficial Tenpenny!? Como você conseguiu meu número? – CJ se surpreende.

Meios e fins, seu merda. Você está tentando me evitar? – Tenpenny pergunta.

Não, senhor. Só estive ocupado. É só isso... – CJ ironiza.

Você não está ocupado se não estiver fazendo coisas para nós, você está me entendendo? – Tenpenny se irrita.

Sim. Em alto e bom som... – CJ diz.

Bom saber, Carl. Venha até a loja de rosquinhas na rua principal de Market, a gente precisa conversar... – Tenpenny diz e desliga.

Por mais que CJ não respeitasse a CRASH, ele sabia da força da instituição. Obedecer era o melhor a se fazer naquele momento. Então, às dez da manhã, ele vai até a Jim’s Sticky Ring, a maior loja de rosquinhas da cidade, no bairro de Market, comumente frequentada por policiais em seus momentos de descanso. CJ entra na loja, vê Tenpenny, Pulaski e Hernandez sentados a uma mesa.

Ei! Carl Johnson! CJ! – Tenpenny propositalmente grita quando vê o Grove entrando, apenas para deixá-lo constrangido.

Que merda... – CJ se irrita.

Vem aqui, filho! – Tenpenny continua gritando.

CJ se aproxima da mesa, mas Hernandez estava sentado no banco mais próximo ao corredor, o que irritou o superior.

 – Sai daí, deixa ele sentar, cuzão! – Tenpenny diz a Hernandez, que se afasta e dá seu lugar ao Grove – Então você achou tempo para aparecer...

Cara, eu tenho estado ocupado. Estou enterrando minha mãe, cara! – CJ diz.

Parece uma desculpa de merda para mim... – Pulaski diz.

O oficial Pulaski acha que você está tentando ferrar a gente, Carl... – Tenpenny diz – Mas vê se entende: nós mandamos em você. Você é nosso. A gente pode cagar na sua cabeça de tão alto que você achar que é Deus cagando em você. Entendeu?

É melhor que ele tenha entendido essa porra! – Pulaski diz.

É, é melhor mesmo. Mas agora é hora de trabalhar, CJ, e conquistar sua liberdade. Tem um cara aí entocado do outro lado da cidade, você tem o endereço dele, Pulaski? – Tenpenny completa enquanto Pulaski dá um papel com um endereço para CJ – Outro viado gangster, drogado e matador de policial, assim como você. A gente não gosta dele e ele não gosta da gente. Agora você vai lá para ter certeza de que ele nunca mais vai sair do bairro dele, nem em caixão. Agora some daqui, caralho!

CJ deixa Market com um papel que continha um endereço de uma casa entre Los Flores e Las Colinas, área dos Vagos, e outro endereço de uma escadaria no centro, ali perto. Primeiro ele vai até essa escadaria e lá vê um saco preto escondido atrás de uma lata de lixo. Logo deduz que aquilo era para ele. Quando CJ abre, vê cinco coqueteis molotovs prontos para uso. Ele entendeu o recado. A CRASH queria a casa do endereço completamente em chamas.

CJ se aproxima da casa. Era uma casa de dois andares com paredes azuis, duas chaminés, várias grandes janelas e portas vermelhas. Em frente à casa, havia alguns Vagos fazendo segurança para o dono da casa, que era um dos líderes da gangue, chamado Simón. Eles mexiam no motor de um carro quando CJ faz um drive-by com uma submetralhadora que levava em seu carro. Ambos são atingidos e caem. CJ rapidamente sai do carro, finaliza os Vagos e acende os panos dos molotovs. Começa a jogar em todas as janelas, quebrando os vidros e incendiando a casa instantaneamente. Era uma missão arriscadíssima, pois com certeza em alguns minutos mais Vagos do bairro chegariam para um contra-ataque. CJ estava sozinho, portanto tinha que ser rápido. De dentro da casa, um homem sai gritando com o corpo em chamas, mas não consegue ir muito longe. Era Simón. Ele cai e morre carbonizado.

Quando CJ voltava para seu carro, algo chama sua atenção. No segundo andar do prédio, uma garota negra aparece em uma das janelas desesperada:

Liguem para o 911! Socorro!

CJ já havia visto a garota em seu bairro, ela era uma associada da Grove Street Families. Seu nome era Denise Robinson, de vinte anos de idade. Ela morava em Ganton, mas se aventurava por bairros de várias gangues diferentes vendendo seu corpo na prostituição. CJ não poderia deixar uma Grove em uma casa em chamas, mesmo com o risco de ter que enfrentar mais Vagos, então entra na casa para resgatar Denise. Na cozinha, ele acha um pequeno extintor de incêndio, que usa para subir as escadas da casa, que estavam em chamas.

Se afasta! – CJ grita.

Apaga! Apaga! – Denise estava desesperada – Meu Deus, estou com muito medo!

Uma parte do piso do quarto ao lado desaba, fazendo um grande barulho, o que assusta Denise ainda mais:

Meu Deus, o que foi isso!?

A casa está começando a desabar! A gente tem que vazar daqui, rápido! – CJ diz e desce as escadas segurando as mãos de Denise.

Rápido! Apaga! Apaga! – Denise continuava gritando.

Ao saírem da casa, CJ e Denise rapidamente entram no carro. Ao saírem do bairro, Denise finalmente se acalma e dá um beijo na boca de CJ.

Cara, eu te devo a minha vida! Eu quase morri ali! – Denise sorri.

Você parece estar em estado de choque, mina. Quer que eu te deixe em casa? – CJ pergunta.

Sim, por favor. Obrigada! – Denise diz.

Onde você mora? – CJ pergunta.

Perto da Grove Street... – Denise responde.

Sério? E o que você estava fazendo em um bairro dos Vagos? – CJ pergunta.

Gosto de viver perigosamente... – Denise ri – Você é o CJ, né?

Sim, como você sabe meu nome? – CJ pergunta.

