sábado, 25 de junho de 2016

San Andreas - Parte 24


Após dois dias sem novidades, CJ recebe um telefonema de Jizzy. Seu tom suspeito logo alertou o infiltrado, que sabia que algo estava sendo tramado.

Parceiro... – Jizzy diz.

Jizzy. Qual foi? – CJ já havia dispensado o tom respeitoso do início da relação.

Meus sócios de negócios precisam de uma assistência. Pensei em você... Amigo... – Jizzy usa um tom ridiculamente suspeito – Encontre T-Bone no posto de gasolina perto do porto em Easter Basin. Ele vai estar te esperando em um sedan de quatro portas. Agora, com licença, parceiro. Tenho uma ligação para atender. Arrivederci.

Beleza, se você diz... Tchau... – CJ desliga.

Como sempre ficava com os carros usados nos trabalhos para o Loco Syndicate, CJ vai a pé até o posto, que era da Xoomer, bem em frente ao porto. O posto estava fechado e só havia um carro ali. Era um Washington, exatamente o sedan de quatro portas que Jizzy havia falado. CJ se aproxima e vê que o carro está vazio, entretanto com as portas destravadas. Ele imagina que T-Bone talvez estivesse por ali em algum lugar, talvez no banheiro. Mas vinte minutos se passam e ninguém aparece.

Que merda, cadê todo mundo? – CJ se irrita e entra no carro.

CJ senta no banco do motorista e continua aguardando, impaciente. É quando sente alguém agarrando seu pescoço e apontando uma arma para sua cabeça. Ele olha no retrovisor e vê que era T-Bone.

Ei, você é um pinche jura ou o que!? – T-Bone grita desconfiado que CJ era da polícia.

Que porra é essa!? – CJ não entende nada e fala com dificuldade.

Você acha que vai me zoar!? Vou explodir sua cabeça e estuprar e matar sua família inteira, sua cobra! – T-Bone continua com a arma na cabeça de CJ – Você acha que pode me fazer de otário e me foder!? Conheço seu joguinho de merda, ese!

Eu não sei do que você está falando, cara! Minha garganta! – CJ reclama.

Para quem você está trabalhando!? – T-Bone aperta mais ainda.

Ninguém! – CJ grita.

Vira para cá e olhe para mim! – T-Bone larga CJ, mas não tira a arma de sua cabeça.

Cara, só estou tentando ganhar um dinheiro e ficar com a boca calada. Eu juro! – CJ diz tossindo.

Hahaha! Quase te peguei, cara. Quase te peguei, caralho! – T-Bone ri e chama Toreno, que observava tudo do lado de fora – Guacha! Você tem que ter cuidado nesse tipo de negócio, cara. Você sabe disso...

Os meninos aí já acabaram de brincar? – Toreno encosta na janela e pergunta.

Sim, estamos de boa, vato... – T-Bone diz enquanto CJ tosse.

Que bom, ótimo. Agora vamos ver aquela carga. Já estamos atrasados. Vamos! – Toreno diz.

Você ouviu o que o jefe disse! – T-Bone ordena CJ a dirigir.

CJ dirige o carro em silêncio até o estacionamento de uma fábrica, a Solarin Industries. Lá havia uma van, dois carros e uma moto. A van estava lotada de cocaína e deveria ir até uma fábrica do Loco Syndicate para ser transformada em crack. Mas Toreno havia ouvido relatos de seus soldados sobre os Da Nang Boys estarem preparando armadilhas para novamente roubarem a carga.

Saia e pegue a moto. A carga tem que chegar à fábrica. Se você garantir que ela chegue, faremos ter valido a pena. Estaremos te vigiando, garoto... – Toreno diz.

Si mon, ese. Estamos vigiando... – T-Bone completa.

CJ sai do carro e vai até a moto no estacionamento. Observa que dentro da van e dos carros havia latinos, provavelmente Rifas, da gangue de T-Bone. Também vê que em um carro havia um lança-míssil, algo que o assustou, por não imaginar o tamanho da missão que iria realizar, pois não sabia de nada. É só quando a van sai da Solarin que CJ fica sabendo dos bloqueios nas ruas da cidade feitos pelos Da Nang Boys. Os Rifas contam a ele e pedem para que ele fosse na frente para eliminar o máximo de vietnamitas possível. É o que CJ faz. Ele assume a frente e logo encontra a primeira barricada feita pelos asiáticos. Era bem em uma avenida de Doherty. Quatro carros fechavam a rua, com vários Da Nang Boys armados aguardando a van aparecer. O trânsito na avenida estava gigantesco por conta do bloqueio. É por ele que CJ se aproxima antes de descer da moto e abrir fogo contra os vietnamitas. O pânico na avenida é geral. Vários carros começam a sair dali batendo uns nos outros, desesperados por conta do tiroteio. Mas o pior ainda estava por vir. Os carros dos Rifas chegam com o lança-míssil já abrindo o bloqueio com uma imensa explosão. Peças de carro e partes do corpo de Da Nang Boys voam. A mesma coisa acontece em mais três bloqueios dos asiáticos no bairro, assim o caminho fica livre para a van chegar ao estacionamento da fábrica do Loco Syndicate em Doherty. Não se sabia o que era feito ali, nem mesmos os Rifas sabiam.