Todo mundo na Grove sabe quem você e o seu irmão são. Eu achei que você tinha fugido... – Denise diz.

Eu nunca fugi de nada, ok? Só precisei me afastar de algumas paradas... – CJ se esquiva.

Minha casa é aqui... – Denise diz ao chegar à rua de sua casa.

Qual é o seu nome? – CJ pergunta.

Denise. Denise Robinson... – Denise sai do carro – Me liga. A gente pode sair ou fazer algo a mais…

Beleza... – CJ responde.

Então até mais, CJ! – Denise se despede e entra em sua casa.

CJ volta para sua casa pensando que se envolver com Denise não era nada apropriado, afinal provavelmente ela era uma prostituta, mas que sair com ela algumas vezes poderia ser divertido, afinal seria algo que ele não fazia com as outras prostitutas do bairro. Mas antes de chegar em casa, ele recebe outra ligação. Dessa vez era Cesar.

Alô. Quem é? – CJ já pergunta.

E aí, mano? É Cesar Vialpando, cabron. Que honda? – Cesar diz.

Você tem visto Kendl? – CJ pergunta.

Sim, ela está aqui. Pero, mira, estou te ligando para dizer que você manda bem no volante. Você gosta de carros, né? – Cesar pergunta.

Sim, eu acho. Aonde você quer chegar? – CJ pergunta.

Você quer faturar alguma coisa, um dinheirinho? – Cesar pergunta.

Fazer o papa cagar no mato? – CJ ri.

Eu não sei, mas se você quiser fazer um extra, tem muito dinheiro para se ganhar nas corridas... – Cesar diz.

Você está falando de rachas! Pode crer! – CJ se anima.

Sem latas velhas, mano. Só low-riders! – Cesar alerta – E dos bons! Tem que ser bom, senão você nem entra.

Ok, estou dentro. Quando e onde? – CJ pergunta.

Chega aqui na minha casa em El Corona. Vou te levar ao encontro, falar por você. Esses caras... Esses caras às vezes ficam bem nervosos com novatos... – Cesar diz.

CJ recebe o endereço de Cesar e vai até sua garagem para pegar o low-rider que possuía. Ele vai até a casa do Azteca, uma casa como todas as outras de El Corona, modesta e com uma garagem ao lado. Ele vê Cesar e Kendl em um carro na garagem já prontos para saírem.

CJ! Você conseguiu chegar! – Cesar diz.

Qual é a parada? – CJ se aproxima do carro.

Ei, Carl! – Kendl diz.

Ei, mana… – CJ responde.

Bom carro, cara. Isso aí não é carrucha... – Cesar diz ao ver o Savanna de CJ – Tem certeza de que quer arriscar essa belezinha?

Sim, tenho certeza. De quanto eles estão falando? – CJ pergunta.

É dinheiro de verdade ou o seu bebezinho roda. Con Safos, respeito! – Cesar avisa – Você entra na corrida, o primeiro que passar nos postos vence, con chota, sin chota. Polícia não atrapalha!

Ok, pode crer, fechado... – CJ diz.

Mas cuidado, CJ. Esses caras não gostam de perder, hein... – Cesar diz enquanto liga seu carro.

Eu também não... – CJ ri.

Me siga até a corrida, cara... – Cesar acelera.

CJ volta para seu carro e segue Cesar até Commerce, onde vários low-riders já estavam na rua, prontos para iniciarem a corrida. Cesar chega primeiro e acena para o organizador do racha, que também era um dos Varrios Los Aztecas. Cesar aponta para o carro de CJ e faz um sinal de positivo com a mão, que é retribuído pelo mexicano ao ver o Savanna. Cesar olha para CJ e diz que a corrida iria começar.

A corrida se inicia e logo CJ percebe que os corredores eram sujos, jogavam seus carros para cima dos outros. Pelas esquinas, havia placas provisórias indicando o caminho a seguir para os competidores. A corrida dura dez minutos, passa por toda a costa oeste da cidade, até chegar ao seu fim no Yatch Harbor, um píer em Santa Maria Beach. CJ chega em terceiro lugar, mas não perde seu carro, afinal apenas os dois últimos tinham que pagar. Cesar terminou em segundo, perdendo para um asiático estranho de terno e óculos escuros no meio dos mexicanos. Quando CJ chegou ao fim, Cesar e Kendl já o aguardavam. Cesar fica satisfeito com o desempenho do novato e entrega mil dólares a CJ como prêmio pela colocação.


A noite chega e traz mais CRASH para a vida de CJ. Ele recebe uma ligação de Hernandez, que ordena o comparecimento novamente ao Jim’s Sticky Ring, mesmo local que CJ já havia estado mais cedo. CJ vai até lá e é surpreendido antes mesmo de entrar, pois Pulaski, Hernandez e Tenpenny saíam.

Carl! – Pulaski grita e agarra CJ pela camisa – Aonde você vai?

Que merda... – CJ suspira.

Está querendo fugir para onde, Carl? Achei que fossemos amigos... – Tenpenny diz.

É, pode ser... – CJ desdenha.

Como um policial encarregado de dar fim à guerra de gangues, eu me encontro em uma difícil posição moral, Carl... – Tenpenny diz.

Ah, tá... – CJ ri.

Carl, eu estou magoado! Estou mesmo! – Tenpenny finge choro – E logo agora que eu iria ajudar esses pobres garotos da Grove Street...

Ah é? E como? – CJ pergunta.

Eu gosto do status quo, Carl, de como as coisas estão. Gosto de ter vocês, idiotas, fazendo meu trabalho para mim, explodindo as tripas uns dos outros no meio da rua... – Tenpenny diz.

Idiotas? – CJ se irrita.

Agora, se me chama atenção o fato de que uma tribo está com uma injusta vantagem sobre a outra, isso realmente me traz problemas, Carl... – Tenpenny diz.

Do que você está falando, cara? – CJ está irritado.

Estou falando sobre os Ballas terem cérebro, Carl. Eles assistem o jornal. Estou falando sobre eles fazendo amizades, acordos e se preparando para coisas maiores do que um drive-by com alguns otários no carro... – Tenpenny esclarece – Muita arma barata veio para os Estados Unidos com a queda do muro, Carl.

Cara, corta essa merda, Tenpenny! Diz logo o que você quer dizer, cara! – CJ grita.

Vai dar uma olhada em um armazém comercial movimentado lá no porto que você vai ver o que eu quero dizer, Carl... – Tenpenny entra em sua viatura.

Ok... – CJ diz.

Vocês que se virem agora! – Pulaski diz e acelera a viatura.

Pode crer... – CJ entra em seu carro.

O destino daquela noite quente seria Ocean Docks, que estava recebendo os Ballas para fechar negócios com os moradores da região: os russos. Desde o último envolvimento com os russos acompanhado de Big Smoke, CJ soube que eles eram a máfia mais pesada da cidade, tendo bom armamento e bons soldados. Era necessário passar na Grove e chamar alguns membros para ir resolver o que Tenpenny queria, o que também era de grande importância para a Grove: desmontar a organização dos Ballas. Mas para isso, CJ tem uma ideia: usar roxo para se passar por Ballas indo ao acordo. Os russos eram isolados, não conheciam muito bem gangues afro-americanas da cidade, portanto qualquer negro poderia se passar por membro de qualquer gangue.

CJ vai com seus parceiros até os armazéns do porto e logo de cara vê um deles que estava com uma movimentação estranha no pátio para o horário. Vários carros e motos entravam em contêineres, algo comum ali. Mas CJ vê que havia seguranças armados entrando em um dos armazéns do local. Provavelmente seria lá que estariam os Ballas, pois havia carros típicos da gangue estacionados lá dentro.  CJ entra e se identifica como Balla para os seguranças, que o deixa entrar. Todos os cinco Groves disfarçados saem do carro e vão para o armazém movimentado. Eles são levados até um escritório, onde havia quatro Ballas negociando submetralhadoras e fuzis russos com um homem chamado Andre, um russo loiro, vestido com um terno, de cinquenta e quatro anos de idade.

Assim que entram na sala, os Groves rendem e matam os dois seguranças que os acompanhavam e atiram nos Ballas por trás com pistolas com silenciador, para não chamar atenção dos inúmeros russos ali. Andre fica paralisado, sem poder pegar seu fuzil em cima da mesa:

Parem! Nós podemos fazer negócios! Fazer negócios na América é perigoso!

CJ olha por alguns segundos para o russo e pergunta qual era o papel dele na máfia. Andre responde que era apenas um traficante de armas, não era ligado aos chefes dos russos de San Andreas. Aquela definitivamente foi uma resposta errada. Já que ele era inútil, CJ ordena a execução de Andre, que antes de morrer com um tiro na cabeça, grita:

– Vai se foder, americano! Para mim, chega!

Nenhum russo do armazém ouviu gritos nem disparos. Portanto, os Groves de roxo saíram tranquilamente do local no carro em que chegaram. Apenas quando eles estavam chegando à Grove Street que os russos perceberam os vários corpos naquele escritório, mas não tinham ideia de que os responsáveis por aquilo eram Groves. Eles só viram uma cor naquela noite ali: roxo. E roxo significava Ballas. O plano de CJ foi executado brilhantemente.

quarta-feira, 9 de março de 2016

San Andreas - Parte 13


O dia se inicia logo cedo para CJ. Ele acorda e vai até a casa de seu irmão para tomar café da manhã, mas ao entrar lá, não encontra ninguém.

Sweet? Smoke? Porra, cadê os manos? Pra onde eles foram? Que merda! – CJ dizia para si mesmo enquanto andava pela casa, mas, ao voltar para a rua, recebe uma ligação – Alô?

Carl! Sem tempo para bater papo! Fui visto com uma mina da Seville Families! A parada se espalhou pelas ruas e os caras não gostaram! Eu estou preso no bairro da Seville e a gente precisa de um carro aqui, rápido! – Sweet gritava enquanto se escondia com sua namorada em um condomínio de apartamentos em Playa Del Seville, bairro da Seville Boulevard Families.

Eu estava procurando por você mesmo, Sweet! Pode crer, mano! Se segura aí! Fica preparado para vazar quando eu chegar, beleza? – CJ responde.

Pode crer, negão! Vou estar pronto! Se precisar, passa no Emmet pra pegar algum ferro! – Sweet, desesperado, não se lembra que a Grove já possuía um ótimo armamento.

Sweet havia saído na madrugada anterior para ir até o apartamento de Patricia, uma jovem morena de vinte anos, que era afiliada à Seville Boulevard Families, com quem os Groves não possuíam mais um bom relacionamento, as duas gangues já pouco se respeitavam. Se algum membro de uma fosse visto saindo com membros da outra, não seria perdoado. Patricia era namorada de Sweet havia alguns meses, mas era um relacionamento às escondidas. Naquela manhã, o Grove foi visto pela janela do apartamento dela em Playa Del Seville e vários membros da Seville cercaram o prédio para matá-lo. CJ rapidamente chama Troy e os dois vão em um carro, fortemente armados, até o bairro em que Sweet estava. Em frente ao pequeno prédio de Patricia, havia alguns Sevilles atirando. CJ entra na rua em alta velocidade e passa por cima de dois, com Troy fazendo um drive-by nos membros restantes. Antes de morrerem, os Sevilles atiraram de volta deixando o pneu do carro de CJ vazio. CJ deixa o carro em uma quadra de basquete que havia na rua e vai para a frente do prédio com Troy para finalizar os que ainda estavam vivos e resgatar Sweet. Logo CJ recebe outra ligação de Sweet, que via o irmão pela varanda do condomínio.

Esse é o meu irmão! Liga o carro e a gente te encontra aí na frente! – Sweet diz empolgado e joga a chave do carro.