Ok, a gente conseguiu, mas a polícia vai chegar aqui daqui a pouco. Some com essa van, eu vou vazar daqui! – CJ diz ao Rifa que dirigia a van.

Antes de ir embora, CJ é chamado por um dos latinos e recebe nove mil dólares, que diz que era ordem de Toreno. Era o pagamento da promessa de que tudo valeria a pena. CJ fica satisfeito e aprende mais sobre os vietnamitas tidos como violentos da cidade. Os Da Nang Boys podiam até ter a violência como principal arma, mas organização definitivamente não era o forte deles. A polícia até tentou achar a van e os veículos que a escoltavam, mas nunca encontraram. CJ se escondeu em uma garagem que estava aberta próxima a fábrica.

No dia seguinte, CJ é surpreendido por uma mensagem deixada por Woozie em seu pager:

“Boa tarde, CJ. Recebi informações a respeito da sua investida dentro do Loco Syndicate e sobre ataques que você coordenou contra os Da Nang Boys. Fiquei muito feliz ao saber, pois eles não apreciam a presença de nós, chineses, na cidade. Também soube de algo muito importante e definitivo para a sua infiltração no Loco Syndicate. Eles farão mais um acordo com os Ballas, de Los Santos, em breve, e tudo será realizado aqui em San Fierro, mas infelizmente meus homens não conseguiram descobrir o local exato do encontro. Creio que Jizzy seria novamente o meio mais fácil de conseguir essa informação. O telefone dele seria suficiente para você ter a confirmação do local e organizar o fim definitivo deles, que creio que seja algo desejado por você.

Do seu amigo,
Wu Zi Mu”

Assim que termina de ler, CJ decide que havia chegado a hora do fim do Loco Syndicate e do início real do declínio dos Ballas em Los Santos, que ficariam sem os maiores fornecedores da Costa Oeste do país. E Jizzy seria o primeiro que morreria. A traição naquela ligação do dia anterior havia sido sua sepultura.

CJ tinha pressa. Ele abre o porta-malas do carro de Cesar na garagem a procura de uma pé-de-cabra velho.

Que merda, onde eu coloquei? Onde eu coloquei essa merda? – CJ vasculha o porta-malas.

E aí, mano, você está bem? – Cesar se aproxima.

Sim. Woozie deixou uma mensagem e disse que eu tenho que pegar o telefone do Jizzy antes que ele receba uma ligação. Aí eu vou poder fazer uma emboscada em um encontro e matar os traficantes dos Ballas de Los Santos! – CJ diz.

Quer eu eu vá com você, mano? – Cesar pergunta.

Não, isso é trabalho para um homem só. Tenho que ficar bem na miúda. Eu estava pensando em pegar um ferro para soldar e fazermos um silenciador... – CJ diz.

Hahaha! Você é doido para caralho, mano! Tem que perder essa mentalidade do gueto! – Cesar ri.

Me dá uma ideia, então... – CJ pede.

Deixa eu te mostrar... – Cesar vai até um carrinho que carregava pela oficina e pega uma pistola com um silenciador caríssimo – Olha isso aqui, mano. Pode pegar o meu...

Onde você arrumou isso? – CJ pega a pistola e começa a analisar.

No mesmo lugar que comprei minhas calças, mano. Estamos nos Estados Unidos! – Cesar ri.

CJ agradece e parte em direção ao Pleasure Domes. Seria sua última ida até lá. Jizzy morreria naquela tarde. CJ estaciona seu carro no estacionamento do clube e vai à porta.

Foi mal, cara. Festa particular... – dois seguranças impedem a entrada.


CJ não fala nada. A ideia vem imediatamente. Ele volta ao estacionamento e vê que havia um andaime para subir até embaixo da Gant Bridge que passava bem perto do teto do clube. A entrada teria que ser por cima. Em pouco tempo, CJ entrava em uma janela aberta no topo do clube e saía nos andaimes com os refletores. Ele desce os andares já com a pistola em punho, pois a entrada estava liberada apenas para convidados especiais. Do segundo andar, CJ vê a festinha que acontecia, regada a cocaína. Prostitutas mandavam carreiras e mais carreiras de pó para dentro junto com seguranças e amigos de Jizzy, enquanto outras ficavam abraçadas ao cafetão.