CJ pega a chave na rua e entra no carro de Sweet, que estava estacionado ao frente ao prédio. Ele liga o motor e Sweet e Patrícia descem as escadas do prédio correndo. Assim que entram no carro, dois carros surgem na rua em alta velocidade. Eram mais Sevilles.

A Seville Families está na nossa cola, negão! – Sweet grita, fazendo CJ acelerar com toda a força e já despistar os carros algumas ruas depois – A Seville foi longe demais, eles estão querendo começar uma guerra!

O bagulho está louco, mano! A gente tem que unir as Families de novo! Verde contra verde não é o jeito que as Families deveriam atuar... – CJ diz enquanto dirige – Para aonde a gente vai agora?

Ela pode ficar no nosso bairro enquanto esses otários da Seville se acalmam... – Sweet diz – Só para deixar as coisas claras, não teremos mais nada daqui em diante, baby...

Mas e ontem à noite? – Patricia reclama – O que foi aquele “Garota, você é especial...” e aquele “Você sabe que eu te amo, garota...”?

Mas isso é verdade. O fato é que não vai dar para rolar sinos de casamento por enquanto, é isso... – Sweet se esquiva.

A gente vai conversar sobre isso em particular, Sweet Johnson... – Patricia diz.

Você está fodido agora, Sweet... – CJ ri.

Olha a pista aí, filho da puta! – Sweet também ri – Eu não dirijo tão mal quanto o CJ, baby. Ela tem uma irmã, CJ, quer o número?

CJ nega e chega à Grove Street. Todos saem rapidamente do carro.

Te vejo lá dentro, baby! – Sweet dá um tapa na bunda de sua namorada, que entra em sua casa, e abraça CJ como forma de agradecimento – Cara, essa parada está matando as Families! Você foi bem hoje!

Eu sou um Johnson! – CJ responde.

Aí, eu tenho umas paradas para resolver. Parada amorosa... – Sweet diz e também entra em sua casa.

Após algumas horas em casa, CJ vê da janela o carro de Kendl chegando à Grove Street. Ela vai direto para a casa de Sweet com uma cara de pouquíssimos amigos. Quando CJ entra na casa do irmão, vê Kendl em um quarto em que ficavam coisas de toda a família, onde estava arrumando uma mala. Ela e Sweet estavam brigando.

Eu estou cansado de você não me ouvir, garota! – Sweet diz.

E eu estou cansada de você agir como se fosse meu dono! – Kendl rebate – Eu posso ver quem eu quiser ver!

Não é certo você namorar um desses cholos filhos da puta! – Sweet se refere ao namorado de sua irmã.

Ah! Um gangster hipócrita e cabeça vazia me dizendo o que é certo e o que é errado... – Kendl ironiza – Deixa eu adivinhar, Sweet. Matar sem motivo por aí é certo, mas ter um namorado do sul da cidade é errado!?

Algumas coisas só não devem acontecer! E se vocês tiverem filhos? Leroy Hernandez? Isso não fica bom, garota! – Sweet se mostra racista.

O nome dele não é Hernandez! – Kendl diz.

Leroy Lopez, então! – Sweet insiste.

Nem Lopez, seu racista de merda! – Kendl grita – Não foi assim que a mamãe criou a gente!

Eu não sou racista! Eu só sei o jeito que eles enxergam você! Olha para você! Você se veste feito uma puta! – Sweet apela.

Ah! Eu tenho certeza que vocês dois sabem muito bem como uma puta se veste, né? – Kendl diz quando vê CJ se aproximando.

Você diz como se isso fosse ruim... – CJ ri.

Cala a boca, Carl! – Kendl e Sweet dizem juntos.

Só estou tentando te proteger! – Sweet diz para sua irmã.

Pra que? Para eu namorar um desses seus amigos imbecis? Eu acho que não! – Kendl diz e vai embora com sua mala.

Não diz nada, Carl. Vai atrás da sua irmã antes que você tenha outro parente morto. Aí você vai ver exatamente porque eu fico puto assim. Ela está se encontrando com um cholo de um clube de carros... – Sweet diz.


Antes de deixar a Grove Street, Kendl diz que iria para a Unity Station encontrar Cesar, seu namorado. CJ iria com ela para conhecer o mexicano, mas Sweet o chama de volta para sua casa e diz para seu irmão ir até Willowfield em uma loja mexicana de personalização de carros chamada Loco Low Corporation, especializada em low-riders, carros rebaixados e com suspensões especiais. Os mexicanos daquele ramo só aceitavam conversar com quem entendesse do assunto, seria essencial um Grove chegar pelo menos com um low-rider nos bairros do sul. CJ então segue para o endereço da loja e é recepcionado por um mexicano chamado Paco. Ele sai de uma garagem com um Savanna rebaixado, mostrando a suspensão que fazia o carro praticamente pular. Ele sai do carro e fala com CJ:

Você deve ser o irmão do Sweet, né? Ele ligou para cá, falou que você estava procurando por um carro que pulasse. Eu devo umas paradas a ele há muito tempo, então leva esse aqui, deve dar para o gasto...

CJ entra no carro e começa a testar a suspensão do Savanna. Ele não demora muito a pegar o jeito da coisa. Paco se impressiona:

As vagabundas que adoram customização deveriam ver você pulando por aí. Isso é muito popular com os eses, eles competem com esses carros. Você pode achar eles na Unity Station. Se quiser modificar seu carro, apareça aí qualquer hora, cara!

CJ decide comprar uma pintura especial para o Savanna. Ele entra na loja e vê os funcionários colando adesivos e pintando a lataria do carro, deixando-o com um desenho de labaredas de fogo. Após o término do serviço, CJ segue até a Unity Station em El Corona, bairro dos Varrios Los Aztecas. Estava acontecendo um encontro de low-riders, com muitos carros e muita música. Os carros pulavam no ritmo das músicas, “dançando” com as batidas. Era lá que CJ encontraria o namorado de sua irmã.

Cesar Vialpando tinha vinte e nove anos, era americano, mas com ascendência mexicana. Era um latino de cabeça raspada e barbicha, várias tatuagens, assim como a maioria dos outros membros da Varrios Los Aztecas, gangue que fazia parte e era um dos líderes. Ele começou a namorar Kendl Johnson em 1990, quando a Grove Street Families começava a perder espaço na cidade. Beverly, mãe de Kendl, sempre apoiou a filha, mas Sweet nunca viu com bons olhos aquela relação, chegando ao ápice de declarações racistas naquela tarde.

Assim que CJ chega à Unity Station, vê vários mexicanos o encarando. Um deles sai do carro e se aproxima do carro do Grove:

Você está aqui para competir, mano?

CJ mostra duzentos dólares para o Varrio. Aquele seria o valor da aposta. O mexicano volta para seu carro e o coloca de frente para o carro de CJ. Uma latina entra no carro do Grove e fica sentada em cima do banco, já que o carro era conversível. O DJ, em uma picape, põe a música “Odyssey”, de Johnny Harris, como trilha sonora para o desafio. CJ respira fundo e começa a fazer seu carro novo dançar no swing empolgante. Todos os mexicanos do local começam a se olhar confusos. Era realmente um Grove fazendo aquilo? CJ simplesmente deu uma aula de bouncing, que era como todos chamavam o desafio. Ao final da música, o mexicano desafiante diz de seu carro:

Você é muito bom para um iniciante...

CJ se sente orgulhoso. É quando Kendl aparece do nada e dá um abraço no irmão enquanto ele saia de seu carro:

Você foi demais! Aaaah! – Kendl grita – Desde quando meu irmão é um lowrider?

Desde que o Sweet me falou para ficar de olho em você, ver com quem você está namorando para que você não tenha problemas... – CJ ri.

Que honda? Boa dança, mano... – Cesar se aproxima e cumprimenta CJ.

Bom, você está vendo que não estou na mão de qualquer um... – Kendl abraça Cesar.

Vem cá, garotinha... – Cesar beija sua namorada.

Ei, tira suas mãos sujas da minha irmã! – CJ empurra Cesar ao ver a cena.

Carl, qual é o seu problema!? – Kendl separa o irmão da briga.

Mano, você está agindo como se ela fosse sua mulher! Ela está comigo, cabron. Então relaxa aí, caralho. Eu trato ela bem... – Cesar diz.

Olha, amor, não começa com essas merdas. Não deixa as coisas piores, ok? – Kendl reclama com Cesar.

Alguns Varrios se aproximam da briga. Eles eram liderados por Jose, aquele que há alguns meses estava em San Fierro apanhando de T-Bone Mendez.

Horale, vato! Quem é esse pendejo? – Jose pergunta a Cesar.

Como é que é? Idiota? Esse idiota é o meu irmão! – Kendl fica irritada.

Calma, mano. Ele não é de qualquer lugar. Ele é de boa... – Cesar responde ao seu líder.

Eu digo que ele não é de boa, mano... – Jose diz olhando nos olhos de CJ – Eu digo que ele acha que é gangster, cara, e eu não gosto disso. Então sabe o que você pode fazer por mim, cara? Você pode ir se foder, pendejo, e aí talvez a gente fique de boa!

Não, vai se foder você! Eu estou falando com a minha irmã! – CJ responde.

Carl! – Kendl se desespera e segura o irmão.

Jose, qual é, mano, eu resolvo isso. Isso é importante para mim! – Cesar diz.

Horale, pendejo. Você tem sorte. Beleza, você tem sorte de ter Cesar falando por você... – Jose diz a CJ – Vamanos, muchachos. Vamos beber uma porra de uma cerveja por aí. Estou com sede...

Carl, que merda você tem na cabeça!? – Kendl se irrita quando os Varrios vão embora.

Amor, vai para o carro, ok? Eu falo com o Carl... – Cesar pede a Kendl, que obedece, então o Varrio fica livre para conversar com o Grove – Olha só, mano, eu amo sua irmã. Eu respeito ela, ela é minha mina de fé. Foi por causa dela que eu não deixei você ser surrado agora. Se você tem problema comigo, tudo bem, a gente não precisa ser amigos.  Mas a Kendl está feliz comigo, carnal.

...Beleza, acho que estamos de boa. Por enquanto... – CJ, depois de uma pequena pausa, cede e cumprimenta Cesar.

 – Cesar Vialpando... – Cesar se apresenta.

Carl Johnson, CJ... – CJ também se apresenta.

Cabron, você tem um carro maneiro aí, mano! – Cesar vê o low-rider de CJ – Talvez a gente possa dar umas puladas com ele por aí juntos, hein!

É, talvez... – CJ diz.

Cesar volta para o seu carro e segue para sua casa, onde morava com Kendl. CJ volta para a Grove Street. Decide não falar com Sweet sobre o que havia acontecido. Cesar Vialpando não era o tipo de cara que seria péssimo ter como cunhado. Ele apenas era de uma gangue diferente, mas tinha caráter. Demoraria até Sweet entender aquilo. 

sábado, 5 de março de 2016

San Andreas - Parte 12


Após uma longa noite de festa, os Groves só estavam de pé à tarde. CJ sai de casa e vai procurar Ryder, que não via desde antes do ataque dos Ballas. Encontra o maconheiro nos fundos de sua casa, sentado em uma cadeira de praia fumando um baseado.

Ryder! – CJ chama seu parceiro, mas vê que ele não estava ouvindo – Porra, esse negão está chapado. Ryder!

E aí, CJ... – Ryder fala lentamente por conta da maconha – Aí, CJ, me diz por que eu não terminei o ensino médio.

Porque você sempre vendeu drogas, cara, desde os dez anos! – CJ ri.

Não, não foi isso... – Ryder se recorda.

Hahaha! Foi porque você meteu a mão naquele professor só porque ele estava usando a cor dos Ballas! – CJ diz.