Me dá espaço! Me dá espaço, vagabunda! – Jizzy se irrita com uma puta agarrada a ele e se levanta – É aquela hora da semana de novo. O fornecedor de vocês vai fazer aquela ligação especial. Se eu pensar, só por um momento, que uma de vocês, acompanhantes, está me enganando, é morte!

É melhor você pegar mais essa semana, Jiz. Estamos quase sem nada, querido... – Bettina, uma das putas de Jizzy, reclama.

Cala a boca, vagabunda! Estou resolvendo negócios! – Jizzy grita.

Não grita comigo, cuzão! – Bettina vai para cima de seu cafetão.

Cala a boca, sua puta! Cuzona! – Jizzy empurra Bettina, que cai no colo de um segurança.

Que idiota! – Bettina sai do clube.

CJ aparece na festinha.

Aí, Jizzy. Preciso ter um papo contigo... – CJ diz, sério.

Fala, então, amigo. É isso que a gente sempre faz! Uma palavra gentil aqui, uma conversa esperta ali. Porra, sou um livro de provérbios ambulante! – Jizzy desliga o telefone e responde a CJ.

Não, você é um cara fodido! – CJ tira sua pistola e aponta para a cabeça do cafetão.

Qual foi, cara!? Ei, eu entendi errado, beleza? Eu não sou perfeito, tá ligado? Tipo... – Jizzy se desespera – Não sou gentil, não sou esperto! Não sou inteligente! Mas, Senhor, eu tentei!

Não, você se fodeu quando confiou em mim, mano! – CJ diz.

Qual é, baby! – Jizzy não sabe o que falar.

Você é um lixo vendedor de bagulho e de bucetas! – CJ agarra o pescoço de Jizzy e o empurra contra o sofá.

Meu Deus! O que vocês estão esperando!? Alguém mata esse preto, porra! – Jizzy grita com seus seguranças.

Mas nada adiantou. CJ atirou na cabeça do primeiro segurança e depois na cabeça do segundo segurança. Jizzy estava no meio, apavorado. As prostitutas são liberadas, ficando apenas o cafetão no meio de dois homens mortos. O olhar de medo de Jizzy era inacreditável. Um homem que se dizia tão importante e precioso, ali, na mira de uma pistola, apenas esperando o fim da vida. CJ nem se deu o trabalho de perguntar o local que aconteceria o acordo com os Ballas, pois Jizzy era daqueles que nunca falaria, mesmo sendo feito de otário pelo Loco Syndicate. O terceiro tiro é dado enquanto Jizzy tentava convencer CJ a ter quantas putas quisesse. O cafetão morreu com dois tiros: um na testa e outro na boca, por falar demais.

CJ pega o telefone de Jizzy e pensa em ir para casa voltando pelo mesmo lugar que entrou. Mas enquanto saía do clube, o telefone toca. CJ atende imitando a voz e o sotaque do cafetão e ouve alguém informando um endereço e um horário. Era o necessário. CJ desliga e rapidamente liga para Cesar:

Aí, Cesar!

E aí, mano, qual é? – Cesar responde.

Preciso que você me encontre no Píer 69. A gente vai acabar com esse Loco Syndicate! – CJ avisa.

Ok, mano! Você precisa de apoio? – Cesar pergunta.

Não, cara. Já está tudo certo! – CJ diz, confiante.

Já estava tudo certo. O encontro aconteceria no Píer 69, uma espécie de feira com vários comércios que ficava em um píer no bairro de Esplanade North. Apesar de ser um ponto turístico por causa da bela vista para o mar que lá havia, o local estava vazio na hora marcada, às seis da tarde. Pouco antes, CJ havia chegado próximo ao píer e visto o carro de Cesar, que estava vazio.

CJ, estou aqui em cima! – Cesar grita de cima de um prédio – Dá a volta por trás!

CJ vai aos fundos do prédio, onde havia uma grande escada. Ele sobe e encontra Cesar lá em cima, com um arsenal de armas, de pistolas a metralhadoras e fuzis. A vista para o píer de onde estavam era perfeita. De lá, CJ podia ver Rifas em cima dos comércios.

E aí, cara... – CJ se aproxima.

Mandou bem pegando a mensagem pelo telefone, mano! – Cesar diz – O que aconteceu com o Jizzy?

Está morto. Qual é o plano agora? – CJ é enfático.

A segurança do T-Bone chegou aqui bem cedo. Eles tem homens nos tetos no píer inteiro... – Cesar diz enquanto CJ observava de perto pela mira de uma sniper.

Um carro cheio de homens de preto se aproxima do píer. Eles estacionam e saem todos armados. O telefone de Cesar imediatamente toca.