Hahaha! – Ryder ri e cumprimenta CJ – Não, mas também não foi por isso. Foi porque eu sou muito inteligente para essa merda, cara. Eu sou o cara, maluco! Isso aí! Um gênio...

Hahaha! Ah sim, claro... – CJ ri.

Quem tem mais arma que qualquer um? Quem tem todas as armas, hein? – Ryder desafia.

Um cara com várias armas? – CJ pensa por alguns segundos – Porra, sei lá, desisto!

O exército, negão! O exército! Vambora! – Ryder diz.

Pode crer... – CJ responde.

Dá uma puxada nisso aqui, mano... – Ryder oferece o baseado.

Tira isso da minha cara, mano! – CJ recusa.

Dá uma puxada! – Ryder insiste.

Você sabe que eu não mexo com esses bagulhos! – CJ recusa novamente.

Qual é, mano? Sua bicha! – Ryder diz.

CJ não entendeu muito bem na hora, mas o plano de Ryder era exatamente esse: roubar armas do exército. O efeito da maconha com certeza estava estragando seu cérebro. Aquilo seria praticamente um suicídio, mas Ryder estava empolgadíssimo. Na Grove Street, já havia um pequeno caminhão baú. Ryder busca as chaves dentro de casa e entra no caminhão com CJ na direção.

Você acha que consegue dirigir esse caminhão sem matar a gente? – Ryder provoca.

Para onde a gente vai? – CJ não dá bola e pergunta.

Ocean Docks... – Ryder responde.

De onde saiu esse caminhão? Não vi ele na rua quando eu saí de casa... – CJ pergunta.

Meu mano LB é um ninja! Ele é muito confiável! Ao contrário de vocês, filhos da puta... – Ryder diz.

Dá um tempo, cara... – CJ diz – Eu já perdi meu irmão mais novo e agora eu perdi a minha mãe!

Não importa a quantidade de merda que essa cidade joga na sua cara, CJ, você tem que se manter forte pelos seus manos... – Ryder diz.

É, eu acho... – CJ tenta finalizar o assunto.

O caminhão faz seu caminho até Ocean Docks, o bairro portuário da cidade, onde ficava o imenso Los Santos Port. O bairro era o local onde também ficava a National Guard Depot, a base militar do exército da cidade. Ao chegarem lá, CJ cai na real sobre a gravidade do que iriam fazer.

É aqui! A National Guard Depot! – Ryder diz ao ver um jipe do exército entrando no portão da base.

Cara, essa merda parece ser bem séria... – CJ se preocupa – A gente tem capacidade para isso?

É a guarda nacional, otário! Soldados de fim de semana! Eles não são nada perto dos OGs da Grove Street! – Ryder ri – Agora vai lá e abre aquela merda de portão!

CJ sai do caminhão e analisa tudo ao redor. Alguns soldados entravam e saiam do portão, então CJ faz o que fazia de melhor: assaltar. Ele se aproxima de um soldado que andava sozinho e coloca uma pistola na cabeça dele. O soldado não reage, apesar de também estar armado. CJ o leva para um beco próximo da base e o obriga a tirar todo seu uniforme e colete. O soldado prontamente obedece, ficando apenas de cueca. CJ o obriga a pular no mar para que não seja uma ameaça, e o soldado se joga das docas, caindo no mar e nadando até algum lugar que pudesse voltar para a terra.

Boa, CJ. Achei que isso era uma missão suicida... – Ryder diz.

Com o uniforme do exército, CJ volta para o caminhão. Ryder vai para o baú para se esconder. Ao chegar ao portão, CJ buzina para o porteiro, que logo libera a passagem para o “soldado”. Dentro da base, CJ vê o depósito de armas, mas ele estava fechado. Um soldado que passava por ali é abordado por CJ, que pedia educadamente a senha para abrir o depósito, já que havia esquecido. O soldado digita a senha na fechadura eletrônica e a porta se abre, mostrando várias caixas de madeira lotadas de fuzis e metralhadoras poderosas. CJ manobra o caminhão, o deixando com o baú aberto de frente para a entrada do depósito. Ryder estava escondido embaixo de um cobertor lá dentro. CJ assume o volante de uma empilhadeira do local e começa a colocar as caixas dentro do caminhão, sem que nenhum soldado desconfiasse, pois achavam que o que estava acontecendo era mais uma das entregas diárias de armas.

Após colocar dezenas de caixas no baú do caminhão, CJ fecha o depósito tranquilamente e assume a direção de novo. Ryder passa para o banco de carona rapidamente e fica abaixado quando passam pelo portão.

A gente já tem o bastante. Vamos vazar daqui! LB tem um lugar para o caminhão em Willowfield, é a casa do Emmet. Acelera aí!  – Ryder diz e vê alguns jipes do exército atrás do caminhão pelo retrovisor – Porra, cara, esses idiotas não desistem!

O que está acontecendo lá atrás? – CJ pergunta, pois seu retrovisor estava sem espelho.

Esses soldados de fachada estão atrás da gente na estrada! – Ryder diz.

Boa rima, cara... – CJ ri da alucinação de Ryder, já que os soldados estavam apenas saindo da base – A gente está muito pesado, vai lá e joga umas caixas neles...

Beleza, você buzina e eu jogo as caixas! – Ryder viajava e tentava sair pela janela.

Eu não vou ficar andando com você até você largar essa maconha, cara! Isso zoa a sua mente!  – CJ puxa a camisa de Ryder e dá um tapa em sua bochecha.

Foda-se, otário! Você nem sabe o que está rolando! – Ryder se irrita.

E o que é? – CJ pergunta.

Não vou ficar ouvindo suas merdas mais! Nós já temos as armas! Você não é gangster, mano! Você quer o que? Moleza? Você quer fugir das tretas! Eu faço as paradas na moral! – Ryder diz.

Você não iria saber o que é na moral se eu não tivesse te dado um tapa na cara, mano! Poderia saber se eu tivesse te dado um tiro! – CJ também se irrita.

Não estou te ouvindo, Carl... – Ryder não queria mais conversa.

CJ leva o caminhão até a casa de Emmet, onde havia ido com Smoke alguns dias antes. LB os recebe e indica uma garagem para eles deixarem tudo.

Essa parada foi foda! – Ryder diz a LB.

Foda? Cara, essa parada foi uma merda! – CJ se intromete.

Cara, você diz que está sempre aí para os manos, mas tudo que você faz é reclamar! – Ryder diz e vai embora.


CJ aproveita para fazer uma visita a Emmet e volta de carona com LB para Ganton. No caminho, passando por Idlewood, ele fica na casa de Big Smoke, que não havia participado da festa de OG Loc e nem do consequente contra-ataque aos Ballas, o que chamou a atenção de CJ. A casa aparentemente estava fechada, mas CJ encontra Smoke em sua garagem atrás de seu carro.

E aí, CJ! Qual é, cara? – Smoke se anima.

O que está pegando, Smoke? – CJ vai até a garagem, sério.

Só relaxando aqui. Quer dar uma volta por aí? – Smoke diz.

Sim... – CJ diz.

Você dirige! – Smoke joga a chave do carro.

Beleza... – CJ abre o carro e entra.

A gente vai para o centro da cidade! – Smoke também entra.

É melhor não ser mais uma ordem policial, cara... – CJ diz.

Não, cara, isso é só para os manos... – Smoke diz – Eu tenho que ser honesto com você, CJ. Talvez a gente esteja se metendo em uma parada séria, baby.

No que você se meteu, Smoke? – CJ pergunta.

Um monte de paradas está acontecendo, Carl. As Families caindo, os Ballas traficando, russos sem nada a perder caçando todo mundo... – Smoke responde.

Russos? – CJ é surpreendido.

Minha vida toda me disseram para ter medo dos ruskies, mas eu nunca encontrei nenhum. Aí o muro caiu e agora todo mundo tem que ser amigo. Cinco minutos depois, minha prima está fodendo com um ruskie que acabou de sair de um navio... – Smoke diz.

Sério? – CJ não acredita.

Sério! – Smoke diz.

A máfia russa de Los Santos era muito presente na região desde a queda do muro de Berlim, em 1989. A queda significou praticamente a abertura do mundo para os soviéticos, que embarcaram para vários lugares do mundo, inclusive levando suas organizações criminosas consigo. Eles costumavam ficar em bairros do sul da cidade, perto do porto, que era por onde haviam chegado.

Mas naquele início de noite, CJ e Smoke vão até Commerce, no centro da cidade. Smoke pede para CJ estacionar o carro em frente ao Atrium, um bonito prédio comercial espelhado de paredes redondas. Os dois sobem por escadas rolantes até uma varanda com mesas para alimentação. Uma bonita mulher passa pelos Groves e se senta em uma das mesas sozinha. Percebendo que CJ olhava para a mulher, Smoke chama sua atenção:

Olha só, Carl, antes de eu entrar, eu preciso saber que você está comigo nessa, cara!

Smoke, a gente não vacila, a gente é Grove, cara! – CJ cumprimenta Smoke.

É isso aí! Esse é o meu mano! – Smoke abraça CJ – Aí, se você ouvir que está dando alguma merda, entra atirando, beleza?

Pode crer, mano! – CJ diz, mas logo que Smoke entra no prédio, ele volta seu olhar para a mulher que chamou sua atenção – Ei, baby, quer companhia?

Filhos da puta! – Smoke grita de dentro do prédio – CJ, entra aí!

CJ rapidamente se apressa a entrar na grande porta de acesso ao hall do Atrium, mas vê que estava rolando um intenso tiroteio. Smoke estava abaixando usando uma pequena mureta como proteção enquanto havia vários russos atirando contra o Grove. Aparentemente, algum acordo havia dado errado.

Pega proteção e atira nesses otários filhos da puta! – Smoke grita.

Big Smoke, você cometeu um grande erro! – um dos russos grita com um sotaque carregado.

Cuidado, CJ, acho que eles estão putos! –Smoke grita enquanto atira – Vai pela direita e me cobre!

CJ corre entre várias estátuas do hall do prédio atirando contra os russos, que vão caindo um por um com o contra-ataque dos Groves.

Esse é o meu mano! Fazendo todos pagarem! – Smoke ri.

Os cinco russos que estavam ali foram mortos. CJ e Smoke faziam uma boa dupla quando se tratava de tiros e mais tiros. Mas não havia apenas aqueles caras ali, o prédio estava cercado de russos.

Vem comigo, CJ, vamos vazar daqui! – Smoke grita e segue até uma saída de emergência – Fica com a cabeça abaixada, mano! A barra está pesadíssima aqui!

Smoke e CJ saem por outra varanda parecida com a que chegaram e lá havia mais russos. O tiroteio novamente é intenso.

Smoke! Você e seu amigo estão mortos! – um russo grita.

Filhos da puta! – Smoke grita de volta e vê CJ atirar em todos ali – Esse é o meu mano CJ! Hahaha! Você é gelado, mano!

Após os russos da varanda caírem mortos, Smoke vê uma moto ali, provavelmente de algum russo. Ela estava ligada e pronta para uma possível fuga dos soviéticos, mas quem foge nela são os Groves.

Hora de retribuir o favor, mano! Sobe aí! – Smoke pula na moto e diz, se referindo a quando CJ o levou de moto para atirar nos Vagos em cima do trem.

Ao descerem uma rampa giratória do estacionamento do prédio, uma moto com russos começa a perseguir os Groves e as ruas viram um palco de um novo tiroteio.

Eles estão atrás de nós com uma moto, Smoke! – CJ grita e começa a atirar.

Mata qualquer filho da puta que vier atrás da gente! – Smoke grita.

Porra, cara, eles estão vindo em um caminhão! – CJ diz ao ver um caminhão imenso o perseguindo também.