Oi! Sim, sim, estou vendo vocês! – Cesar desliga e avisa a CJ o que estava acontecendo – Eram os homens do Woozie. Estão aqui. Olha ali na entrada lateral!

Que merda, eles estão indo para o teto! – CJ percebe.

Merda! Mira, nós vamos ter que eliminar os homens de T-Bone antes que dê uma merda gigantesca! – Cesar tem que improvisar.

CJ e Cesar começam a atirar de cima do prédio, que ficava do outro lado da rua ao píer, nos Rifas que faziam a segurança. Mas não deu tempo, pois os soldados da Triad invadiram o teto de um dos comércios e foram recebidos a bala. Com os tiros de CJ e Cesar, os Rifas são mortos, mas não antes de matarem um dos chineses.

Mas que merda! Eles foram bem em direção a eles! – Cesar se lamenta pelas mortes – Ainda tem alguns na esquerda, CJ! Um dos caras da Triad está morto!

Cara, minha mira está muito boa! – CJ diz antes de matar mais dois Rifas que se escondiam dos tiros.

Logo que o tiroteio acaba, uma van roxa se aproxima e estaciona no píer. Sem imaginar o inferno que estava o local, de dentro saem T-Bone e mais alguns Rifas para o encontro. Eles caminham em frente ao píer tranquilamente.

Olha o T-Bone chegando! – Cesar avisa.

CJ já se preparava para mirar no homem que quase havia o matado no dia anterior, mas algo o surpreende mais. Ryder chegava ao píer em um carro lotado de Ballas.

Lá vem a cobra do Ryder também. Olha só esse otário, andando com Ballas como se fossem amigos de infância! – CJ diz.

Ryder, T-Bone, Ballas e Rifas se reúnem em uma mesa no centro do Píer 69. Mas algo incomoda CJ:

Alguma coisa não está certa. Onde está o Toreno?

Helicóptero chegando! – Cesar vê um helicóptero se aproximando do píer.

Só pode ser o Toreno... – CJ diz – Ah não, merda! Ele vai ver os corpos no teto!

CJ estava certo. O helicóptero se aproximava do píer, mas deu meia volta. Havia vários homens mortos e Triads nos tetos esperando o momento certo para atirarem. Com o movimento brusco do helicóptero, todos no píer correm para se protegerem. Todos entenderam que estavam correndo perigo. Soltam bombas de fumaça e se dispersam.

Tarde demais, cara, ele já vazou! – Cesar diz.

Bombas de fumaça? Estavam bem preparados para uma surpresa. Vamos pegar esses otários agora! – CJ diz.

Todos no píer correm para os carros para fugir do local. Mas lá era exatamente onde CJ e Cesar tinham total visão para atirar, além dos Triads. Todos abrem fogo ao mesmo tempo. Os Rifas e os Ballas são todos atingidos por tiros, inclusive Ryder e T-Bone, mas neles não foram tiros mortais. Os Triads também foram atingidos na troca de tiros e ficaram incapazes de terminar a batalha. Vendo a situação, Cesar e CJ rapidamente descem o prédio com fuzis, atravessam a rua e entram no Píer 69 em meio aos corpos. Perto da varanda de frente para o mar, T-Bone se arrastava nela para conseguir ficar em pé, pois havia sido ferido por um tiro no estômago.

Mendez, estou te vendo, Rifa filho da puta! – Cesar grita.

T-Bone olha para os dois com um sorriso no rosto. Foi seu último, pois Cesar fuzila o mexicano em honra a José, o líder de sua gangue em Los Santos que havia sido humilhado e espancado por T-Bone alguns meses antes. T-Bone toma tanto tiro que seu corpo é jogado para trás e cai no mar.

Do outro lado do píer estava Ryder, que havia apenas tomado um tiro no braço. Ele corria para a varanda quando CJ o avistou:

Ryder, seu maconheiro cuzão! Você acha que vai aonde!?

Você não pode me parar! – Ryder grita.

Ele vai pegar as lanchas! – Cesar avisa.

Não se preocupa, já resolvo isso... – CJ diz.

Ryder pula da varanda do píer e tenta nadar até uma das lanchas em que os Rifas haviam chegado mais cedo para realizarem a segurança. Mas não teve tempo de nadar até elas. CJ apenas escorou na varanda seu fuzil em direção ao mar e fuzilou o ex-amigo no mar. Sem pena. Uma mancha vermelha imediatamente rodeou o corpo de Ryder, que afundou, morto.

Um gigantesco passo havia sido dado para a recuperação de Los Santos naquele fim de tarde. O Loco Syndicate estava sem duas de suas três peças. Ryder estava morto. Toreno seria a cereja do bolo que faltava. Mas ele não iria longe sem seus braços e suas pernas, que eram T-Bone e Jizzy. Era o que CJ ingenuamente pensava.

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