Não fica me dizendo essas coisas! Tira eles da rua! Atira! – Smoke grita enquanto foge em alta velocidade – Porra, olha esse trânsito! Saiam da frente! Eu estou passando!

A gente tem motos atrás de nós! Dá um jeito, Smoke! – CJ grita.

Se segura, baby! – Smoke responde e mira uma rampa de uma caçamba de entulhos na rua.

Smoke! Não! Nããão! – CJ se desespera quando a moto em que estava voa, aterrissando em cima de um ônibus, o que faz o caminhão dos russos bater.

Eles bateram no ônibus! – CJ diz quando a moto volta para a rua.

Hahaha! Eu nunca mais vou reclamar do transporte público de novo! – Smoke ri, mas logo vê uma rua fechada por carros de russos – Que merda! Rua fechada!

Porra, Smoke, esses caras são organizados! Você não me falou disso, cara! – CJ reclama.

Carl, a única coisa que eu sei é que eles estão bem putos com a gente agora! – Smoke grita – Se segura, eu tenho uma ideia!

Smoke, o que você tem na cabeça? Galeria do esgoto não tem saída, cara! – CJ grita ao ver Smoke entrando no local para fugir.

Que se foda, a gente tem que despistar esses caras! Não se preocupe! Eu conheço um caminho que dá na Grove Street! – Smoke diz e acelera pela galeria de esgoto da cidade, com os russos atrás, como sempre.

O túnel de esgoto antigo? Puta que pariu! – CJ se desespera.

Olha nossas costas! – Smoke diz.

Tem mais motos, Smoke! – CJ grita.

Explode o cérebro deles, CJ! – Smoke diz.

CJ continua atirando contra motos e carros que o perseguiam. O local que Smoke estava passando era estreito, cheio de túneis. CJ estava se saindo bem nos tiros para trás. Mas ao sair de um viaduto, o caminhão dos russos retorna e pula para a galeria, voando por alguns metros para perseguir os Groves de novo.

Que merda! Aquele caminhão achou a gente de novo! – CJ grita.

Cara, para de ser tão negativo! – Smoke se incomoda – Se foca nas boas notícias!

Que boas notícias? – CJ grita enquanto continua atirando.

A gente não morreu e seu dedo continua funcionando nesse gatilho, otário! – Smoke diz, mas começa a se preocupar – Acho que o motor dessa moto pifou. Não consigo pegar mais velocidade!

Ah, quem é o negativo agora, seu viado? – CJ grita.

Você venceu. Vou ficar com a minha boca calada a partir de agora. Cuida das nossas costas! – Smoke diz, mas logo grita de novo quando o caminhão ultrapassa sua moto e bate de frente na traseira de outro carro dos russos – Porra!

Cara, os carros acharam uma rampa! – CJ diz ao ver mais carros russos descendo uma rampa de acesso da rua à galeria.

Não me fala nada! Atira! – Smoke grita.

Leva a gente para aquela rampa! – CJ grita ao olhar para frente e ver uma rampa de acesso para a rua.

Estou indo, baby! – Smoke leva a moto para a rampa.

A gente ainda tem moto atrás de nós, cara! – CJ diz.

Cara, para de reclamar e atira no máximo de cuzões que você puder! – Smoke grita e vê o caminhão dos russos lá na frente – Os otários dispararam com o caminhão!

Vai atrás dele, cara! – CJ diz.

Beleza, a gente vai pegar uma rota turística! – Smoke desce da rampa e vai atrás do caminhão.

O caminhão dos russos logo para em um bloqueio com dois carros na galeria. Os russos se protegem atrás dos carros para atirar na moto dos Groves, que vinha em alta velocidade. CJ olha para frente e começa a atirar nos russos parados. Como o caminhão possuía uma rampa na traseira para carregar carros, Smoke utiliza essa rampa para novamente dar um grande salto, assim como deu para voar por cima do ônibus. Os russos não tinham como continuar atirando enquanto CJ atirava contra eles, então se escondem atrás dos carros enquanto os Groves voam por cima do caminhão e continuam o caminho pela galeria. Enquanto eles passavam pelo caminhão, uma granada dos russos explodiu, fazendo com que vários deles voassem junto.

Morram queimados, filhos da puta! – Smoke grita ao passar pelos russos e chegar ao fim da galeria – O túnel antigo está ali na frente! Atira no portão!

CJ atira no portão entreaberto de um antigo túnel de vazão de água de chuva. Smoke passa com a moto no vão que os tiros fizeram a entrada ter.

Boa, CJ! Lá vamos nós! – Smoke diz.

Cara, eu costumava odiar esse túnel quando a gente era moleque! – CJ diz.

A gente pode ter nostalgia depois! A gente ainda tem companhia! – Smoke grita ao ver mais motos de russos pelo retrovisor.

Esses caras não desistem? – CJ continua atirando.

Smoke finalmente sai do túnel da galeria de esgoto e chega à rua em East Beach. Ele logo entra em um beco que dava em um estacionamento de um prédio para despistar os russos, o que dá certo. Da moto em que os Groves estavam saía fumaça.

Eles perderam a gente, Smoke! É melhor a gente se separar! – CJ diz e desce da moto.

Eu vou levar essa moto para outra rua e acabar com ela. Cara, essa merda foi louca! – Smoke diz.

Pode crer. Se liga, a gente não pode ficar vacilando por aqui. Te vejo depois, mano! – CJ sai correndo para entrar em mais becos para chegar à Grove Street, que não estava muito longe dali.

Valeu, baby! – Smoke vai embora com a moto.

Após alguns minutos de caminhada cuidadosa pelas ruas, CJ chega à Grove Street. Ele se senta no sofá de sua casa e respira fundo. Naqueles dias de volta à Los Santos, ele nunca havia passado um perigo de morte tão grande quanto esse que acabara de passar com a máfia russa. Aqueles caras eram os mais perigosos da cidade. Membros de gangues de rua não eram nada perto dos soviéticos. CJ agora sabia com quem não se meter.